Caçando Borboletas
2 Capítulo 2
— Suzuki-san?
Ergui a cabeça, procurando a origem da voz. A lâmpada que estava acesa sobre a minha mesa no pequeno escritório administrativo do café, nos fundos do estabelecimento, não era suficiente para iluminar o rosto da figura que havia parado do lado do batente da porta, mas eu conhecia a voz de cada um dos meus funcionários. Forçando um sorriso e apoiando minha cabeça em uma das mãos, respondi: — Sim, Kato-san? — Aquele rapaz que veio para ocupar a vaga da Hikaru-chan... Ele chegou. — Pode pedir para ele vir até aqui, por favor? — o gentil homem concordou com a cabeça, retirando-se para o corredor que o levaria de volta até a parte da frente do café e onde todos se encontravam... Menos Hikaru. Ikeda Hikaru havia sido a primeira funcionária que eu havia contratado quando cheguei a Tokyo e decidi montar o meu próprio negócio. Ela havia ajudado a criar o menu que era um dos grandes responsáveis pelo sucesso da loja, contribuído para chegarmos ao nome \"The Caffeine Conspiracy\", me ensinado a gerenciar melhor os talentos de cada contratação futura... Ela realmente fazia jus ao próprio nome e era uma grande amiga. Uma amiga que, infelizmente para mim, havia partido naquele final de semana para Kobe. — Shitsureishimasu. Forcei meus olhos a seguirem o som novamente, caindo em um rapaz alto, magro, de aparência saudável e traços muito delicados. Alguém havia provavelmente acendido a luz do corredor quando trouxeram o garoto até ali, de forma que eu conseguia ver inclusive os reflexos dourados que a iluminação artificial de dentro do café causava no seu cabelo tingido. Abrindo um sorriso não muito sincero mas ainda sim educado, gesticulei para que ele se aproximasse e tomasse a cadeira que estava logo na minha frente. — Bom dia, Takashima-san. Está preparado para começar? — Hai. — ele respondeu sem pestanejar, ajeitando-se rapidamente na cadeira — Hikaru-chan me deu algumas dicas e me explicou algumas coisas do funcionamento interno do café. — Ótimo, ótimo. Eu confio no julgamento dela, portanto não acho que teremos qualquer problema. — expliquei, removendo algumas contas que tinha para pagar e papéis cheios de rabiscos que estavam no centro da mesa para o canto dela e abrindo espaço para as coisas que precisava lhe entregar — Como falamos antes, você deve sempre usar o seu crachá nas dependências do café e... — Suzuki-san, gostaria de fazer um pedido. Levantei meus olhos do crachá que tinha os kanjis de \"Takashima Kouyou\" impressos para o homem que tinha o mesmo nome, dando autorização para que ele prosseguisse com a sua solicitação por meio de um meneio com a cabeça. Engraçado como os olhos castanhos dele brilhavam de um jeito intenso, parecendo querer dizer muita coisa... Mas ao mesmo tempo se segurando para não revelar nada. — Eu gostaria de saber se... Poderia manter meu nome em segredo, na verdade. — ele falou, mordendo o lábio inferior de um jeito que exteriorizava a apreensão que eu imaginei que ele deveria estar sentindo — Eu gostaria de não ser conhecido pelo meu verdadeiro nome aqui. Naquele momento, tive certeza de que o Conspiracy estava virando alguma espécie de reduto de pessoas com problemas com seus nomes. Yuu fazia exatamente o inverso e confesso que eu entendia mais ou menos o motivo, mas ainda não havia compreendido o quê havia de tão grave com Takashima... Por mais que o nome me fosse familiar. Aliás, onde é que eu já havia visto aquele nome antes? — Eu sei que Hikaru-chan e você são amigos há algum tempo e, como disse, confio na indicação que ela fez. — repeti, cruzando as mãos sobre a mesa — Mas você deve entender que é no mínimo estranho ouvir um pedido desses sem qualquer justificativa. Existe algo que eu deva saber? — Iie! Não, não é desse tipo de problema que eu estou falando... — ele se encolheu na cadeira, corando levemente e parecendo envergonhado de alguma coisa, embora eu tivesse certeza de que a minha reprimenda não havia sido tão severa. Ele ficou olhando para o chão durante alguns minutos, visivelmente conturbado; comecei a achar que Hikaru deveria ter me contado que seu amigo possuía algum problema tão sé... — Takashima Kazuaki. Está familiarizado com o nome, Suzuki-san? Senti meus olhos arregalarem contra a minha vontade; um pequeno sorriso apareceu no rosto do futuro garçom do Conspiracy, que voltou a se sentir mais confortável na minha presença e na sua cadeira. Sem esperar por uma confirmação verbal, ele continuou: — Ele é meu pai. O presidente do partido democrático liberal e um dos deputados mais ativos da Casa dos Deputados. — notei naquele momento que seus lábios eram levemente rosados, coloridos com ajuda de alguma maquiagem. Não me escapou também o jeito quase mecânico que ele usou para descrever seu pai, parecendo recitar uma ladainha decorada há décadas — E digamos... Que eu e ele temos divergências. Eu sei que seu café é bastante freqüentado por jornalistas, artistas, executivos, escritores... Enfim, um público bem heterogêneo e fiel, mas não gostaria de ser interpelado por ninguém a respeito dele aqui. Gostaria de ser chamado às mesas somente para tomar nota de algum pedido, Suzuki-san.
Eu sei que não foi a intenção de Takashima, mas todas aquelas palavras dele me causaram a sensação de que garras de titânio apertavam meu coração, tirando o ar dos meus pulmões e enchendo todo o meu corpo de agonia e memórias... Memórias que eu não desejava revisitar naquela hora ou em qualquer outro dia. Tenho certeza de que minha desorientação momentânea transpareceu, porque percebi um semblante preocupado no garoto quando voltei a olhar para ele, a fim de continuarmos nossa conversa. — Eu... Compreendo, Takashima-san. — os cantos dos meus lábios se curvaram para cima sozinhos, formando um sorriso que não alcançava meus olhos, mas parecia pelo menos ter tranqüilizado o recém-chegado funcionário — Você entende que não posso omitir essa informação do pessoal que trabalha comigo, mas garanto que eles não espalharão nada para os clientes. — Hai, hai. Entendo. — ele balançou a cabeça afirmativamente, me encarando com seus olhos castanhos tão expressivos. — Por que nome então gostaria de ser conhecido, Takashima-san? — perguntei enquanto descolava o adesivo onde os kanjis do nome verdadeiro dele haviam sido impressos, puxando uma folha de papel qualquer para anotar a sua resposta. — Uruha. — Uruha? A minha estranheza ante o nome não deveria ser de todo inesperada, porque o rapaz abriu um sorriso honesto e gesticulou na minha direção, pedindo silenciosamente pela caneta e papel. Piscando os olhos e ainda sem entender, entreguei ambos a ele, que levou segundos para traçar um único ideograma que eu não via com muita freqüência, mas cujo significado fez sentido imediatamente. — Uruha não é a leitura correta, mas já faz algum tempo que adoto este apelido. É inclusive assim que Hikaru-chan me chama. — É inteligente. — acrescentei com um sorriso; \"Uruha\", como ele queria ser chamado, era realmente um jovem de beleza extraordinária e que chamava a atenção; nada mais normal ou adequado do que um kanji que representava essa qualidade para ser seu novo nome — Vou montar seu novo crachá, então. Assim que terminarmos aqui, vamos para a parte da frente; quero apresentá-lo aos outros funcionários antes que você comece a trabalhar e o movimento aumente. Ele concordou com a cabeça e seus olhos pareciam traduzir a empolgação que eu via presente na sua linguagem corporal; algo me dizia que esse emprego representava algo muito maior a ele do que uma simples forma de ganhar dinheiro e, de um jeito ou de outro, eu me sentia estranhamente orgulhoso de poder ajudá-lo. Não era porque ninguém havia me estendido a mão quando eu precisei que eu deveria me negar a fazer o mesmo agora. Aparentemente, a notícia da saída de Hikaru do Conspiracy havia chegado mais longe do que eu previra; mais clientes sabiam desse fato do que eu havia antecipado e presentes para ela simplesmente não faltaram, de garrafas de vodka russa até bolsas de grife compradas em Ginza. Acabamos colocando todos os presentes entregues em um dos armários do meu escritório nos fundos que, confesso, estava ficando pequeno para tantos mimos. Talvez esse grande volume de lembrancinhas fosse pretexto suficiente para trazê-la para uma visita, já que o envio de tudo pelo correio não iria sair barato. Foi pensando parcialmente nisso e também prestando atenção no fechamento da conta de um cliente no caixa que eu vi a porta de vidro do café ser empurrada por fora e admitir a figura alta e morena de Yuu. Ele definitivamente não parecia empolgado ou animado naquela manhã, por mais que o tempo do lado de fora estivesse ensolarado. Sorrindo para o simpático senhor na minha frente, eu o agradeci pela preferência enquanto devolvia o troco do seu expresso e dois pedaços de torta de camarão, enchendo rapidamente um bule com café quente antes de me dirigir à mesa do escritor solitário. Yuu havia rumado para o seu lugar de sempre, largando a mochila ao seu lado no banco e enterrando a cara nos seus braços cruzados sobre o tampo da mesa. Não era bem o tipo de comportamento que eu estava acostumado a ver nele, ainda mais porque ele não havia tomado nada para começar a agir como bêbado. — Ohayou, Shiroyama. — \'hayou. Eu não quero café hoje. O modo como ele estava falando para dentro e contendo o som da sua própria voz com os seus braços não ajudava a entender o que ele estava dizendo, mas consegui decifrar suas palavras enroladas. Suspirando frente ao escritor, eu me sentei silenciosamente do outro lado da mesa, colocando o bule de café bem próximo dele de forma que ele sentisse o aroma da bebida; aquela tática costumava funcionar perfeitamente. Dito e feito: nem um minuto havia se passado e Yuu ergueu a cabeça, mirando o bule de um modo suspeito e depois me encarando como se eu fosse o cúmplice de algum crime terrível cometido pelo café. Até onde eu sei, aquilo poderia muito bem ser verdade; a mente daquele moreno era fértil demais, por mais que no momento estivesse bloqueada. — Você não apareceu aqui no sábado. — comentei em um tom normal e neutro, deixando meu corpo ser amparado pelo sofá atrás de mim enquanto cruzava meus braços; podia jurar que ele havia revirado os olhos antes de suspirar longamente e se endireitar no seu lado da mesa, me encarando com um olhar cansado e marcado por olheiras. — Não queria ver a Hikki antes dela ir embora. Não queria... Nada que me lembrasse ela. — ele explicou, olhando para o café como se aquilo estivesse lhe torturando lentamente — Até isso me lembra que ela não está mais aqui. — Normalmente sou eu quem sirvo as suas xícaras intermináveis de café, Shiroyama. — respondi com um leve sorriso que, apesar de pequeno, continha uma boa dose de diversão. Yuu me parecia uma criança mimada de vez em quando, alguém revoltado com o mundo por não ter todos os seus desejos realizados por motivos que ele desconhecia. — Mas ela... Ela era a inspiração... — Shiroyama, você está fazendo uma tempestade em copo d\'água. — eu repliquei, fechando um pouco o rosto — Hikaru está feliz com o marido dela, provavelmente terá uma vida melhor em Kobe e poderá nos visitar sempre que quiser. Aja como um amigo de verdade e fique feliz por ela estar feliz. Isso me basta e deveria ser o suficiente para você também. Os olhos amendoados de Yuu se fixaram em mim com surpresa e intensidade inesperadas, quase como se ele estivesse olhando para mim pela primeira vez ou me reconhecesse depois de um longo período de afastamento. Ele por fim esticou uma das suas mãos e colocou-a sobre uma das minhas, dando dois tapinhas leves como se me consolasse; era interessante o modo como eu só conseguia ver as pontas dos seus dedos longos e finos, o resto da sua mão praticamente engolida pela manga de um suéter azul escuro, largo e meio velho que eu já vira nele dúzias de vezes. — Isso não basta para você. Eu te conheço e eu sei que você está tão angustiado quanto eu pela perda dela. Deixei minha cabeça cair para trás, suspirando antes de voltar à minha posição normal e apoiar meu queixo em uma das mãos espalmadas. Usando os dedos livres que eu tinha, empurrei mechas da minha franja para o lado, desobstruindo a minha visão e tentando fazer aquela criatura teimosa entender o quê estava acontecendo. — Yuu, é claro que eu estou triste e gostaria de que ela não tivesse ido embora. Você não tem idéia de como ela foi importante para o Conspiracy. — confessei, respirando fundo antes de continuar e sentindo um aperto esquisito dentro de mim; não era tão forte quanto aquele que Uruha havia causado inadvertidamente, mas ainda sim... Eu não gostava de ver as pessoas saindo da minha vida, até porque era difícil aceitá-las quando elas entravam. E confiar nos outros sempre havia sido complicado — Mas ao mesmo tempo, isso era o melhor para ela. Ela tomou a decisão mais certa e, como amigos que somos... — enfatizei a palavra \"amigos\" — Temos de apoiá-la. Mesmo desejando o contrário. — Paradoxal. — A natureza humana é um eterno paradoxo, Shiroyama. — emendei o raciocínio dele, vendo seus olhos se arregalarem de repente e uma excitação não-anunciada colorir todos os seus movimentos. Em questão de segundos ele já tinha tirado canetas e o seu bloco de anotações da mala, debruçando-se sobre a mesa e escrevendo freneticamente. — O quê você disse? — Que a natureza humana é um eterno paradoxo? — Hai, isso! — ele sublinhou alguma palavra e fez algumas setinhas, em seguida erguendo o rosto e me encarando com um brilho no olhar cheio de energia — Sinônimos para \"eterno\".
— Às vezes eu me sinto como se tivesse cara de dicionário... — repliquei com um tom ligeiramente ofendido, mas desfiz qualquer possibilidade de mal-entendido ao me levantar da mesa com um sorriso — Aproveite seu café, está quente ainda. — Suzuki... — ele me chamou com um tom de súplica no começo, mas depois sua expressão ficou nebulosa e carregada das suas tradicionais ameaças que não eram intimidadoras na realidade — Eu sustento esse café e você... — Imortal. — eu disse, virando a cabeça por cima do ombro e sorrindo ao ver que ele voltava à sua escrita. Eu sempre ouvi boatos, durante toda a minha juventude, de que escritores eram excêntricos e cheios de manias, sobretudo em relação ao que lhes trazia inspiração para produzir. Admito que achava que tudo isso era algum tipo de lenda urbana ou folclore criado pelos próprios autores para endeusarem sua profissão... Mas duvido que alguém passasse por todo aquele sofrimento como Yuu apenas para manter uma fachada. Talvez eles realmente fossem... Peculiares. Voltando para a frente da loja eu me deparei com Uruha atrás do balcão, manuseando seu palm com rapidez e total familiaridade. Seu ar de concentração fazia com que leves rugas surgissem sobre as suas sobrancelhas, transformando aquela expressão naturalmente altiva dele em algo diferente e interessante de ser observado. — Precisa de ajuda, Uruha-san? — perguntei, apoiando-me no lado oposto ao que ele ocupava no balcão, descansando meus braços sobre a superfície de madeira. Com o canto dos olhos eu conseguia ver o movimento no Conspiracy e sabia que estávamos tranqüilos; segunda-feira era um bom dia para o início do trabalho do novo garçom loiro ali. — Ah, iie. Estou bem, Suzuki-san. — a sua expressão relaxou e um sorriso apareceu nos seus lábios rosados em segundos — Arigatou. — ele agradeceu e prendeu a caneta que usava para mexer no palm, colocando o computador de mão de volta ao bolso frontal do seu avental. Uma sineta tocou atrás dele e eu vi o rosto sorridente de Emi, uma das cozinheiras do café, empurrar um prato caprichosamente decorado e que continha um crepe francês de frango desfiado de aparência deliciosa. Uruha murmurou um \"arigatou\" para ela, pegando o prato quente com cuidado e depositando o mesmo sobre uma bandeja prateada que ele havia retirado de um dos armários previamente, forrando-a com uma toalhinha de linho branca e bordada com as iniciais do café. Ele correu com passos pequenos até uma geladeira de porta transparente que ficava na extremidade esquerda do balcão, voltando de lá com uma lata de refrigerante. — O copo, Uruha-san. O loiro arregalou os olhos castanhos dele e corou, desculpando-se para mim enquanto agarrava um copo plástico descartável de uma pilha de outros tantos iguais, colocando-o sobre a lata do refrigerante antes de levar a bandeja pelo café. Ele se desviou com sucesso de Kato, que voltava de entregar o pedido de algum outro cliente. — Ele está se saindo bem? — perguntei ao homem mais velho de cabelos já grisalhos e um eterno olhar gentil e atencioso; apesar de ser quase duas décadas mais experiente que eu nesta vida, ele sempre obedeceu à hierarquia silenciosa do café e havia se tornado meu braço-direito ali com a saída de Hikaru. — Hai, hai. Mais do que eu esperava, na verdade. — ele comentou enquanto tirava seu palm do bolso, confirmando a entrega do seu último pedido na mesa e sorrindo ao ver que nenhuma ordem estava pendente — Ele tem a habilidade que eu nunca terei com esse negócio... — As novas gerações tiveram contato com a informática desde cedo, Kato-san. — Você fala como se fosse muito mais velho do que ele. — ele replicou com barulho de descrédito feito com a garganta — Mas estava falando a verdade. Ele parece... Genuinamente feliz em estar aqui. E trabalhar de bom-humor é algo que qualquer cliente valoriza e leva em consideração na hora de voltar. — Com certeza. Acho que a indicação de Hikaru-chan foi perfeita. E depois, ele é mais jovem e cheio de estilo... Tenho certeza de que isso irá atrair um público diferenciado, além do nosso cativo. — Isso é bem verdade. Bem, agora pouco, antes do seu amigo escritor chegar, uma mesa de três garotas do colegial me dispensou só para fazer o pedido para ele. — ele sorriu novamente, pedindo licença para atender uma mesa logo na nossa frente que havia solicitado a presença de um garçom. Ergui os olhos para a mesa das três adolescentes que Kato havia mencionado mais cedo, vendo que todas pareciam decidir por mais alguma coisa do menu enquanto Uruha esperava pacientemente ao lado da mesa. Os cochichos e risinhos trocados entre elas eram prova mais do que suficiente a respeito de tudo que o outro garçom daquele turno havia me dito. O recém-contratado deu meia-volta por fim, enviando os pedidos das meninas pelo seu palm para a cozinha e sorrindo ao me avistar. Montando a bandeja para levá-los a seguir, ele se permitiu um suspiro de alívio ao meu lado. — Muito trabalho? — Não exatamente... Elas só não se decidem rápido. Mas não é problema, claro. — ele apressou em emendar uma explicação, cumprimentando Emi quando ela apareceu na pequena janela de comunicação entre o balcão e a cozinha — Emi-san, preciso de três muffins de blueberry, mas os que estavam na vitrine aqui da frente acabaram. — Hai, Uruha-san. Vou aquecer mais uma fornada deles então! O loiro acrescentou um agradecimento e se apoiou no balcão da mesma forma que eu havia feito, usando a madeira como suporte para as costas. Eu estava prestes a perguntar alguma coisa ao meu novo funcionário quando vi, com o canto do olho, o gesto tradicional de Yuu que significava que ele precisava de mais café. Ele simplesmente nunca apertava o botão para chamar um garçom que ficava preso aos guardanapos e sobre cada mesa do café... Começo a achar que ele gostava da minha atenção especial. E foi então que tive uma idéia. — Uruha-san. — sorri para o jovem ao meu lado que, apesar de ter quase a mesma idade que eu, parecia tão mais novo e inexperiente — Você poderia fazer a gentileza de levar um bule cheio de café puro e quente até aquela mesa, no fundo do café? Segundos depois, a expressão de absoluta surpresa e falta de palavras que se abateu sobre o renomado e misterioso escritor foi notada por mim e por três pares de olhos adolescentes e compreensivos, que ainda esperavam pelos seus muffins de blueberry e pelo retorno da mais vistosa adição à equipe do The Caffeine Conspiracy à sua mesa.Continua...
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