Caída
2 Paradise Fall's
“Estou andando nos corredores da T.M Jones High School, com minhas botas de couro da nova estação, como a verdadeira rainha que eu sei que sou. Minha horda de súditas estão andando atrás de mim como cachorrinhos, daquele tipo poodle de madame, que segue a dona aonde quer que esteja. Porém, quem recebe os lugares de honra são Catherine e Joanne, minhas melhores amigas. Eu até posso ser a rainha destruidora, mas tenho coração. E amigas verdadeiras. Saindo da escola, já que o sinal da saída já havia batido, dirijo-me em direção ao meu carro, um lindo Porshe preto. Entro no carro e minhas amigas entram junto. Saímos dirigindo por uma pequena cidade de Nova York, tomar, por incrível que pareça, um Starbucks. Passando por lá e pedindo nosso cafés sem cafeína e leite desnatado, com um pouquinho de chantilly por cima, vamos para minha casa. A BMW de meu pai não está na garagem, o que significa que ele ainda estava trabalhando na reconstrução do shopping Honey King, o maior da cidade. Eu, Catherine e Joanne vamos para meu quarto e logo começo a me admirar em meu espelho de corpo todo. Meus cabelos loiros caíam ondulados em um lindo rabo de cavalo por sobre meus ombros. Minha camiseta azul marinho simples de cetim está colada no meu corpo, revelando o formato de minha silhueta e de meus seios, e com certeza eu me orgulho de meu corpo. Trajo calças jeans skinny de um azul desbotado e as botas de couro são extremamente lindas. Viro-me para perguntar as minhas amigas como estou, porém elas não estão mais as minhas costas. Quem está é meu pai, balançando felizmente o papel que identifiquei como a carta do Governo de Paradise Fall’s. O chão sob meus pés ficou instável. E eu caí para as profundezas da realidade”
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Olho meu reflexo no espelho de minha suíte. Meus olhos cor grafite parecem mais escuros, o que acontece por eu estar com duas olheiras BEM roxas. Apesar de Paradise Fall’s ser uma das cidades mais badaladas e bem sucedidas de toda Filadélfia, eu sinto como se o sonho, ou melhor, pesadelo, tivesse jogado tudo em minha cara. Eu teria que começar do zero, literalmente. Eu não virei à rainha da T.M Jones High School de um dia para o outro. E quem me ouve falando assim, me imagina como aquelas pessoas que tem o que quer nas mãos na hora que bem entender. As pessoas realmente gostavam de mim, e eu era boa com eles. Mas quando precisava ser má, eu era.
Enfim, entrei debaixo de meu chuveiro, com a água fria me acordando completamente e me fazendo esquecer meu pesadelo, assim como meus problemas. Desligo o chuveiro e me enrolo em meu roupão de seda. Saio do banheiro e sento em minha cama e reflito um pouco. Por incrível que pareça, eu havia me esquecido que começaria a estudar hoje, na Thomas Russel High School. Rapidamente, vou ao meu closet e começo a analisar minhas roupas de cima a baixo. Por fim, aproveitando o clima bom de minha pequena nova cidade, escolho uma blusa branca com rendas nas mangas, uma saia de três dedos acima do joelho preta e sapatilhas rosa claro. Desço as escadas à procura de meu pai, porém não o encontro. Dirijo-me para a cozinha, a fim de tomar café, e vejo um bilhete dele: “Tive que sair mais cedo e resolver alguns assuntos com o prefeito Sean. Sinto muito não podermos tomar nosso primeiro café da manhã numa nova cidade juntos. Volto pouco antes das seis. Com amor, Josh”. Viro o bilhete para ver se havia algo no verso e encontrei: “P.S = Sua aula começa ás oito horas. Seu carro já está na garagem”. Vendo a hora que as aulas começam, olho em meu celular e vejo que já são quinze para as oito. Então, de algum modo surreal, consigo tomar um copo de suco de laranja e comer uma torrada antes de sair voando para meu carro. Abro o portão da garagem e admiro mais um pouco meu lindo carro. Sabendo que me resta pouco tempo, entro nele e o ligo, sentindo-o ganhar vida aos poucos.
Dirigindo pelas ruas da cidade, percebo que, apesar de ser pequena, possui uma incrível quantidade de lojas famosas e estabelecimentos de aparência chique e importante. E, para minha alegria, ao virar numa esquina, avisto algo pela qual sou apaixonada desde meus treze anos: uma Starbucks. Gravo o endereço e faço uma anotação mental, “tomar Starbucks depois da aula”.
Depois de me perder três vezes, finalmente consigo chegar à escola, justamente na hora em que o sinal toca. Recolho apressadamente minha bolsa e coisas menos importantes e paro para olhar meu reflexo. Apesar de ter esquecido de me maquiar, minhas maçãs do rosto apresentavam um tom rosado claro, original de minha pele, e meus cílios, longos, não precisavam de rímel. Minha boca apresentava um tom avermelhado bonito, e reconheço que minha beleza natural é realmente bela.
Subo as escadas que dão para a entrada do colégio decidida a ir à secretaria. Porém paro, pois sinto um arrepio descendo pela espinha, e me preocupo, pois só sinto esse arrepio quando alguém está me observando. Viro-me e vejo somente uma leve agitação nas folhas da pequena moita com flores cor de rosa que se localiza no pé da escada. Quem quer que fosse, já tinha ido embora.
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