Chances

25 Não quer passar a noite aqui?


SAM’S P.O.V.

- Acho melhor eu voltar para casa – Eu disse, assim que entramos no quarto.

- Não pode ficar mais? – Warner me olhava nos olhos, quase implorando para que eu dissesse sim.

- Quem dera – Seus olhos encararam o chão, um tanto tristonhos e incrivelmente brilhantes — Ah, vem aqui – Fechei a porta e o puxei pela cintura, selando nossos lábios.

Ele era tão tímido. Suas mãos permaneciam em meu pescoço, enquanto ele me dava espaço para explorar sua boca com intensidade. Pude senti-lo sorrir entre os beijos e eu juro que senti algo crescer em meu peito. Era uma sensação muito boa. Ele separou o beijo e ficou me olhando, parecia estar pensando em algo.

- O que foi? – Perguntei, mas ele continuou em silêncio por um momento.

- Não quer passar a noite aqui? – Ele perguntou, como se estivesse prendendo a respiração por muito tempo.

- O quê? – Eu sorri. Queria ouvi-lo dizer isso de novo... Tão tímido, tão frágil.

- Dormir aqui. Digo, meu pai já foi dormir e ele sai antes da hora de eu acordar para ir para a escola. E, também, a minha mãe não ligaria para isso e eu posso ir na frente pra escola e você pode pegar um caminho alternativo pra gente não chegar junto e você pode ligar pros seus pais e dizer que está com o Adam ou sei lá o que você costuma fazer quando não passa a noite em casa, e...

- Shh – Coloquei um dedo em sua boca, fazendo-o se calar – Eu fico. Claro que fico.

Ele sorriu para mim. Suas bochechas estavam vermelhas e ele me abraçou. Não foram necessárias palavras naquele momento. Apenas dei um beijo em sua testa e retribuí ao abraço.

Tudo aconteceu tão rápido...

Num momento éramos, bom, eu nem sei o que éramos. Eu pegava no pé dele e ele aguentava firme. Em um momento eu era o valentão, o pegador, o popular e um cretino com ele, que era apenas um garoto tímido, nerd, sempre carregando livros e tirando as maiores notas da escola inteira, sem falar que tinha uma enorme força de vontade, determinação e paciência para nos aguentar. No outro momento, Dean estava batendo no Adam, indo a festas e me aturando enquanto estava bêbado.

Mas agora... Éramos apenas Sam Winchester e Dean Warner. Não havia rótulos aqui, ninguém para nos julgar, ninguém para dizer que o que estávamos fazendo era errado. E como poderia ser errado algo que nos faz sentir tão bem? Respirei fundo e ele separou nossos corpos, olhando-me nos olhos.

- Quer usar o meu telefone? – Ele sorriu.

- Quero sim – Eu disse e ele andou até a sua escrivaninha pegando o aparelho sem fio, levando-o até mim.

Sorri, disquei o número e minha mãe atendeu. Graças a Deus foi ela e não meu pai. Eu disse que iria dormir na casa do Adam, porque ele queria me mostrar um jogo novo de videogame. Ela concordou como sempre e eu desliguei. Ele ainda sorria para mim e me encarava como se não acreditasse que eu estava realmente ali.

- Pronto, Dean – Sorri quando ele me abraçou de novo, dessa vez mais apertado.

Passei meus braços por ele novamente. Eu conseguia sentir seu coração batendo contra o meu peito, nossas respirações sincronizadas, suas mãos quentes nas minhas costas, seu cheiro doce... Fiz um carinho em sua cabeça e ele olhou para mim.

- Vou tomar um banho e vamos para a cama, ok? – Ele me disse baixinho.

- Tudo bem, vou estar aqui quando voltar.

- Eu sei – Ele sorriu e separou o abraço, andando em direção ao banheiro.

DEAN’S P.O.V.

- Eu sei – E dessa vez eu sabia mesmo.

Sorri, separei o abraço e fui até o banheiro sem olhar para trás.

Sam sempre foi tão impossível. Digo, sempre imprevisível, você nunca sabia o que ele ia fazer a seguir. Mas eu sabia naquela noite, eu tinha certeza de que ele estaria ali, tinha certeza de que ele estaria sentado na minha cama, sorrindo para mim assim que eu saísse daquele banheiro.

Não sei como chegamos aqui. Parece que tudo aconteceu tão rápido. E nem fazia sentido. Tipo, de onde esse sentimento veio? E por que parece tão certo o que estamos fazendo? Eu realmente não sei... Só sei que estou me sentindo muito bem, e faz tempo que não me sinto assim.

Apenas encostei a porta, tirei minhas roupas e liguei o chuveiro. A água quente escorrendo pelas minhas costas era relaxante e só naquele momento percebi que eu estava tremendo. Talvez de ansiedade, talvez de medo, talvez de alegria... Eu estava nervoso.

Nervoso porque o garoto mais gato da escola estava me esperando na minha cama. E eu pude ver o desejo em seus olhos. A indecisão me consumia naquele momento. Eu não tinha mais certeza se eu queria sair daquele banheiro.

Só beijei duas pessoas na minha vida inteira e uma delas foi a minha melhor amiga que não sabia que eu era gay. Eu não tinha experiência nenhuma e somente o pensamento de ele querer algo mais ou... Ai meu Deus! Eu to parecendo uma garotinha. “Para, Warner! Chega de pensar nessas coisas, ele nem insinuou nada e você fica aí se matando por causa de uma possibilidade”, meu cérebro gritou para mim.

Terminei de me lavar e fechei o chuveiro. Me sequei e percebi que esqueci de pegar as minhas roupas. Enrolei a toalha na minha cintura e me olhei no espelho que estava um pouco embaçado. Coloquei meu óculos e respirei fundo. Minhas mãos continuavam tremendo, mas eu as ignorei e voltei para o quarto.

Sam estava deitado na minha cama, olhando para mim com um sorriso fraco nos lábios finos. Senti meu rosto ficar quente quando lembrei que estava só de toalha e virei de costas para ele, pegando minhas roupas nas gavetas.

Senti algo quente me envolvendo por trás e uma voz rouca sussurrando em meu ouvido.

- Pode me emprestar algo para eu dormir? – Ele disse e seu hálito quente em meu pescoço me causou arrepios.

- Como você costuma dormir na sua casa?

- Só com uma camiseta e uma boxer. Vai ser um problema? – Ele riu, ainda me abraçando.

- Acho que não – Sorri também lhe entreguei uma camiseta – Talvez fique um pouco justa.

- Tudo bem – Ele pegou a camiseta e se afastou de mim.

Quando olhei para ele, Sam estava sem camisa e tirando a calça que eu lhe emprestara para o jantar. Que corpo...

Respirei fundo e continuei pegando minhas roupas. Sem tirar a toalha de minha cintura, coloquei uma boxer branca e minha calça de moletom de sempre. Uma camiseta cinza, do mesmo modelo da de Winchester que era preta.

Ele me entregou as roupas e eu as joguei em cima de uma cadeira qualquer, observando-o deitar em minha cama. Seus olhos estavam fixos nos meus, como se ele me chamasse.

- Não vai se deitar? — Ele me perguntou e percebi que eu estava parado lá há um bom tempo.

- Vou sim – Sorri e apaguei as luzes, deixando a luz do abajur ainda acesa.

Continua...