Chama apagada
1 O ser humano sempre surpreende
As palavras afiadas são movidas pelos quatro ventos, sem destino.
Soltas por lábios repletos de um ácido desconhecido para crianças que brincam com a curiosidade, totalmente alheias ao desatino.
O céu parece quebrar-se lá fora, desmanchando a paisagem urbana e dando espaço ao inócuo.
A sensação de desconforto toma conta de uma alma machucada pelos dissabores proporcionados pelos obstáculos da vida e as jogatinas baratas da própria mente que teimam em desafiar a paciência que ainda resta e não encontrou uma poção específica para voar.
Os papéis com sentimentos de esperança e amor saíram voando mundo a fora, como se alguém os tivesse pego e jogado com algum desprezo.
Os sentimentos foram pisoteados por um pé gigante conhecido como egoísmo, o qual pouco se importa com o estrago feito às pessoas, pois o que mais lhe interessa é a própria satisfação.
Amigos, familiares, casais são destruídos por este malfeitor que usa ferramentas lúdicas para desarmar até mesmo os mais preparados viajantes. Aliado da fraqueza, jamais sabe agir de boa-fé, necessitando e precisando agir como o pior ser e ir a fundo ao mais obscuro e profundo do ser humano, tomando um canto para si e o tornando seu.
Pobres almas que estão a lamentar, plantando a discórdia por onde passam sem deixar a sabedoria e perspicácia tomarem andarem de mãos dadas com a razão e deixando escancarado a porta de seu coração.
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