Cemetery Drive
1 Prologue
Eu acredito que, de algum modo, acabei colocando-me dentro de uma estranha situação, por minhas próprias pernas. Ou dedos, por assim dizer-lhes. Porque, a maioria daqueles ideais macabros, que passaram a vigiar todos os meus pensamentos dali por diante, naturalmente ou não, originaram-se enquanto eu ainda estava no conforto da minha casa. Consequentemente, quando, depois de selecionar um canal qualquer no controle remoto, e dispor-me, de muito bom humor, ao assistir a quase três horas seguidas de um filme trash, que estava passando na TV, naquela noite entediante.
[...]
(Pegando, distraidamente, algumas pipocas dentro de um saco, que repousa sobre o meu colo, que, por minha vez, descanso sobre o estofado posto bem no meio da sala da minha casa.)
Então, na tela iluminada, podem ser ouvidos mais de um par de passos, ocultos pela escuridão da cena e também pela escuridão da sala de estar.
Tu-Dum... Tu-Dum... Tu-Dum...
(Ah! Pipocas rolando para o chão, para cima do carpete, para baixo do sofá...)
A mocinha, loira e muito desesperada, corre sem qualquer tipo de rumo, ou qualquer tipo de conceito esperançoso, de conseguir, efetivamente, escapar de seu amaldiçoado destino. Afinal de contas, ela está no interior de um cemitério; Um lugar que somente acolhe pessoas mortas e sentimentos desgastados, seja pela saudade, pela culpa, pela falta de oportunidade... Em geral, pela falta de vida.
E, pelo jeito, ela encontra-se quase morta. De medo, principalmente.
(Os fluxos, tanto de sangue quanto de oxigênio, começando a serem insuficientes, para o bom funcionamento do meu organismo.)
Um muro feito a partir dos túmulos arruinados, pregados ao solo, surge, assim, de repente, impossibilitando-a de fugir, e esconder-se. Portanto, sem alternativas, ela comete um erro gravíssimo, porém bastante comum em contos de horror; Vira-se, completamente alarmada, buscando colocar os olhos na figura assustadora que perseguiu-lhe os calcanhares.
Saphire: – Q-quem...? P-por quê...?
(Eis, então, senhoras e senhores, o tão aguardado momento clichê!)
(Risos.)
Risos.
Um homem trajando uma galante, e ameaçadora, capa de veludo, negra, reluzente, eleva-se a partir de um desconhecido nevoeiro:
Morpheus: – Sou aquele que tem uma singularidade, em particular. Uma poderosa habilidade, cujo, um de seus efeitos mais notáveis, é absolutamente capaz de desacelerar o seu coração idiota. Fazendo-o parar, bruscamente, sem qualquer dor, sem qualquer piedade; Apenas com o uso de um simples golpe de vida e de um severo beijo de morte. – pausa dramática. – Prazer, Morpheus. O seu inimigo, bajulador, um quase humano, possuidor de um corpo mais morto, que vivo. O Deus do sonho. O pesadelo em pessoa. O Príncipe das Trevas, ao seu completo dispor.
Uma sutil adoração, em tom de mesura.
Saphire nega-se os desejos de fugir, gritando e correndo.
(Engolindo pipocas, sem nem mastigá-las; Olhos totalmente pregados no televisor.)
E finalmente, o beijo, solene.
Chegamos nessa parte em que, ocasionalmente, abrem-se duas covas, no cemitério: Uma para o amante e a outra para a pobre de sorte, Saphire.
[...]
Apesar dos garotos da minha idade preferirem alguma pornografia para agitarem suas calças, ao longo da noite, na ausência dos pais, em movimentos sugestivos, naturalmente regidos por seus hormônios adolescentes; Eu simplesmente consigo entreter-me com mistérios, sangue e diálogos estúpidos, entre personagens que não constituem o menor pingo de carisma e reputação. Prazer, Frank. E não, eu não tenho qualquer tipo de interesse, e/ou admiração pela Saga Crepúsculo. Muito embora, confesso-lhes, que tenho um ligeiro tombo por vampiros.
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