"O que eu faço?

Esse mundo é tão grande e não me sinto pertencida a nenhum lugar. Eu choro querendo ter amigos, mas brigo em vez disso.

Nesse final de ano me lembrei da Bjork e voltei a ouvir alguns discos, a letra de All is full of love me pega até hoje. Talvez não esteja me atentando pro lado certo, pro lado que vem o amor.

E fico como peixe fora d'água por olhar o lado oposto.

Na adolescência não fui adolescente.

Hoje sendo adulto, não sou um.

É tanta coisa que me rasga o peito e que me faz sentir ódio, além de tristeza. Tudo porque sou tão diferente ou ninguém é igual a mim.

Não haverá ninguém igual a mim nesse mundo. Por isso devo parar de procurar.

O que me entristece é que tenho a impressão que além do meu isolamento feito por conta própria, há aquele que as pessoas não me deixam fazer parte.

Igual Naruto triste no balanço.

Eu queria virar pó, vento, areia, planta, estrela, água, fogo, terra... falar com a mãe terra...

Chegar num nível espiritual muito alto.

Me sentir muito alta.

Lá em cima não deve ter nada que me distraía e nem a saudade."

"Peraí, você disse 'Naruto'?"

"Sim!!"

"Que incrível!! Você está em que parte?"

"Eu já vi tudo, doutor."

"Tudo? Nossa..."

"Em 15 dias."

"Nossa, muito pouco tempo!! Mas eu tô acabando, acabei de ver a morte do Jiraiya."

"Ah, é muito triste."

"Sim, e você gosta de Cavaleiros do Zodíaco também?"

"Claro, claro!! Mas prefiro o Spin off 'Lost Canvas'."

"Eu percebi que você começou a agir que nem o Ilías quando falou da mãe terra."

"Hahaha, eu aprendo muito com esses bonecos."

"Pra quê me paga então? Hahahaha"

"Talvez pra eu ter esse tipo de conversa e me sentir parte de algo."

"Que fofa."

"Nunca pensei que um psiquiatra gostaria desses bonecos."

"Ah, eu também pensei o mesmo da senhora."

"Que mundo irônico!"

"É porque na verdade somos todos singulares, padrões e rótulos ou qualquer coisa que dita o que você deve ser é coisa do capitalismo."

"Esse menino não tem jeito!"

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!