Cavaleiro de Sangue
1 Prólogo
Notas iniciais
Konoha é um dos vilarejos pertencentes ao Reino do Fogo, liderados pelo Rei Hiruzen Sarutobi, O Justo. Há 10 anos ele iniciou uma guerra contra um reino rival levando nossos homens e nossos alimentos.
Os bardos contam como essa guerra foi sangrenta e violenta. Muitos pereceram de fome, de cansaço, de sede... Muitos heróis nasceram e o triplo disso morreram, entre eles meu pai e nosso antigo lorde Fugaku Uchiha.
Foram 5 anos de muita labuta, sofrimento, lágrimas e medo. Porém, no dia em que fomos acordados pelos sons das cornetas para recebemos a noticia de que nosso reino havia vencido a ultima batalha, as esperanças se renovaram. Naquela tarde eu vi mulheres sorridentes e ansiosas a espera de seus pais, filhos e maridos. Alguns deles nunca voltariam.
Lembro-me bem do dia em que a cavalaria chegou. Todos correndo ao encontro de seus entes queridos, muitos deles destroçados para sempre, porém vivos. Meu pai não chegou, um soldado nos entregou uma medalha de honra e enquanto a minha velha mãe se dobrava de dor e lágrimas eu permaneci em silencio, a abracei e não deixei que nenhuma gota caísse de meus olhos. Em meio a toda aquela agitação outra noticia fez os ânimos se agitarem, o filho mais novo do lorde Uchiha iria retornar, ele iria nos salvar.
A festa de boas vindas ao nosso novo lorde foi regada com tudo aquilo que não tínhamos em casa: comida e bebida farta, musica para animar a todos e, mais comida. Todos aguardaram ansiosos a chegada do nosso novo lorde, os olhares pregados no horizonte em busca de qualquer sinal do grande salvador.
Ele não apareceu.
Com o tempo descobrimos que estávamos equivocados em nutrir esperanças de um dia melhor, com o tempo descobrimos que a comida não voltaria a ser farta e que continuaríamos morrendo com as pestes que açoitavam os lugares imundos em que vivíamos.
Ele nos abandonou.
Fazem 5 anos que ele não sai do castelo, segundo as santas línguas que nem de seus aposentos, os únicos com permissão para vê-lo são seu escudeiro e a castelã. Algumas das pessoas que lá trabalham dizem que o lugar é nefasto, escuto e frio. Nenhuma vela pode ser acesa em sua presença e suas janelas devem estar sempre fechadas.
Dizem que a noite pode se ouvir passos pelos corredores, urros e gemidos agonizantes pelo castelo, dizem que ele é um monstro.
A excentricidade de nosso lorde, conhecido pelas outras topas como Cavaleiro de Sangue, fez nascer uma lenda que nos protege de invasores. Nenhum vilarejo ou reino vizinho se arrisca a chegar perto da morada do Cavaleiro de Sangue, o soldado que virou demônio.
Se por um lado ele nos salva de ameaças externas, por outro ele nos mata com as internas.
Seus guardas passeiam livremente por nosso vilarejo, extorquindo e ridicularizando os moradores, abusando do poder dado à eles.
Eu tenho medo dele, e mais que isso, tenho nojo.
***
– Bom dia, Sakura.
– Bom dia, Sra. Yamanaka. Vim buscar as hortaliças.
– Claro, claro. Tome aqui, coloquei um pãozinho também...
– Não! Por favor, não precisa.
– Pegue Sakura. Mande lembranças e votos de saúde à sua mãe.
– Claro, obrigada Sra. Yamanaka.
Nós cuidamos uns dos outros aqui, é o único de jeito de sobrevivermos.
Dois guardas me olham de longe e sou obrigada a abaixar a cabeça e ver a barra de meu vestido arrastar sobre as ruas de terra enlameada.
Sou uma figura conhecida por eles. Já paguei por minha “insolência” com hematomas e humilhação pública. Mais de uma vez.
Mas, da última vez eles mudaram o castigo e começaram a afetar os próximos a mim.
Desde então devo me curvar e fazer de tudo para que meus pensamentos não se tornem palavras ditas. Desde então eu perco horas pensando em como livrar esse povo fraco e faminto das garras de um homem cruel e sujo, nós estamos morrendo, e vamos morrer até que não sobre ninguém para contar as histórias de horror sobre ele, sobre o terrível lorde Uchiha. Eu penso, mas não encontro solução.
A certeza que tirei de todos esses anos é que servimos á um lorde sem rosto, sem escrúpulos, sem decência e – espero — amaldiçoado por ser um monstro.
– Mãe, cheguei.
Coloca as sacolas de hortaliças na mesa de madeira e conto o que recebi pelos serviços na casa da Sra. Yamanaka.
3 moedas, não é o suficiente até o próximo serviço.
– Mãe?
Coloco meu xale na cadeira e sigo com a metade do pão que ganhei até o quarto de minha mãe.
A tuberculose a mata aos poucos e a tosse seguida de sangue me lembram de que meu orgulho não nos deu nada, que não temos nada.
Corro pegar um copo de água para ela, enquanto seus pulmões reclamam de dor e ela sofre.
Eu sofro.
A ninando para que pegue no sono novamente, eu deixo as lágrimas verterem. Lágrimas de angústia e derrota, lágrimas que não deixo cair na frente de mais ninguém.
Eu juro que não queria isso. Não queria ter que me sujeitar a tal coisa, mas já não tenho escolha. Passarei por cima do meu orgulho para conseguir algo de melhor para minha mãe, preciso fazer isso por ela, por mim e por todos.
Somente com uma sopa de alface forrando meu estômago, eu me sento no telhado observando nossas terras. Meus olhos percorrem as muralhas inalcançáveis, a pequena floresta perto do castelo e as torres que o compõem.
Um gosto amargo toma a minha boca só de imaginar o que terei de fazer. Mas eu conseguirei, farei o que for preciso mais conseguirei um emprego naquele lugar imundo.
Solto um suspiro voltando meu olhar para as estrelas, acredito que meu pai me olha de lá e que um dia ele vai me dar um sinal.
Mas esse sinal nunca vem. A única coisa que vejo é o brilho incandescente da Prócion, a estrela do Destino.
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