Notas iniciais
Primeiramente, gostaria de orgulhosamente - ou nem tanto - anunciar que eu e a Ki já postamos COTL no Wattpad, o link segue abaixo, mas infelizmente só um capítulo e talvez demore um pouco para chegarmos aos capítulos atuais, mas fazer o que, né? Depois, queria agradecer a linda recomendação da Ginger, já não era sem tempo, hein, filhote? A Ki disse que está considerando lhe conceder um beijo MeGusta... Mas tipo, depois de tanto tempo pedindo... pedindo... pedindo... tinha que ser uma recomendação boa mesmo. ;) E eu sei como se sente, também sou a garota dos livros... Séries ♥ AMIGA, VER O JACK PELADO É SONHO DE EVERYONE ~ Isso tá certo? ~, mas acho que rola na 2ª temporada se tiver... E por causa da Big linda recomendação, esse capítulo é para você. #CapítuloBônus Desafio vocês a descobrirem quem é ela antes que o narrador, no caso eu, diga. P.S.: Apesar das reclamações sobre a linha do tempo, esse capítulo se passa no domingo e o meu e da Ki futuros começarão no sábado, mas esse capítulo é necessário agora, porque tanto o meu quanto o da Kiera vão "cobrir" e terminar na segunda ou terça. Link da Fic no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/51040236-challenges-of-the-love

P.O.V Narrador

A garota de cabelos negros e lisos abre seus olhos de um tom de azul quase violeta e levanta-se preguiçosamente naquela manhã de domingo.

Olhou para os lados, sentindo-se solitária, e suspirou. Certamente estava sozinha em casa. De novo.

Não tinha irmãos, apesar dos diversos pedidos aos pais, mas estes não queriam outros filhos e, às vezes, ela mesma se questionava se, algum dia, os pais ao menos a quiseram.

Não sabia ao certo onde os pais estavam.

Amanda, a mãe, nunca estava presente. Sempre trabalhando, fazendo compras, visitando amigas ou em festas. Sempre em festas. Nunca em casa. Jamais com a filha. Às vezes, entre seus tantos questionamentos sobre sua vida e da sua família, a garota se questionava se realmente nascera da mulher que chamava de mãe e se ela realmente fosse, se nascera num hospital ou já nas creches e escolas que sempre frequentara quando criança.

A garota tinha o cabelos da mãe, mas seus olhos eram inegavelmente do pai. Aquele tom claro e vibrante de azul que se assemelhava bastante ao violeta, sem jamais sê-lo de fato. Aqueles olhos que, segundo a mãe lhe contara numa das poucas vezes que se dispusera a passar mais de dois segundos com a filha, foram a principal coisa que a atraíra nele num primeiro momento.

O pai – ainda que parecesse impossível à menina – conseguia, de algum jeito extremamente absurdo, ser ainda mais ausente que a mãe. O imponente senhor Roberto Thompson era ocupado demais para as trivialidades da vida em família. Ele devia se sentir superior à esposa gastadeira, superior à filha problemática e calada e definitivamente superior aos animais que caçava e matava sem dó nem piedade nas savanas da África.

Pois é, o pai estava sempre caçando pobres e inocentes animais. Ele até tinha umas sala na casa dedicada somente para suas adoradas armas e outra para seus “troféus”, como ele orgulhosamente chamava as cabeças empalhadas, casacos e tapetes de pele, seus souvenirs feitos com os “restos” de suas vítimas animais.

A menina caminha até a cozinha e abre a geladeira, escolhendo vagarosamente o que vai comer. Aparentemente até os empregados a haviam abandonado tinham sido dispensados.

“Que maravilha!”, pensou cheia de amargura e ironia enquanto despeja cereal em uma tigela já cheia de leite.

Ela está comendo desinteressadamente o seu café da manhã sem graça quando seu celular vibra. Ela suspira antes de alcançá-lo com os dedos e verificar o que é. Ela suspira novamente e revira os olhos quando vê que é uma notificação do Facebook avisando: Merida Redhead mudou seu status de relacionamento de “Em um relacionamento sério” para “Solteira”. Como se alguém se importasse...

Se a morena estivesse com alguém, ela certamente diria algum comentário irônico e maldoso como “Ui, ela está na pista novamente!”, mas agora ela estava sozinha e não precisava fingir, então não o fez, apenas se permitiu deixar de lado sua auto piedade e sentir pena de Merida e de Hans, eles eram realmente um casal bem fofo, apesar de tudo. Pelo menos melhor do que Hans e Melanie.

Ela aproveita que já está com o celular em mãos e chama suas amigas no WhatsApp, poderiam fazer algum programa legal para fazê-la deixar de lado a tristeza que a consumia aos poucos, algo como ir assistir um filme no cinema ou talvez fazer compras no shopping, mas a resposta das amigas é quase imediata “Viajando”... a garota suspira, desanimada.

Passa quase toda a manhã zapeando pelos chatos canais de Tv e se arrependendo profundamente por ter acordado às sete.

Na hora do almoço ela pede comida chinesa, sentindo mais do que nunca falta de Lily, a mulher que cuidara dela desde... bem, ela achava que desde que saíra do útero.

Sua mãe nunca quis lhe amamentar, pois acreditava que isso deixaria seus seios caídos, mas isso jamais seria um problema para os Thompsons, que arranjaram Lily, uma mulher apenas quatro anos mais velha que a Sra. Thompson, que, convenientemente, acabara de perder seu próprio bebê e poderia amamentar a pobre menina Thompson, o que ela, de fato, fez. Ela amamentara a meninha dos Thompson e cuidara delas como se fosse sua própria filha, Para a menina, Lily sempre fora, de fato, mais sua mãe do que a desalmada da Amanda, que a abandonara quando ainda nem podia se mexer ainda.

Mas a vida da garota parecia ser o enredo de uma peça de teatro, e infelizmente, não de comédia, mas de tragédia e apenas um mês após terminar com o namorado, Lily morrera de um infarto, deixando a menina sem ninguém com quem contar no mundo.

A comida chega e ela pensa amargamente nas amigas, viajando felizes com suas famílias, certamente, naquele momento, almoçando, alegres, discutindo com seus irmãos, conversando com os pais, paquerando ou brincando com os primos... e ela ali, solitária, comendo a comida que ela alegava amar, na silenciosa casa de seus pais, onde o único som audível era o tilintar de seus talheres.

Uma tristeza e melancolia profunda a atingem como cristais gelados de ausência rasgando seu interior.

De repente, sua vontade já pequena de comer se esvai completamente e ela se levanta.

Passeia pela casa quase palaciana e para em frente a uma porta. A porta. O escritório dos pais. Trancado.

A garota anda mais um pouco e para em frente a outra porta. A porta dos “troféus” do pai. Mexe a maçaneta suavemente, vendo se a porta está fechada. Nunca está, não é verdade? Empurra a porta e entra. Observa o local pelo que deveria ser a bilionésima vez. Apesar das visitas frequentes àquela sala, era uma de suas menos preferidas, mas ela acreditava que aquilo a aproximaria de alguma forma de seu pai, a tola.

Então ela olha para o lado e vê a porta que levava ao quarto das armas do pai. Ela lembrava daquela sala, já a visitara quando era criança, seu pai parecia não se importar em trancar uma sala cheia de armas, mesmo quando tinha uma criança pequena em casa, uma criança que não sabia das coisas da vida e que poderia achar que uma daquelas armas era um brinquedo e... brincar. A garota afasta aquele pensamento da cabeça e caminha lentamente para a porta.

Só havia estado naquele quarto uma vez, porque, apesar de tudo, Lily se preocupava com ela e com sua segurança e a trancava, mas a única vez que estivera ali fora necessária para afastá-lo por todos esses anos. Mas não mais.

Ela caminha a passos curtos, como se quisesse demorar mais para alcançar aquela porta. Abre e a olha, com pavor, como aquilo parecia estar exatamente igual. Há uma base de iPod e o iPod de seu pai está plugado nela. Pega-o e olho as músicas. Endless Love, Lionel Richie e Diana Ross é a que estava tocando e também é a música que está no topo das músicas favoritas, além das mais tocadas. A garota nunca entendeu a predileção de seu pai por aquela música, mas era uma das poucas coisas que sabia dele e achou a música adequada para o momento. Colocou em modo de repetição e apertou Play. Observou a sala por alguns momentos antes de decidir.

Brincar.”, a garota pensa amargamente.

Notas finais
E então, conseguiram adivinhar quem era? Espero que tenham gostado e nem tentem adivinhar o que vem a seguir, nós podemos pregar peças em vocês. ;) Beijos, Liz. P.S.: Cuidado com o que desejam...