Chal Asde - O princípio
1 Episódio 1 - Atolados!
Notas iniciais
– Essa maldita chuva não terá fim? – indagou esfregando o rosto molhado. – Homens, atenção! – gritou, virando-se para o comboio – Não deixem que os carros atolem!
Eram cinco carros fabricados em pinho e aço carregando oito prisioneiros cada. – Pra onde estão nos levando? – perguntou um jovem dentro do carro. Era branco, tinha o cabelo longo e acinzentado como o céu daquela tarde chuvosa. Trajava roupas finas, bordadas por mãos habilidosas, certamente. – Sabe o que dizem pra-lá-da-montanha? – disse um homem de quase cinquenta anos, magro e careca. – Dizem que depois que você cruza a Ponte Geada – olhou por uma fresta na parede do carro, garoava lá fora. – Jamais vê o mundo como antes. Mas, diga-nos sobre você, criança, não tem a aparência de um criminoso. Búfalos puxavam os carros lentamente pelo lamaçal da Estrada Sanir, enquanto homens do Rei iam montados em cavalos escoltando o comboio. O tempo não colaborava em nada com a travessia. O vento vinha do norte e depois do leste, carregando uma fina cortina de água que enganava o forte calor do verão de Torjn. – Senhor, senhor! – chamou um batedor – Senhor, o lamaçal piora daqui a cem metros, temo que não consigamos passar com os carros. – Maldito seja Lamay e todos os homens de estábulo! Insisti por cavalos puxando os carros, mas ele garantiu que búfalos eram mais fortes. – deu uma ordem para que todos parassem. – Ouçam, vamos esperar o tempo melhorar! Alimentem os cavalos e comam um pouco também. – Porque paramos? – perguntou uma voz grave dentro do escuro interior do carro. – Paramos por que o céu assim quis. Implorei por essa chuva, não sabem como eu implorei. – disse o velho careca. – Você ai, nos diga de uma vez! O que fez para ter esse fim? A conversa foi interrompida por berros do lado de fora, por ruídos de aço contra aço, pela morte. Os momentos seguintes foram de um terrível silêncio, dentro e fora do carro. Ninguém ousou espiar pelas frestas da madeira, ninguém ousou respirar. Até que, de repente, o carro em que o velho estava foi golpeado por um forte golpe na traseira e, em seguida, outro. – Cavalheiros, a morte é muito mais agradável que o destino que nos fora traçado. – sussurrou o velho.
Notas finais
Os comentários incentivam a produção de novos episódios.
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