Chamas do Dragão
8 Capítulo VIII- "Sim, com você eu sei que posso voar"
Chamas do Dragão
Capítulo VIII
Por Mel
Sim, com você eu sei que posso voar
Eriol era um clássico cavalheiro, disso ninguém tinha a menor dúvida. Os olhos azuis meia-noite plácidos e compreensivos, comparados a um universo profundo e cheio de segredos. O jeito galanteador e misterioso, a sabedoria vinda das outras gerações, a voz suave e melodiosa como uma música clássica. Sim! Quem escutasse essa descrição pela primeira vez, pensaria que era algum personagem de filme ou um herói de quadrinhos, mas não, o inglês era real e estava ajoelhado diante da mestra das cartas segurando uma charmosa caixa de camurça.
Eriol: "Querida Sakura...".
Respirou fundo, não sabia se para colocar os pensamentos em ordem, provocar um pouco mais seu descendente ou simplesmente para tomar ar, só sabia que sentir o ar entrando vagarosamente em seus pulmões o deixava mais calmo depois de todo esforço de hoje de manhã. Tomoyo olhou dolorosamente a cena e sem querer levou a mão ao coração. Na verdade queria apenas que aquilo tudo acabasse de uma vez como um sonho... Há um mês atrás, sua vida estava tranqüila, a sua única preocupação era faculdade e talvez animar a prima, que depois do falecimento do pai se entristeceu assutadoramente, mas com os ataques estranhos, a volta de Li, seguida do retorno estrondoso de Eriol e Misuki seu mundo virou de cabeça para baixo.
Revivia a era Card-Captos em cada segundo do dia. Adorava aquela emoção, preparar as roupas, filmar as lutas...Mas junto com tudo isso lhe veio a memória tudo o que sentiu um dia por Eriol, a desilusão ao vê-lo ir embora com Misuki. Cerrou os punhos completamente nervosa. Não era romântica como Sakura, era realista, mas ver o único homem por quem sentiu algo se ajoelhar na frente de outra mulher, doeu. E o fato de ser Sakura não diminuía em nada a dor fina que explodia em seu peito.
Syaoran estava contraído, totalmente em choque, como se nunca esperasse uma cena como esta em toda vida. O que ele queria afinal? Sempre fez de tudo para odiá-la. Não respondia as cartas, nunca mandou um e-mail, mesmo sabendo que poderia consegui-lo a qualquer momento, jamais ligou ou retornou uma ligação, e com o tempo a menina entendeu o recado e parou de procurá-lo. Nessas semanas que esteve em Tomoeda a ignorou da forma que pôde e ela não fez questão de contato. Talvez orgulho, talvez mágoa, talvez indiferença. Era o que queria não era? Distancia dela. Sempre quis isso, desde o dia em que recebeu a primeira chibatada desejou que ela se afastasse dele para sempre, mas agora estava observando uma situação que jamais imaginou que um dia fosse incomodá-lo. E para sua surpresa, o incomodou profundamente...Tanto que não conseguia mais sentir a ponta de seus dedos. Não queria que ela estivesse com outra pessoa, não queria imaginar aquele sorriso doce direcionado a um homem qualquer, não queria pensar em vê-la entrando de branco na igreja e falando 'sim' a outro. Seu coração doeu mais ainda ao constatar que um dia ela diria 'sim' a alguém. Um dia a veria casar-se com outro e esse outro a teria em sua vida para sempre...Tocaria os cabelos sedosos que ela tinha, os lábios desenhados que invadiram seus sonhos por tanto tempo. A faria dele...
Teve que se segurar na parede, seus olhos refletiam uma dor fina e constante capaz de ser percebida por qualquer um que o observasse naquele momento. Nunca imaginou passar por isso, nunca pensou que perdê-la seria tão difícil, afinal ela era apenas a menina boba que lhe roubou as cartas. Aquela mulher que fez de tudo para esquecer, mas falhou miseravelmente. Soube que algo mudou dentro dele no momento em que a reencontrou. Ela jamais quis as cartas. Ele a culpou todos esses anos por uma coisa que ela não teve escolha, e agora estava colhendo o que plantou. Ela diria 'sim' a outro homem, um que a tratava como uma 'lady' e a merecia de verdade.
Inerte a tudo que se passava a sua volta, a mestra das cartas olhou para Clow completamente confusa, pensou em milhões de coisas ao mesmo tempo, mas sua atenção foi captada de uma forma especial pelos cabelos azulados. Estavam diferentes, não estavam? Havia uma mecha acinzentada que tinha certeza não estar lá antes. Para falar a verdade, ele parecia um pouco mais maduro...Reparou nas feições do amigo e não enxergou um jovem de 23, e sim um homem de 33, talvez 34 anos com marcas definidas de um rosto adulto. Algo estava muito errado. O que estava acontecendo afinal? Levou a mão ao coração e arregalou os olhos mostrando ao inglês que havia percebido a diferença.
Sakura (O olhou profundamente): "O que está havendo?".
Foi a vez de Misuki se levantar e sentar ao lado da preocupada Sakura. A antiga professora delicadamente pegou a mão macia e bem cuidada da menina e colocou entre as suas numa tentativa de dar apoio. Li continuava calado, estático, pálido, quase não respirava. Era tão óbvio que estava apaixonado por Sakura, que se sentiu um completo idiota. A essa altura era impossível controlar suas emoções. Sua presença estava muito alterada, e Eriol percebeu isso e sem querer sorriu. Apressou o que tinha que fazer. Não queria levar um soco de graça.
Eriol: "Dentro dessa caixa" (Abriu delicadamente) "Está a sua nova chave mágica"
Impressionada, a menina olhou para a borboleta de ouro branco com as asas de águas-marinhas finamente lapidadas, presa a um cordão cravejado de pérolas pequeninas azuis... Aquilo não se parecia em nada com a sua chave. Estava mais confusa do que no início da conversa. Tomoyo esticou os olhos observando a linda jóia. Não soube o que sentiu quando viu que não era um anel de noivado, sem querer soltou um suspiro aliviado chamando a atenção de Kero e Spinell que se entreolharam sorrindo, como se fossem os únicos a testemunharem um grande segredo. O vídeo-game havia sido esquecido assim que a conversa começou.
Syaoran sorriu diferentemente, um sorriso puro brotou-lhe nos lábios. Não seria hoje o dia em que ela falaria 'sim', para alguém, mas ainda sim um dia ela falaria, e isso terminaria de enterrar sua alma na escuridão. Sentiu o muro que construiu com tanto cuidado em volta de seu coração, desmoronar por completo. Simplesmente chegou a conclusão de que não suportaria vê-la amando outra pessoa sem que sua essência fosse perdida, que não agüentaria imaginar ela se entregando a um homem com amor. Sentiu seu corpo esfriar por inteiro quando finalmente assumiu para si o que estava acontecendo, a amava...A amava de verdade, mais do que queria admitir. Mas como quebrar todo esse orgulho? Como desistir dos ideais que demorou tanto tempo construindo? Como simplesmente se entregar a esse sentimento e deixar de lado toda humilhação que sofreu? Deus! Por que a vida tinha que ser tão difícil para eles?
Sakura (Olhando fixamente para o inglês): "Eriol, isso não é minha chave, e o que (tocou o rosto do amigo) aconteceu com você?".
Foi então que Li prestou atenção no que a garota estava falando. Eriol estava sim, mais velho. Muito mais velho!E sua presença estava mais forte do que hoje de manhã como se tivesse ganhado mais experiência. Tomoyo se aproximou e num impulso levantou o rosto do inglês que a encarou tristemente. Os olhos violetas constataram com pesar que Clow envelhecera uns dez anos, em apenas algumas horas.
Tomoyo (Se segurando para não chorar): "O que aconteceu com você?".
A morena pensou em mil e umas possibilidades, até na do inglês ter evitado as perguntas perturbadoras quando viam a diferença de idade entre ele e Misuki com algum feitiço maluco. Mas parecia algo muito mais profundo do que a resposta para aborrecimentos inoportunos. Podia sentir. Não, não tinha magia mas seu coração lhe dizia que isso era apenas o começo de grandes mudanças.
Eriol (Sério): "A chave mágica foi modificada, para ser usada por quem Sakura realmente é"
Tomoyo (Passando as delicadas mãos na barba áspera): "Esse foi o preço?".
Aqueles olhos violetas tão doces refletiam algo diferente. O inglês sabia que a morena de alguma forma sentia-se ligada a ele, mesmo depois de tudo. O coração da jovem batia rapidamente. Percebeu o que estava acontecendo mais rápido do que os seres com magia. Para proteger sua prima, Eriol pagou um alto preço. Mas por que? Por que todos se davam ao trabalho de proteger Sakura como se fosse algo intocável? Que segredo havia por detrás disso? Li colocou-se ao lado da mestra das cartas que tocou a jóia delicadamente. A irmã de Clow assistia a cena um tanto perturbada. Respirou fundo e finalmente se pronunciou tocando o ombro da garota.
Misuki (Com o olhar distante): "A noite ainda não escureceu a terra, mas o que posso adiantar pequena Sakura é que agora essa chave é capaz de esconder seus poderes. Não mais sentirão sua presença, você ficará invisível no plano mágico...Todos os seres de Plutão são guiados por magia, se eles não sentirem sua presença, não poderão te atacar".
Sakura: "Mas...Eles podem me encontrar se sentirem a presença de Kero, Yue e mesmo a de Li".
Eriol: "Quando eu disse que você ficaria invisível no plano mágico isso envolvia tudo o que tem a ver com seus poderes o que inclui os guardiões do sol e lua...Quanto aos envolvidos com os genes de Clow, já desenvolvemos essa capacidade há tempos".
Sakura (Incrédula): "Vocês podem esconder a presença de vocês? Mas isso é... (Fitou Li com a cara séria) "Foi por isso que eu não soube que você estava em Tomoeda até a Naomi vir me contar (Brava) Eu não tinha percebido isso... E sua presença é muito grande para eu não ter percebido antes...".
O que ele responderia agora? O que diria a ela? Que não queria que ela o encontrasse, que jamais queria se quer escutar falar do nome dela? E por isso escondeu sua presença? Não poderia dizer isso...Ainda mais agora... Tudo mudou. Seus sentimentos estavam aflorados novamente e cada coisa que um dia pensou contra ela doía sua alma.
Syaoran (Um pouco culpado): "Eu vim procurar o que estava causando esse abalo na esfera mágica de Tomoeda, não teria porque me expor".
Eriol(Tentando acalmar o clima pesado): "E foi o mais certo a se fazer, principalmente sendo você quem realmente é...".
Syaoran (Sério): "E quem eu sou?".
Misuki (Autoritária): "Já chega Eriol" (Ralhou com o irmão) "Vocês não entendem a ordem do universo. Não podemos violar a grande lei e chega de perguntas (Ela se diria a todos) Hoje a noite vocês saberão...Por enquanto o importante é que Sakura use o colar.".
Yue (Finalmente abrindo os olhos da meditação): "Mas isso não é perigoso Clow? Como poderemos saber se ela se encontra em perigo ou não, se não conseguirmos sentir a presença dela se alterar?"
Misuki (Chamando a atenção do leão e do anjo): "A magia do espelho os fará achá-la não importa onde esteja...Mas nesse momento precisamos protegê-la.(Viu os dois concordarem veementemente) Essas criaturas são como radares. Se ela manifestar seu poder, a acharão. (Olhou para a menina) Pensamos em entregá-la a noite, mas seria muito arriscado te deixar desprotegida até lá ainda mais na situação em que você se encontra (retirou o colar da caixa e colocou no pescoço fino) Enquanto usar esse colar, você estará protegida...E a magia das cartas será multiplicada infinitamente.".
Eriol (Ainda ajoelhado, pegou nas mãos dela obrigando-a a arregalar os olhos): "Você tem que me prometer que por nada desse mundo vai tirar esse colar do pescoço, a não ser para invocar seus poderes...Ele deve ficar com você, sempre...Tem que ser a sua maior preciosidade, porque no nível em que estamos, se você estiver sem a chave mágica (Fez uma pausa) Certamente morrerá.".
Syaoran observou o inglês curiosamente, ele havia descoberto uma forma de proteger a 'sua' flor. Não sabia se agradecia ou se socava aquele nariz empinado, mas a única coisa que pensou naquele momento foi em prender o colar na pele de Sakura com superbonder ou mesmo costurar no pescoço clarinho. O desespero ao lembrar-se da cena do dia anterior brotou novamente na sua alma fazendo-o contrair-se. Olhou atentamente para a jóia e um mal-súbito apossou-se de seu coração...De repente tudo ficou turvo, não via mais nada claramente, vozes invadiram sua mente.
"Xiao Lang! Que lindo...eu nunca imaginei ganhar algo tão lindo".
Vozes, repetidas vozes.
"Uma borboleta porque representa eternidade, não é?"
Risos
"Muito Obrigada. Eu te amo"
Imagens estranhas
"Xiao Lannnnggggggg. Socorroooo!".
Barulho de vidro quebrando. Imagens e mais imagens, repetidas vozes, dores, sofrimento, lembranças...De repente tudo cessou, e lá estava ele na sala do apartamento bem decorado de Sakura no mesmo lugar de dez segundos atrás. Levou a mão a cabeça. O que estava acontecendo afinal? O que era aquela inundação de pensamentos? De onde vieram essas vozes...Porque era tão parecida com a voz dela? Deus! Pensou mais uma vez antes de olhar para o inglês. Aqueles olhos profundos escondiam algo que Li tinha certeza que mudaria o rumo de toda sua existência. Só não sabia o que.
A mestra das cartas tocou no objeto e prometeu que não se separaria dele. Aquela era sua nova chave, mas lhe parecia tão familiar, era como se já a tiveste visto antes, em um sonho distante talvez. Olhou para o guerreiro e notou uma estranha palidez.
Sakura (Preocupada): "Sente-se bem Syaoran?".
A pergunta o pegou totalmente de surpresa, não sabia o que responder, apensas acenou com a cabeça demonstrando que estava tudo dentro do controle. Sakura então olhou tristemente para seu mestre Clow. Algo muito caro havia naquele colar, e ela não falava de coisas materiais, apesar de saber que aquelas pedras eram caríssimas. Ela podia sentir uma energia diferentemente íntima vindo dele. Era algo precioso, raro, extravagante.
Sakura (Séria): "O que aconteceu com você?".
Eriol (Soltou o ar pesadamente): "Transformar a magia da chave, me custou dez anos de minha energia vital (Finalmente pousou os olhos em Tomoyo) Estou dez anos mais velho. Meu corpo agora tem 33 anos de idade."
Sakura (Com lágrimas nos olhos): "Por que? Por que você fez isso?" (Tentou se mexer, e sem querer gemeu de dor): "Nós teríamos dado um jeito, sei lá, quando lutamos em equipe, sempre conseguimos vencer".
Eriol (Doce): "Querida Sakura, esses foram os soldados de nível baixo...Como esperávamos vencer essa batalha quando os grandes chegarem?" (A viu olhar para o nada) "Não se preocupe comigo. Também não me custou tanto...Já vivi muito tempo como Clow, e vou continuar sempre como Clow (Beijou-lhe a mão, antes de finalmente levantar) "Hoje a noite, será uma noite de muitas surpresas...".
O inglês olhou para a irmã que entendeu o recado e se levantou chamando RubbyMoon e Spinell. A noite seria longa e eles teriam que se preparar...E principalmente dobrar a segurança do templo, talvez usaria as novas cartas Clow para isso. Sakura estava segura e isso era o que importava, pelo menos por enquanto.
Misuki: "Ao anoitecer no templo Tsukimine e Ah!" (Lembrou-se de algo importante, enfiou a mão na bolsa e tirou um frasquinho de vidro, com a tampa dourada) "Essa poção foi meu avô que me ensinou, ela multiplica a rapidez da cura de qualquer ferida. Se tomar agora, creio que amanhã ou depois de amanhã não terá mais nada" (Estendeu o frasco para a mestra das cartas) Até mais tarde".
O grupo deixou o quarto sorrateiramente. Havia alunos no pátio então usaram uma magia de tele transporte no corredor. Um silêncio pesado se instalou rapidamente como se fosse o único acompanhante daquele diferente momento que todos vivam. Sakura abriu o frasco cheirou o conteúdo. Franziu o nariz logo em seguida afastando o objeto de si.
Sakura: "Isso tem cheiro de cânfora, como posso beber cânfora?Eca!".
Yue (Sentando-se ao lado da mestra): "Isso irá te fazer bem, imagine reduzir essas semanas em dois dias?E cânfora não deve ter um gosto tão ruim.".
Sakura (Fazendo careta): "Yue, só porque você é um ser que não se alimenta desde que foi separado da sua outra forma, que convenhamos comia mais do que o estômago de um elefante, não sabe quais coisas devem ser comidas. Será que Misuki se confundiu?".
Yue: "Eu duvido que ela se confundiria com algo tão importante"
Sakura (Olhando com nojo para o frasco): "Eu não vou conseguir tomar isso"
Tomoyo: "Tente fazer um esforço. Vai tampa o nariz e engole tudo de uma vez".
Ela fez outra careta, apertou as narinas e tomou corajosamente o liquido. Não demorou dois segundo para soltar um comentário do tipo 'ai que coisa horrível' ou 'meu Deus nunca provei algo tão ruim'. Kero riu da cara feia que a mestra fazia.
Kero: "Agora você vai ficar boa, Sakura".
Sakura (Sentindo-se estranhamente melhor) O que eu vou dizer para o vovô, ou mesmo para Naomi quando me verem bem em dois dias?".
Tomoyo (Colocando o dedo no queixo): "Bem, do vovô é fácil, toda vez que ele vier para cá você deita, e fica na cama quieta, procure não se mexer muito...Agora quanto a Naomi...talvez".
Syaoran (Finalmente se pronunciando) : "Talvez seja melhor você ficar aqui nessas duas semanas ou pelo menos uns dez dias, assim não levantará suspeitas".
Kero (Fazendo cara de arrogante): "Detesto admitir, mas o moleque tem razão. Podemos treinar de noite os seus novos poderes assim que se sentir bem".
Syaoran: "Eu sempre tenho razão 'bola de pelos'".
Tomoyo: "Isso é uma boa idéia...(Com os olhos brilhando) Imagina só! Quantas roupas lindas eu vou poder fazer? Sem contar na maquiagem e tudo mais. Nossa, nossa!".
Kero (Também com os olhos brilhando): "Alem do mais com você aqui, eu posso comer mais. Você faz cada bolinho de arroz que ai! Nossa, nossa!"
Yue fechou a cara para o leão, mas logo relaxou ao escutar a mestra sorrindo mais relaxada e aparentando menos dor. Tomoyo ainda balbuciava algo sobre penteados.
Syaoran: "Bom, eu vou indo. Preciso tomar um banho, estou muito cansado (Virou-se para a mestra das cartas) Ao anoitecer eu passo aqui para buscar vocês".
Sakura (Sorrindo para ele): "Está certo" (Ele virou-se para ir, mas ela o interrompeu) "Syaoran muito obrigada por tudo o que você fez...".
Syaoran (Sério): "Eu não fiz nada".
Sakura (Doce): "Eu estou aqui, não estou? Então acho que alguma coisa certa você deve ter feito".
Ele parou observando-a por alguns minutos. Como amava aquela mulher pequenina fragilmente colocada no sofá. Deus como era difícil admitir esse sentimento. Seus músculos estavam travados. Tinha que pensar, tinha que reagir, tinha que sair dali. Simplesmente deu as costas e saiu sem pronunciar uma palavra, sentiu-se fraco, mas naquele momento era a única coisa que poderia fazer. Fechou a porta deixando uma menina confusa sentada no sofá. Correu pela faculdade, correu dos seus próprios medos, correu de suas próprias conclusões, correu dos seus sentimentos, e principalmente correu de Sakura Kinomoto.
^(*&&**&(())
As grandes geleiras começaram a derreter e Plutão sofreu um dos piores terremotos de sua história. A força maligna que tanto o impulsionava a crescer havia mudado drasticamente e estava destruindo um dos quatro pilares que sustentavam o reino do mal. Ódio, rancor, inveja e mentiras agiam como quatro forças amparando o submundo. Mas, agora todo ressentimento que o guardião tinha e o ódio que nutria contra a princesa desaparecera, e para piorar ela sumira totalmente da bola mágica de cristal. Como se não existisse em lugar nenhum. Nada perto dela, nem os guerreiros do sol ou da lua podiam ser encontrados. Droga! Eles eram mais espertos do que ele pensava e isso o deixou furioso. Olhou para o lado e na sua cama Miaka descansava em meio a terríveis pesadelos. Nada era capaz de mandar embora os pesadelos quando se cai na terra dos cristais.
Levantou-se e vestiu uma túnica negra de linho fino. Muito diferente do que todos pensavam sobre a personalidade de Kay, sua frieza era a melhor de suas qualidades. Olhou pela janela e pôde ver uma manifestação diferente. Havia algo errado, podia sentir. Sua enorme experiência o deixava em alerta constante. Outro terremoto, dessa vez mais forte. O que estaria causando tanto abalos em seu mundo? Foi até a sacada e pôde ver uma correria fora do normal, havia um pânico diferente entre seus oficiais. Desceu até a sala do trono, e encontrou Koar com mapas nas mãos, conversando com outros dois oficiais de alto escalão das trevas. Todos reverenciaram a presença do príncipe do gelo.
Kay (Seco): "O que está acontecendo?".
Koar (Mostrando uma marca vermelha no mapa): "Não sei senhor, mas o rio das almas está descongelando...Esse ponto aqui está totalmente liquido".
Kay (Arregalando os olhos): "Isso é impossível".
O rio das almas más. O grande guardião dos condenados a morte eterna... Mantinha as almas pecadoras presas como uma cadeia inabalável. Nada poderia quebrar a estrutura ou a frieza daquilo, a não ser...
Koar: "Parece que algo está queimando no interior do rio, como um vulcão (Ele suava frio) Eu nunca vi isso, senhor".
Kay (Olhando assustado para a extensão de gelo derretido no mapa) : "Droga! Mil vezes droga!" (Socou a mesa) : "Só existe uma coisa capaz de causar essa catástrofe no nosso mundo (Encarou-os com os olhos vazios) A chama do amor, também conhecida como a chama do dragão".
Koar: "A chama do poder infinito...já ouvi falar".
O príncipe do mal soltou um sorriso debochado, quase ameaçador.
Kay: "Se você soubesse o poder que o amor tem, temeria aqueles que amam sem fronteiras...Não falo de amor entre homem e mulher apenas, mas entre irmãos e família...Entre pais e filhos..Amigos...".
Koar: "Amor? Parece tolice".
Os olhos de Kay escureceram, ele pegou o general pelo colarinho e colou a cara dele no mapa, em cima da marca vermelha.
Kay (Alterado): "Isso parece tolice para você, por acaso?"
Koar (Quase sem respirar): "Não...não senhor"
Ele o soltou como se fosse um saco de lixo imprestável.
Koar: "Mas a princesa ainda não sabe quem ela é... O tabuleiro do tempo ainda está escuro".
Kay (Virando de costas): "Precisamos dar um jeito de atraí-la para cá.".
Koar: "Está pensando em trazer a princesa para o mundo das trevas? (Seu olhar era aflito) Mas isso é quase impossível ela poderia destruir o nosso mundo e-".
Kay (Voltando a encará-lo) "Caro general, ela não suportaria tanta energia negativa...Ou morreria, ou se corromperia".
Koar (Sério): "Eu ainda acho muito arriscado, senhor".
Kay: "Quem dá as ordens aqui, sou eu!" (Firme): "Chame a bruxa Hikaru, ela deve saber alguma forma de atrair a princesa para cá" (Ordenou para os outros dois soldados) "Reforce a guarda no rio, não quero ver as almas saindo daqui...".
Koar (Rendido): "A bruxa vai querer alguma coisa em troca...".
Kay (Indiferente): "Onde está as novas almas? Chame Makino".
Um ruído estrondoso invadiu a sala e um gato magro de quatro cabeças arrastando uma sacola preta quebrou a porta de gelo. Despejou o conteúdo do saco no chão de diamantes.
Kay (Passando a mão na cabeça de seu bichinho): "Você está sempre pronto, não é?".
Makino (Apreciando o carinho): "Miauuuu (As quatro cabeças falavam em uníssono) Aqui está senhor, as novas almas".
Kay deu uma boa olhada para aquelas pessoas que estavam na frente deles. Ladrões, assassinos, estupradores, mentirosos... Espécie das piores da raça humana. Cuspiu na cara de cada um com gosto. Seu ódio daqueles a quem povoavam as trevas era maior do que pela princesa, porque sabia que era por causa dessas pessoas más que o grande poder do bem resolveu ser liberado. Aos poucos o cuspe virou uma corda negra e envolveu o pescoço deles.
Kay (Olhando para Koar): "Leve eles como pagamento para a bruxa, são almas novas, vão conceder pelo menos mais cinqüenta ano de juventude (Olhando para o gato) Quando a você bichinho, eu tenho uma missão muito, muito importante...".
Mexendo as mãos, uma gosma verde começou a brotar de seus dedos. Aquela mesma gosma que havia prendido Sakura na casa abandonada.
Kay: "Capture esse cheiro...Essa gosma capturou as células da pele da mestra das cartas...Quero que a encontre!".
Makino: "Mas senhor, isso poderá demorar dias".
Kay (Sério): "Eu não me importo, ache-a...Assim que encontrá-la, avise a bruxa das montanhas...ela saberá o que fazer".
Rendido o animal tomou velocidade e correu rumo a sua busca.
Kay (Para si): "Para quem esperou tanto tempo, alguns dias a mais não serão nada".
Continua...
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