Caçada

12 Único jeito.


- Isso é loucura Thalia. Você sabe muito bem disso! – falei, dando um passo para trás ao ouvir a ideia de cheirico de Thalia. Era loucura mesmo. Ah Thalia, se não tivesse se tornado uma das minhas melhores amigas, eu teria lhe dado um tapa.

- É o único jeito, Penny. E você sabe disso. – disse ela, me lançando aquele olhar faiscante. Tão faiscante que pequenos raios saíram de seus olhos e caíram perto das minhas roupas.

E era verdade, era o único jeito.

Acho que devo estar dando um pouco mais de drama que o necessário. Estávamos escondidas atrás do Grande Polegar de Zeus, tentando proteger a bandeira. Tínhamos nos aliado à Hefesto, já que seus filhos estavam forjando muitas novas armas para as Caçadoras e trocado alguns horários conosco. Thalia e eu tínhamos ficado encarregadas de cuidar para que ninguém chegasse perto da bandeira, já que Paul havia visto nós duas lutando com um monstro que tentava chegar à fronteira do Acampamento. O Acampamento agora estava sendo cada vez mais e mais atacado, com frequência.

A loucura que Thalia estava pensando era que, já que Bruna, as escondidas, usando seus super poderes da noite havia espionado o outro time, soube que Sebastian era encarregado de vir atrás da Bandeira. Thalia tinha uma ideia, já que percebera que Sebastian tinha uma minúscula quedinha por mim, achou que eu poderia tentar distrai-lo.

O lado ruim era que Sebastian era muito bom em ataques, mesmo que fosse eu quem estivesse por trás. O lado pior ainda, eu não conseguia falar com ele, não sem ser sarcástica e fazer com que ele se revoltasse e saísse sem me dizer uma palavra, tal como no dia em que eu fui para o pequeno riacho, pedir ajuda para um sátiro e Sebastian estava lá, tentando ser um cavaleiro e dizendo que poderia me ajudar. Entrei em pânico e comecei a dizer que eu precisava de uma coisa melhor que músculos e beleza. Que eu precisava de cérebro e habilidade. Ele ficou irritado e me mandou ir para o Tártaro. O lado horrível, por algum motivo eu poderia ver estampado nos olhos dele a mensagem de minha mãe, com um toque de Afrodite dizendo que “até que ela gostava um pouquinho de mim”.

Era loucura, a ideia toda. Mas Thalia era minha tenente, então eu deveria fazer o que ela mandasse. Com um longo suspiro, concordei com a cabeça e acariciei minha tiara, sentindo falta de Nevasca. Os lobos das Caçadoras deveriam ficar longe do jogo, para não atrapalhar o restante de nós.

- Certo, mandona. – resmunguei.

Thalia sorriu por um segundo mais e se certificou que algumas águias a ajudassem a guardar a bandeira, enquanto eu pulava da arvore onde estávamos e começasse a ir para onde Bruna tinha nos dito que Sebastian estava escondido.

Comecei a tremer de medo e de ansiedade. Tomara que ele não esteja tão bonito quanto estava ontem, fiquei repetindo várias vezes para mim mesma, tomando folego e indo para os arbustos perto da onde Sebastian estava. Ele observava o Grande Polegar do lado oposto, de modo que não sabia que eu estava escondida na arvore no oeste.

- Tentando arrumar um jeito de enganar as Caçadoras, Solzinho? – perguntei carinhosamente, com a porcaria do sarcasmo na língua. É, aham, o sarcasmo havia voltado.

Sebastian deu um pulo, colocando a mão no coração e me olhando amedrontado.

-Di immortales. Peste, poderia fazer barulho quando se aproxima, como um humano normal. – resmungou ele, me olhando aborrecido. Odiava quando eu o surpreendia.

Mordi os lábios e dei graças à Nyx por estar escuro o suficiente para ele não ver que eu estava um pouco nervosa. Mas eu poderia ver sua reação. Um dos dons que eu havia conquistado virando Caçadora.

- Sinto muito, florzinha. – falei lançando lhe um olhar.

Ele revirou os olhos no escuro, dando um minúsculo sorrisinho.

- É a minha distração? – perguntou ele.

Caraca, o cara sabia muito bem raciocinar. Nada mal.

- Talvez, quem sabe. Acha que pode ser distraído por mim? – perguntei com sarcasmo, dando vários passos para trás e ficando mais nas sombras.

Ele considerou a pergunta por alguns segundos.

- Acho que sim. – concordou com um suspiro no final.

Aquilo me deixou mais que nervosa.

- Então deixe-me que eu te distraio. – falei sarcasticamente, tomando meu pingente e pressionando o P.

Minha grande descoberta foi que o Pingente era magico. Se transformava em uma foice que, ao tocar qualquer parte do corpo de alguém, congelava-a por alguns instantes, dando-lhe um frio intenso e, logo mais, uma doença horrível que a deixava com gripe, pneumonia e outras doenças relacionadas ao frio. Tudo ao mesmo tempo. Ainda fico com pena em pensar no coitado do Minotauro que havia tentado entrar no Acampamento.

Os olhos de Sebastian me avaliara, como se me visse pela primeira vez.

- Opa opa, Rainha do Gelo. Está mesmo tentando atacar, com essa foice maldita que congela tudo e causa doenças, justo com o filho do Deus do Sol, da Musica e da Medicina? – perguntou ele.

Dei um sorriso.

- É isso que estou fazendo mesmo, meu bem. Você é mesmo lerdo, não? – provoquei.

Eu sabia o que viria a seguir, sabia que ele iria pegar o bendito arco-flecha que conseguia convocar de qualquer tipo de luz, até mesmo na luz da lua. Me era estranho que Artemis havia dado benção ao sobrinho, mas eu não podia dizer muita coisa. Havia descoberto que Perséfone, Deméter e Zeus tinham me dado suas bênçãos. As duas primeiras para se desculpar com minha mãe.

- Venha cá tentar me derreter, Reizinho do Sol. – falei em tom de carinho, provocando-o novamente.

Ele atacou. Suas flechas tentaram me pegar, mas eu era rápida, e imortal. Dificilmente caia em batalha. E eu possuía a tiara a meu favor, que me protegia de qualquer coisa que fosse feita de fogo. Até mesmo fogo grego. Eu adorava essa bendita tiara.

Vendo que minha foice não tinha muito o que ser utilizada, apertei novamente o P e desativei seus poderes, voltando a guarda-la em meu bolso. Peguei meu próprio arco-flecha e sorri. Seria fogo contra fogo, por assim dizer.

Ele atirava mais e mais flechas, mas eu as interceptava com as minhas, que, em contado com as dele, fazia com que ambas explodissem em faíscas que queimavam e que gelavam, ao mesmo tempo. Era isso que se dava por sermos o oposto um do outro.

Eu atacava também, já que tinha a “imortalidade” ao meu lado e conseguia ser mais rápida do que ele, ver melhor do que ele. Conseguia atirar três flechas de uma vez, enquanto ele só conseguia atirar uma.

Ele desistiu de tentar me deter e atirou o arco-flecha no chão. Eu pensava que estava tudo bem, que eu tinha ganhado. Mas então ele se direcionou para frente, dando um pulo e fazendo com que eu caísse. Senti todo o seu corpo em cima do meu.

Fitei-o, assustada e ele retribuiu o olhar, com malicia. Malditos Apolos.

- Esta caída em batalha, Rainha. – sussurrou ele em meu ouvido.

Aquilo me fez rir. Não estava caída em batalha. Ah não. Eu estava mais ou menos, digamos, criando uma estratégia de batalha.

- Ainda não, meu amor. – sussurrei para ele e o virei, ficando dessa vez por cima de seu corpo. Fitei aqueles olhos caramelos perfeitos, que faziam meu estomago parecer uma geada. Mas me recompôs, pegando meu pingente e pressionando-o em sua pele. Ele começou a ficar gelado, mas antes que pudesse vir alguma pneumonia, ouvi o grito de Jessica.

- Ganhamos! – e as vaias e urrus de felicidade do restante dos heróis.

Sai rapidamente de cima de Sebastian, com um sorriso nos lábios. Um sorriso fraco, sem humor.

- Até que você não é tão ruim. – falei para ele. Antes que pudesse responder, me atirei nos arbustos, ficando invisível. Graças a Demeter e Perséfone que eu conseguia me esconder muito bem nas plantas, como se fosse uma ninfa, embora elas se escondessem melhor que eu.

Corri até onde Thalia estava, vendo-a toca alegre. Mas ao me ver meio tensa, seu sorriso se desfez.

- Qual o problema? – perguntou. Revirei os olhos para ela.

- Nada. Mas tenho que admitir que distrai-o bem.

Ela riu, mas eu ainda estava tensa. Tensa pelo fato de ter ficado meio petrificada ao estar do lado de Sebastian. Tensa por ele estar por cima de mim e poderia ter me beijado. Mais tensa ainda, por ter desejado que ele tivesse me beijado.

Maldita Consequência.

Notas finais
Caso alguém fique em duvida, Penny tem cinco bençãos, sendo elas:
Demeter - podendo usar as plantas ao seu favor, foi a voz que a ajudou com June, dizendo que as arvores poderiam vir a calhar.
Persefone - nenhum cão infernal pode ataca-la, por ordens da tia. E consegue ainda por cima, fazer com que eles fiquem ao seu lado na batalha. Descobriu isso quando vários cães infernais estavam no pé do pinheiro, tentando entrar e, quando a viram, não a atacaram. Simplesmente se juntaram a ela e a obedeceram quando mandou-os ir embora. As flores também podem ajuda-la.
Zeus - por ser a amiga de Thalia, Zeus resolveu que Penny poderia ajuda-lo em alguma coisa, assim, deu a benção para ela de que raios não poderiam lhe atingir e que qualquer tipo de Águia viria ao seu auxilio.
Afrodite - Mesmo que não queira, Penny tem a benção de Afrodite. Mas a benção estão em seus olhos. Quem conseguir se aprofundar em seus olhos, vê que ela é alguma coisa boa, de fato. Se sente atraido por ela em um tempo de 10 minutos.
Artemis - por ser caçadora, virou imortal bla bla bla. Pode ver melhor no escuro e mandar mensagens para lady Artemis, atraves da lua.
Enfim, espero que tenham gostado. Particularmente, amo mesmo filhos de Apolo rsrs.