Cemitério de Almas
1 Capítulo 1
Escuro. Frio. Eram os dois únicos adjetivos que a menina conseguia encontrar para descrever o lugar que estava. Não conseguia ver a mais de um palmo de distância do seu nariz, mas conseguia ouvir uma goteira em algum lugar no quarto. Sentia frio e os pés descalços sofriam com a temperatura do ambiente. Todo o corpo sofria, na verdade. Sentia frio em cada centímetro de sua pele e, como se não bastasse, sentia pequenos focos de dor em partes de seu corpo. A garota pensou se tratarem de hematomas.
Estava deitada no chão e sentia o cabelo curto espalhado ao redor da sua cabeça. Pensou, com um arrepio sinistro subindo a espinha, que não se lembrava qual a cor deles. Nem qualquer coisa sobre si mesma. Encolheu-se no chão, num misto de dor, frio e fome e esperou. Sentia que suas roupas eram de um tecido muito fino e não cobriam uma grande extensão de sua pele.
– Olá...? — chamou a garota, mais para ouvir a sua própria voz do que na esperança de que alguém respondesse — Olá?
Atrás dela, ouviu-se passos. Tentou mover-se o mais rápido que pode para encarar a fonte do barulho, mas seu corpo protestou em dor e ela caiu no chão, com um ruído surdo. Uma porta se abriu atrás de si, mas, mesmo indireta, a luz que emanou da abertura quase cegou os olhos na garota.
O dono dos passos deixou algo de metal no chão, empurrou na direçao da menina e fechou a porta de novo. A luz, porém, não cessou por completo. Quando virou-se na direção da porta, a garota viu que havia uma bandeja com comida e uma vela no chão. Também uns cobertores rasgados e finos, mas teria de servir.
O mais rapidamente que pode, arrastou-se até a bandeja e comeu todo o páo e as ervilhas e o pedaço de carne precário que lá estavam. Bebeu o copo d'água em um único gole e deitou no chão, aliviada. Descansou por cinco minutos, observando o teto, que era de pedra. Pedra cinza e gasta. Era tudo apenas um buraco de pedra, com várias velas no canto. Algo lhe dizia que era o único fogo que receberia na vida lá. "Na vida lá".
Seu estómago revirou só de pensar na possibilidade de viver lá a vida toda. Era como se sua alma estivesse morrendo dentro de seu peito. Derramou lagumas lágrimas enquanto arrumava os cobertores em um canto do buraco de pedra e colocava fogo em outra vela no canto.
Encontrou dentro dos cobertores, um pedaço de papel. "Diana". Seu nome? Talvez. Deitou-se nas fronhas mal-arrumadas, na esperaça de ter um descaso para o corpo e para sua alma.
Fale com o autor