Chamas do Céu
1 Capítulo 0 - Céu em Chamas
Notas iniciais
Acordei com Aoki jogando travesseiros em mim. Ela sabe que odeio isso, mas insiste em fazer toda vez que durmo um pouco mais do que devia. Às vezes dá vontade de estrangular minha irmã... Sempre vamos juntos para a escola, e Aoki sempre chama uma amiga, Mido Midori, para ir também. Nunca entendi bem essa menina, principalmente o motivo para ela deixar o cabelo verde. Nessa manhã, Midori estava particularmente estranha. Ela dizia coisas sem sentido sobre ter uma anja lutando contra vespas gigantes.
— Haviam muitas, vindo de toda parte. — Ela dizia.
— Por que vespas gigantes atacariam uma anja? — Perguntei à ela, me arrependendo imediatamente.
— Eles estavam tentando pegá-la. — Ela respondeu. — Para fazer alguma coisa ruim.
Pensei em dizer que anjos não saem lutando contra insetos no céu, mas percebi que discutir sobre isso não nos levaria a lugar algum.
Na escola, as aulas passavam tão devagar que me davam sono. Deitado sobre a carteira, tentando dormir, as palavras de Midori vinham à minha cabeça. Eles estavam tentando pegá-la. Para fazer algo ruim. É claro que não tem como algo assim ter acontecido. Apenas ignorei e voltei a dormir. Bom, tentei. Era impossível dormir com toda essa gritaria no meu ouvido. Espera, gritaria? Abri os olhos e levantei a cabeça, e o que vi era impensável: Todos estavam gritando e correndo para fora. Alguns olhavam pela janela antes de sair. O professor, que sempre foi como uma mosca morta nas aulas, gritava para todos continuarem calmos. O que estava acontecendo ali? Fui até a janela e olhei. Havia uma grande bola de fogo caindo do céu que, sem dúvidas, atingiria a nossa escola.
Saí para o corredor e... mais tumulto. É nessas horas que pensamos em coisas como "Quantos alunos estudam nessa escola?" ou "Quando eles vão aprender a correr sem gritar?". Segui a multidão tentando não ser atropelado no caminho. Eu sabia que Aoki estava bem. As salas da quarta série ficam no térreo, então ela já devia ter saído. Pelo menos, era o que eu desejava naquele momento. Do lado de fora, no pátio, dava para ver melhor o meteoro caindo. Era como se um mar de fogo estivesse caindo direto na minha cabeça. Não dava para olhar diretamente por mais que alguns segundos e, conforme se aproximava, mais quente e pesado o ar em volta ficava. Olhei em volta procurando pela Aoki, mas não a vi em lugar nenhum. Gritei chamando por ela, sem sucesso. Dificilmente ouviria com toda essa confusão. Então, quando a avistei correndo com duas amigas, o meteoro desapareceu.
Por um instante, o céu voltou a ser o que era, o calor e a pressão do ar desapareceram, e as pessoas pararam de gritar, olhando umas para as outras sem saber o que aconteceu. E então a escola explodiu. Uma onda de choque violenta me atingiu e me jogou para longe. O que aconteceu? Meu corpo todo doía, havia um zumbido alucinante no meu ouvido e mal podia respirar com tanta poeira. Tentei me levantar, da forma que a dor deixava. Tudo o que eu conseguia ver era destruição. Todos estavam caídos, muitos sangrando. Eu ainda não conseguia ouvir nada, mas tinha a impressão de que havia pessoas chorando. Olhei para onde Aoki estava antes da explosão. Meio metro longe dali, ela estava jogada no chão, com muito sangue escorrendo no braço direito.
— Aoki... — tentei chamá-la, mas ela não se movia. Talvez não estivesse ouvindo. Talvez nem estivesse consciente. Forcei-me a me levantar e fui em direção à ela. Meus ouvidos ardiam conforme eu me aproximava, mas continuei indo. Quando cheguei mais perto, vi algo perturbador demais para ser verdade. Ao lado dela estava Midori, com a cabeça sangrando em uma pedra. Era impossível acreditar que a melhor amiga da minha irmã estivesse assim, sem vida. Mesmo meio maluca, ela sempre esteve conosco. Eles estavam tentando pegá-la. De novo, as palavras da Midori ecoaram na minha cabeça. Dessa vez, causando uma dor tão forte que quase desmaiei. Será que ela sabia? Olhei para a escola destruída e tive a confirmação. Uma garota, ou algo que parece ser uma garota, com pele cinzenta e cabelo comprido, aparentando ser pouco mais velha do que eu, estava parada olhando para as chamas.
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