Durante aquela noite nenhuma das duas conseguiram dormir Liz por causa dos pesadelos que insistiam em vir e Alice pelos sustos que levava pelos gritos de Liz. Nenhuma das duas estava entendendo o que estava acontecendo, talvez fossem pesadelos de passagem, mas estavam muito estranhos. Alice tentava acalmar a filha a cada pesadelo que ela tinha, até que Liz se rendeu e desistiu de dormir durante o restante da madrugada. Ela foi até lá em baixo e viu seu pai acordado bebendo um copo de água.

— Eu te acordei não foi? — Ela deu um meio sorriso vergonhoso. Jasper logo percebeu e foi para a perto da filha, ele notara o quanto ela havia ficado sem graça com isso.

— Estaria mentindo se dissesse que não, mas isso acontece. Não precisa ficar assim. — Ele confortou a filha tentando melhorar o astral dela que já não estava muito bom desde que a onda de pesadelos começou.

— Esses sonhos são muito estranhos. E eles ganharam porque eu não vou voltar a dormir. — Ela disse enquanto colocava um pouco de água no copo que acabara de pegar.

— Filha você não pode deixar o pesadelo te vencer. Você tem que vencê-lo, ele é como um medo de uma criança e você têm que superá-lo. — Ela olhou para o pai sorrindo se lembrando da época de pequena, quando tinha medo do escuro ou da pequena vez que passou a ter medo de palhaços, o que foi uma fase curta.

— Você tem razão, mas estou sem pique pra voltar para cama e incomodar a mamãe e acordar todo mundo em casa.

— Vai se deitar, eu sei que filhos nessa hora adoram ficar perto dos pais nesse momento, principalmente da mãe. — Ele fez cócegas na filha.

— Tudo bem eu vou, você sempre consegue me convencer de tudo...

— Sou seu pai, eu te conheço mais do que conheço a mim mesmo. — Ele finalizou dando um beijo no topo da testa de Liz que logo subiu as escadas foi para o quarto da mãe que estava com a cama desarrumada e sem ninguém, ela pensou que a mãe deve ter ido a algum lugar por ali e por isso não deu muita importância, foi logo para a cama e se deitou e assim que começou a dormir o pesadelo reinou em sua mente novamente:

“Não nos façam nenhum mal, temos uma filha...” Era essa uma das frases vagas que Liz sonhava. E nos momentos reais, naquele quarto ela se remexia na cama e sua mãe chegara bem naquele momento, vendo a filha se remexer na cama. Ela ascendeu à luz e foi logo para o lado da filha, encostando a mão na testa de Liz e se estendendo para o pescoço ela percebeu que ela estava levemente quente.

— Ela já dormiu? — Naquele momento Jasper chegara à porta do quarto e não precisou de Alice dizer nada ele logo percebeu o que estava acontecendo. Foi para mais perto da esposa e da filha.

— Ela está com um pouco de febre. Estou preocupada com esses sonhos Jaz. — Ela disse com os olhos fixos na filha. – Será que ela se lembra de algo da morte dos pais dela?

— Não sei Lice, mas pelo o que ela disse é muito parecido com o que nos disseram na instituição naquele dia.

Enquanto isso na mente de Liz se passava muita coisa, pessoas que diziam coisas soltas, sem ela poder ver seus rostos. As imagens passavam em sua mente feito um turbilhão de lembranças que ela nem imaginava que lembrava. Aqueles momentos de sua vida, do começo de sua existência vinham à tona, era como se seu cérebro brincasse com ela malvadamente. O último momento foi os disparos de tiros que ecoavam várias vezes em sua cabeça.

— Mãe. — Ela acordou ofegante vendo aqueles dois rostos familiares na sua frente, seus olhos encheram de água e a vontade de conter o choro não adiantou em nada, lágrimas começaram a descer por suas bochechas. Ela rapidamente abraçou Alice, com medo, deixando todo seu medo transparecer e ao mesmo tempo ser liberto de sua mente. – Por que... Esses sonhos?

— Talvez seja vagas lembranças, meu amor, você era pequenina, mas os policias diziam que você presenciou tudo o que aconteceu.

— Mas eu não me lembro de nada... Como eu posso ter sonhos com isso? O que realmente aconteceu? Vocês sabem?

— Bem naquela época eu não gostava de assistir muito aos noticiários, sei apenas o que me disseram na instituição. — Disse Alice se sentindo impotente de explicar para a filha sobre sua vida.

— Bem, eu vi uma vez no jornal, seus pais eram da alta sociedade, seu pai era empresário e sua mãe jornalista de uma revista bem sucedida, na verdade vocês não moravam aqui em forks, vieram em menos de um ano, pareciam que seus pais queriam espairecer um pouco. Foi quando ocorreu o assassinato. Vocês haviam acabado de chegar de um passeio e os ladrões estavam lá, eles renderam seus pais, eles tentaram chamar a policia e acabaram sendo mortos. Eu sinto muito filha... — Liz estava enxugando suas ultimas lagrimas e olhou para o pai e a mãe.

— Não é preciso sentir muito... Por trás de algo ruim sempre há algo bom, foi sempre assim que vocês me disseram e vocês estavam certos. Talvez isso fosse que tinha que acontecer e se não ocorresse eu não estaria aqui com vocês. — Eles sorriram um para o outro.

— E agora se sente melhor? — Alice perguntou checando a febre da filha que continuava a mesma coisa.

— Estou bem melhor. E cansada para ser sincera.

— Então deita aqui comigo. — Disse Alice puxando a filha para mais perto de si, Liz chamou o pai e lhe deu um espaço para ele também deitar, pois a cama era grande o bastante para caberem os três lá confortavelmente e ainda haveria espaço para mais um.

Desta vez eles conseguiram dormir o restante da noite. Alice e Jasper como estavam acostumados em acordar cedo assim que o sol já clareava a região da janela eles acordaram e resolveram deixar Liz dormindo. Foram tomar o café, Eric logo em seguida acordou com uma cara de sono.

— Que cara é essa campeão?

— Cara de noite não dormida, o que aconteceu ontem? — Perguntou Eric esfregando os olhos para pelo menos tentar afastar o sono.

— Filho, queremos que tenha paciência com sua irmã. Ela está passando por um momento um pouco tanto complicado. — Alice explicou ainda com um pouco de sono para o menino que tentava manter os olhos focados na mãe.

— Porque mãe? — Neste momento Alice havia se lembrado de algo que era muito importante, ela e nem Jasper haviam mencionado a Eric que Liz era adotada, pois haviam tantos problemas que aconteciam e isso para eles pouco os importavam. Alice encarou Jasper e ele como se lesse sua mente deduziu pela sua cara o que ela estava pensando. Logicamente assim como ela, ele se assustou de imediato, como podiam ter esquecido de ter tocado em um assunto tão delicado assim com o filho?

— É... Filho porque tem algo que é muito frágil nesta história e... E infelizmente ainda não tivemos oportunidade em te contar. — Começou Jasper, tentando manter a calma e buscar as palavras certas para dizer essas coisas para o filho. – Espero que você entenda, pois... sua irmã e nós precisamos de vocês unidos independente do que aconteça.

— Pai você está me assustando.

— Olha pra mim. Muito antes de você nascer, havia acontecido algo muito ruim para nós. Eu e sua mãe ficamos muito tristes pelo o ocorrido, mas superamos isso depois que Liz veio para nossas vidas.

— Depois que a mamãe engravidou da Liz certo? — Jasper não sabia o que fazer naquele momento o que falar, nem o que pensar. Levemente, mesmo não querendo ele balançou a cabeça negativamente e o garoto a sua frente não entendeu o que ele quis dizer com aquilo. – Então como?

— Bem nós trouxemos sim Liz para nossas vidas e ela sim ajudou que superássemos essa barreira, mas ela veio para nossa família de outro modo. — Jasper estava com um olhar de piedade pedindo para que o filho deduzisse sem que ele precisasse falar aquela palavra que tanto lhe incomodava, pois Liz era sim filha dele, a protegeria mais do que qualquer pai biológico protege seu próprio filho, por isso o pavor de dizer que Liz é adotada, que ela não do seu sangue, preferi dizer que ela é sim sua filha e se não fosse pela idade dela, todos assim pensariam que ela fosse filha deles de verdade, mas aquele ocorrido só tinham meses antes de adotarem Liz.

— Ela é adotada? Ela é filha adotiva de vocês? — O menino não acreditava, pois sempre adorava a irmã, adorava implicar com ela pois para ele era para isso que serviam os irmãos mais novos e também para ele um modo de dizer eu te amo bem disfarçado. Mas aquela notícia foi um baque para ele, que ele preferia não acreditar no que estava ouvindo e freneticamente fazia sinais de negação com a cabeça, com ainda uma pequena esperança de que seu pai falasse que era brincadeira. Mas não seu pai concordou com a cabeça e ele percebeu uma lágrima sair de seus olhos, mas como sempre era muito fechado para expressar seus sentimentos então saiu da cozinha e voltou para seu quarto, nem ao menos escutara as várias vezes que Alice o chamara.

— Meu Deus, Jasper o que vamos fazer? — Alice dizia preocupada andando de um lado para o outro, não sabia o que realmente fazer naquele momento, não queria que seus filhos sofressem por isso, mas estava sendo difícil ainda tentar manter uma pose de mulher forte nestes momentos. Jasper percebendo o sofrimento interior de Alice, foi rapidamente lhe dar um abraço.

— Ele vai entender, só dê a ele um tempo. — Ele disse a aconchegando perto de seu peito. Aos poucos Alice ia sentindo mais confiança nas palavras de Jasper e se sentindo melhor.

Algumas horas haviam se passado e o clima daquela casa ainda continuava tenso. Alice foi ver como Liz se encontrava, pois já estava quase na hora do almoço. Ela ainda dormia Alice achou inconveniente acordar Liz então a deixou dormindo até o momento do almoço. Ela foi para a cozinha e começou a preparar o almoço estava sem ânimo algum, não era apenas pelo fato de Eric, mas também pela noite não dormida, havia passado a noite em claro observando Liz, sabia que Liz já estava ficando grandinha para continuar assim, mas Alice tinha o coração mole e não conseguia negar proteção a ela que é tão frágil e que precisa muito dela ainda.

Assim que o almoço se encontrava servido à mesa, ela foi chamar primeiramente Eric e logo depois Liz que ainda dormia. Liz custou a se levantar queria ainda permanecer naquela cama dormindo e aproveitando a brecha de paz que seu pesadelo lhe prevalecia. Ela foi se arrumar, colocar qualquer coisa e logo foi para a cozinha, não queria comer muita coisa, assim que se sentara a mesa ela percebeu um par de olhos lhe encarando misteriosamente. Percebeu que era Eric então continuou olhando para ele, para ver se ele falava alguma coisa ou se manifestava, mas nada aconteceu, ele simplesmente a parou de lhe encarar e voltou a comer.

— O que ouve Eric? — Ela perguntou para ele, neste momento alguém ali naquela cozinha sentiu um aperto no coração com medo da resposta do garoto, ele voltou a olhar para Liz demorando um pouco, como se estivesse pensando.

— Nada. — Ele voltou a olhar para o almoço, Alice continuara ali com o coração na mão. Jasper estava atento caso Eric dissesse alguma coisa, ele rapidamente iria cortar o menino e teria uma conversa muito séria com ele. Mas alguém ali estava com uma pequena pulga atrás da orelha se perguntando o que havia feito de errado para seu irmão lhe tratar assim.

— Eu não vou insistir se quiser me falar algo... — Ela deu de ombros e continuou almoçando, não dando muita a mínima, ela estava cansada, queria voltar a deitar e hoje poderia acontecer de tudo que ela não estava muito atenta com as coisas e com certeza não se importaria com qualquer comportamento de ninguém.

— Não é nada mesmo, eu só não quero conversar. — Disse o menino com uma voz cabisbaixa querendo não render o assunto para não brigar com sua irmã.Ela resolveu deixar o assunto pra lá, mas sabia que tinha alguma coisa de errado e não estava afim de brigar, então se manteve no lugar.

— Tudo bem. — Ela acabou de dizer e bebeu seu suco em goladas rápidas, acabando assim por vez de sua refeição, assim que tirou seu prato e copo da mesa, voltou para a mesa, sempre esperava seus pais e irmão acabarem de comer, aliás era chato ficar na sala sozinha.

— Filha se quiser pode ir e deitar no sofá. Eu ainda tenho que limpar a cozinha. — Alice disse enquanto se levantava para colocar as coisas na pia.

— Você quer ajuda? — Liz perguntou, ela só queria passar mais algum tempo com a mãe era apenas isso. Queria que ela acabasse todo o trabalho rápido para poder ficar ao lado dela. Alice abriu um sorriso por ver a filha assim, mesmo cansada era prestativa.

— Não precisa meu amor, quero que faça apenas uma coisa por mim, vá descansar não gosto de te ver assim abatida. — Liz sorriu fraco para a mãe e então vencida pelos argumentos dela e de seu cansaço ela foi se deitar no sofá. Assim que recostou sua cabeça em uma almofada ela conseguiu pegar no sono. Então a tarde passou assim tranqüila. Liz conseguiu dormir sem ter aqueles seus pesadelos do passado e Alice finalmente se tranqüilizou por ver a filha finalmente calma.