Chama de Uma Noite Escura
2 A paz se afasta
A "rua' cheia de andares de apartamentos com a pintura antiga no meio da cidade havia despertado, ouvia-se os barulhos da crianças indo e voltando da escola, as senhoras fazendo a típica fofoca de todos os dias e os velhos em bares perto dali rindo e jogando enquanto em goles enchiam a cara. Ali moram pessoas com renda mínima e que ainda mantinham-se na cidade grande devido ao aluguel baratíssimo daquelas estruturas coladas uma na outra o qual estavam ainda de pé devido a boa forma que foram construídos e a única coisa que os dividia era um pequeno corredor onde no final dele havia uma escada.
Eis que no meio daquela grande bagunça, morava nos fundos uma garota de cabelo loiro esbranquiçado no qual mal ultrapassavam o ombro com uma franja caída lisa sobre a testa e o restante com cachos, seus olhos eram verdes bem fundo quase não eram de se notar. Vivia com sua mãe adotiva chamada Noreen Campbell era conhecida por sua personalidade simpática e por ser adorada pelas crianças do lugar, sua aparência pouco desgastada, traços faciais leves e gentis, olhar calmo acastanhado e longo cabelo com leves ondas também variado tom castanho porem bem escuro.
A mesa do café era farta de pão, leite e uma geleia de uva só para ser um pouco diferenciado dos dias anteriores, um leve bocejo de quem mal tinha dormido de noite vinham da jovem, que esfregava os olhos enquanto o micro-ondas apitava o restante do leite quente.
Mais um dia de trabalho iniciava-se e Noreen já estava na pequena "oficina" a finalizar uma encomenda, vestia um macacão jeans sujo e uma blusa regata branca velha, usava luvas pretas que deixavam exposto seus dedos e um sapato antigo curto. Logo pulando os degraus da escada do condomínio em forma desesperadora aparecia Angelina entrando de forma aborrecida chamando atenção de sua mãe.
– Por que não me acordou, Mãe? — A menina suspirava fundo enquanto aguardava uma resposta -
– Desculpa minha querida, mas acabei ficando com pena de você, afinal você ficou as madrugas sem fim fazendo a próxima rota de entrega. -A mulher de pouco mais de trinta anos passava a mão levemente na testa de sua filha -
– Eu quero ajudar a senhora a fazer as ferramentas! Não é justo apenas a senhora ficar com o trabalho pesado. — Cruzava os braços virando o rosto vermelho de raiva -
– Não se preocupe! Estou acabando, falta colocar alguns pequenos detalhes. -Ela se vira e começa a procurar um papel que estava na pequena mesa de canto brevemente retorna á sua filha -
– Nunca me deixa trabalhar... -Sussurra-
– Mocinha, preciso que vá comprar algumas coisas na avenida, não demore de mais, creio que quando chegar já estará pronto para entrega!
– Tudo bem... -Pega o papel com uma expressão de frustrada -
~~
Lina como era chamada foi uma criança que não teve amizades por própria opção, não queria pessoas muito próximas por medo de que fosse tratada como em seu passado, então sempre tentava manter-se longe de qualquer brincadeira ou algo que envolve-se socialização. Porem, havia uma exceção e era Leonard Kenneth seu vizinho, desde que a garota se mudara para aquele local, o menino de cabelo alaranjado e olhos escuros tentava falha mente a amizade dela.
O menino admirava a personalidade afastada e calma de Lina, sempre disfarçadamente via as raras vezes no qual ela saia de fim de semana sem a sua mãe e com a atitude de criança boba á seguia, ate que por fim a menina entendeu o lado de Leo e abriu um espaço para ele em sua vida.
Depois da enrolação de Noreen para que a jovem não a ajuda-se, não demora muito e novamente estava ela á descer as escadas, mas de forma devagar e usando uma calça jeans escura, blusa estilo moletom aberta com pelinhos na ponta da toca e uma blusa simples branca. Ao pisar no últimos degraus, se ouvia uma voz que aos poucos aproximava-se.
– Ei Ange! Vai á cidade? — Leo desce as escada animado ao ver Angelina -
– Infelizmente. — Se curva em um tom um pouco desaminado -
– Que cara é essa? Não me diga que ela te enrolou de novo? — Como era bem mais alto que a garota ele se escorava na parede para olhar mais fixamente para ela -
– Bem vou indo, ainda temos muito o que fazer.. -Começa a caminhar lentamente e acena discretamente — Tchau Leo!
– Como sempre afastada... Minha pequena Ange... -Sorri de canto direcionando seus olhar para o céu repleto de prédios -
"Sei que poderia tratar melhor as pessoas, e ainda simplesmente sair sorrindo para o mundo, mas isso não me agrada e não me permite, queria simplesmente deitar na grama tranquilamente sem me preocupar. Gestos que por muito passam despercebidos, e que eu procuro valoriza-los enquanto estou aqui."
Havia uma ponte que ela tinha que passar para chegar ao seu destino, com os movimentos dos carros e a própria natureza faziam ventar muito e assim o cheiro verde das vastas árvores que ali estavam á balança davam uma sensação de pureza por alguns minutos em meio uma cidade grande.
Na próxima esquina após a ponte tinha uma vendinha, o qual tinha diversos produtos até os mais bizarros, um velhinho entre seus 70 anos e que sempre estava com a mesma velha bermuda azul marinho á conhecia desde que se escondia atrás de Noreen por medo das pessoas.
– Como é bom vê-la de novo minha doce garotinha, continua radiante! -Ele á convida para entrar na simples lojinha — Como vai sua mãe? Faz tempo que não á vejo.
– Ela anda ocupada com o trabalho. — Direciona suas mãos para o bolso da blusa á procurar o papel e por fim o entrega para o velho -
– Vejamos... -Aproxima o papel para bem perto dos olhos e logo começa a pegar os itens da longa prateleira os colocando no caixa que não passava de uma mesa alta de madeira com uma calculadora — Pronto aqui esta, tudo deu 30!
– Só um momento. — Novamente leva as mãos para dentro dos bolsos e prontamente retira duas notas 10 e de 5 colocando-as em cima da mesa enquanto o senhor coloca as compras dentro de uma grande sacola feita de matérias recicláveis-
– Lembre-se sacolas recicláveis em primeiro lugar! -O idoso a acompanhava até a porta — Mande lembranças para Noreen e vá com cuidado. -A menina dava um pequeno aperto de mãos e com passos ligeiros ela vai se afastando saindo aos poucos da vista do velho -
~~
Não demorava menos de quarenta e cinco minutos para retornar ao bairro, o sol naquele horário queimava sobre as cabeças daqueles que perambulavam pelas ruas e avenidas, já se via restaurantes e lanchonetes cheios o que indicava o almoço começando.
Um silencio vasto ecoava naquela vizinhança agitada, obviamente alguma coisa havia acontecido, olhava em volta continuando a caminhar e algumas vizinhas se escondiam á observar para a jovem, subia as escadas andar por andar ouvindo um certo falar que cada vez ficava mais próximo.
O barulho vinha de sua casa e para sua surpresa quando abria á porta, pessoas de usando ternos sentadas no sofá e alguns nas cadeiras eram em volta de 5 pessoas, mas precisamente três homens e duas mulheres todos com o olhar voltado para jovem. Vindo da cozinha Noreen com uma bandeja xícaras de café e alguns pãezinhos logo quebra aquele clima de silencio.
– Pessoal, gostaria de apresentar minha única filha Angelina. -Ela colocava bandeja na mesinha no centro da pequena sala — Vamos Lina comprimente eles! Desculpa pessoal ela é um pouco tímida.
– Olá á todos, desculpe a grosseira, não estou acostumada com visitas. -Ergue umas das mãos em gesto de aceno coloca as compras na cozinha e se escora na parede entre a sala e a cozinha -
– Aproxime-se jovem, o assunto convém a ti também. — O homem com cabelo longos repicados e franja caída chama a atenção de Lina -
Aquelas pessoas que ali estavam eram "colegas" da mãe da garota, enquanto se serviam e a mesma se acomodava para escutar o que tinham de falar ela observava cada detalhe.
– Chega de tanto esperar. — Uma das mulheres no qual estava sentada com as pernas cruzadas — É o seguinte, minha querida amiga Noreen sabemos que você faz ferramentas mágicas e não tem restrições de compradores, então para que você não corra mais "riscos", nós queremos te propor que se junte...
– Por favor, Vão embora! -A mulher abre a porta da saída — Aqui vive uma família, nem eu e muito menos minha filha seremos usadas por vocês!
– Noreen não haja como uma adolescente e aceite o que nós propusemos, você ganhara muito mais se juntando a nós -Um homem com porte físico toca sobre o ombro -
– Já disse que não! Vão embora agora.
– Se você recusar tudo bem, mas você esta ciente dos riscos que sua menina corre, afinal pelo olhos fundos dela posso perceber que ela é uma Toxic. -O mesmo de cabelo longo sorri de canto — Ela deve valer muito para os caçadores de recompensa, admiro como conseguiu cria-la até agora, e mas do que nunca precisa protege-la ou a perderá.
– Vocês não ouviram minha mãe saiam daqui! — Seus olhos começam a ficar bem fluorescente -
– Relaxe menina, vamos pessoal não queremos chamar atenção. — A mulher diz em seguida todos se levantam do sofá e vão em direção á porta — Pense nisso Noreen e entre em contato com a gente.
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