Caçadores de Demônios - INTERATIVA
4 Vida Dupla
Notas iniciais
O fato de ainda ter quinze anos fazia de Jackie – e de Pietro – uma estudante. Ainda estava no 10° ano e precisava terminar todo o ensino básico, e o fato de serem caçadores não significava que deveriam ficar flauteando nas horas vagas. Educação era uma das premissas básicas do contrato para se tornar um caçador. Por mais que Jackie acreditasse que tudo aquilo não passasse de perda de tempo, não ousava abrir a boca para reclamar. Quebrar uma das cláusulas do contrato faria apenas a garota perder o anel, o posto como caçadora e a própria vida.
Por isso, quando o relógio despertou, ela levantou da cama e tratou logo de se arrumar. Era aconselhável que os caçadores primários dividissem uma casa, oferecida pela própria organização. O intuito era que eles precisavam manter um contato direto, não apenas durante a caça, mas durante toda a vida. Bem, eles não moravam juntos, mas faziam questão de realizar as refeições mais importantes juntos. Por isso, todos os dias tomavam café da manhã juntos e também jantavam juntos.
― Bom dia, razão do meu viver ― Jackie revirava os olhos assim que olhava Pietro. Ele nunca perdia uma chance de dar em cima dela, apesar de todos os foras.
― Como está nosso novo hóspede? ― Kyan indagava enquanto saboreava uma das torradas feitas por Kato. Além de motorista, ele era um esplendido cozinheiro.
― Ele estava muito machucado, com fome. Dormiu desde a hora em que foi posto dentro do carro.
O garotinho da noite anterior estava apenas se defendendo. Quando Jackie mirou a pistola na direção dele, percebeu que era apenas um garotinho assustado e quando tratou de recolher a pistola, se aproximou lentamente ele não sabia quem era, de onde viera ou como havia ido parar ali. Com frio e com medo, ele logo aceitou quando Agnes ofereceu abrigo a ele.
― Não existe ninguém coo ele em nosso banco de dados. Ainda mais com os mesmos poderes de Jackie ― comentou Kato, enquanto lia o jornal deitado no sofá da sala.
― E ele ainda pode controlar seus poderes, coisa que Jackie não faz.
― Katherine! ― Agnes chamou a atenção da garota, que levantou os braços em sinal de paz.
Henry tentava formular algumas teorias e todas pareciam muito válidas, mas a verdade era que nenhuma fazia realmente algum sentido.
― Ele pode ser o caçador primário que faltava ― Pietro jogou a ideia no ar.
― O anel do líder não brilhou ― lembrou Kato.
― Caçador secundário?
― Caçadores secundários não portam poderes, ainda mais um grande como esse. A mente e o corpo dele não aguentaria. Fora o fato de que ele tem o mesmo poder que Jackie ― Henry tratou logo de descartar aquela possibilidade.
― Ele veio ensinar Jackie a manipular sombras com eficácia.
― Katherine! ― Henry, Agnes e Kyan exclamaram juntos.
― Só estou falando... ― Katherine levantou as mãos novamente.
Jackie não falava nada, apenas tomava seu café da manhã como se estivesse sozinha, mexia no celular e não dava qualquer importância para a conversa naquele momento. Pensava apenas se o garotinho estava precisando de alguma coisa. Kato havia garantido que o encarregaria para uma bateria de exames assim que ele acordasse e se alimentasse devidamente. Era de extrema importância que ele pudesse recordar-se sobre si mesmo.
O fato era que aquele era um enigma que apenas o garotinho poderia desvendar. O silencio se instalou por alguns segundos sentes de Katherine levantar-se.
― Ele veio tomar o lugar dele por direito.
― Katherine! ― Dessa vez, todos a repreenderam em uníssono,
― Qual é... ― Completou Kyan.
― Já chega! Você vai ficar em casa hoje a noite. Treinamento dobrado.
― Como quiser, minha capitã ― debochou a garota, curvando-se.
Katherine Baker não era uma pessoa ruim, mas as coisas pela qual havia passado a fizeram ter certa repulsa de Jackie e os outros três caçadores filhos de demônios. Depositava em cima deles todo o ódio que sentia pelo ser que a causou tudo aquilo. Soma-se a isso o fato de seguir ordens. Por que diabos Agnes fora posto como líder afinal? Nem mesmo o anel do líder ela tinha. Katherine não conseguia aceitar isso, mas melhor isso do que seguir ordens vinda de um demônio.
Katherine não gostava de Jackie e o sentimento era recíproco.
― Você sabe que seu sangue é tão imundo quanto o meu, não sabe? Isso significa que se eu te der um tiro agora, você vai direto para o inferno.
― Sabe que você também morre se fizer isso.
A cozinha agora tornara-se um ambiente sombrio.
― É, eu vou morrer. A diferença é que o inferno é minha casa.
A cozinha era pequena quando comparada ao resto da casa, e o ambiente parecia menor ainda quando estavam elas duas ali, faltando apenas um fio de cabelo para começar uma discussão muito mais intensa. ~
Kyan entrou na cozinha segundos depois, praticamente adivinhando o que poderia vir a seguir. Ele passou por entre as duas, comentando sobre um filme que havia assistido na noite anterior.
Kyan sempre tentava tirar que tinha de melhor em tudo; seja em uma pessoa ou em uma situação delicada como aquela. Ele sorria contando sobre o que o filme falava e em como ele esperava uma continuação.
― Se você está pronta, poderemos ir ― comunicou a Jackie, que saiu da cozinha instantes depois. Ela ia todos os dias para a escola junto com ele, que trabalhava no mesmo local com bibliotecário.
Kyan se dirigiu a geladeira para conseguir uma garrafa de água, pensando se deveria falar alguma coisa. No fim, resolveu que era melhor ficar com seus pensamentos guardados, pelo menos por enquanto.
Do lado de fora, Pietro procurava a gravata preta do uniforme. Quando não a encontrou, fora direto para o carro, mas Kato percebeu que a peça estava faltando.
― Cadê? ― o motorista sabia que ele odiava usar gravatas. ― Eu sei que você não procurou direito.
Kato retirou a gravata preta que usava e a colocou no menor, que havia feito uma cara feia,; ele não esperava que o rapaz iria fazer isso. Jackie já aguardava dentro do carro enquanto Kyan ligava o motor.
Talvez fosse estranho para eles, mas manter uma vida fora da loucura de caçadores fazia cada um deles se sentir mais humano, assim como qualquer outro ser humano na Terra. Como adolescentes, Pietro e Jackie iam a escola, faziam tarefas, realizavam provas, se divertiam com os colegas de classe. Os outros mantinham aproveitavam para fazer de um hobby um trabalho fixo, como Agnes que trabalhava em uma floricultura todos os dias.
Seu turno começava às dez da manhã, a lojinha ficava bem entre o cruzamento entre duas avenidas importantes de Charleston City, bem em frente ao prédio Boulevard Bay, onde diversas empresas mantinham escritório. A loja estando em um ponto estratégico, mantinha diversos clientes, muitos deles frequentes.
Havia um homem em especial que sempre passada entre às onze e onze meia, comprando sempre algum buquê. Ele sempre andava de terno e Agnes havia suposto que ele era um dos diversos homens de negócios que saiam em entrava daquele prédio a todo instante.
De fato, ele era um homem muito bonito. Mantinha uma barba rala, um sorriso com um bonito sinal de beleza, belos olhos castanhos e uma voz encantadora. Era extremamente difícil não notá-lo e não suspirar por ele. bem, Agnes já havia suspirado por ele algumas vezes.
Naquele dia, ele ainda nçao havia aparecido. Mas havia acabado de dar onze horas, então ainda tinha algum tempo para ele aparecer. Agnes geralmente ficava sozinha na floricultura, mas naquele dia, Katherine e Henry foram visitá-la. A garota havia sido liberada do trabalho na oficina do seu tio devido a uma viagem que o mesmo fizera naquela semana e Henry, que trabalhava em uma lojinhas de presentes ali perto havia fugido um pouco da loja.
― Eu odeio esse celular. A bateria dele acaba muito rápido ― reclamou Katherine.
― Então troca.
― Não, eu acabei de comprar ele, meu dinheiro tem que valer a pena de alguma forma. Agnes, por que não o compra da minha mão? Você nem usaria, então não precisa nem se preocupar com a bateria ― sugeriu a garota.
― Por que eu compraria algo que eu tenho fobia? Sua oferta não tem sentido ― ela sorriu.
O homem das flores adentrou a lojinha de vidro e cumprimentou a todos. Rodou um pouco pela pequena lojinha, como se procurasse por algo especial.
― Que tipo de flores você está procurando? ― Henry sorriu para o homem, que virou para responde-lo.
― Bem, hoje eu quero algo vermelho. É aniversário da minha esposa.
― Então, acho melhor você perguntar a nossa florista, senhorita Agnes Sørensdatter. Ela sabe tudo sobre flores.
Dizendo isso, a garota lançou um tchau a Agnes e saiu da loja, seguindo seu rumo. Henry despediu-se da garota também e seguiu logo atrás de Katherine. Ele era um homem realmente bonito e isso Agnes não negaria nunca. Ela nunca havia pensado em romance, relacionamento intimo com outra pessoa, mesmo assim, não deixava de admirar a beleza daquele homem.
― Então, senhorita Sørensdatter, que flores a senhorita me indica para o aniversário da minha esposa? ― Ele perguntava enquanto caminhava para mais perto do balcão.
― Bom, sua esposa gosta de tulipas?
― Ela gosta de todas as flores, assim como você ― ele sorriu.
― Então as tulipas são perfeitas. Simbolizam o amor eterno, não vai ter erro.
Ela sorriu em resposta e minutos depois, ele saiu pela porta. Seria possível, em um mundo paralelo, onde Agnes poderia viver como uma pessoa normal, sem se preocupar com Estorvos e demônios?
Existia um mundo paralelo onde eles eram apenas seres humanos com vidas normais?
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