Celt

3 Capítulo 3 - Escolha sem Critério


– Aya-chan, ei, Aya-chan, eu posso chamar a polícia agora? Ou quem sabe os bombeiros? Ele nunca fez isso! – Mitsuni, com os olhos cheios de lágrima, ficava do lado do telefone esperando a permissão de sua colega para chamar a polícia.

– Você quer que eu quebre o telefone? Isso é desnecessário! Ele deve estar dando uns pegas na Makina, o cara tem namorada Mitsuni, é normal que ele não volte pra casa antes das 10:00! – Aya era uma das garotas que vivia na pensão em que Mitsuni e Sahashi moravam, no total, haviam cinco pessoas por ali, mas Aya era a ‘chefe’, a primeira moradora do local, mesmo sendo a segunda mais nova do grupo. Com seus longos cabelos negros, olhos obscuros, pele clara como a neve e uma personalidade forte, todos a respeitavam por ali mesmo ela tendo 17 anos, exceto Kohaku que não tinha medo do perigo.

– Ei, Mitsuni, eu não queria dizer mas, acho que ele pode ter sido abduzido, você viu os noticiários hoje cedo, né? Então, eu sugiro que... – Antes de Kohaku, um rapaz alto com um bom físico, cabelos curtos da cor da madeira e um sentido bem estranho de bom senso, completar sua frase, o mesmo tirou de sua calça uma adaga e apontou para todos que estavam na sala. – VAMOS ATRÁS DOS MALDITOS, SALVAREMOS O MINATO, MIT! – A expressão do garoto, que mesmo com seus 25 anos, parecia ter 12, era de euforia, mas o mesmo fora contido por Kitane, a mais velha da pensão, com seus 27 anos, ela não poderia permitir que um marmanjo daqueles envergonhasse o nome da pensão X.

– Você tomou seus remédios hoje? – Com um chute no membro do rapaz, a garota o fazia se ajoelhar no chão gemendo de dor, e pegava a adaga que cairá junto com o mesmo. – Cara, você ainda vai ser preso por essas brincadeiras.

– M-mas Kitane-San, ele pode estar certo! – Dizia Mitsune ao pegar o controle de Aya, que outrora, estava lendo, e ligou a tv.

– Eu já disse que odeio ler com a tv ligada, e não passa nada de bom nessa merda. – Aya olhava para Mitsune que procurava o canal de notícias.

– Você se deixa mesmo levar por tudo que dizem Mit-chan, você acha mesmo que esses massacres que estão ocorrendo por todo país tem a ver com aliens, como aquele maluco do History Channel disse? – Kitane balançava sua cabeça negativamente, olhando para Mitsune, e em seguida, para Kohaku que ia se levantando.

– Por que está olhando pra mim com esse olhar de pena!? Isso doeu! E mesmo que seja mentira, pode ser que seja verdade, não é? – Kohaku tentava passar um ar de confiança, mas ganhava apenas risos de Aya.

– Cara, mesmo quando você tenta ficar sério você só fala besteiras, se quer ir lá procurar o Sahashi-kun vai, mas comece procurando na cama da mulher dele, que é onde ele está.

– Será que isso é ciúmes, Aya-chan? Aha, eu sabia, você sempre tarou o Minato-kun, não é? Você tá fingindo que tá lendo aí, mas todos sabemos que você tá rangendo seus dentes imaginando os dois, Minato por cima da Makina, ele começa tirando sua calcinha e. – Novamente, antes do rapaz terminar sua fala, Aya jogava o livro que estava lendo no rosto do garoto, que mais uma vez, caía sem respaldos no chão.

– Admirável Mundo Novo, é? Não sabia que gostava disso Aya! Pensoei que você fosse do tipo que lesse Twillight ou 50 tons de cinza. – Kitane pegava o livro do chão e olhava para a menina no sofá que queimava em fúria.

– V-você tá com ciúmes mesmo Aya? – Mitsune fitava Aya com os dois olhos bem caídos.

– Claro que não!

Naquele momento, a porta da pensão se abria, e Sahashi, com um olhar melancólico, surgia.

– Sahashi-kun! Eu estava tão preocupada! Você nunca mata aula e nunca volta tarde em casa. O que aconteceu? – Mitsune ia de encontra ao rapaz, que parecia bem distraído, e Aya já pudera notar de cara nesse aspecto diferente do garoto.

– Minatan, pensávamos que você tinha sido abduzido ou algo do tipo, com esses massacres que andam ocorrendo aí... – Com a palavra abduzido, Minato olhava assustado para Kohaku que se levantava novamente do chão, gemendo baixo de dor.

– O que você disse? Abduzido? O que você tá falando? E aliás, o que houve com seu rosto?

– Sahashi-Kun, não liga pra ele, você sabe que a noite o Kohaku devaneia, mais do que o normal. – Aya pegava o livro da mão de Kitane e voltava se jogar no sofá.

– Você não soube cara? Fica lá comendo sua mulher e não presta atenção no que acontece, tsc. Hoje de manhã passou em vários jornais casos de massacre, seguidos de luzes no céu. Parece que do nada há pessoas que, antes, não possuíam nenhum antescendente criminal, nem comportamento estranho, estão matando amigos e familiares, como se estivesse hipnotizadas, aí uns fanáticos já ligaram isso com as luzes no céu, e você sabe, Mit e o Kohaku já foram manipulados. – Kitane ia em direção a cozinha enquanto explicava tudo para Minato que abria cada vez mais seus olhos que antes pareciam mortos.

– I-isso é sério? “Ela tá me zoando né? Isso tá acontecendo? Então o que aconteceu hoje...”

– Não me diga que você crê nisso também né? Pff, esperava mais de você Sahashi-kun. – Aya ignorava o rapaz e se concentrava em seu livro, ou ao menos fingia.

– Viu só! O Minato tá no team extermínio aos aliens, não vamos deixar que eles façam o que querem em nosso país. Cadê minha adaga Kitane?

– Se quiser, venha pegar, mas não garanto que não a enfiarei em sua garganta.

– Ok não preciso de uma adaga. – Kohaku sentia um frio na espinha.

– “Preciso pesquisar sobre isso, mesmo cansado, pode ter algo a ver. Se eu contar algo do que aconteceu hoje pra alguém daqui eu to morto. Não só eu mas, eles também estarão. Droga.” – Minato caminhou até seu quarto dizendo para todos que já havia jantado e precisava descansar. Aya sabia que algo não estava certo, assim como Kohaku, mas os mesmos ficaram em silêncio sabendo que Minato diria no momento correto, como sempre faz.

Ao se deitar na cama, mesmo cansado fisicamente e psicologicamente, Minato não conseguia fechar seus olhos.

– “Como eu posso dormir com isso tudo? Eu preciso decidir até amanhã, mas duvido que eles me deixarão em paz. Eu devo ir à polícia? Se eu for, serei protegido? Não, eles podem me matar mesmo se eu ficar isolado, pelo que vi ontem, aquela não era uma base normal, eles tem uma tecnologia avançada, talvez a polícia esteja envolvida se eles forem do governo, mas se eles não quisessem que eu vivesse, não me mandariam embora, acho que então eles podem me dar uma chance. Ainda bem que eu tinha outra muda de roupa na mochila, se eu aparecesse sujo de sangue, o que diriam? Aliás, eu não posso deixar que todos aqui saibam de nada, isso colocaria eles em perigo, talvez eu tenha que me mudar daqui...E Makina? O que eu direi pra ela?” – O rapaz começou a se virar na cama enquanto pensava em sua namorada, e depois de resistir ao sono por alguns minutos, ele fechara instintivamente seus olhos e dormia feito uma pedra. Minutos depois, Aya, sorrateiramente, entrava em seu quarto, pegava sua mochila, e ao abri-la, via suas roupas que saíra de manhã, cobertas de sangue. A garota pensou em acordar Minato e pedir explicações, mas ficou com um certo medo em seu peito, algo que nunca sentiu, e então, apenas se retirou.

– Cara, sábado de manhã e você vendo alienígenas do passado? Sério isso? – Aya acordava e se dirigia a sala quando via Kohaku no sofá vendo um de seus programas favoritos.

– Qual é, isso é legal! Aliás, parece que o Minato saiu hoje de manhã, mas, bem de manhã mesmo, sem dizer nada. – Ao ouvir isso, Aya se preocupou mais ainda. Pensou em contar sobre as roupas de Sahashi, mas parou por um instante, e pensou que deveria mesmo conversar com seu amigo. Ela confiava demais nele, o mesmo sempre a ajudou em muitas coisas, sabia que ele era uma pessoa boa, mas de quem era aquele sangue?

– Obrigado por terem vindo, eu precisava muito me distrair. – Com um forte arremesso de longe, Sahashi acertava a bola bem no centro da cesta de basquete. Junto de Kareshi e Yato, estava em uma quadra de basquete atrás do condomínio deste último, outro colega de classe de Minato.

– Cara, jogar basquete de manhã é bem nostálgico. Me trás memórias do ensino médio. – Dizia Yato ao pegar a bola que caía no chão.

– Mas, é incomum ver você acordando cedo em um sábado Minatan, você brigou com a sua namorada? Ela tá disponível agora é? – Minato pedia a bola para Yato, e quando o mesmo lhe passava, ele jogava na barriga de Kareshi.

– Não seja idiota, eu apenas queria me distrair. “Posso estar dizendo isso, mas eu quero mesmo é fugir daquela situação. O que eu estou fazendo aqui? Eu não devia me decidir? Eu devia estar naquela merda de lugar ou na polícia.” – Enquanto se distraía, Kareshi havia lançado a bola para Sahashi, que não percebia, e esta mesma pegava em seu rosto.

– Cara, você tá viajando? Isso que dá meter a noite toda e acordar 7 da manhã! – Kareshi se aproximava para ajudar seu amigo.

– Depois de me dar uma bolada vem me ajudar? Tsc. – Minato se levantava, e naquele instante, percebia que Yato havia se ajoelhado no chão levando as duas mãos em seu rosto.

– Yato-kun? O que foi? – Sahashi sentia uma queimação em seu corpo, o vento frio da manhã soprava em sua pele e o fazia pensar em tudo que acontecera no dia anterior.

– Ele deve tá dando migué pra ir embora, só pode, ele deve querer ficar jogando o FF que comprou ontem, troca os amigos por jogos! – Kareshi se aproximava de Yato tentando fazer com que o rapaz parasse com sua suposta ‘graça’.

– Kareshi-kun, acho que ele não tá brincando. – O coração de Minato disparava naquele instante, ele percebia que Yato começava a tremer, ele olhava para Kareshi e seus olhos pareciam que iriam saltar de seu rosto, estavam vermelhos, suas veias quase estouravam sua pele, e quando Kareshi estava a poucos passos do garoto ajoelhado, em um movimento rápido, o mesmo se levantou e retirando uma faca da cintura, presa por seu shorts, ele a enfiava na barriga de Kareshi, que mal podia se defender. O garoto olhava para Yato que sorria sem piscar, e em seguida, olhava para Minato que não podia acreditar na cena em que presenciara.

– “Isso é mentira, né? Eu morri e estou no inferno? O que é tudo isso? Primeiro aquilo ontem, agora isso? Eu to em coma e isso é um sonho ruim? Eu não consigo acreditar.” – Yato puxou a faca da barriga de Kareshi que caía no chão levando as mãos em seu ferimento, parecendo não conseguir respirar.

– O que diabos você fez Yato? “Não, ele não é o Yato, o que são aqueles olhos?” – O corpo de Minato tremia, ele mal podia se mover, foi quando viu Yato sair correndo em uma velocidade que nunca presenciou em um humano antes.

– Kareshi-kun, aguente firme, eu vou chamar uma ambulância! — Minato se aproximou de seu amigo, mas ao chegar frente ao mesmo, percebeu que era tarde. Kareshi estava com os olhos arregalados e já não respirava mais.

– “Isso é uma grande mentira, isso é, não pode ser verdade.” – Minato se afastava rapidamente com as pernas bambas. – “Se a polícia chegar eu vou ser culpado por isso, o que tá havendo? Por que Yato fez aquilo? Tem a ver com a base RUST? Kareshi-Kun...” – Naquele momento, só havia uma coisa que Sahashi poderia fazer. Ele se retirou do local sem deixar vestígios e sem chamar a polícia ou uma ambulância, mesmo que Yato pudesse sair por aí matando mais pessoas.

Uma Hora Depois

– Ora ora, você chegou bem a tempo, Minato-Kun. Acho que você já percebeu que o nosso mundo não é mesmo de antes, né? – Enfrente a construção da base RUST, Nakizawa, junta de dois soldados, recepcionavam Minato que aparecia chorando e determinado.

– Eu aceito sua proposta, me conte tudo sobre vocês, e tudo o que está acontecendo nesse mundo.