Luzes piscantes cegam meus olhos deixando tudo do preto e branco. Branco e preto. Corpos se balançam por todos os lados como se fossem fantoches. A música cada vez mais alta me deixa surda, que quase não escuto a própria.

– Aqui está! — Diz o barman me entregando dois copos de vodka com limão. Sorrio.

– Obrigada! — Grito para poder ser ouvida.

A multidão não para. Corpos dançantes por todos os lados. Pegação a cada metro que ando. Bem, danço. Para se mover e não ser esmagada entre pessoas caindo de bêbadas, o único jeito é dançar.

Empurro alguns ombros, piso em alguns pés, mas continuo. Preciso chegar ao outro lado. Sinto mãos em mim e meu estômago embrulha só de pensar de quem são aquelas mãos meladas e nojentas. Me afasto e finamente, consigo chegar até meu namorado.

Congelo no lugar e me arrepio inteira. Não sei de onde surgiu, mas, tenho a sensação de estar sendo seguida. Olho em volta, mas, não vejo ninguém. Suspiro, dou de ombros e me viro.

Congelo. Raiva. Ódio. Confusão. Os copos escapam de minhas mãos.

Uma loira está agarrando meu namorado. Suas mãos passeiam pelo peito dele e para baixo. Me sinto enjoada. Vincent também parece estar gostando, e isso me enjoa mais ainda.

A loira abre um dos olhos e sorri maliciosamente para mim mordendo o lábio dele. Vincent percebe a hesitação dela e volta para a realidade.

Seus olhos se arregalam assim que me veem. Ele se afastada rapidamente, mas ela se agarra em seu ombro.

– Kay... — Ele começa a dizer vendo minha cara em choque, mas fervendo de raiva. Ergo as mãos em redenção. Ele faz menção de me tocar.

– Não me toque! — Grito. Vincent recua e eu me afasto negando com a cabeça.

Quero sair dali. Preciso sair dali. Dou as costas e corro. Empurro algumas dezenas de pessoas e não me importo.

Está escuro e as luzes embaçam meus olhos cheios de lágrimas. O segurança abre a porta preta e pesada e sinto o vento frio da noite.

Meus cachos escuros voam para trás e me arrepio. Passo os braços ao meu redor e corro.

Quero fechar os olhos. Quero esquecer. Quero que tudo isso não passe de um pesadelo horrível. Quero acordar desse sonho terrível.

Alguém segura meu cotovelo me puxando. Se estivesse sem salto, não teria tropeçado. Me apoio em ombros desconhecidos e me recomponho. Abro os olhos e Vincent está na minha frente.

– Kayla me deixa explicar? — Ele diz me tocando. Recuo me abraçando novamente por causa do vento gélido e áspero.

– Não! Você é um canalha! Quantas foram? — Perguntei gritando e deixando as lágrimas rolarem. — Quantas Vincent?! Eu saio por cinco minutos e você...

– Kay, por favor! — Ele diz tentando me acalmar.

– Não! — Digo e meu grito ecoa pela noite. balançando a cabeça freneticamente tirando os saltos e os seguros nos dedos. — Me esquece!

– Kayla! — Ouço ele gritar.

Não Paro. Não Paro um segundo de correr. Quero ficar o mais longe desse idiota o possível. Como fui tão tola? Primeiro diz que me ama e que nada vai separar a gente, depois, enquanto pego as bebidas — que ele pediu -, ele beija não sei quantas garotas. Vincent Gray é uma pessoa horrível e nunca mais quero ver a cara dele. Fui um fantoche para ele. Ele mexia as cordinhas. Me controlava para fazer o que quiser comigo. Me usou e jogou fora. Como lixo.

Não sei para onde estou indo. Quando a última lágrima rola por minha bochecha e consigo me acalmar, Paro e olho em volta.

Onde estou? Que lugar é esse? Onde vim parar?

Está escuro. O céu está negro e sem estrelas; ou até mesmo, sem a lua. As luzes dos postes estão fracas e barracões abandonados com janelas quebradas e portas arrombadas me cercam formando um quarteirão ou mais.

Giro em círculos atordoada. Minha cabeça não para de rodar e a adrenalina corre em minhas veias com uma mistura grande de medo.

Mãos me agarram. Dedos gelados e duros. Unhas cravam em meus braços e ombros. Tento gritar mas, minha boca é tampada e sinto um gosto amargo e um cheiro horrível.

Há mais de um. Pelo que descobri, mais de um me sequestrando. Pessoas fortes, rápidas e vestidas dos pés a cabeça de preto.

Meus pés não tocam mais o chão. Me debato de todos os jeitos. Preciso escapar. Não posso ser sequestrada. Não vejo o que estou chutando ou batendo, mas sinto que acerto alguém.

O desespero toma conta de mim e me debato ainda mais. Estou sendo arrastada para um beco escuro. Só vejo olhos brilhando na escuridão. Nada de rostos. Mordo a mão que segura minha boca e meu estômago revira com o gosto ruim.

Então, alto, agudo e ecoando pelas ruas. Senti que todos na cidade ouviram. Alto. Cada vez mais alto. Ecoado em ondas tremulante e agudas.

Eu grito.

Depois, não vejo mais nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.