Caçadora de Aliens

1 Acampamento Aventura e Ação


Notas iniciais
Esse é um capítulo único, podendo ou não virar uma história maior. Escrevi assim que sonhei e espero que gostem dessa loucurinha. Boa leitura.

São Paulo, 19 de março de 2007.

O dia estava nublado e só conseguia ouvir o som dos carros lá fora. Era o dia que eu estava esperando há semanas e finalmente tudo parecia perfeito para sairmos de viagem.

Meu nome é Emily de Azevedo, tenho 17 anos e pela primeira vez iria acampar, meus pais sempre diziam que uma jovem deve experimentar aventuras pelo menos uma vez na vida, antes de se casar e ter filhos; gostaria de entender como eles se tornaram adultos tão limitados a ponto de acreditar que só podíamos nos divertir uma vez antes de se jogar numa vida pacata e entediante como a deles.

Meus amigos, Caio e Jennifer iriam conosco na van, mas como tudo que é bom demora a acontecer, eles estavam atrasados. Quando chegaram, meu pai colocou seus pertences no carro e a jornada que mudaria minha vida começou.

Caio foi lendo o caminho todo para o acampamento no Interior de São Paulo, Jeniffer e eu conversamos sobre como gostaríamos que fosse nossa estadia de 5 dias, porém ao chegarmos no camping o clima pesou, como se algo muito intenso fosse acontecer, mas só eu senti.

Meus pais nos deixaram lá e seguiram de volta pra casa, pelo menos dessa vez não me envergonharam com seus sermões desnecessários. Eu, como todo adolescente, esperava que eles me deixassem livre para fazer o que quisesse, mas mesmo sem broncas eu me sentia pressionada a não fazer nada que pudesse magoá-los, sendo assim todos da turma me achavam chata e sem graça. Os meninos não me notavam, tudo bem que com isso eu não me importava, mas as meninas me esnobavam pela minha aparência de garota nerd que não usa maquiagem, se não fosse por Caio e Jenny eu seria completamente solitária. Mas no fundo eu sabia que não importava o que pensassem de mim, logo menos eu não teria que lidar com nada disso e durante aqueles cinco dias só queria relaxar e aproveitar ao máximo.

As regras foram dadas, todos estavam devidamente alojados e as atividades começariam no dia seguinte, a primeira ordem era: Explorem o camping.

Deixei Jenny com suas novas amigas, peguei um livro qualquer da mala e segui para minha exploração. Chovia um pouco, mas nada que me impedisse de andar pelo bosque, os outros adolescentes riam o tempo todo e jogavam seus videogames portáteis que estavam liberados ainda, porém uma menina, além de mim, parecia não estar muito empolgada com a exploração coletiva.

Seu nome era Katerine Macedo, descobri mais tarde por conta do crachá, ela era mais alta que eu, usava óculos e também parecia não se importar muito com quem estava ali. Quis falar com ela assim que a vi, mas meus bloqueios parentais me lembravam de que isso era um impulso hormonal causado pela minha homossexualidade indevida, no geral eu sabia que não tinha problema em ser quem eu era, só não me sentia a vontade em mostrar isso para as pessoas ainda. Porém katerine despertou naquele momento uma curiosidade incontrolável e eu decidi me aproximar. Infelizmente quando tomei coragem, ela seguiu seu rumo em direção a uma parte mais afastada do bosque antes que eu pudesse me apresentar, resolvi segui-lá para entender o que podia chamar sua atenção ali.

As árvores eram muito altas e estava um pouco mais frio do que gostaria, ela encarava o livro e fazia anotações, parecia algo sério o que estava escrevendo; andei atrás dela por uns 20 minutos até pararmos perto de uma cachoeira; não sabia se era permitido estar ali então logo adiantei o inevitável e me apresentei:

Oi, desculpa incomodar, mas é permitido vir até aqui?

Olá- disse Katerine surpresa por não saber que tinha mais alguém ali- permitido não é, mas é a segunda vez que venho acampar aqui e nada de interessante acontece se você não se distanciar deles. A propósito, você estava me seguindo?

—Sim e não, depende do seu ponto de vista. Eu só queria falar oi. — olhei para ela tímida e perdida, não havia conversado com outra garota assim antes

Oi então. — Respondeu ela intrigada, porém gentil.

Conversamos sobre o bosque e ela me contou sobre o livro que estava lendo e sobre suas anotações, era um livro sobre extraterrestres que contava uma história bizarra que supostamente acontecera naquele mesmo lugar. Sua forma de contar me encantou que eu apenas não prestei muita atenção no que dizia, mas sim em como seus olhos brilhavam ao falar daquilo. Seus olhos tinham uma cor esverdeada, mas não eram verdes, eles expressavam coisas que ela não conseguia esconder, me apaixonei instantaneamente.

Voltamos para o acampamento e me certifiquei de que nos veríamos depois, mas o que eu não esperava era que estávamos no mesmo quarto.

Quando encontrei meus amigos novamente, logo contei sobre o passeio e eles riram de como eu fiquei corada, relevei porque finalmente parecia que o momento que eu desejava há anos estava prestes a acontecer.

Na manhã seguinte, Katerine levantou mais cedo que o resto da turma, quando não a encontrei no quarto logo imaginei que ela poderia estar no bosque lendo sobre seus aliens, mas ao sair do quarto uma sensação me invadiu, como se algo ruim fosse acontecer. Tentei desviar o pensamento e segui para o café da manhã, acabei relaxando e esqueci a pressão dos meus pais, fiz alguns colegas novos e todos juntos fomos para o primeiro ponto de encontro, as atividades estavam começando e nada de encontrar Kate. Resolvi procurar por ela na cachoeira e lá estava ela, escrevendo algumas coisas de forma misteriosa.

Te procurei hoje cedo, ainda caçando aliens? — Perguntei ao me aproximar.

Nossa me perdoa, eu me empolguei com o clima de manhã e perdi o sono — respondeu de forma engraçada — E sim, estou caçando aliens — Disse rindo, sua risada era um som que eu poderia ouvir eternamente.

Eu descobri que não estou interessada em fazer arvorismo hoje, podíamos explorar o camping juntas.- Eu não sabia muito bem o que estava fazendo.

Acho uma ótima idéia — Respondeu Kate fechando sua agenda e caminhando até mim.

Nos olhamos por alguns instantes e parecia que eu já a conhecia de outro lugar, num sonho talvez, nada fazia sentido e ao mesmo tempo tudo estava melhor depois que a conheci. Andamos por entre as árvores, rindo e falando sobre nossas vidas entediantes, ela era mais nova, mas éramos muito parecidas, me senti a vontade tão rápido que me surpreendi de como eu era capaz de falar por horas e não me cansava. Ouvir suas histórias era tão fascinante para mim que não percebi que havia algo nos seguindo, quando olhei para ver o que era, desapareceu; nos olhamos assustadas e corremos aos risos de volta ao alojamento.

A instrutora Roberta indagou nosso afastamento e quis saber o que estávamos fazendo, achei que ficaríamos encrencadas, mas foi tranquilo. O dia passou voando e logo a lua surgiu, fui tomar banho no banheiro coletivo, que ficava um pouco afastado do quarto, enquanto lavava o cabelo, eu senti que algo aconteceria com Katerine, meu coração disparou e eu fui atrás dela, ela estava sentada na escada que dava para o quarto, olhando pro céu e parecia assustada. Conversamos pouco, ela não parecia estar bem, como se estivesse sentindo o mesmo que eu. Fomos dormir e dessa vez acordamos no mesmo horário, antes de todo mundo.

Emily, vamos, quero te mostrar uma coisa — Disse Kate me entregando uma fatia de pão com geleia.

Comi enquanto seguia ela, não conversamos no caminho, ela estava séria, mas quando chegamos no meio do bosque, ela segurou na minha mão e susssurou:

—Você precisa me ajudar.

A princípio eu não entendi, mas logo ela me explicou que em suas pesquisas havia uma previsão de que algo incrível aconteceria ali e ela queria presenciar, mas para isso teria que ir para uma parte isolada da mata e eu teria que despistar as instrutoras. Concordei rapidamente, mas fiquei preocupada, não era seguro e eu havia acabado de a conhecer.

Voltei para o alojamento e resolvi contar para Jeniffer que iria com ela para a missão. Meus amigos estavam mais empolgados com as atividades do que com minhas peripécias românticas, então foi mais fácil do que imaginei. Arrumei uma bolsa pequena e coloquei comida suficiente para mim e Kate.

Quando contei que iria com ela, seus olhos brilharam, notei que ela não estava acostumava com aceitação rápida de ninguém até aquele momento então era surpreendente que alguém acreditava nela, mas eu acreditei e queria ver o que iria acontecer.

A noite veio rápido e tudo o que eu conseguia pensar era que finalmente estava em um encontro, estranho, porém fascinante. Me senti uma completa idiota por estar pensando sobre isso enquanto ela se preocupava com algo muito mais relevante. Ela havia se encontrado com um Ufólogo em uma reunião há uns meses e ele lhe deu o seu livro de relatos, segundo ela, Marcos estava tentando contato através das plantações ao redor do bosque e conseguiu o primeiro contato na Cachoeira. A descrição era confusa, luzes e sons agudos era tudo o que eu consegui entender, porém pra mim nada daquilo fazia sentido. Porque afinal ela queria ser abduzida? Comecei a pensar que eu que era a estranha, ela tinha uma convicção tão grande sobre aqueles relatos, não pude simplesmente ignorar.

Seguimos para uma área aberta da mata, montamos nosso pequeno acampamento e acendemos uma fogueira, o ar estava fresco e confortável, o céu muito estrelado, não achei que era possível ver tantas estrelas, mas Kate sabia sobre as constelações e conversamos sobre isso até pegarmos no sono. Era o segundo dia do acampamento e no dia seguinte teria a noite da fogueira oficial, então todos dormiram cedo no camping.

Acordei no meio da noite com um som estranho vindo de fora da barraca, olhei meu relógio eram exatamente 03:03 da manhã, assustada observei por um pequeno buraco no tecido e vi novamente algo não identificável.

Kate, acorda, tem algo lá fora. — sussurei.

Quando acordou, Kate logo abriu a barraca devagar e seu caderno, que por um descuido tinha deixado do lado de fora, estava aberto. A página 233 fora arrancada e um desenho estranho foi colocado no lugar. Os olhos de Katerine simplesmente explodiram de medo e empolgação. Era o sinal que ela precisava, eles a viriam buscar, ela repetiu isso algumas vezes e começou a escrever intensamente durante toda madrugada.

Entre cochilos eu a fitava, queria entender porque era tão importante esse contato se não poderíamos contar para ninguém. Então resolvi abrir o jogo:

Olha, eu não te conheço e acabei me jogando nisso sem entender, mas afinal porque você precisa tanto desse contato?- ela me encarou confusa e cansada, fechou o caderno e sentou mais perto.

—Emily, eu sabia desde criança que estava destinada a algo grande, sempre me interessei em pesquisas científicas e principalmente sobre vida alienígena. Meus pais se separaram assim que nasci, então eu não tinha onde depositar minha confiança. A ufologia foi meu refúgio e finalmente descobri o que todos querem entender. E se eles me aceitarem espero fazer parte de tudo isso, mesmo que ninguém saiba. Permiti que você se aproximasse porque vi nos seus olhos que você estava sentindo o mesmo que eu, dessa maneira, mesmo que não queira, já está envolvida e ninguém aqui vai poder me ajudar se não você.

Sua resposta me deixou com muitas outras dúvidas, mas os pensamentos foram interrompidos pelos gritos de desespero vindos dos alojamentos.

Corremos para ver o que acontecera, meu corpo tremia e eu sabia que não era algo bom.

Ao chegar no ponto de encontro todos estavam de pé, uns gritavam, outros choravam e as instrutoras tentavam a todo custo manter a calma, pois isso não havia acontecido antes. 7 crianças, estavam caídas no chão em posições que dificilmente alguém vivo faria, seus olhos estavam totalmente petrificados e brancos, mas não havia sangue ou hematomas em seus corpos.

Me aproximei de um deles e o cheiro era mais forte que o formol de uma das aulas de ciências que tive na escola. Kate estava perplexa, seus olhos estavam verdes de medo, nós éramos as únicas que sabíamos o que poderia ter acontecido e não podíamos ajudar.

—Vamos Emily é perigoso ficar aqui.

—Kate, não podemos voltar pra lá, eles vão nos matar também.

—Não, ninguém vai machucar você.- gritou kate totalmente alterada.

Amanheceu e conseguíamos ouvir de longe os sons das sirenes, policiais, bombeiros, investigadores e todos os órgãos de pesquisa paranormal agitaram o camping.

Não me senti confortável de dormir perto de kate e ela apenas apagou. Seu semblante era calmo, mas a cada 10 minutos ela tinha um espasmo, como se estivesse tendo um pesadelo. Tentei organizar as informações que tinha, porém tudo se baseava no que eu sentira e achava, nunca acreditaram em mim.

Levantamos e nos alimentamos, eu não sabia ainda, mas era o dia.

Desfizemos o nosso acampamento e caminhamos de volta para os alojamentos sem despertar suspeita. Meus amigos estavam desesperados a minha procura e assim que me viram correram para me contar que os pais viriam nos buscar e que o camping seria fechado para investigação. Arrumei minha mala o mais rápido que consegui e procurei Kate pelo refeitório, ela conversou com a instrutora alegando que seu tio a viria buscar, mas era mentira e eu sabia.

Antes que eu pudesse dizer algo, ela me agarrou pelo braço e me levou para trás da cabana e me beijou. Foi um beijo intenso, suas mãos me seguravam como se eu fosse algo de extremo valor, seus lábios eram macios e nossa sintonia era a mesma, parecíamos estar dançando e eu senti que estava destinada para viver tudo aquilo.

Quando o beijo acabou, ela me encarou carinhosamente assustada e disse para eu encontrá-la em 15 minutos no início da trilha para a cachoeira; e se afastou.

Foi certamente o momento mais confuso da minha vida e eu só esperava viver uma pequena aventura adolescente em um acampanento de férias…

Quinze minutos se passaram e estava eu a esperando no início da trilha, pedi para Caio avisar meus pais que eu não demoraria a voltar, mas nada de Kate. Esperei por mais 30 minutos e meu coração parecia que iria explodir no meu peito. De repente a tarde virou noite e tudo se apagou. Nenhum som ou luz vindo do camping, corri para ver o que estava acontecendo e todos estavam caídos no chão desacordados. Procurei por Kate e não encontrei. Parecia um pesadelo, meu estômago embrulhou e vomitei tudo que havia comido, o desespero tomou conta de mim, senti uma dor de cabeça muito forte e ouvi a voz de Kate me chamar.

Corri para a trilha no bosque e as árvores pareciam mais altas, de repente tudo era gelado e eu corria em câmera lenta, segui o mais rápido que conseguia, mas meu corpo não me obedecia, a sensação de embriaguez ficava mais forte a cada passo e finalmente entendi que durante o beijo Kate me drogara. Pensei ser algo da minha cabeça, como tudo aquilo parecia ser, mas era real.

Cai no chão e estava na cachoeira, avistei kate e tentei correr até ela mas já era tarde…

Luzes e sons agudos foi apenas o que eu entendi, eu ouvia sua voz repetindo que ficaria bem e que todos ficariam bem. E em uma nuvem de fumaça Katerine desapareceu.

Me encontraram desacordada horas depois, com o caderno na mão. Todos do acampamento estavam bem, mas não se lembravam de nada, os bombeiros me colocaram na ambulância e segui para o hospital.

Chegando lá, encontrei meus pais, preocupados e assustados, eu estava bem, mas algo meu se partira para sempre.

“Emily, eu sonhei com você. Sonhei com esse momento a minha vida toda e você estava lá. Todos os sinais indicavam que era você que eles queriam, mas eu ignorei, era o meu sonho. Infelizmente sete pessoas tiveram que pagar por isso, mas tudo ficará bem.

Você vai conseguir seguir e logo menos eu serei apenas uma lembrança.

Como um último favor, entregue este livro nas mãos de Marcos Augusto Liberato e se certifique que ninguém a não ser ele tenha acesso a essas anotações.

Obrigada por me procurar e tenha uma ótima vida.

Com amor, Katerine caçadora de aliens”

Os boatos de que kate havia matado as crianças, drogado todo mundo e se matado, se espalhou rapidamente, mas isso não era importante, nunca foi. Ela não se importava com o que pensavam sobre ela e eu também não me importei com o que pensariam de mim.

Por muito tempo segui sem propósito, acreditando que deveria apenas viver uma experiência boa e continuar existindo em uma vida pequena e que nada de interessante me aconteceria. Mas o que eu não sabia era que eu estava destinada a coisas muito grandes ainda e esse segredo não seria guardado por muito tempo...

Notas finais
Fiquei muito tempo sem escrever e foi muto divertido escrever sobre esse tema assim rapidinho. Espero que tenham gostado e se tiverem alguma sugestão ou dúvida por favor comentem. Obrigada por lerem e até a próxima. Beijos de luz ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!