Caótica
5 Capítulo 5 – Descuido
Notas iniciais
POV’S Camilly
O que aquele menino idiota disse era inútil, não sei o que ele quis dizer com aquilo, se era para me machucar ou deixar eu triste. Mas eu não sei o que é isso, não tenho esses sentimentos, mas eu desapareci do quarto dele e fiquei voando lá fora. Vi um homem andar estranhamente para um lugar, o segui. De repente ele abordou uma mulher que estava num ponto de ônibus. Ele sacou uma arma. E mandou ela dar tudo que tinha, a mulher ficou desesperada e deu tudo que ela tinha. Não entendi o certo, mas ele puxou o gatilho e mirou na cabeça da moça, eu fiquei na frente dela e ele a atirou. Ouve-se um ecoo pela rua vazia e várias pessoas que morava perto do ponto de ônibus ligaram a luz de suas casa. A moça estava a salva e sem nenhum tiro ou ferimento.
Eu fui descuidada de mais, deveria ter deixado ela morrer, voltei para a casa do garoto. Meu pescoço estava sangrando. Você acha que quando protegemos os humanos iríamos ficar intactos? Acredite, nunca ficamos intactos. Que nem aquela mulher, salvei a vida dela, mas o tiro me atingiu. Enquanto a moça saiu intacta e eu sai ferida.
Quando entrei no quarto do Lucas, ele estava se arrumando para ir a escola. Sentei numa cadeira e o observei. Acho que ele percebeu que estava lá e só olhou pra mim com cara de nojo e saiu do quarto. Como sempre, sou o mascote dele e o segui.
O caminho de ir a escola foi tudo silencioso. Até que ele quebrou o silêncio.
– O que aconteceu seu pescoço? Sabia que o seu sangue está caindo pela rua toda? – ele virou pra mim e tirou da mochila uma gaze e uma faixa, colocou a gaze no meu pescoço e enrolou com a faixa. – Pronto. – continuei calada, não queria conversa. Eu fui uma inútil por ter protegido aquela mulher.
– Não quer falar? – não o respondi. – O.K. Vamos fazer jogos de pergunta, eu pergunto e você responde, e depois você pergunta e eu tento responder, está bom? – concordei com a cabeça. – Quantos anos você tem?
– 17 anos.
– Meu Deus, você tem 17 anos? Achei que anjos tivessem mil anos. – disse ele olhando pra mim curioso e assustado.
– Apenas os verdadeiros anjos, eu morri no ano passado. E virei um anjo, eu era uma humana que morreu e virou anjo. – ele olhou pra mim sem entender nada. Idiota.
– Ah, como você morreu?
– Acidente de carro. Meus pais eram pra morrer, porem eu dei a minha vida a eles.
– Ah, humilde da sua parte. Como um anjo morre?
– Anjos não morrem, só morrem caso viram mortais.
– E tem como?
– Se o Trono aceitar, sim.
– Hum...
O resto do caminho ele não disse nada. Chegando no colégio ele foi conversa com os amigos e eu fiquei sentada num banco debaixo de uma árvore. Eu o olhei, e o olhar dele estava em mim. O rosto dele sentia pena. Pra que sentir isso? Não deveria senti isso.
O sinal bateu e estava na hora de seguir ele, porem o Lucas não foi para a sala, ficou me encarando, depois levantou e veio em minha direção, senti os braços dele me envolver e nisso ele me deu um abraço. Não sei o motivo dele ter feito, acho que foi por causa da minha morte.
Afastei dele no mesmo momento e andei em direção a sala, ele entendeu que era hora de ir para a aula e me seguiu.
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