Notas iniciais
aproveite a leitura :)

O dia seguia de acordo com a programação de Antares e Alhena parecia adorar tudo. Assim se foram as horas, sem que fizessem muito mais do que palhaçadas e risos. Apesar de pequenas descobertas, como a capacidade de Alhena de mexer as orelhas, e grandes, como os pontos de cosquinhas de Antares, pareciam velhos amigos, próximos, mas não tão íntimos. Era grande a quantidade de trocas de olhares e de toques que queimavam em desejo. Porém não havia mais do que desejo. A conexão era óbvia para aqueles que olhavam o casal em suas andanças, mas faziam os observadores lembrarem de uma amizade que tinham no passado. Nada se pareciam com amantes.

Almoçaram já quase na hora de abrir o bar. Correram para não perder o metrô. Riram como adolescentes deveriam. Parecia um dia em milhões. Havia algo de especial entre eles, algo que não conseguiam definir, mas que se parecia com um laço antigo entre eles. Fosse o que tivesse que ser, gostavam daquilo. Seria uma pena o que estaria por vir até o final da noite.

Chegaram no bar no momento em que o irmão de Antares, Navi, ajudava os funcionários a arrumar as mesas e cadeiras. Alhena o viu antes que Antares o pudesse ter apresentado. Apesar de ser mais novo que Antares, Navi parecia mais maduro. Ele tinha um estilo tão exótico quanto o do irmão, porém totalmente oposto a aparência fofa do primogênito. Antares cumprimentou todos antes de chegar ao irmão, com a amiga dois passos atrás dele, tão escondida que mal se via.

— Beleza? – os irmãos cumprimentaram-se e se abraçaram. – Essa é Alhena, a menina do metrô que eu te falei.

— Prazer, Navi – ele a beijou na bochecha, o que a fez corar. – Vem conhecer a menina que eu contratei. Ela ta estagiando, por isso aceitou o trabalho.

— Só assim para alguém te aguentar. Vou mostrar as coisas aqui para ela e a gente já sobe pro estúdio.

— Tranquilo. Vocês têm dez minutos, se passar muito disso eu desço e faço vocês pararem o que for que estiverem fazendo. Sem brincadeira.

Alhena começou a pensar então no relacionamento com o novo amigo. Eram namorados? Não tinham uma conexão forte assim. E se fossem ela não teria gostado tanto assim de um beijo na bochecha dado por outra pessoa. Ainda assim, seria maluquice largar Antares por um qualquer. Ela não seria esse tipo de pessoa. Seria? Queria conversar sobre aquilo, mas não tinha a menor noção de como abordar o assunto.

Não demorou para que subissem para conhecer Mira. Ela tinha um ar meio debochado que invejou os dois. A conexão que ela e Antares tiveram foi ainda mais surpreendente, possivelmente por que eles competiram a maior parte do tempo sobre quem tinha o cabelo mais destruído pelas tinturas ou quem tinha os desenhos mais bizarros. Enquanto isso, Alhena mostrou a Navi que ela podia ser aquele serzinho amável e tímido, desde que não lhe dessem um controle na mão e se mostrassem ser um competidor a altura. Logo que ela pegava o jeito e os comandos, nem mesmo os recordes de Navi sobreviviam.

A movimentação do bar começou a tirar a atenção dos quatro. Antares colocou Alhena para trabalhar e lhe ensinou algumas coisas, ao mesmo tempo que Navi e Mira escolhiam desenhos para colocar nos catálogos e nas redes sociais. Eram ótimos amigos, os quatro e tudo parecia se enquadrar perfeitamente. Todos tinham algo em comum e isso parecia ser incrível, até mesmo como tudo parecia fluir tão naturalmente.

Em algum momento, por algum motivo, Antares ficou frente a frente com os pensamentos sobre Mira. Contaria a Alhena? Tinha que fazer o que era certo, além disso tinha certeza de que ela tinha adorado o irmão. Achou engraçado, na verdade. Era a típica história da menina tímida com o cara malvado, que acaba sendo um doce de pessoa. Seria um pouco estranho no começo, tinha que admitir.

Acabou por ser uma coisa não falada. Sentaram para comer e conversar numa lanchonete 24 horas. As pessoas em volta começaram a achar que eles estavam drogados ou algo parecido, riam tão alto e sem parar. O clima esquentou quando Navi propôs levar eles de carro para a casa. Antares os convidou para beber em seu apartamento e Mira acabou apagando depois de algumas doses no sofá. Navi sugeriu que ela e Alhena dormissem na cama e ele dividiria a sala com Celta, enquanto Antares ficaria confortável na poltrona do escritório. De manhã, tomariam café e sairiam para curtir o dia. Esse foi o plano. Mas Alhena acordou no meio da noite para tomar água, o que acordou Celta e Navi. Acabaram por deixar Celta dormir tranquilo no travesseiro, enquanto eles testavam o sofá um pouco mais ao lado. Dormiram poucos minutos depois. Antares e Mira foram os primeiros a acordar e decidiram sair para comprar o café. Foi no carro do irmão que ele perguntou se ela não ficaria incomodada com a situação. Ela somente colocou a mão na perna dele e disse que sempre quisera ter um gato.

Concordaram com alguns termos na refeição, quando Mira fez questão de soltar um de suas frases sarcásticas. Foi quase como uma coisa não falada. Eles aceitaram. Seriam quatro bons amigos, que trocaram de parceiro, o que se aplicava entre Navi e Mira, apesar de não precisar ser citado. Seria assim. Fizeram questão de pontuar que se começasse a se tornar nocivo para qualquer um deles, eles terminariam.

Para a sorte deles, Celta aceitou a mudança de apartamento e o novo morador. Só achou estranho que não tivesse mais sossego e que o novo ser humano fosse tão pequeno e tão estranho. Ele não lhe dava carinho ou comida. Ele ficava com as melhores caixas. Mas o que Celta sabia? Ele já não conseguia caçar pontos pretos na parede com a mesma agilidade de antes.

Notas finais
Hey! Acabamos por aqui com mais um casal! Novos projetos estão por vir assim como o vestibular e mais trabalho para mim. Enfim, no final não sumiremos e continuaremos por aqui enquanto eu existir. Te vejo na próxima, não morra até lá.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!