Chances

12 Café da manhã.


Notas iniciais
Demorei? Sim. Sinto muito por isso? Sim. Vocês vão me perdoar? Espero que sim.
Também espero que gostem do capítulo kkk
Enjoy xD

SAM’S P.O.V.

Terminei meu banho e voltei para o quarto para me trocar. Dean estava com a cara enfiada em algum livro que não me dei o trabalho de saber qual era. Enquanto eu colocava uma camiseta me peguei pensando que não gostaria de ir embora. Mesmo estando onde estou, é melhor do que ir para casa.

E também fiquei pensando no que o Warner me disse sobre a sua família...

“Olha... As coisas aqui em casa não são bem definidas pela palavra ‘estável’ e muito menos pela palavra ‘confortável’, ok? Não sei como explicar, mas eu realmente não tenho um lar. E quando você descer, pode ficar um tanto chocado com o clima, mas preciso que você aja naturalmente e que diga que veio aqui para me entregar alguns materiais”.

Com certeza eu não me sentiria bem vindo naquela casa... Mas o cara me ajudou, não custa nada fazer o que ele me pediu. Vou me comportar.

- Você está bem, Sam?

- Eu estou sim, Warner? Por que não estaria?

- Por nada, deixa pra lá – Dean voltou sua atenção ao seu livro.

Dei de ombros, imaginando o porquê da pergunta. Tirei a toalha de minha cintura e coloquei a cueca que ele havia me emprestado. Tenho certeza de que ele viu alguma coisa, mas acho que ele deve ter olhado na hora errada, não é? Tipo, sem querer...

Terminei de me vestir e olhei no espelho, respirando fundo ainda pensando em algumas coisas. Memórias da noite passada. Não pode ser verdade, eu devo estar imaginando coisas.

Olhei para Dean e vi que seu rosto estava vermelho. Ele definitivamente viu alguma coisa a mais. Eu sorri, observando o óbvio desconforto e vergonha que ele expressava.

- Estou pronto, Dean – Eu disse, me virando para ele.

O loiro se levantou da cama e andou até mim, me analisando. Eu acho.

- Só deixa eu te arrumar um pouco, ok? – Ele me perguntou, olhando em meus olhos.

Apenas afirmei com a cabeça. Ele ajeitou a camisa que eu usava, passando as mãos pelo meu tórax para esticá-la. Dean passou os dedos pelos meus cabelos, colocando-os atrás da orelha e abaixando alguns fios rebeldes.

- Agora você está pronto – Ele sorriu para mim.

Ele nunca fez isso antes, sabia? Nunca me olhou nos olhos e sorriu sinceramente. Seus sorrisos sempre eram forçados, cabisbaixos e falsos... Eram somente para me agradar, mas agora não. Ele não tinha motivos para querer me agradar, eu não iria encher o saco dele dentro da própria casa, muito menos depois do que ele me pediu para fazer. Ele apenas sorriu.

Fiquei olhando para ele por alguns segundos, tentando descobrir o que havia causado esse sorriso. Pode não parecer muita coisa, mas eu adorava observar as pessoas. Adorava saber toda e cada mania, gesto e ação que elas cometiam em determinada situação. Mas eu não sabia o que significava. Era novo para mim.

- O que foi, Sam? – Ele me encarou curioso.

- O que foi o quê, Dean?

- Você ficou me olhando... Deixa pra lá. Está pronto para descer?

- Estou – Respondi, respirando fundo.

- Bem vindo ao inferno, Winchester.

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Eu não poderia me sentir mais deslocado.

Estávamos sentados à mesa e tudo o que eu via era uma mulher com o rosto muito machucado e inchado que realmente parecia estar tentando ignorar a todos naquele lugar, um senhor com uma barba relativamente longa e olhos fundos que estavam focados em uma sessão do jornal que lia e Dean olhando para mim de tempos em tempos.

À mesa, estavam distribuídos todos os tipos de comidas aceitáveis em um café da manhã. Tinha pão, frios, manteiga, bolo, café leite, açúcar e alguns cupcakes. Comi apenas um pedaço de bolo e uma xícara de café para ajudar na ressaca. Não posso negar, eu estava com uma dor de cabeça horrível, mas tentei parecer bem... Pelo bem do Dean.

É, eu sei. Estranho eu estar ajudando-o, não é? Mas eu preciso. É o certo a ser feito aqui.

- Então, Sam – Bobby limpou a garganta e abaixou o jornal, olhando para mim – Por que você está aqui?

- Eu, uhm – Terminei de engolir meu pedaço de bolo e olhei para o senhor sentado à ponta da mesa – Vim entregar alguns materiais para o Dean.

- Vocês são da mesma sala? – Ele não parou de me encarar nem por um segundo.

- Em duas matérias, sim senhor – Tentei sorrir e dei outro gole no meu café.

- Entendo – Ele bebeu seu café também – Faz tempo que se conhecem?

- Eu não sei, talvez uns dois ou três anos.

- E vocês são muito amigos?

Eu não sabia o que responder. Olhei para o Dean e ele negou com a cabeça, quase que implorando para eu dizer não.

- Não, senhor. Acho que não podemos ser classificados dessa forma.

- Como vocês se classificariam então?

- Colegas, no máximo – Limpei a garganta. Quando ele iria parar com esse interrogatório?

- Vocês são só colegas?

- Sim, senhor – Ele é surdo ou está se fazendo de tonto?

- Sabe, Dean nunca trouxe ninguém aqui antes – Ele me encarava com os olhos quase fechados, como se estivesse tentando explodir minha cabeça com a mente – Por que você está aqui, Sam?

- Eu só vim trazer alguns materiais, senhor.

- E por que não foi embora? Por que está aqui, tomando café? O que você tem de diferente de qualquer outro garoto que já bateu à minha porta para devolver um livro idiota?

- Eu não sei, senhor. O senhor quer que eu saia? – Perguntei olhando em seus olhos. Tentei ser o mais respeitoso o possível, ele parecia estar disposto a fazer qualquer coisa. Aposto que foi ele que fez aquilo com a mulher. Maldito. E coitado do Dean, ele não estava exagerando quando disse “inferno”.

- De jeito nenhum, Sam. Quero saber mais sobre você – Ele sorriu. Mas não foi um sorriso agradável, era quase como se ele estivesse me ameaçando.

- Sim, senhor. O que gostaria de saber? – Lancei-lhe o mesmo sorriso. Eu não iria simplesmente abaixar a cabeça para um valentão. Não mais.

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DEAN’S P.O.V.

Eu fiquei tão envergonhado. Como meu pai pôde simplesmente interrogar o Sam daquele jeito. Mas fiquei impressionado com o moreno... Não se deixou abalar e agiu exatamente como o meu pai, como se não tivesse medo dele, como se não fosse abaixar a cabeça para qualquer um.

Impressionante. E acho que meu pai gosta dele, ele admira a coragem nas pessoas.

Depois de comermos, meu pai foi trabalhar e minha mãe saiu logo em seguida, mas não antes de se encher de maquiagem para esconder aquelas feridas e a vermelhidão. Sam e eu estamos no meu quarto. Ele está andando, apenas observando as coisas, abrindo um livro aqui, olhando em alguns papéis ali. Estamos os dois em silêncio e não pude evitar que as lembranças da noite passada viessem à minha mente.

Será que ele se lembra do que fez?

# FLASHBACK ON #

O moreno ainda dormia, mas quando Dean fechou a porta do quarto, o Winchester acordou. Não parecia saber onde estava.

– Você está bem, Sam? – Warner perguntou preocupado, vendo que o moreno parecia um pouco enjoado.

– Não muito. Onde eu estou?

– No meu quarto... – Dean sentou-se na cama e colocou a mãe levemente sobre a testa do moreno, vendo se estava quente – Você não se lembra de nada, não é?

– Não – O moreno apenas encarava o simpático rapaz de cabelos loiros e óculos que escondiam seus belos olhos verdes. O loiro agora sorria de leve para o moreno, lançando-lhe um olhar preocupado e solidário. Sam perdeu-se por um momento no sorriso do loiro, tentando decifrá-lo. Não conseguiu – Quero dizer, eu tenho algumas memórias, mas não podem ser reais, não é? Não podem...

– Não sei se as suas lembranças são as mesmas que as minhas, mas não importa. Está tudo bem – O sorriso de Dean aumentou significativamente e ele piscou para Sam, levantando-se da cama e andou até guarda-roupa.

– Por que está sendo tão legal comigo, Dean? – O Winchester estava confuso, e encarava as costas do loiro que pegava algo em seu guarda-roupa.

– Não é grande coisa – Warner pegou uma camiseta cinza e jogou para Sam. O sorriso grande do loiro, agora se transformou em um sorriso envergonhado e pensativo.

– Está bem, tanto faz então.

# FLASHBACK OFF #

Ele disse que tinha algumas memórias, mas não parecia acreditar nelas. E por que eu estou pensando nisso? Não importa se ele lembra ou não. Tenho que fingir que nunca aconteceu, porque nunca mais vai acontecer. Então não vale a pena me preocupar com isso, não é?

- Você gosta mesmo desse lance de ler, não é? Tem muitos livros – Ele me perguntou, me tirando de meus pensamentos.

- São minha salvação... – Não pude deixar de sorrir – Eles são a minha porta de saída, sabe? Me tiram daqui.

- Eu te entendo – Ele sorriu de volta e continuou a observar o quarto.

Ele estava diferente, não estava? Parecia mais tranquilo, menos provocador. É uma pena saber que não vai durar muito.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado e que tenham me perdoado...
Beijackles e Padakisses ♥