Notas iniciais
Pedrinho,
esse trabalho foi totalmente dedicado à você.

A brisa noturna e primaveril soprava entre as árvores, trazendo consigo um frio e uma sensação gélida típica das noites de primavera. A neve acabara de derreter, dando lugar às flores que já brotavam em diversos ramos de trepadeiras enroscadas pelo parapeito da varanda da suíte em que os dois residiam.

O vento bagunçou levemente os fios prateados, fazendo com que Draco passasse a mão sobre sua franja na esperança de organizar seu penteado. Ele segurava um cigarro e pretendia acende-lo até aquele momento, quando uma sensação estranha tomou conta de todo o seu corpo. Ele não sabia ao certo do que se tratava, ou sabia, mas isso não era importante. O que ele tinha plena certeza é que não deveria acender aquele cigarro e sentir a fumaça branca tomar conta de cada pequena fibra de seus pulmões.

Ele escutou um ruído vindo de dentro do quarto, parecia alguém se mexendo na cama. Foi quando se deu conta do motivo de estar ali, de pé, segurando um cigarro trouxa nas mãos. Um nervo de sua têmpora começou a se inchar e ele respirou fundo para reaver o seu próprio equilíbrio. Caminhou até o parapeito e se debruçou, acendendo o cigarro e o encarando sem dar nenhuma tragada, até se assustar com o barulho da porta de ferro que estava entreaberta, se abrindo.

- Então você está aqui – disse uma voz rouca e pesada vindo detrás de si.

Ele não respondeu, ainda estava muito chateado.

- Você sabe que não precisa disso – sugeriu a outra voz, parecendo mais próxima – venha comigo.

Nesse momento, ele sentiu o contato quente da pele do outro sobre a sua. Lembrou mais uma vez porque decidira enfrentar tudo o que enfrentou. Um sentimento tão efêmero quanto a raiva não poderia ser capaz de destruir tudo o que construíram juntos ao longo de todo esse tempo. O cigarro foi tirado de sua mão e levado ao chão. Arrepiou-se ao sentir a respiração ofegante do moreno sobre sua nuca e o contato dos lábios dele naquela região. Ao mesmo tempo, sentiu dois braços fortes envolverem seu corpo, unindo-o ao do homem que estava atrás dele, seu marido.

- Volte para a cama – disse o outro – não fique com raiva de mim por um ciúme bobo.

Seus músculos se retesaram. Como ele pudera julgar os sentimentos de Draco “bobos”? Ele forçou para se desvencilhar do abraço, mas não conseguia. Parte porque era mais fraco, parte porque seu corpo parecia estar tão magnetizado com o do outro como a força que une um próton a um elétron. Uma força que estava além do entendimento de qualquer bruxo ou físico.

O cigarro queimou um pouco até que a corrente de ar o apagasse e ele fosse empurrado para um canto qualquer, longe da visão de Draco. Sua tentação havia sido eliminada. Seu vício perdera mais uma vez. E, também, mais uma vez seu amor o impediu de dar mais um passo na direção errada.

“Ah, Potter! Sempre tão responsável por tudo o que acontece ou deixa de acontecer na minha vida.” Pensou, enquanto se virava para o moreno e encarava o rosto inchado de quem acabara de despertar. Um sorriso tão branco quanto uma pérola se formou no lábio do rosto que o encarava.

O sorriso do homem que ele amava. O sorriso desconcertante que lhe provocava sensações e sentimentos únicos. Num reflexo involuntário, seus lábios se esticaram, retribuindo aquele sorriso tão cativante que ele conhecia muito bem.

- Está frio – comentou Draco, passando as mãos sobre seus próprios braços.

Harry entendeu a deixa. Conhecia tão bem seu marido que compreendeu que tudo já estava bem. Malfoy era uma incógnita facilmente decifrável. As palavras eram um artifício pouco utilizado entre aqueles dois, pois somente o olhar e o sorriso forneciam uma conexão perfeita para que se entendessem da melhor maneira possível.

“Talvez você não entenda essa coisa de fazer o mundo acreditar que meu amor não será passageiro, te amarei de Janeiro a Janeiro, até o mundo acabar.”

(Janeiro a Janeiro, Nando Reis e Roberta Campos)

Notas finais
Espero que tenham entendido o contexto geral da história, porque o meu intuito foi promover uma narração em cima de um acontecimento subentendido. Talvez uma continuação desse conto venha, talvez uma continuação na íntegra de Oblivion também possa vir. Espero que tenham gostado. Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!