Chances

1 Capítulo I


Odélio perdera toda sua família. Sem haver ninguém que amava no mundo afogara-se em meio à depressão. Porém, sem nenhuma moradia e destino começou a trabalhar em uma lavoura para uma família muito rica de fazendeiros mineiros, onde lá se estabelecia e se alimentava duas vezes ao dia. Com o passar do tempo, tornara amigo da família, exclusivamente de Lucia, moça com quem passava as noites tentando descobrir qual das estrelas representava sua mãe, pai e irmãos. Os pais de Lucia desconfiavam se os sentimentos de amizade que a menina sentia por Odélio estavam se transformando em forma de amor. Preocupados com o que a sociedade falaria ao saber que sua filha desejava um trabalhador sem moradia, logo arrumaram um par casamenteiro rico, jovem e socialmente bem visto.

Em uma manhã nublada, Odélio acordou com o som de batidas na porta. Era Júlio, pai de Lucia, com um convite de casamento entre os dedos. Odélio perdeu os sentidos, havia recebido o convite da solidão e da retomada da depressão, saiu do quarto e com seu único bem material e cortou a estrada a fora em busca de gasolina e uma mangueira.

Lucia não podia contestar a vontade de seus pais, caso fizesse isso seria banida da sociedade e também de sua família. Mas a única coisa que ela se importava era Odélio. Seus pensamentos só iam de encontro a ele, será que valeria a pena ir contra tudo apenas para viver ao lado de um amor? Preocupada e sufocada com a repentina mudança em sua vida, Lucia fora ao pequeno cubículo que era o quarto de Odélio. Encontrara no recinto seu convite que nem ao menos fora escolhido por ela, pegara o pequeno envelope com as mãos tremulas e lera uma pequena frase escrita com uma tinta que lembrara o vermelho do sangue “Que a última explosão não venha de um nobre coração”. Sua cabeça girou e apenas ouvira as batidas fortes de seu coração. Lucia sentira o gosto amargo da bile ao saber o que Odélio planejava e não lhe tirava a razão, apenas faria o mesmo e aceitaria ser uma estrela inidentificável no vasto céu. Portanto, correra para seu quarto, buscando diversos remédios e ingerindo-os. Após a ingestão deitara em seu leito, apenas esperando pela única coisa que parecia reconforta-la no momento: a morte.