Chances

72 Podemos entrar?


Notas iniciais
Demorei. Sorry.

"Can't help falling in love" de Elvis Presley estava tocando, enquanto Dean estava sentado no ônibus indo para casa. Seus lábios acompanhavam a letra da música e sua cabeça estava doendo muito, por algum motivo.

Bem, as tardes que passava com seu pai sempre o deixavam com algum tipo de dor. Por isso resolveu cortar a visita à casa de sua avó pela metade e ir embora mais cedo. Ele estava mais incomodado com a presença do pai do que nunca.

A chuva começou a cair, o que deixava aquele momento com um ar dramático, típico de filmes. Ele sempre foi antiquado para sua idade, mas era a primeira vez que realmente parou para escutar as músicas do rei, e agora com a chuva tudo parecia um pouco mais intenso.

Alguns minutos se passaram e Dean se levantou, segurando firmemente na barra de apoio do ônibus para que não caísse e deu o sinal para que o motorista parasse no próximo ponto.

Quando finalmente desceu, começou a correr, na esperança de fugir da chuva, mas ficou encharcado em segundos. Continuou correndo, sentindo-se mais leve assim, do que se estivesse andando. Virou algumas esquinas até que chegasse na rua de sua casa.

Diminuiu o passo assim que viu alguém sentado na frente da casa. Era Sam. Droga, o que ele estava fazendo ali?

O moreno se levantou ao perceber que Dean estava se aproximando.

– Sam? — Warner o encarava. Ele parecia tão mais novo.

– Oi, Deanno — Ele respondeu com um sorriso nervoso.

– Você está louco? Tá chovendo, o que você está fazendo aqui?

– Esperando por você.

– Eu não ia voltar hoje, sabia? — Dean respirou fundo — Você iria passar a noite aqui? Não seja idiota.

– Fazemos coisas idiotas quando estamos apaixonados.

Os dois rapazes se aproximaram, se enroscando em um beijo apaixonado, cheio de saudade. Seus corpos se grudavam como se alguma força maior os juntasse, não os deixando se separar. Mas assim que o beijo ganhou intensidade, Dean tirou forças sabe-se lá de onde e separou o beijo.

– Não posso fazer isso, Sammy. Sinto muito.

– Por que não?

– Estou com o Clark, agora — O loiro disse como se fosse óbvio.

– Não é possível, terminamos ontem.

– Não, Sam. Já faz anos.

– Não, foi literalmente ontem — O Winchester estava genuinamente confuso — Não brinca comigo, vai.

– Espera um minuto.

Ainda na chuva, Dean abriu sua mochila pegando um espelho que havia no bolso da frente. E então ele viu seu reflexo. Um garoto de 17 anos de idade olhando de volta para ele.

– Estamos em 2007? — Ele perguntou ao mais alto.

– Isso — Sam respondeu — O que houve? Está tudo bem?

Dean suspirou. Parecia desapontado.

– Isso é um sonho, Sam — O loiro sorriu suavemente para o Winchester e se aproximou novamente de seu corpo, colocando uma mão no rosto que parecia um tanto preocupado.

– Eu te amo.

– Eu sei — Ele continuava sorrindo e depositou um beio leve no rosto do moreno — Não acredito que depois de tudo, meu cérebro ainda tem a audácia de sonhar com você, Sammy.

– Fazemos coisas idiotas quando estamos apaixonados.

E então, o despertador tocou.

Dean se sentia enjoado e correu até o banheiro para vomitar. Se sentia ansioso e tonto. Sentou-se no chão frio do banheiro, tentando respirar um pouco, esperando melhorar logo.

Era sua segunda semana no apartamento novo. Clark fora visitá-lo no segundo dia, levando algumas das coisas que Dean havia deixado para trás. Sam aparecera após uma semana com uma garrafa de vinho e uma caixa de chocolates, mas não ficou por muito tempo. Jo estava em um avião, indo visitá-lo. E não queria estar nesse estado quando a loira chegasse. Resolveu tomar um banho para ver se o mal-estar passava.

Então levantou do chão e tirou suas roupas, deixando a água quente correr por suas costas ao entrar em baixo do chuveiro. Respirou fundo e começou a se lavar; realmente se sentiu melhor. Encostou-se na parede e fechou os olhos por um instante, sendo invadido pelas lembranças de seu sonho. Não era o primeiro sonho assim, e com certeza não seria o último, mas não conseguia parar de pensar em Sam.

Aquele corpo musculoso, aquelas mãos enormes, os lábios macios e quentes, a voz rouca gemendo o nome de Dean em seu ouvido... Quando o loiro olhou para baixo, viu que talvez tenha ficado animado demais, mas antes que pudesse fazer algo sobre isso, sua campainha tocou. Devia ser Jo.

Saiu do chuveiro e se enrolou em uma toalha rapidamente, correndo até a porta para não deixá-la esperando. Mas quando abriu a porta, não viu Jo parada e sorrindo para ele. Viu Sam, com um pequeno arranjo de flores na sua mão, ao lado de Clark, que sorria desconfortavelmente.

O que eles estavam fazendo ali?

– Oi, Deanno — Os dois rapazes disseram ao mesmo tempo e Dean não conseguia se mexer.

– O... O que... — Ele não conseguiu terminar a frase, então Clark resolveu explicar.

– Eu estava vindo te fazer uma surpresa. Aparentemente o Winchester, hum... Sam, pensou em fazer o mesmo. Nos encontramos lá em baixo — Clark tentou sorrir.

– Podemos entrar? — Sam abriu seu melhor sorriso.

– Cl-Claro. Entrem.

Os dois morenos entraram e sentaram-se no sofá, enquanto Dean trancava a porta. Ele se virou para eles tentando achar um meio de deixar tudo isso menos constrangedor. Sam e Clark não conseguiam parar de encarar o peitoral nu de Warner.

– Te pegamos num momento ruim? — Sam perguntou, apontando para a toalha em sua cintura.

Dean olhou para baixo e viu que o volume de sua ereção estava perfeitamente visível em sua toalha. Ficou vermelho instantaneamente e correu até seu quarto. Assim que fechou a porta, respirou fundo tentando se acalmar. Começou a rir por conta do seu nervosismo, mas conseguiu forças para se vestir.

Saiu do quarto e foi até a sala, oferecendo algo para os rapazes beberem, fingindo que nada havia acontecido. Clark disse que não queria nada, Sam aceitou uma cerveja. Depois de pegar a garrafa e entregar ao Winchester, sentou-se na poltrona de frente para eles.

– Então... — Dean disse, sem ter ideia do que falar.

– Então — Clark resolveu salvá-lo novamente e o loiro sorriu para ele, agradecendo — Gostei dessa cor nas paredes. Que bom que não escolheu aquela cor pêssego.

– Aquela cor era linda — Warner se defendeu.

– Dean, você tem um problema com laranja, isso é um fato — Sam disse com um sorriso.

– É uma cor alegre.

– É uma cor brega — Clark sorriu também.

– Concordo com o Clark aqui — O Winchester deu umas batidinhas no ombro de Clark que fingiu que isso não foi estranho.

– Aquele sofá laranja é lindo.

– Não é não — Sam disse.

Espera, como Sam sabia como era seu sofá. Ele nunca fora no seu apartamento. Mas quando Dean foi perguntar como ele sabia sobre o sofá, a campainha tocou. Tinha que ser Jo dessa vez, se não fosse, ele iria ficar louco.
Dean se levantou e foi atender à porta. Ela estava linda como sempre e pulou nele para te dar um abraço. Mas ao invés de dizer "oi", Dean sussurrou um "me ajuda". Jo não entendeu imediatamente, mas ao ver os dois rapazes na sala de estar, já soube o que deveria fazer.

– Oi, meninos — Ela sorriu simpaticamente.

– Oi, Jo — Sam sorriu também.

– Oi, linda — Clark disse, evitando o olhar dela.

– É o seguinte — Jo manteve o sorriso no rosto, mas falava firme com eles — Os dois. Fora. Agora. Não é a hora nem o lugar, entendido?

Sam e Clark confirmaram com a cabeça.

– Ótimo. Foi bom ver os dois. Agora, tchau — Ela deu um beijinho na bochecha de cada um e os guiou até a porta.

– Até mais, Deanno — O Winchester disse baixinho e Clark apenas sorriu para o loiro antes de Jo fechar a porta.

A loira suspirou e sentou-se no sofá, fechando os olhos por um momento. Dean sentou-se ao lado dela e ela o puxou para um abraço, sorrindo ao olhar em seus olhos.

– Lindo como sempre, Deanno. Você não muda nunca, né?

– Eu não mudo nunca, e você só melhora — Ele sorriu, mas depois pareceu preocupado — Não vai dizer nada sobre eles?

– Você ainda não consegue falar o que pensa não é? — Ela sorriu.

– Eu consigo. Só não com eles.

– Bem, é muito mais difícil de você "não escolher nenhum dos dois" — Jo fez as aspas com os dedos — Se eles ficarem sempre por aqui.

– Eu sei. E obrigado pela ajuda.

– Mas vamos falar de algo mais sério — Ela sentou-se de frente para ele — A cor dessas paredes.

– Achei que ia ficar melhor essa — Dean olhou para a sala.

– Achei que ia escolher aquele que parecia uma cor de pêssego.

– Você tem um problema com laranja, Jo.

– Como se você não tivesse, Dean.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijackles e Padakisses ♥