Notas iniciais
Capítulo bem grandinho... mas vale a pena!!!!

Piper estava nas nuvens. Literalmente.

Alexy vomitou de repente, por conta de sua alergia a chocolate, antes das aulas de equitação a pégasos, pelo o que Mitchel lhe contou. Então, como conselheira-chefe, Piper se ofereceu a guia-los pelo céu.

O problema é que ela nunca voara num Pégaso antes.

Ela estava com medo, voar tão alto e tão complexo em cima de um cavalo não é das coisas mais seguras! Mas ela queria provar que era tão boa quanto a ex-conselheira do Chalé 10, Silena Beauregard. Afinal, todos diziam que ela era a melhor amazona de pégasos em TODA A HISTÓRIA. Piper queria provar que era tão boa quanto ela... Ainda mais depois do que Clarisse La Rue lhe dissera antes de ferrar com seus dois braços.

Mitchell surgiu voando num Pégaso marrom-claro ao seu lado. Ela o olhou de recanto mas desviou os olhos rapidamente para o pelo branco de seu Pégaso, que ela agarrava como sua vida.

- Piper — ele a chama — você está bem?

Piper, ainda fitando e agarrando o macio pelo de seu Pégaso, grita em resposta:

- Sim! Estou ótima!

- Qual é a próxima rota? — ele pergunta.

Morrendo de medo de soltar o pelo de seu Pégaso, Piper tira um pedaço de papel do bolso. Era a rota de voo que ela deveria seguir em torno do Acampamento. Para exercitar os pégasos, ensinar os campistas e, principalmente, checar se algum inimigo poderoso se aproximava.

- Sobrevoar a floresta — grita para Mitchell.

- Já fizemos isso!

- Merda - ela sussurra para si mesma — a próxima é Sobrevoar o Lago!

- Piper, se servir de ajuda, tente pensar em algo muito bom. Ou pense no que fez o dia todo...

Ela finalmente olhou para Mitchell, incrédula. Ele exibiu um sorrisinho antes de voar para longe. Será que ele sabia? Impossível. Ela se certificou de que ninguém a seguira... Então ela se lembra que Mitchell também é filho de Afrodite. É fácil para ele ler as emoções das pessoas, ainda mais quando estão apaixonadas.

Ainda mais quando passaram o dia beijando aquele por quem estão apaixonadas.

Ela sorri consigo mesma. Pensar em Leo começava a dar esse efeito. Ela nunca imaginou que se perderia em pensamentos ao imaginar seus lindos olhos castanhos, nunca imaginou que sempre sorriria debilmente ao ouvir seu nome...

Nunca imaginou que beijá-lo seria tão maravilhoso.

Mitchell tinha razão, pensamentos bons distraíam no voo de Pégaso. Até relaxava. Piper consegue tirar os olhos no pelo branco que tanto agarrava e visualizou o horizonte, onde o sol entrava em contato com o mar mais adiante. A visão era incrível.

Mas, como sempre, pensamentos e acontecimentos bons desencadeavam o caos.

Ao lado dela, alguém se aproximou num Pégaso branco. Ela vira o rosto e quase cai do Pégaso quando vê Jason, vestindo sua habitual blusa roxa do Acampamento Júpiter, voando seguro em seu Pégaso. Ele olha para ela e sorri.

- Está indo bem... — ele comenta.

Ela fica sem reação. Seu coração batia forte e ela quis ordenar para que ele parasse. Ela não queria gostar dele, mas gostava. Sua mãe garantia que ela gostasse. Mesmo amando Leo com todas as suas forças, a imagem de Jason a assombrava de modo artificial e insistente.

- Você tá bem? — ele pergunta, franzindo o cenho.

- Estou. — ela mente.

- Passei o dia todo te procurando... Annabeth me disse que você deveria estar aqui.

Os olhos de Piper brilham ao ouvir notícias da melhor amiga.

- Ela voltou? Alguma mensagem de Íris de Percy?

- Não. Acho que são más notícias... Ela voltou arrasada.

- Falarei com ela mais tarde...

Eles continuaram voando sobre o Estreito de Long Island, quando Piper mandou-os traçar a rota de volta para o Acampamento Meio-Sangue.

- Eu pedi a Leo para dividirmos a cabine.

Piper quase cai do Pégaso de novo. Leo deveria ter ficado arrasado e até mesmo com raiva. Pelos deuses... Jason só sabia fazer besteira!

- Jason! Pensei que estava brincando quando me disse aquilo — ela responde com mais raiva do que queria.

- Ei, calma Pipes. Eu estava! Queria pegar o Leo, mas ele também ficou muito estranho...

Ah, deuses. Ela deveria falar com ele mais tarde. O pensamento a fez ficar um pouco mais calma.

- O que ele disse? — ela pergunta.

- Disse que não esperava isso de mim porque eu era romano... Aí eu falei que pretendia casar com você e ele ficou mais estranho ainda.

Merda. Merda. Merda. Leo deve estar com raiva dela. Certamente que estava. O assunto do casamento surgiu antes dela descobrir de tudo. Surgiu no dia que eles começaram a namorar! E foi só uma ideia qualquer...

- Ele certamente estava pensando no que o Treinador falaria ao descobrir — Piper acrescenta rapidamente. Ela era rápida no raciocínio. As vezes tão rápida quanto os filhos de Atena.

- Sim — diz Jason — ele me disse isso. Mesmo assim não faz o tipo dele...

- Ah, ele deve estar tenso com a construção do Argo II. E ele havia me dito que a magia que teve que pegar no Chalé 20 o deixa nos nervos.

- Pra que aquilo, afinal?

- Para fortalecer a Névoa para os monstros e mantê-los afastados. E também para encobrir nosso cheiro. Ele disse que usaria o que restar no refeitório para ter a visão atual do Acampamento Meio-Sangue todos os dias.

Jason assentiu e depois abriu um sorriso.

- É a cara do Leo... — diz por fim.

Piper fica aliviada ao mudar o assunto. Ela pousa com os outros, próximo aos estábulos.

- Vocês foram ótimos, pessoal! — ela diz.

Todos agradecem a ela e se cumprimentam. Ela entrega ao Pégaso um torrão de açúcar.

- Você também foi muito bom, garotão.

O Pégaso bufou, como se reclamasse que as unhas de Piper machucavam ou algo do tipo. Piper se desculpou e o levou, junto com Jason, até os estábulos. Os dois saíram em silencio, e seguiram até a praia que estava vazia.

- Anda se lembrando de alguma coisa? — Piper pergunta.

- Algumas missões, alguns amigos meus. Nada que ajudasse a ter contato com Percy Jackson ou a derrotar Gaia.

Eles caminharam um tempo até visualizarem a silhueta de alguém. Os dois se entreolham, pois não conheciam o indivíduo, e apertam o passo em sua direção.

Quanto mais Piper se aproximava, mais notava os estranhos detalhes do desconhecido. Primeiro, notou que possuía asas. Ou ele tinham alguma águia ou pássaro gigante montado em suas costas, ou era algum monstro mitológico.

Mais próximos... Piper notou que ele segurava um longo arco. Em suas costas, uma aljava vermelha cheia de flechas. Ela não visualizou nenhuma ave e a ideia de ele realmente ter asas começou a se tornar uma certeza.

Estavam a alguns passos do homem agora. Ele tinha, pelo menos, a idade de Piper e Jason. Possuía cabelos loiros e sedosos batendo em seus ombros e grandes asas brancas de anjo. Ele os encarava com belíssimos olhos azuis. Piper nunca havia visto ninguém tão belo antes. Sua aljava era vermelha, assim como o arco, as flechas e a roupa grega que usava. Era algum deus. Mas Piper não se lembrava qual.

Jason tinha a testa franzida, parecia reconhece-lo e não entender o que diabos ele fazia ali: na praia do Acampamento Meio-Sangue.

- Saudações — diz o estranho quando eles estão suficientemente próximos.

- Oi — responde Piper confusa.

- Olá — Jason praticamente cospe.

- Ainda com raiva, Grace? — pergunta o estranho sorrindo maliciosamente.

- Eu te avisei que ninguém me ameaçava... Muito menos... — Jason olhou para Piper, com dor depois completou a frase — muito menos Reyna!

- Eu não o ameacei, meu jovem — Piper achou estranho aquele adolescente chamar Jason de "meu jovem" — eu apenas disse que sua vida amorosa seria...

- A descrença que reina em pleno Tártaro — Jason completou — depois de eu ter te ajudado! E ainda afirma que com Reyna seria pior. Disse que...

- Sim! Eu disse que o Tártaro irá parecer dócil para ela. E é verdade. O que eu lhe disse, mortal, está se concretizando.

- Espera! — grita Piper que estava cansada de ouvir coisas que não entendia — quem é você?

- Ainda não me reconheceu, irmãzinha?

Piper franze o cenho. "Irmãzinha"?

- Ele é Cupido — diz Jason cuspindo as palavras — o deus do amor.

- Na verdade sou Eros — diz Cupido/Eros — essa bipolaridade não me atinge. Afinal, o amor é universal!

- Espera! — Piper torna a gritar — Jason... Por que você o odeia?

- Cupido pediu ajuda a mim e a Reyna para resgatarmos o arco dele que foi roubado. Nós o ajudamos e como agradecimento ele lançou uma maldição. Disse que minha vida amorosa se comparava ao Tártaro e que Reyna seria quem mais sofreria com isso. Reyna nunca mais foi a mesma comigo...

- Você era tão impaciente que nem sequer deixou eu terminar de falar...

- Ah é? O que você ia falar? Que depois de tudo isso tudo ia ficar bem?

Piper nunca vira Jason daquele jeito. Ela recua um passo e olha para o deus e depois para o "namorado" como quem vê uma briga prestes a se formar e não sabe como resolver. Afinal, ela não conseguiria usar o Charme com um deus, ainda mais um que é filho de Afrodite!

Eros olha para Jason e dá de ombros.

- Você nunca saberá agora. Só depois que tudo estiver resolvido, quem sabe. Mas eu não vim discutir com você, Jason Grace — Eros vira os olhos e encara Piper — vim falar com a minha irmã.

Piper pisca os dois olhos.

- Comigo?

- Sim, Piper Mclean. Ao contrário do que Jason pode pensar, eu sou mais bondoso do que aparento.

- Se falar uma coisinha sobre problemas amorosos com ela...

- Ela já não é a mesma com você Jason. Sua "maldição" já está começando. Melhor não me culpar. Agora saia antes que eu faça você se apaixonar por uma pedra.

Jason lança um último olhar de ódio para Eros e se retira. Piper se vira para o deus, confusa.

- O que você ia falar para Jason e Reyna? Boas ou más notícias?

Eros dá um longo suspiro.

- Boas. Eu sou gente boa, ao contrário da minha mãe.

- Mas e quando você fez Hades se apaixonar por Perséfone... e depois a fez odiá-lo?

- O conto não é muito bem contado. Eu estava com muito ódio do deus do Submundo depois de ele insultar nossa mãe. Eu fiz aquilo e depois que Perséfone foi condenada a ficar com ele, eu fiz com que ela se apaixonasse. Embora ela mesma não admita a outros deuses.

- Então... você ia dar boas notícias aos dois? Dizer que tudo ficaria bem no final?

Eros lança um triste olhar para Piper, como quisesse compartilhar algum segredo com ela. Mas ele desvia o olhar logo após.

- Infelizmente eu não posso lhe dizer, cara irmã. Mas vim aqui para ajuda-la.

- Ajudar? Você me faz amar um, enquanto também me faz amar outro para salvar o mundo? Isso não é ajudar!

Eros olha para o horizonte, sombrio.

- Eu não fiz você amar Jason Grace, Piper. Foi minha mãe. Ela se interfere em assuntos que me nego a participar. O amor que Afrodite compartilha é paixonite. Não é o amor que possuo para compartilhar.

- Espera. Você que fez eu amar o Leo?

- Não. Você ama o Leo. E o Leo ama você. O que eu faço é um empurrão. Eu fortaleço o sentimento existente e o faço mais concreto. Como alguém que acrescenta cimento ao tijolo.

- Você veio dizer que terei que ficar com Jason mesmo assim?

Eros exibe um sorriso torto que quase fez Piper suspirar. Os olhos dele brilham, então ele diz:

- Não, Piper.

- Posso ficar com ele?

- Piper... Já ouviu falar em Psique?

Piper tenta se recordar do nome da mitologia grega, então quando se lembra olha para Eros incrédula.

- Sua esposa?

- Sim.

- O que tem ela?

- Minha mãe não aprovava o relacionamento. Ignorei-a. Eu sofri muito e Psique também quando nós desafiamos Afrodite. Mas tudo ficou bem. Só quero dizer: O amor é maior que muitas coisas Piper. Sobretudo a morte. Não se prenda às ameaças de Afrodite, pois ela mesma é tão cega com sua desilusões que fica satisfeita ao complicar a vida amorosa das pessoas.

Eros dá um longo suspiro enquanto observa o horizonte.

- Tenho que ir, Piper Mclean. E meu último conselho a você é: Lute.

Eros entrega a Piper um envelope. Depois puxa uma flecha da aljava e entrega na mão dela. Ele pisca um olho, divertido para ela e sai voando, desaparecendo no horizonte que a pouco observava.

Piper abre o envelope rosa-bebê que dizia:

A flecha desfaz feitiços do amor. Pode te livrar do sentimento irreal que sente por Jason Grace e ele de você. Mas ao fazê-lo enviará uma mensagem automática para Afrodite. Ao fazê-lo, você estará abrindo mão de sua missão.

Piper levanta os olhos confusos para o horizonte. Esperando que Eros lhe desse uma explicação. Mas ele havia desaparecido. Deixando-a com um presente duvidoso e a pior dúvida da sua vida.

Notas finais
Po, Eros..