Ceu Das Sombras
1 Capítulo 1
Nunca quis ter os olhos amarelos. Meus pais dizem que não devemos reclamar de nossa cor. Se você perder a cor de seus olhos, você perde sua vida também.
Há apenas três maneiras disso acontecer: Arrancarem seus olhos, furarem seus olhos ou cegarem você. Não há mais meios de morrer. Ao chegar aos 110 anos você perde sua forma física para virar um bola de luz e assim renascer. (Sim, nós nascemos de bolas de luz). Dois Solares juntam seus poderes em uma grande bola de luz e criam uma criança. Simples assim. Trabalho levando calor e luz a nossa sociedade, dividida em três cores. Noturnos, Solares e Marinhos. Nossa espécie predomina na Terra agora. Já que os humanos conseguiram destruí-la e se destruir. Sempre vivemos com eles, mas ficávamos escondidos, apesar deles não conseguirem nos ver poderiam nos sentir. Hoje, humanos fazem parte apenas de livros na biblioteca. *** Meus pais estavam ajudando os Marinhos a terminar as gotas de orvalho para o dia seguinte, eles adoram essas gostas mesmo sabendo que são coisas inúteis, perda de tempo, mas nós ajudamos mesmo assim. Temos uma forte ligação com os Marinhos, eles têm os olhos azuis e são bem prestativos conosco, mesmo uma parte deles gostando dos Noturnos. Minha melhor amiga é uma Marinha, seu nome é Sarah. Ela é alta tem cabelos pretos e lisos com pequenas mechas azuis, um nariz fino, uma boca pequena e azulada e olhos azul turquesa. -Sarah – Chamo deitada no sofá– Da para dar alguma ideia do que fazer? Eu vou morrer de tédio desse jeito! Ela está sentada em um sofá amarelo usando um vestido azul claro e sapatilhas verdes. Estamos na sede dos Solares, ou melhor, na minha sede. O lugar é apenas um prédio branco imenso cheio de janelas por fora, mas por dentro é quente e muito iluminado, com paredes pintadas de laranja, vermelho e amarelo, cheio de janelas e portas de vidro. No saguão tem um palco, que serve para comunicados importantes. Na parede atrás dele temos uma imensa pintura do nosso símbolo, que é um sol alaranjado representando a luz e o calor de nossa cor. O dos marinhos é uma gota com vários tons de azul, os tons são diferentes pela variedade de tons de azul dos olhos deles. No primeiro andar da sede temos a sala de julgamento, no segundo e no terceiro a prisão. A prisão em nossa sede não é muito usada, pois quase nenhum solar comete crimes. No quarto e no quinto temos os setores de treinamento e o refeitório. No sexto temos a biblioteca, lá tem toda a história da nossa cor. O resto dos andares são apartamentos. Cada um deles tem três quartos, uma cozinha, uma despensa, uma sala e uma varanda (que fica em um dos quartos). O meu quarto é médio e o único com varanda meus pais dividem o maior e Andrew o menor. Andrew é meu irmão mais novo, tem nove anos (sendo que eu tenho dezesseis) e parece que me odeia, ele é um peste e ainda não terminou o treinamento, meus pais vivem me obrigando a ajudá-lo no treino e toda vez que eu ajudo ele dá um jeito de acertar um raio de luz em mim, o incrível é que todos ficam do lado dele dizendo “Lucina o Drew não fez de propósito” ou “O Drew é apenas uma criança”. Mas eu sempre dou um jeito de me vingar, deixando a janela aberta à noite e dizendo que os noturnos vão entrar. Ele morre de medo dos noturnos, todos morrem de medo dos noturnos. Noturnos. Assassinos, Irresponsáveis, sombrios. Eles têm os olhos pretos e odeiam solares, assim como odiamos eles. Como símbolo eles tem uma lua e três estrelas pretas, uma para cada cor, a maior é dos noturnos, a média dos marinhos e a pequena dos solares. Solares são os maiores inimigos deles, já que nosso raio de luz é o único que pode matá-los, os outros apenas causam machucados, em compensação eles podem nos matar também. A luz é inimiga da escuridão. Sarah se vira pra mim com uma expressão entediada. -O que é Luci? Não vai inventar de fazer guerra de água de novo! – Da última vez que fizemos isso perdi meus poderes por dois dias. Dependendo da quantidade de água que recebemos podemos perder nossos poderes temporariamente. – Além do mais está escurecendo! Escurecendo. É isso! Levanto rapidamente e puxo Sarah comigo. *** Saímos pouco antes do sol se pôr, já estava escurecendo. Fomos para o parque em frente à sede dos solares. Uma das coisas que eu gosto em nossa espécie é a velocidade em que corremos. Nós os Solares somos os mais rápidos. Nossa velocidade máxima é a da luz. As outras cores só chegam até a do som. -Não acho que deveríamos sair a está hora, os noturnos já devem estar chegando! –Diz Sarah com preocupação. – Os noturnos a causa de nossa viagem repentina. -Você está me ouvindo? – Não respondo– Lucina! Olho para ela e faço a cara de quem não está nem aí. -Você já viu algum noturno? –Ela balança a cabeça em negativa– Então o que temos a perder? Corro mais rápido a deixando para trás. Não queria ela reclamando na minha orelha. Paro e olho para o céu, está escuro. Os noturnos realmente devem estar chegando. Estranho, Sarah está tão quieta. Giro o corpo para trás e vejo um noturno com a mão na boca de Sarah a impedindo de gritar. Quando percebe que eu o vi lança um raio negro em mim, me desvio com facilidade apesar do medo de ser atingida. A expressão no rosto dele me assusta, ele parece surpreso, ou até assustado. Corro até ele e dou um soco em sua barriga. Ele voa para trás soltando Sarah, a levanto ainda com os olhos fixos no noturno, que ainda não saiu do chão.
-Lucina,vamos embora! –Sarah berra enquanto me puxa para trás. Mas algo me impede de ir. Aquele noturno parecia familiar. Ele olhava para mim com a mesma expressão refletida em seus olhos negros. Ele parece ser mais alto do que eu, tem cabelo preto, lábios grossos e avermelhados. Encaramos-nos por pelo menos 5 minutos, mas pareceram horas. Eu podia ficar lá para sempre. Com um movimento rápido ele se levantou e saiu correndo, mesmo depois de ter desaparecido de minha vista, eu ainda o encarava. -Lucina, o que foi isso?! –Berrou Sarah. Havia esquecido completamente que ela inda estava lá. -Hã? Isso o que? –Pela sua cara de reprovação percebi que ela não acreditava em minhas palavras. -Você sabe! Vocês dois se encarando! Parece até que você não sabe que ele é um noturno! – Fiquei com raiva desse comentário, não sei bem o porquê. — O que você quer dizer com isso? E dai que ele é um noturno?! Ela me encara, assustada. Estou com medo de sua expressão. Ficamos assim por alguns segundos até que ela finalmente diz: -Bom é melhor nós irmos Lucina, as gotas de orvalho vão acabar e nossos pais não podem saber que saímos. -Vá na frente –Digo– Tenho que fazer uma coisa. Ela faz seu olhar de reprovação. Ela sabe que vou atrás dele. Esperava uma bronca ou uma lista sobre como o que quero fazer é errado, mas em vez disso ela apenas diz: -Está bem, mas não faça nenhuma besteira! Sorrio e saio correndo, se for rápido o bastante posso achá-lo novamente. *** O encontrei deitado em uma árvore olhando para s folhas. Estava com a mão na barriga, bem onde eu o havia socado. Está usando uma blusa vermelha e jeans. Parei atrás da árvore sem deixar que ele me visse. Foi aí que pensei: O que vou dizer? -Você de novo? O que está fazendo aqui? Dou um pulo, não esperava que ele me visse. -Hã... O que você quer? –Ele me olha confuso. Não consigo parar de olhar para aqueles olhos negros. -Eu é que pergunto. Não é hora de solares ficarem andando por ai! –Ele me segura pelo braço – Você vai acabar desencadeado uma briga! Ele me leva pelo braço correndo para a minha sede. Não tento me soltar. A alguns metros da sede dos solares ele freia bruscamente me fazendo cair. -Desculpe –Ele parece assustado– Não posso ir até lá. Diz isso e sai correndo me deixando no chão. Olho ele correr, não parece ter a mesma velocidade dos outros noturnos, parece mais rápido. Levanto-me e limpo minhas mãos na roupa. Quando entro na sede meus pais, os pais de Sarah e Sarah estão lá. Eles não parecem muito felizes. Olho discretamente para Sarah seus lábios se mechem formando “Eles me obrigaram”. Meu pai me olha sério. -O que estava fazendo Lucina? Olho para baixo buscando palavras. -Eu estava apenas... Explorando. Vocês nunca me deixaram ver noturnos! -Para sua segurança! Vocês poderiam ter morrido! –Nunca vi meu pai tão nervoso -Não teríamos não! Apenas um nos viu e ele não era nada do que vocês falam! Saí daquele lugar ouvindo berros com meu nome. Fui para cama, dormir era a única coisa que me impediria de chorar.
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