Challenges of The Love
24 Irmãozinho
Notas iniciais
Hans é irmão de Kristoff?
– Como assim? — pergunto. — Por que você nunca me contou isso?
– Porque eu não lhe devo satisfações, ruivinha. — diz Hans, com raiva.
– Como é? — falo, com as mãos na cintura.
– Foi o que você ouviu.
Ele sai violentamente do refeitório. Fico um pouco chocada com a reação de Hans, mas não demoro a segui-lo.
– Hans! — vou correndo atrás dele.
– Me deixa em paz! — responde ele, sem parar de andar.
– Não! — digo e o alcanço. Hans olha para o chão e seguro os seus ombros. — Ei. O que foi?
Ando devagar com dois copos de suco. Vou até o banco onde Hans está sentado e entrego um dos copos para ele.
– Pronto. Agora fala. — digo. Ele toma um gole e suspira.
– Os meus pais brigavam muito. Eu ia fazer sete anos quando eles se separaram. Foi o meu presente de aniversário. — ele olha pra mim com um olhar triste. Num gesto que não consigo evitar, passo a mão pelos cabelos dele.
– Ah, que bom, pensei que você ia bater em mim. — diz Hans, com um pequeno sorriso. Mas o sorriso some e dá lugar a uma expressão distante quando ele recomeça a falar. — Aí eles se separaram, o meu pai arrumou uma namorada... e um filho. Então ele me abandonou.
– Abandonou? Como assim? E o Kristoff não tem 16 anos? Então...
– O Kristoff não é filho mesmo do meu pai. Ele é filho de outro cara aí, a mãe dele é viúva. Mas o meu pai se casou com ela e colocou o sobrenome dele no Kristoff, então nós somos tecnicamente irmãos.
– Uau. Que coisa complicada. — falo e Hans dá uma risada. — Ah, que bom, você está rindo.
– Claro. Você me anima. — diz ele. Olho para o seu rosto por uns segundos.
– Para de viadagem, Hans.
– E mais uma vez, Merida estraga um momento romântico.
– An? Que estragar o quê, não tem como estragar o que não existe.
Hans dá uma risada.
– Continue se iludindo. — diz e sai andando de costas.
Demoro um pouco para entender o que ele quis dizer.
Os dias passam rápido, e já é sexta. Vou para o vestiário, me preparar para o treino. Encontro com Elsa.
– Merida! Vem cá! — ela me chama. Vou até ela e arqueio as sobrancelhas, num gesto que diz para Elsa continuar. — Eu estou namorando o Jack!
Essa afirmação sai um pouco alto demais e todas as garotas no vestiário olham para nós.
– Eu estou namorando o Jack! — Elsa fala novamente, desta vez sussurrando.
– Ahhhh! — dou um gritinho histérico sussurrante. Nós duas rimos. Puxo ela para o banco do vestiário e faço ela sentar. — Me conta.
– Eu mandei um papelzinho para o Jack no meio da aula, aí aquele velho do Sr. Newman pegou e leu bem alto, para todo mundo ouvir. Eu quase morri de vergonha, mas o Jack me beijou no meio da sala!
– Finalmente! — disse, me levantando e sorrindo.
– Depois eu fui para a diretoria...
– Ah. — sento de novo e faço uma careta. — Ir para a diretoria por causa de um beijo?! Que coisa boba.
– No meio da sala... — resmunga Elsa, mexendo na trança. Fiquei com um pouco de medo, imagina se eles chamam a minha tia? — Ela diz isso com um ar triste e suspira. Imagino que é porque a tia que vem, quando os pais deveriam vir.
– E o que aconteceu?
– Levei uma bronca. ela volta a rir.
– Hum. Okay, agora nós temos que ir. O treino, amiga.
– Ah. É mesmo. Vamos.
Ajeito a aljava na cintura e coloco o arco como se ele fosse uma bolsa. Ando para a AAF até parar como se batesse em uma parede de vidro invisível. Gustavo está conversando com a Vanessa. Fico com um nojo imenso e tento continuar andando como se não tivesse visto nada, porém Vanessa me vê.
– Oi, lindinha. — diz ela. Eu mereço? Não sou obrigada a corresponder essa falsidade.
– Oi. Não posso te chamar assim, porque não gosto de mentiras. — sorrio ironicamente. Ela faz uma careta. Vanessa é esperta, sabe que nada que ela falar vai me ofender, então ela decide tentar outra coisa. Ela pega a sacola que está segurando e entrega a Gustavo.
– Toma, amor. Entrega para essa azeda. — diz ela. Ela manda um beijo para ele e dá uma piscadela charmosa. Eu mereço?
Ando o mais rápido que posso até a área de treino. Gustavo vem atrás de mim, andando devagar.
– O que foi? — pergunta ele.
– Nada. Só não suporto aquelazinha. "Oi, lindinha" — imito Vanessa com uma voz exageradamente enjoada. — Falsa! Eu sei que ela não me suporta e vice-versa. Lindinha? Lindinha é a p...
– Ei! — ele dá uma risada. — Calma.
– Olha, não fala com ela. Ela é uma cobra!
– Acho que quem decide com quem eu falo sou eu... — resmunga Gustavo. Reviro os olhos.
– Okay. Mas depois que ela fizer estrago, não venha atrás de mim.
– Olha quem fala. Não é você que namora o Hans? — essa me pegou de surpresa.
– Eu... eu não namoro ele. — digo, olhando para o chão.
– Pior ainda. Se não namora, é porque ele ainda não pediu. Se vocês estão tããão apaixonados — ele fala com uma voz fina e engraçada. — e ele ainda não fez nada, é porque aí tem coisa.
– Que paranoia, não tem nada a ver com isso.
– É? Então, por que vocês não estão namorando? Eu não sou idiota, Merida. Eu sei que você gosta dele. — esse tinha me pegado de surpresa mesmo.
– É que... eu não queria te magoar. — falo, ainda olhando para o chão.
– Merida, você não tem que se preocupar comigo. Faça o que você quiser. — diz ele, pondo um fim na conversa. Não pude deixar de notar como ele saiu de perto de mim, sem olhar na minha cara.
Ando até o banco mais próximo. Sento e tiro o cabelo do rosto. Depois de tudo que aconteceu hoje, perdi a vontade de treinar. E, talvez, também perdi um amigo.
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