Chamas Da Memória
11 Cometas
Notas iniciais
Enjoy ;)
Leo não sabia se eu sonho era bom ou péssimo.
Ele sonhara que estava de volta àquele inferno que chamam de Escola da Vida Selvagem. Ele não aguentava mais sonhar com aquele lugar e relembrar todos os lares adotivos no qual fugiu. A única parte boa era que sonhava com Piper... A outra parte ruim era que sempre sonhava com algo que ameaçava a amizade dos dois.
Enfim, no sonho ele estava com Piper novamente. Ele não sabia como (mas sabia) que era uma madrugada de sábado. Os dois estavam gargalhando e Leo, ainda dividido entre seu Eu do sonho e da realidade, não sabia porque riam.
Então ele percebe que os dois estavam no telhado. Leo teria franzido o cenho, mas continua a rir com Piper. Então ela diz:
- Imagina a cara do Treinador quando ver aquilo...
Leo entende imediatamente o que acontecera, seu Eu do sonho continua gargalhando e responde:
- O sujeito vai ficar maluco! QUEM FOI O CUPCAKE QUE QUEIMOU MINHAS CALÇAS? — ele imitou sua voz perfeitamente, isso só fez Piper rir ainda mais.
- Somos pessoas horríveis... — ela diz, mas continua rindo. Leo percebeu que ela estava linda sob a luz pálida da lua. E que ele estava definitivamente apaixonado por ela (no sonho e na vida real).
Então Piper fica séria, e vira o rosto para ele.
- Aquilo que você fez com os dedos... Leo, a culpa não é sua só porque tem aquele dom.
Leo sente os olhos arderem. Sim, era culpa dele. Se tivesse escutado a mãe e se controlado, ela não teria morrido naquele maldito incêndio. Para ele, aquilo deveria ser chamado de "maldição".
- Não, Piper — ele diz com a voz carregada de culpa e dor — eu deveria ter escutado ela...
Leo conta a história detalhadamente. Com a estranha Mulher de Poeira e tudo o mais. Ele não tinha medo de parecer loucura naquele momento... Ele sentia que poderia falar tudo com Piper. Até se fosse para falar que aliens existem!
Piper era boa ouvinte. Ela não veio com aquele papinho medíocre do tipo "ela está num lugar melhor", nem (o que ele odiava) o falso "sinto muito por ela". Nunca parece sincero quando alguém diz.
Quando Leo terminou de falar ela simplesmente o abraçou. Ele tinha lágrimas nos olhos mas, naquele momento, nenhuma miséria de seu passado importava. Ele devolveu o abraço e a apertou para si, como se fosse perde-la em breve... Ele tinha essa sensação.
Ela se afasta um pouco para encará-lo nos olhos. E ele sentia que girava dentro das cores dos olhos dela. Ela sorri. Leo sente que ia desmaiar.
- Limpa essas lágrimas, Valdez — ela disse docilmente — daqui a pouco as estrelas cadentes vão cair...
Leo riu.
- São cometas, Pips.
Os dois se sentaram lado a lado. Piper deitou a cabeça nos ombros dele e, juntos, esperaram a chuva de meteoros (cometas, estrelas... sei lá). Leo nunca havia se sentido tão bem ali ao lado dela, podendo finalmente relaxar. Sabe, um daqueles momentos que você para e pensa: ei, eu estou sorrindo!
Um risco brilhante passa pelo céu. Depois vários juntos. Era uma das coisas mais bonitas que Leo já vira (tirando Piper, claro!).
Então Piper se levanta. Leo franze o cenho.
- Vem — ela diz oferecendo a mão — vamos dançar.
- Sem música?
- Pare de ser chato!
Leo aceitou e se levantou também. Ele nunca dançou bem mas nem ligou muito para aquilo. Os dois começaram a dançar (como ele pisando no próprio pé de tempos em tempos) sob os riscos brilhantes no céu estrelado.
- Não vai fazer um pedido? — Piper pergunta a ele.
- Pipes... Não se faz pedidos a cometas...
Piper sorri.
- Pode fazer pedidos a qualquer hora, para qualquer coisa.
Leo não entendeu porque ela sorria tanto, mas começou a ficar muito nervoso (e muito vermelho). Aquela frase ficou martelando enquanto eles dançavam mais alguns minutos, com Leo imaginando uma música lenta daquela mulher no pôster do armário do Hedge.
Então ele dispara uma pergunta antes que a capacidade de falar suma de vez:
- Eu poderia te pedir alguma coisa?
O sorriso de Piper se alarga.
- Pode.
Tarde demais! A voz dele começava a sumir...
- Ér... bom... eu... hum... poderia...
Ele ficou morrendo de ódio de si mesmo. Coragem, Valdez.
Piper sorria tanto que deixou Leo mais confuso ainda. Ela também estava um pouco corada.
- Você ia pedir para me beijar, Leo Valdez?
Já era. A voz dele já era! E a respiração idem. Ele se daria se estivesse concertando alguma máquina, ou quem sabe construindo uma. Mas com pessoas... E ainda mais do sexo feminino! Era suicídio!
- Ér... Hã...
Piper se aproxima mais dele, ele podia sentir seu hálito de canela e quase desmaiava. Pare com isso, Valdez — ele ouvia o Treinador Gleeson gritar — parece uma menina!
Os dois já haviam parado de dançar faz tempo, mas as mãos de Leo ainda enlaçavam a cintura de Piper. E as mãos dela repousavam em seus ombros. E quanto ela se inclinou, Leo sentiu que estava no modo automático, pois também foi em direção aos lábios dela. Iniciando o beijo que fora apagado da memória dos dois.
Leo acorda no Bunker 9. Tão confuso que quase se enforcava. Não era possível que aquilo havia acontecido. Não tinha o menor dos sentidos. Ele e Piper? Se beijando no telhado? Ele já cansara de ouvir aquela história. Mas não era ele, era Jason.
Então Leo para e pensa. E se fosse mesmo ele? E se não fosse Jason? Eles já sabiam que Jason nunca estudou na Escola da Vida Selvagem. Todas as memórias era falsas. Não. Pior. Elas eram reais. E eram sobre Leo.
Leo começou a lembrar-se da noite do telhado com mais clareza. Foi a melhor noite da sua vida. Até perdera a conta de quantas vezes havia beijado Piper durante e depois daquela noite. Ele ficou tão confuso (e, devia admitir, um pouco feliz) que não sabia se contava ou não a ela.
Ele sai do Bunker e leva um susto. Porque havia uma pessoa que Leo jamais esperava ver. Ele fitava a mulher mais bela do mundo, e também sua madrasta. Afrodite.
- Olá, Valdez — ela diz um tanto seca — precisamos conversar.
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