Chances
73 Sonhei com você.
Notas iniciais
Jo ficou por alguns dias, ao invés da visita rápida que havia pretendido fazer. Dean não reclamou, claro, e foi bom ter a companhia dela. Saíram para ver filmes, fazer compras, tentar jogar tênis em um clube ali perto e todas as noites acabavam com os dois bebendo vinho em frente da televisão até três horas da manhã.
Sam e Clark não apareceram mais no apartamento enquanto ela estava lá, o que deu a Dean um tempo para respirar. Claro que não deixou de pensar neles, mas assim ficava mais fácil de raciocinar qual deveria ser seu próximo passo.
— Só estou dizendo que você não precisa ter um próximo passo. Não precisa mais pensar neles — A loira disse em uma das preguiçosas noites de primavera.
— E eu estou dizendo que eu gostaria de ter um plano, Jo. Eu nunca fiquei solteiro, não sei viver e fazer escolhas sem envolver outra pessoa.
— As pessoas mudam, Deanno. Você vai conseguir.
— Eu sei. Mas e se um dia eu estiver aqui com um dos dois e um deles disser que quer voltar? Ou pior, e se um deles me beijar? — Dean tomou um gole de seu vinho — Tenho que fingir que não sinto mais nada?
— Se não quiser ficar louquinho, é isso mesmo o que tem que fazer.
— Como assim?
— Pensa bem — Ela se aproximou dele no sofá — Eles te amam, Dean. Mas eles também acham que você ainda os ama. E mesmo que isso seja verdade, eles não podem saber. Ou vão sempre achar que têm uma chance e que de uma forma ou de outra, vocês vão acabar ficando juntos.
— Ok... Só me responde uma coisa, e seja bem sincera.
— O que?
— Qual dos dois você escolheria?
Jo ficou quieta por alguns segundos. Depois, colocou sua taça na mesa de centro e se deitou nos braços de Dean, abraçando-o forte. Ela suspirou antes de responder.
— Você sabe quem.
— Não, eu realmente não sei — Ele a abraçou também.
— Sam.
— Ah. Sério? — Dean não esperava por essa resposta.
— Sim, vocês dois estão apaixonados desde aquele primeiro beijo na praia.
— Eu amo o Clark — O loiro disse, pensativo.
— Eu sei. Mas você ama mais o Sam.
Dean se arrependeu de ter feito a pergunta. Mas mesmo que ele tenha evitado admitir para si mesmo, essa é a verdade. Clark era maravilhoso, mas Sam sempre teve um apelo muito maior com ele. Sempre houve essa atração inexplicável entre os dois. Uma conexão que nenhum dos dois entendia muito bem.
E isso o assustava, porque mesmo que não quisesse fazer uma escolha agora e quisesse permanecer solteiro por um tempo, ele sabia que na verdade não havia escolha nenhuma. Era Sam. Sempre fora o Sam.
Mas o que ele faria então? Deveria contar a verdade a Clark para ele não achar que tinha uma chance? Deveria mentir para Sam e lhe dizer que também não tinha chances?
Talvez Jo estivesse certa. Talvez ele simplesmente não devesse ficar pensando nisso. Talvez devesse dar tempo ao tempo.
Ouviram alguém bater na porta e acharam estranho, pois já era quase meia-noite. Jo se levantou e abriu a porta, deixando um gritinho escapar por sua boca. Dean se assustou, mas sorriu ao ver Tish envolvendo Jo em seus braços.
— Oi, primo! – Ela disse, acenando para Dean, enquanto Jo ainda a abraçava.
— E aí, Tish!
— Ai meus céus, não acredito que você está aqui! – Jo soltou um gritinho de novo.
— É, férias de primavera – Tish soltou Jo e entrou no apartamento, fechando a porta atrás dela – Então pensei em vir visitar Deanno. O que você faz aqui?
— Eu senti falta dele. E também tem todo aquele lance do Sam e do Clark.
Dean rolou os olhos para Jo e se levantou para abraçar sua prima. Dizendo para ela se sentar em seguida.
— Ah, é! Você ainda está com o Clark? – A ruiva perguntou, sentando-se ao lado de Jo.
— Na verdade, eu... – Dean não sabia como responder.
— Ele traiu o Clark com o Sam. Aí eles terminaram, mas tanto o Clark quanto o Sam ainda querem um pedaço dessa bunda linda – Jo respondeu por ele.
— Jo! – Dean a repreendeu.
— Tudo bem, Deanno – Tish sorriu – Não estou aqui para te julgar. Além do mais, você vai acabar ficando com o Sam mesmo.
— Qual é, você também acha isso? – Dean reclamou e suspirou.
— Claro. Ele é sua paixão do colegial – A ruiva sorriu para ele e então olhou para Jo – É algo bem difícil de esquecer.
— Você continua linda – Jo disse sem pensar.
— Você também – Tish piscou para ela.
— Ok, eu estou sobrando aqui. Vou dormir meninas – Dean se levantou – Acho que você pode dormir com a Jo no quarto de hóspedes, Tish. A cama é de casal.
— Valeu, primo.
— Boa noite, Deanno – Jo sorriu e Dean foi para seu quarto.
Ele ficou feliz por Tish ter aparecido. Ela queria obviamente conversar com ele a sós, sobre algo importante talvez, ou não teria aparecido à meia-noite de uma terça-feira. Mas elas também pareciam ter o que resolver, então ele achou melhor deixá-las sozinhas.
Ao se deitar na cama, Sam conseguiu a atenção de seus pensamentos. Dean se lembrou de sua voz, seu toque, seu carinho... E foi dormir pensando nele.
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Dean acordou quase onze horas naquela manhã. Foi ao banheiro de seu quarto e escovou os dentes, indo até a cozinha em seguida. No banco do balcão estava Clark, lendo o jornal como fazia todas as manhãs.
— Bom dia, Clark – Dean o cumprimentou sonolento, sem realmente registrar que ele estava ali.
— Bom dia, meu anjo – Clark disse sem pensar, mas logo se corrigiu – Quer dizer, bom dia, Dean.
— Dormiu bem? – O loiro perguntou, colocando cereal e leite em uma vasilha.
— Sonhei com você.
— Jura? – Esse fato deixou Dean um pouco mais alerta.
— Sobre nossa última noite. Eu nunca me desculpei pelo que eu disse sobre você – O moreno parecia triste com seus olhos verdes presos no rosto do loiro.
— Eu mereci. Não precisa se desculpar.
— Eu te amo, Dean. Não é coisa que se diga para quem você ama.
### FLASHBACK ON ###
— Você não pode estar falando sério – Dean tentou argumentar.
— Fica, Dean. Podemos fazer isso funcionar, por favor – Clark parecia pensativo. Ainda carregava aquele olhar machucado e vulnerável, mas ele não queria que Dean fosse embora.
— É a coisa certa a fazer.
— Como se você desse a mínima para o que é certo.
— Clark, não fala assim – Dean sentiu vontade de chorar — Eu já pedi desculpas de todas as formas possíveis.
— Eu sei. Desculpe.
Dean pegou a última caixa em seus braços e a colocou do lado de fora do apartamento. Clark apenas ficou parado ao lado da porta, com braços cruzados e uma expressão ácida em seu rosto perfeito, agora inchado por conta do choro.
O Warner foi até seu quarto e respirou fundo, vendo se não esqueceu nada. Foi, então, até o quarto que dividia com Clark e abriu as portas do guarda-roupa. Tudo o que ali sobrara gritava Clark. Tudo tão bem arrumado e perfumado, separado por cores e tecidos... As lembranças que cada peça de roupa jogava em sua cara, o chamando dos piores nomes possíveis, por deixar algo tão belo quanto aquele relacionamento acabar. Clark tinha razão de estar tão amargo com ele.
Não tinha mais nenhuma peça de roupa sua lá, então fechou as portas. Foi até o criado mudo vendo o porta-retratos. Ele estava caído, com a foto para baixo, mas sabia que foi Clark que o deixara daquela forma. Viu todos os pequenos presentinhos que estavam alinhados perfeitamente, o lembrando de tempos felizes. De lembrancinhas que foram compradas em pequenas lojinhas de outra cidade, bichinhos de porcelana que sorriam para ele e, novamente, o faziam se sentir a pessoa mais terrível do mundo.
Estava tudo acabado. Nada daquilo estava sendo tão fácil quanto tinha planejado com Jo. Nenhuma das palavras que ele pensou em dizer para Clark conseguiram sair de sua boca. Nenhum dos bilhetes, que ele pensou em deixar no travesseiro do moreno, foram escritos. Nenhum dos abraços, nenhum dos beijos, nenhum dos pedidos de desculpas.
— Adeus, meu amor – Dean disse para todas as boas memórias antes de sair do quarto.
Clark era maravilhoso. Sempre foi. E ele foi um idiota por perder isso. Ele o desapontou, o magoou, o enganou e nunca se perdoaria por isso. Mas o pior de tudo é que ele sabia que Clark iria perdoá-lo. Ele sabia que, se dependesse do moreno, eles seriam ainda os melhores amigos que resolveram morar juntos na época da faculdade. Eles ainda seriam tudo o que poderiam ter sido um dia.
Andou até a sala onde Clark estava. Os dois rapazes se encararam por um longo tempo, sem dizer nada um ao outro. As lágrimas de Clark estavam ganhando a batalha e ele não conseguia mais segurá-las. Dean andou até ele e o abraçou. Não disse nada, apenas o segurou firme, pelo tempo que ele precisou.
So tell me why, I'm swimming against the tide
(Então me diga por que estou nadando contra a mare)
And I'm praying for a lifeline, ‘cause
(E estou rezando por uma vida inteira, porque)
I’m losing you
(Estou te perdendo)
So tell me why, you don't care enough to try
(Então me diga por que você não liga o suficiente para tentar)
Are you giving up this fight? I can't stand,
(Você está desistindo dessa luta? Eu não consigo aguentar)
Won’t stand, losing you
(Não vou aguentar perder você)
— Não quero te perder, Dean.
— Eu sei, mas... Acho que não temos escolha aqui – Dean tentou parecer confiante de sua decisão.
— Você tirou essa escolha de mim. De nós – Clark se afastou dele, ainda chorando.
— Clark, não...
— Foi sim! Você botou tudo a perder, Dean! Você escolheu por nós dois. Você arrancou essa escolha das minhas mãos, eu não pude dar opinião nenhuma sobre nada, porque você decidiu tudo sozinho!
Dean resolveu ficar em silêncio. Clark estava finalmente liberando tudo o que estava guardado dentro dele.
— Você é um filho da puta! Como pôde fazer isso comigo? – Clark continuou, apontando um dedo para o loiro que estava parado, impotente, à sua frente – Depois de tudo o que eu fiz pra você! Depois de todas as horas e o cansaço e a preocupação! Eu te amei! O mínimo que você poderia ter feito era me respeitar e não sair dando por aí como uma prostituta para quem te chamasse mais atenção.
Clark colocou a mão na boca, se arrependendo imediatamente do que disse.
— É melhor eu ir – Dean limpou uma lágrima e tentou sorrir – Tchau, Clark.
### FLASHBACK OFF ###
— Eu tenho que te contar uma coisa – Clark tentou sorrir – É por isso que estou aqui.
— Tudo bem. O que foi? – Dean estava curioso.
— Sam procurou por você. E nós conversamos. E ele foi embora antes de você aparecer.
Sam? Quando? Por quê?
— Quando foi isso?
— Alguns meses antes do casamento do Henry.
— E você está me contando agora, porque...?
— Porque eu acho que você deveria saber. E eu deveria ter adivinhado que vocês iam acabar se encontrando uma hora ou outra, e se eu tivesse apenas deixado vocês dois conversarem e se resolverem tudo isso poderia estar bem diferente – Clark desabafou.
— E por que ele foi embora? Por que não me esperou chegar em casa? – Dean tentou não julgar Clark por suas escolhas, mesmo sem saber quais foram elas.
— Por minha causa, Dean. Eu... Você estava se recuperando de toda aquela fase na Supernatural Me e seus pesadelos com o Sam estavam cada vez menos frequente. Eu não queria estragar todo esse progresso. E ele concordou comigo. Desculpe.
— Está tudo bem, Clark. O que passou, passou. Obrigado por cuidar de mim.
### FLASHBACK ON ###
— Então — Clark resolveu salvá-lo novamente e o loiro sorriu para ele, agradecendo — Gostei dessa cor nas paredes. Que bom que não escolheu aquela cor pêssego.
— Aquela cor era linda — Warner se defendeu.
— Dean, você tem um problema com laranja, isso é um fato — Sam disse com um sorriso.
— É uma cor alegre.
— É uma cor brega — Clark sorriu também.
— Concordo com o Clark aqui — O Winchester deu umas batidinhas no ombro de Clark que fingiu que isso não foi estranho.
— Aquele sofá laranja é lindo.
— Não é não — Sam disse.
### FLASHBACK OFF ###
— Agora faz sentido – Dean disse pensativo.
— O que?
— Sam comentou na cor do nosso sofá, mas para mim ele nunca tinha o visto. Agora faz sentido.
— Ah sim.
— Bom dia, meninos – Tish disse, meio sonolenta, sentando-se ao lado de Clark na bancada.
— Bom dia, linda. Jo não me disse que você estava aqui – Clark sorriu.
— Cheguei ontem à noite – Ela colocou café em uma xícara e adicionou açúcar. Parecia cansada.
— Conversaram bastante, Tish? – Dean sentou-se para comer seu cereal também.
— Sim, mas eu queria conversar com você também.
— Querem que eu saia com a Jo? – Clark ofereceu e Tish sorriu, o agradecendo.
— Seria ótimo, obrigado Clark. Por falar nisso, cadê ela?
— No banho – Tish tomou mais um gole de seu café.
Bem, pelo jeito Dean estava certo. Tish queria mesmo conversar. Ele ficou preocupado quando olhou para ela e a viu limpando uma lágrima. Mas eles iriam conversar mais tarde. Iria ficar tudo bem.
Continua...
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