Caverna do Dragão

2 Viagem agradável?


Notas iniciais
Beatriz passou a sua vida inteira, trancafiada em uma gaiola logo aos fundos de uma prisão de intensa vigilância; nunca foi uma pessoa amigável ou sensível e, era comum os guardas observarem ela se contorcer e se equilibrar, pendurada às grades da parte de cima da gaiola. Sempre esperando para ser libertada

Eu ainda era jovem quando a conheci, estava na faixa dos 13 anos, era muito ingênua e sonhadora, e o meu padrasto sempre me deu atenção, satisfazendo à todas as minhas necessidades. Eu estava animada. Pois, ele noticiou que, eu faria uma viagem a um lugar totalmente fora da minha realidade. Por tudo isso, subiu-me uma sede de aventura e o sonho conhecer um lindo príncipe. Meu padrasto, explicou-me que no dia seguinte, uma companheira de viagem me acompanharia por toda a jornada. Desci então as escadas do castelo e fui cumprimentar a minha guia que, na manhã seguinte, prometera buscar-me para irmos à região a qual não era do meu conhecimento.

Minha guia, era uma garota da mesma idade que a minha. Porém, de cabelos escuros e ondulados, e de olhos extremamente azuis; uma pele muito branca e pálida, e de uma beleza peculiar. Eu estava encantada com a sua educação e simpatia, mas logo descobriria que a casca cujo ela possuía, recobria bem mais do que uma alma podre. Ela estava sentada na entrada da carruagem, e afirmou estar ansiosa e surpresa com a minha pontualidade.

Meu padrasto não apareceu em lugar algum a manhã inteira, foi então que optei por viajar sozinha com a minha parceira que, por sinal, não citou seu nome. Quem diria que um dia, ela agiria tão tranquila e serena como naquele momento.

Os dias se passaram, e nós chegamos ao nosso destino. Avistei logo longe, uma montanha, repleta de esculturas de dragões envolta de uma caverna ao centro da mesma. Fiquei bastante admirada com aquelas obras feitas de pedra. Ao entorno do monte, notei que um lago o impedia de ter contato com a região em que estávamos, era uma porção de água pantanosa, próxima à uma floresta um tanto que sombria, abaixo de um desfiladeiro.

Chegamos ao nosso destino, era uma cidade muito aconchegante e alegre, repleta de árvores ancestrais e animais fascinantes; as pessoas nos atenderam generosamente. Minha parceira no entanto, fixava seus olhares em uma estátua terrivelmente perturbadora, que consistia em um homem de cabeça contorcida para trás, com as mãos pregadas ao chão e ajoelhado de boca aberta. Ao vê-lo, fiquei horrorizada e decidi pedir à minha acompanhante para irmos embora, em contraposição, ela respondeu:

–Não recebo ordens de um qualquer que a pouco tempo fui apresentada

Eu fiquei furiosa, e então perguntei:

E quem é você para falar comigo nesse tom?

Eu sou Beatriz Levandovski!

Notas finais
Cece, uma garota levada pelos sentimentos, sempre se desiludia com as pessoas. Portanto, caro leitor, gostaria de pedir-lhe que não tenha pena dela nos futuros acontecimentos, sua ignorância e falta de cooperação serão fatores indiretamente ligados ao seu sofrimento.