Cegueira de carne

4 Capítulo 4 : Cortisol


11 de maio de 2015: Cortisol

Ela não sabia o que fazer. Seu corpo estava trêmulo demais para obedecer sua mente. Quando se deparou com a cena correu o mais rápido que pôde para o telefone, mas não sabia qual número digitar. Correu novamente para o seu quarto, em busca do celular que estava na cabeceira, ligou para o seu contato de emergência: o Dr. Mészáros. Seus dedos estavam trêmulos e suados, sentia que podia colapsar a qualquer instante se ele não atendesse a ligação.

— Júlia! Sabe que horas são? Três da manhã! — Esbravejou ele.

— Doutor! Algo aconteceu, eu preciso de ajuda, eu estou com medo! — Disse tão rapidamente que acreditava ter atropelado as sílabas.

— Droga, Júlia! Me passe o seu endereço por mensagem, vou demorar alguns minutos, não faça nada estúpido. — Resmungou.

— Obrigada.

Desligou a chamada e mandou a mensagem com seu endereço. Seus dedos estavam trêmulos e suados, foi difícil manter sua sanidade, sentia que estava despedaçando, derretendo e dissociando.

O chão da lavanderia estava coberto de sangue, os gatos estavam mortos. Cada um deles estava com a cabeça esmagada. Não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido, como?! Por quê? Nada fazia sentido. Sua noção de tempo estava comprometida, demorou muito para que o Dr. Mészáros chegasse. Júlia ficou esperando ao lado da porta.

— Mas que merda aconteceu, Júlia?! — Gritou o Dr. Mészáros ao chegar.

Júlia abriu a boca para responder ao terapeuta, mas o som não saiu. Tentou falar novamente, e a voz saiu rouca e baixa:

— Na lavanderia, os gatos morreram…

— Como assim Júlia, o que quer dizer?

Ela pegou-o pelo braço, e levou-o até o local. Cinco gatos mortos, com as cabeças esmagadas, miolos, sangue e vísceras espalhados pelo chão, exalando um odor fétido de decomposição. Mészáros teve arcadas de vômito, a cena foi inesperada e grotesca para ele.

— Que merda Júlia, o que aconteceu aqui?!

— N-Não sei, aco-cordei… Fu-fui a cozinha tomar água e… e… e alimentar os gatos. Eles estavam mortos. — Júlia desabou em um choro.

O terapeuta a pegou pelo braço, levou-a até a sala e começou a mexer na cozinha procurando por um copo. Encontrou xícaras de porcelana nos armários aéreos, e serviu água para sua paciente em choque. Instruiu-a para que bebesse a água e respirasse fundo, para processar o choque. Fechou a porta da lavanderia, pois o cheiro estava lhe causando náuseas.

— Júlia, está na hora de procurar a polícia. — Disse o Dr.

Ela respondeu acenando em positivo para o terapeuta. Ele sacou o telefone de seu bolso, e ligou para o 190.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.