Mais um dia de semana começava o que queria dizer que era a mesma rotina de sempre. Acordar cedo preparar o café acordar as crianças e depois levar Liz para a escola, tenho que realmente agradecer por trabalhar em casa. Então acordei cedo como de costume e fui preparar um café bem forte para mim. Alice logo em seguida apareceu com seu lindo sorriso no rosto o que me fez sorrir também.

— Bom dia minha bailarina, dormiu bem? Perguntei pelo fato dela ter tido um pesadelo à noite.

— Bom dia. — Ela veio e me abraçou. – Eu não consegui dormir depois, eu estou agoniada. — Ela disse fazendo um cara não muito feliz. Ela teve um pesadelo com alguém morrendo, mas disse que não conseguia ver o rosto da pessoa.

— Olha não fique assim, pesadelos só existem para nos confundir. — Eu disse lhe dando um beijo no topo da testa, ela então relaxou um pouco e foi até a geladeira pegar o suco. Se serviu em um copo de vidro e então se sentou.

— O que foi? — Ela perguntou ao perceber que eu lhe encarava seriamente.

— É sério que você só vai beber suco no café da manhã? — Eu disse indignado. – Você sabe que passa mal de estomago vazio, sem contar que você tem que tomar seu remédio. — Ela fez careta.

— Jaz eu não preciso daquele remédio, não estou mais em meus momentos de fúria. Ela disse meio irritada. Eu voltei a lhe encarar novamente. – Jaz é sério, não estou com fome.

— Alice... — Eu dei uma pausa, não gostava quando ela ficava assim tão teimosa. – Você ouviu bem o que seu médico disse você tem que acabar apenas com aquela cartela que está ali, só mais essa e acabou. — Ela revirou os olhos e então pegou um pedaço de bolo, comeu um pouco e depois foi tomar o remédio.

— Satisfeito? — Ela disse meio contrariada, mas eu sorri para ela.

— Lice se cuida, por favor, você é tudo que eu tenho nessa vida, você e as crianças. — Eu disse lhe puxando para meu colo. – Não teime quando eu disser que você tem que tomar o remédio.

— Eu sei Jaz. — Ela disse entre suspiro. – É que eu não agüento mais ficar a base de tanto remédio, me fazem lembrar o começo disso tudo. — Ela disse abaixando a cabeça. – Eu só sobrevivia à base de remédio, eu nem sabia quantos remédios eu tomava por dia, apenas sei que eram muitos. — Eu lhe olhei no fundo dos teus olhos.

— Esquece tudo aquilo, nossa vida mudou está muito melhor do que imaginávamos que seria. — Eu disse passando a mão em seus lindos cabelos que já estavam grandes. Ela então sorriu para mim e se aconchegou em meu ombro, mas no mesmo instante ela se levantou. – O que houve?

— Como você disse nossa vida mudou, tenho que acordar as razões da mudança de nossas vidas. — Ela disse e sorriu para mim e eu também para ela. Então logo ouvia os barulhos das crianças, depois de algum tempo já arrumados desceram para tomar café. Alice foi até a cozinha com eles e eu fui junto também. Depois de poucos minutos eles acabaram de tomar café e foram para a sala, eles já estavam de banho tomado Liz foi apenas colocar o uniforme para poder ir a escola. Logo após o almoço fomos para o carro levar Liz para a escola. A deixamos lá que logo entrou junto com seu amigo Derek.

Voltamos então para casa eu tinha que trabalhar fazer algumas plantas que não havia terminado e em principal uma que tinha que terminar de preferência hoje. Então logo fui para a mesa com meu computador. Terminei essa planta e logo comecei mais uma essa era pequena então não teria que gastar muito tempo. As horas então foram passando devagar e eu já avançava bastante o trabalho.

— Papai, vamos brincar? Pediu Eric. Eu o peguei no colo.

— De que você quer brincar filhão? Ele fez cara de pensativo.

— Futebol. Ele sempre pedia para brincar de futebol, nem sei por que perguntei. Então eu desliguei meu computador e fomos para fora de casa, então voltamos a brincar marcávamos gol e comemorávamos e depois de muito brincar fomos tomar um lanche que Alice preparou. Eric estava com cinco anos e logo Liz faria aniversário, ele parecia muito com Alice, tirando a cor dos olhos que eram meus, ele era um menino extremamente sapeca corria de lá pra cá, era um menino que não tinha medo de tentar por que iria se machucar ele queria mesmo que se machucasse desde que valesse a pena.

Depois do delicioso lanche que tivemos fomos para a sala nos distrair um pouco com TV. Estava passando um jogo e Eric logo me pediu que deixasse lá, Alice realmente detestava ver futebol e foi então conferir seus e-mails de trabalho, ela foi resolver algumas coisas do trabalho. Depois estava quase chegando na hora de ir buscar Liz na escola.

Fomos então buscá-la, ela não demorou muito em sair, resolvemos dar um passeio com as crianças, elas estavam muito elétricas, imaginem esses pequenos furacões em casa, mas logo me lembrei que nós não havíamos feito as compras semana passada, então fomos todos para o super mercado. As crianças adoravam fazer compras, principalmente para comprar besteiras, mas Alice era muito rigorosa com a alimentação deles, podiam comer algumas besteirinhas, mas não com exagero.

Fomos caminhando pelos corredores do super mercado e fazendo as compras e eu sempre de olho nos pequenos, às vezes eles queriam sair de perto de nós principalmente Eric, Liz não gostava de ficar perto de pessoas estranhas, isso só passou a acontecer depois que ela esteve com aquela babá. Ela andava de mãos dadas com Alice e ajudava a mãe com algumas coisas nas compras.

Passaram-se algumas horas e estávamos levando as compras para o carro eu coloquei as compras no carro enquanto Alice ajeitava as crianças na cadeirinha. Depois de tudo pronto fomos para casa chegando lá estacionei o carro e entramos com as compras, estranho onde estava meu notebook? Eu havia o deixado na mesinha. Então ouvimos um barulho no andar de cima, será que tinha um ladrão aqui em casa.

— Eu vou ir lá ver. — Eu disse me virando em direção à escada, mas logo uma mão foi depositada na minha me impedindo de continuar andando.

— Jaz, pode ser perigoso. — Ela disse me pedindo para ficar ali. – Fique aqui, por favor. — Ela disse ainda me segurando com medo do que fosse que estivesse lá em cima. Então ouvimos passos vindos em direção a nós.

— Vamos para a cozinha. – Alice pegou Eric no colo e a mão de Liz eu rapidamente peguei o telefone para poder chamar a polícia e corremos juntos para a cozinha. Apenas senti algo cair atrás de mim e se espatifar no chão, fazendo um barulho imenso que com certeza se tivesse alguém ali teria ouvido. – Prestem atenção no papai, aconteça o que acontecer prometam para mim que não vão sair daqui e nem fazer barulho está bem? – Eric assentiu com a cabeça sem ainda entender o que estava acontecendo, mas Liz estava apreensiva, já com os olhos cheios d’água e assustada. Passei a mão em seu rosto em uma tentativa frustrada de tentar acalmá-la. – Filha não fique assim, vai ficar tudo bem.

De longe ouvi os passos do ladrão mais apressado e sua voz pela primeira vez perguntar quem estava na casa. Eu rapidamente disquei o numero da polícia enquanto os passos se aproximavam da cozinha. Eu não podia deixar que ele chegasse até minha família, nem ao menos sabia se ele estava armado. Então tive que optar pela melhor opção, me entregar e deixar Alice e as crianças a salvo. Afinal eles eram tudo que eu tinha e perdê-los assim faria que eu perdesse minha única sanidade. Entreguei o telefone a Alice e lhe dei um longo beijo, enquanto percebi que em seus olhos escorriam linha finas de lágrimas traiçoeiras.

— Avise a polícia, peçam que venham o mais rápido possível e que tem crianças no recinto.

— Não Jaz, não pode...

— Lice, confie em mim, não posso deixar que ele machuque você e as crianças. — A interrompi para lhe dizer algo importante. No fim acariciei as bochechas rosadas de Liz e lhe enxuguei as lágrimas. – Meu anjinho não fique assim, papai logo voltará para vocês, antes mesmo que vocês sintam minha falta. – E para minha total desistência ela se agarrou em meu pescoço, então pude escutar seus breves soluços que me fizeram entristecer caso eu não voltasse para eles. – Campeão, cuide de sua mãe e sua irmã está bem? Eu voltarei, prometo. – E então me permitir sair daquele lugar, assim que dei mais três passos dei de cara com o ladrão que apontou uma arma para mim já com uma expressão facial raivosa.

— Venha aqui logo. – Ele ordenou ainda com sua arma apontada para mim, me aproximei devagar e por fim parei logo a sua frente. Apenas que aquele pesadelo logo acabasse que eu pudesse ir até Alice e meus filhos e dizer que aquilo acabou e que nunca mais voltaria a acontecer, mas minha consciência me dizia que aquilo era apenas o começo. – Tem mais alguém com você? – Os fios do meu cabelo se arrepiaram quando o ouvi dizer aquilo, mas tentei soar o mais natural o possível afinal ele não devia ser tão inteligente assim, ele trabalhava sozinho o que já era um bom começo para mim.

— Não, minha esposa ainda está no trabalho e as crianças na casa dos avós. – Disse meio indiferente, soando natural e muito tranqüilo, o que me surpreendeu bastante já que eu estava quase enfartando por aquele homem ainda estar ali logo a minha frente apontando aquela arma para mim. – Por favor, não faça nenhuma besteira, podemos fazer uma negociação.

— Não sou de fazer negociação com riquinhos metidos a besta. – Ele me pareceu ficar ainda mais furioso, agora eu não sabia mais o que fazer e quando eu ouvi as sirenes se aproximando comecei a me desesperar se algo desse errado. – Você ousou a chamar a polícia. Se considere um homem morto. – Ele destravou a arma e foi à conta de poucos segundos para perceber a polícia entrar pela porta em frente a nós.

— Coloque a mão para cima. – Foi apenas esta frase que conseguir definir, a adrenalina em meu corpo já afetava meu raciocínio e não conseguias pensar em mais nada a não ser pensar na Alice e nas crianças, percebi que ele estava indo cada vez para mais perto de onde eles se encontravam e se ele desse mais cinco passos ele os veriam. Meu instinto falou mais alto, como um alarme de aviso, sabia que sua arma estava apenas a um puxão do gatilho, mas não podia arriscar a perder as únicas pessoas que restavam da minha família, além de Rose. Então o mais rápido que pude ser eu me choquei contra ele tentando tirar a arma de sua mão. Ficamos em uma briga constante para ver quem ficaria com a arma no final. Mas parei de prestar muita atenção depois que ouvi o estrondo que a mesma fez.

Senti uma dor imensa me atingir na região da coxa esquerda, nem ao menos percebi quando caí no cão, mas me senti vitorioso ao perceber que em minhas mãos se encontrava a tão dita arma e por fim ver o ladrão se entregar. Apenas consegui percebi os policiais o prenderem e um paramédico chegar perto de mim, pressionando o ferimento a dor foi tanta que não pude deixar de perceber na tontura que havia me deixado antes de perder a consciência.