Cemetery Gates
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Uma terceira vez o fenômeno se repetiu, então Samantha pôde ver nitidamente que o “objeto” era senão uma moça em miniatura, com asas negras, cabelos longos prateados e orelhas pontudas como os duendes de histórias de ficção... Ela passava voando devagar desta vez e lhe sorria... E a garota podia ver ainda que a pequena figura estava completamente nua!
...Tendo a pele alva como mármore do pequeninho corpo coberta apenas parcialmente pelos longos cabelos e por parte das asas que pareciam delicadas como as de uma borboleta e ao mesmo tempo lhe davam um aspecto sombrio pela cor negra... Os olhos vermelhos como sangue também completavam o sentimento de estranheza que Samantha experienciava ao contemplá-la...
Porém, sem compreender a princípio o porquê passou a segui-la, adentrando ainda mais as aléias da necrópole, e passando pelo deserto cruzeiro... Até chegarem a um grande mausoléu que parecia antigo, e assemelhava-se a uma diminuta capela toda ornamentada em mármore liso trabalhado, cuja porta que possuía uma rosácea comum à arquitetura gótica continha uma estátua semelhante a uma deusa grega e uma escada, onde a jovem logo se sentou rapidamente... Estava um tanto tonta e precisava sentar-se imediatamente...
A diminuta figura feminina alada, percebendo que a garota não mais a perseguia veio planar diante de sua face, vendo a jovem colocar as mãos de ambos os lados da cabeça e fechar os olhos, suspirando profundamente e com certo ar de desanimo... Então ao levantar as pálpebras Samantha finalmente notou a estranha figurinha diante de si e encarou-a, averiguando que o que ela possuía de esquisita possuía também de bela, e que talvez por este motivo a seguira...
— O que é você?
— Sou uma fada de cemitério...
— Fada de cemitério? Nunca ouvi falar de tal coisa... E por que me olha com um sorriso tão estranho...? Parece... Sarcástico...
—Tudo há seu tempo... No momento certo saberá a razão de meu interesse por você... Mas por hora... Sou eu quem faço as perguntas e as observações... Noto algo carregado em seu semblante...
O olhar de Samantha passou de curioso para melancólico... E ela baixou os olhos... Pegando um graveto se pôs a riscar o chão... Enquanto envolvia o próprio corpo com o outro braço, pois o vento frio continuava persistente... Ignorou por instantes a pequena fada, que não demorou a fazer-se notar:
— Como ousa me ignorar! Estou aqui, quer voce queira quer não! Ignorar minha existência não adiantará em nada para que voce deixe de me sentir e de estar como está agora...
—Devo estar ficando louca de verdade... E você deve ser apenas um fruto da minha imaginação... Preciso travar esta batalha comigo mesma para voltar à realidade...
— Se sou real ou não, será que isto tem mesmo importância agora... Voce pode me ver e falar comigo não pode? Lhe fiz sentir algo quando apareci repentinamente diante de voce, nao foi? E isto foi de fato real, não é? O que é o real, para voce...? Todo o peso que carrega em seu coração e que te trouxe até aqui? ISSO é o real?
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