Notas iniciais
Oi pessoas!! Uau quanto tempo!!! Nos desculpem TT Sabe o que é? hihihi não é coisa ruim tá? A Manu (Nihal) vai virar sensei!!! uhuuuull!! Ela estava num processo para conseguir o mestrado dela e conseguiu!! Palmas pra ela!!!! Estou orgulhosa! Desculpadas? Bom, o que dizer da Haru Chan??? 3 caps e ela já faz uma recomendação daquelas??? Gatona!!!!!! Muuito obrigada minha querida!!! Este capítulo é todo dedicado à você *--* Boa leitura ;)

O dia mal havia amanhecido e Sakura já estava de pé. 

Passou a noite toda tendo um sono interrompido com pesadelos que habitavam aquela figura grande e o lobo.

"Aquele era o Lorde Uchiha?" 

Não queria pensar naquilo, mas a cena foi intensa o bastante para a tomar em qualquer momento de distração.

Mesmo que não tenha visto seu rosto, sentiu um medo tão grande como se estivesse mesmo visto um monstro.

Seu coração palpitava só de lembrar-se da noite anterior.

Limpou se quarto e abriu a janela para arejá-lo, precisava sair daquele lugar antes que sufocasse.

Mesmo que limpasse cada canto e tentasse iluminá-lo, ele ainda assim seria imundo, pois havia algo sombrio escondido naqueles cantos, impregnado naquelas paredes. Algo que contribuía para que o ar gélido naquele castelo de pedra ficasse ainda mais gélido.

Estremeceu balançando a cabeça tentando fazer com que as sensações ruins fossem embora e os pensamentos fossem levados para longe. Hoje iria ao vilarejo com Naruto e iria espairecer.

– Bom dia, Sra. Tsunade. — Sakura cumprimentou a mulher que terminava o café afobada.

Sakura pensou sempre a ver assim.

– Bom dia, vejo que madrugou. — Tsunade diz sem olhá-la mexendo rapidamente num tacho.

– Dormi cedo. — Sakura respondeu baixo se servindo de um pedaço de pão sovado.

– Bom dia! —  Naruto entrou todo fardado e pegando um pedaço de bolo recheado que Tsunade acabou de colocar na mesa.

– Não fala de boca cheio, garoto! — Tsunade ralhou mostrando a colher de pau.

Sakura não riu dessa vez, estava hipnotizada com a visão do chefe da guarda naquelas roupas que ela aprendeu a repudiar. Ele passava muito poder, apesar do sorriso zombeteiro que possuía. A farda bem engomada e passada dava uma seriedade que Sakura achou que não existisse em Naruto.

– Sakura, está pronta? — perguntou tirando-a de seus devaneios.

– Oh, sim. — respondeu um pouco mais azeda do que precisava, mas Naruto não percebeu.

– Voltem antes do almoço não quero... você sabe!  — Tsunade fez o sinal da cruz virando-se para sua panelas.

– Vai ser rápido, mas se não voltarmos deixe o prato dele na mesa que eu levo. — Naruto revirou os olhos.

Dentro da carruagem, Naruto reparou curioso que Sakura havia prendido bem os cabelos e os escondeu por baixo de seu xale puído. Preferiu não comentar.

– Dormiu bem? — perguntou depois de se sentir incomodado com o silêncio, mas tudo o que pode ouvir era o trotar dos cavalos que os puxavam.

Sakura permanecia quieta, olhando para a paisagem bonita e intocada da floresta de pinheiro, seu maxilar se enrijecia a cada olhar indagativo de Naruto.

– Sakura? Está chateada com o que aconteceu ontem? — perguntou sem jeito coçando a nuca — Mas é que o Sasuke é meio...

– Não tem nada a ver com o que aconteceu ontem! — rugiu quando ouviu o nome do lorde amaldiçoado, como se a lembrança da aparição dele tivesse agido como um gatilho sobre a tensão no corpo de Sakura e ela não conseguiu mais controlar a língua — Veja bem, Sr. Chefe dos guardas — começou com desdém deixando Naruto confuso — eu não sou uma hipócrita e não quero ser submetida a ser transformada em uma acreditando nestes teus sorrisos. Não quero participar de sujeira que vocês vivem. Por isso, peço que me ignore. Não sou fraca para ser manipulada como vocês estão acostumados a fazer com as outras pessoas...

A carruagem parou e Sakura pulou para fora na mesma hora fechando o xale com mais força em torno da cabeça enquanto Naruto a olhava desnorteado.

– Estarei lhe esperando neste local.

E saiu da carroça sem dizer mais nada.

Naruto não entendeu absolutamente nada sobre o comportamento rude da rosada, depois de alguns minutos para recuperar do choque saiu da carruagem e foi recepcionado por guardas que fizeram uma leve reverencia.

– Sir Naruto do clã Uzumaki, não nos avisou sobre sua visita– disse um mais próximo dele.

– Não preciso avisar – respondeu ríspido enquanto reparava que as pessoas andavam de cabeça baixa e saiam furtivamente de perto dos guardas, como se sentissem medo.

– Claro senhor. — respondeu assustado de cabeça baixa.

– Onde está o Hiashi? – perguntou autoritário.

– Está na cidadela.

Sem responder Naruto foi em direção na pequena construção de pedra, olhou com surpresa e raiva para as ruas sujas, as pessoas esfarrapadas e para a quantidade de pedintes que se aglomeravam nas calçadas cheias de lama usando trapos.

Entrou sem bater a porta e encontrou o homem debruçado sobre papeis e moedas.

– O que é isso?

O “braço direito” de Naruto na Guarda Real, Hiashi Hyuuga levantou os olhos perolados e encarou o outro com o melhor sorriso amarelo que conseguira dar.

– Naruto? não sabia que viria hoje, faz muito tempo que não vem até a vila.

– Cuidar o Soberano destas terras me ocupa muito tempo, e é para isso que mantenho você aqui. – disse ele num tom seco – quero saber por que as pessoas estão fugindo dos meus guardas na rua, e que dinheiro é esse.

O outro endireitou a postura e fez sinal para que os dois guardas que ali estavam saíssem da sala deixando-o a sós com o Chefe.

– Bem Naruto, como você mesmo disse...

– Senhor.

– Como o senhor mesmo disse, passa muito tempo longe daqui. E bem, tivemos uns contratempos...

– Que tipo de contratempos?

– As pessoas da vila estavam se tornando rebeldes, já que o nosso querido Lorde não aparece para dar suporte – disse ele escolhendo as palavras – então tivemos que ser mais rigorosos para manter a ordem.

– Você deveria me manter a par de qualquer contratempo com os habitantes da vila.

– Ah, não queríamos levar preocupações baratas.

– Não parecem ser baratas pela forma que vi o povo nas ruas.

O homem forçou um sorriso.

– Veja Naruto, você é muito jovem para entender certas coisas... eu já vivi mais guerras do que você pode imaginar e acredite, quando o povo se rebela, não há governante que os ponha no lugar.

– E qual é o lugar deles para você? – perguntou o outro já irritado pelo que estava descobrindo.

– Na sarjeta.

Foi o ponto para ele explodir.

– Na sarjeta? Quem você pensa que é para colocar pessoas na sarjeta Hiashi?

– Sou o homem que os vê todos os dias, eles não são confiáveis Naruto.

– Eles são mulheres, crianças, idosos e homens que trabalham para sustentar essa vila! – cuspiu Naruto com raiva.

– Não trabalham tanto assim, o que ganham mal dá para os impostos.

– Impostos? Sasuke cobra poucos impostos! – então seu olhar se voltou para as moedas em cima da velha mesa – Não me diga que...

– Foi uma forma de castigo, mas eu iria me reportar ao senhor, obviamente e ver o que pensa disso.

– Penso que é uma insensatez. Voltarei daqui a cinco dias e não quero ver uma só sombra da sua sujeira nesta vila. Não se esqueça de quem serve o Lorde, e o Lorde não é complacente com ladrões e aproveitadores. E outra, espalhe a noticia de que precisamos de empregados no castelo, isso irá animar o povo.

Saiu antes que o outro pudesse responder e voltou irritadiço a carruagem, não queria ver o sofrimento das pessoas e nem o medo em seus olhos.

“Por deus Sasuke, o que você fez aqui”- pensou enquanto via uma Sakura de braços cruzados olhando tristemente as ruas a sua volta. Teriam muito que conversar.

~~

– O que ele disse? – perguntou Satoru.

O homem bufou furioso.

– Aquele moleque ainda nem saiu das fraldas e quer mandar em mim, ameaçou-me caso não parasse de cobrar os impostos.

– E o que faremos? Não poderemos tomar o governo do reino sem dinheiro, e o que arrecadamos até agora é muito pouco. Os guardas também não estão contentes porque diminuímos seus honorários.

– Acha que ficariam ao lado deles se houvesse uma guerra?

– A honra de um homem tem um preço bastante alto Hiashi, para lutarem por nós, teríamos de pagar três vezes mais o que o Lorde paga e não sabemos quanto dinheiro ele dispõe para aumentar a oferta.

– Não ficarei sendo empregado de um Lorde que nunca sai de sua casinha de bonecas, nem de um fedelho como Naruto. Eu tenho outro plano, precisamos ganhar a confiança de Sasuke para então conseguirmos vantagens, assim o derrubaremos mais rápido.

– E como faremos isso? Ninguém tem autorização para ve-lo.

– Não acha que viver de prazeres com uma castelã é algo muito baixo para um Lorde?

– Não entendi onde quer chegar...

– Sasuke precisa de uma esposa, e eu tenho a mulher perfeita para isso. Vamos coloca-la no castelo para “ajudar”, já que estão precisando de empregados.

– E quem é a mulher?

Hiashi sorriu com o olhar distante.

– Minha filha, Hinata.

***

Sasuke passara o dia inteiro no quarto da mãe, tinha esperança de ouvir aquela voz doce cantar novamente, mas ela não cantou. Sabia que era a mulher que estava na escada na noite anterior, o lobo nunca errava.

Suspirou e voltou aos seus aposentos, estaqueou na porta quando ouviu vozes no andar inferior, Naruto e a dona da voz doce, parou para ouvir o que tanto falavam e conseguiu sorrir ao saber das reclamações da mulher sobre a sujeira e o cheiro do lugar.

“Esse Lorde deve feder a mofo!” ouviu-a dizendo e logo depois uma Tsunade ralhando abertamente e rezando para não “acordarem a ira do Lorde com palavras pecaminosas!”.

Será que ele era uma pessoa tão ruim assim? Ela não sabia da sua historia, da sua dor, não sabia que ele não conseguia dormir sem ver uma imensidão de sangue, sem sentir a dor das espadas em seu dorso, sem sentir a textura da carne humana sendo furada, e rasgada.

Resignado voltou para o quarto, percebendo pela primeira vez um cheiro pútrido e incomodo. Talvez a deixasse limpar, só para ver se ficaria melhor.

***

Naruto não acreditava nas coisas que Sakura havia dito durante o caminho de volta, então ele pode finalmente entender sua dor e sua angustia. Mas, sendo quem era não deixaria as coisas continuarem daquele jeito, Sasuke teria que entender que seu luto não poderia durar para sempre, caso contrário levaria todo o reino para a morte certa.

Autorizou a contratação de novos empregados sem nem falar com o amigo sobre o assunto, aquilo poderia esperar. Autorizou a limpeza do castelo – para uma Sakura muito animada – e também mandou que procurassem um novo jardineiro.

Depois de deixarem as duas mulheres em polvorosa ele decidiu que seria a hora de enfrentar o demônio da casa, subiu as escadas e logo bateu na porta do quarto.

O encontrou sentado na poltrona ao lado da lareira que crepitava com o fogo, ali dentro estava quente. O lobo levantou a cabeça e voltou a dormir quando viu que o visitante era Naruto.

– Como foi na vila hoje? – perguntou Sasuke sério.

– Sasuke, precisamos conversar.

Depois de muita discussão e ameaças Naruto conseguira fazer Sasuke entender que o povo da vila precisava ser tratado de forma melhor e assim contrataria alguns para dar vida ao castelo, mas, para a surpresa do loiro não fora preciso se esforçar tanto assim, Sasuke parecia querer algo novo, mas, levou um verdadeiro susto quando este falou de seu desejo.

– Acho que quero que limpem o quarto.

– Naaai???? – o susto que ele levou foi tão grande que acabou pisando no rabo do lobo, o que o levou a uma sessão de medo perante as garras do animal.

– O que tem demais Naruto? e quero que mande a nova empregada me arrumar banhos quentes, todas as noites.

Os olhos do outro se arregalaram.

– Vai contar a ela? Vai deixar que ela o veja?

– Não tolo, ninguém além de você pode saber do meu... segredo. Ela pode arrumar no canto do quarto, assim não me verá.

– Certo – respondeu ele ainda incerto – posso saber o porquê da mudança?

– A ouvi reclamando, não quero que os habitantes daqui ou os meus inimigos pensem que eu cheiro a mofo...

Naruto gargalhou alto ao ouvir tais palavras, era quase, quase como ter seu velho amigo de volta.

***

Sakura se sentia exausta depois daquele dia. Havia comprado mais um vestido mais grosso para o inverno e uma manta, conversou bastante para conseguir um desconto e guardou o que sobrou em um bolsinha de couro para dar à mãe no fim de semana. A volta para o castelo foi silenciosa e Sakura agradeceu por Naruto estar carrancudo e pensativo, isso o deixava quieto e ela não estava com humor para ser simpática com ele naquele momento, apesar de deixar algumas reclamações saírem de sua boca á intervalos, mas Naruto não as rebatia.

Quando chegaram, Naruto passou as ordens de forma seca e objetiva e levou o almoço do lorde para o quarto dele, Sakura e Tsunade comeram juntas rapidamente e correram começar a limpeza do lugar.

Parecia que mesmo que tirasse todos os balaústres cheios de teias e limpasse cada canto daquele lugar, ainda sim não deixaria de ser imundo, tanto pelos segredos dele quanto pelo clima ruim que existia naquelas paredes. Ficou tentada a acender alguns archotes, mas Naruto a deteve dizendo sério para que não abusasse. Ao invés de se sentir com medo, se sentiu desafiada a fazer mais, mas deixou-o para trás e foi terminar seus afazeres.

O sol já tinha se posto e ela estava sem fome. Juntou seu vestido mais surrado e foi para seu canto.

Abriu o pequeno portão que dava acesso ao jardim e ao túmulo de Mikoto Uchiha. Respirou aquele ar como se ele purificasse seu interior e pô-se a se ajoelhar na terra úmida para ará-la.

– Boa noite, Dona Mikoto! — diz sorridente passando pela pedra com o nome esculpido da mulher. — Bela noite para cultivar tulipas, não acha? O tempo e a terra daqui são ótimos para tal...

Sakura suspirou e sentiu o cheiro da terra molhada. Se sentiu bem do canteiro ser rodeado por um muro alto, isso lhe dava privacidade para falar sozinha e cantar. E foi esse último que começou a fazer.

(...)

Sasuke estava irrequieto naquela noite, a conversa com Naruto havia o deixado pensativo. Porque estava mudando tanto? não importava, um banho e uma limpeza não fariam mal a ninguém. Suspirou irritado quando ouviu a porta se abrindo a voz melosa de Karin o chamando de "Meu Lorde", não a queria naquela noite, então sem dar nenhum explicação foi para o quarto da mãe com seu fiel lobo. Não tivera surpresa maior quando ouviu a doce voz que vinha do jardim. — Ela está cantando — falou para o lobo que já se preparava para dormir — Não, venha comigo. O animal se levantou e acompanhou o dono para fora do quarto, e do castelo.

(...)

Perder-se nas artes era a forma que ela sempre achou para se negar a ver a realidade a seu redor, e as musicas cantadas pelos bardos que iam lá antes da guerra ainda habitavam sua mente. Ainda era uma garotinha sentada no colo do pai enquanto um bardo louro tecia aquelas letras com paixão. A mesma paixão que ela tentava passar em sua voz.

Ela está chorando lá

E eu olhando para ela

Eu sinto meu coração quebrado

Eu não posso fazer o meu mundo se tornar realidade

A maneira que eu olho para ela cai minha alma por ela

cai meu coração quebrado

Eu estou tentando fazer-se realidade

Então volte para mim

A maneira que eu não consigo ver

Eu estou andando em estradas escuras

Andando em sua mente

Então você veio para baixo

Fazer essas coisas agora

Vou dizer-lhe

Como você vai fazer-se realidade

Passos e galhos se partindo do lado de fora fizeram-na parar na hora. Segurou a respiração, não sabia se era de susto ou surpreso, talvez um pouco dos dois. Então, junto com sua voz, os passos cessaram.

Sasuke seguiu a música até o muro do jardim, sabia onde a mulher estava. Estava junto de sua amada mãe. — Não pare de cantar, gosto da sua voz — disse sem pensar no que estava fazendo.

Sakura sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Não sabia se era pelo leve vento que varreu aquele silêncio ou se foi pela voz rouca e forte daquele que a observava.

– Apresente-se. — saiu tão firme quanto esperava, apesar de sentir receio do homem entrar li e querer-lhe o mal.

Ele soltou um riso baixo, ela era muito atrevida.

– Você não dá ordens, não devo me apresentar — respondeu sentando-se junto ao lobo que parecia absorto na conversa.

Sakura segurou firme a ferramenta que usava para arar a terra, como se ela pudesse lhe ajudar a se defender daquele estranho. Respirou fundo pensando nas possibilidades que tinha se corresse dali, mas pelo lugar onde ele estava parado, achava que não teria chances de correr.

– O que quer aqui? — perguntou e sua voz falhou.

Ele ponderou sobre a pergunta. O que Sasuke Uchiha queria ali?

– Eu não sei, talvez alguma companhia, para conversar.

Sakura sentiu seus ombros relaxarem um pouco, mas manteve-se em guarda. Apertou os lábios pensando rapidamente.

– Não te conheço, não tenho assuntos com você. — Soou mais grossa do que pretendia, mas não se arrependeu. Mostrou não ser fraca e amedrontada.

Ele sorriu de canto na escuridão.

– Você está com medo.

– Eu... Claro que não! — respondeu abruptamente se agachando no chão novamente. — Não tenho motivos para ter medo, tenho? — perguntou erguendo a cabeça esperando receosa pela resposta.

– Não, eu não farei mal a você — ele soltou um suspiro pesado — trabalha aqui no castelo?

Sakura pensou bem na resposta. Seria seguro dizer algo dessa importância?

– Não, só gosto de visitar nosso amado lorde no crepúsculo. — respondeu azeda voltando a arar a terra.

Ele arregalou os olhos com a resposta e gargalhou alto. Até o lobo levantou a cabeça pois nunca houvia ouvido a risada do seu dono.

– Visita o Lorde? me parece que não gosta muito dele.

Sakura conteve o riso ao escutar o estranho rindo com tanto gosto e por mais estranho que lhe parecesse, se sentiu confortável em falar com ele. E se tinha algo que a deixava tagarela, era dizer o que pensava daquele homem.

– Na verdade o repudio. O acho um governante da mais baixa índole. Não suporto, sequer, me lembrar que devemos servi-lo. — despejou como ácido atacando a terra com fúria.

Sasuke ouviu as palavras com um baque. A risada cessou na mesma hora e ele sentiu um aperto no peito. Era isso que pensavam dele?

– São palavras muito amargas para quem tem uma voz tão doce. Porque diz isso? Ele cuida do seu povo.

Sakura se pôs de pé na mesma hora e começou a rir sem humor algum.

– Não sabia que deixar seu povo morrendo de fome e na miséria faziam parte de um bom governo. Jamais cheguei a pensar que ter guardas corruptos e abusadores fossem a forma correta de se governar. Além dos altos impostos cobrados para nada. Para nada? Ah, eu ele gasta com as mulheres da vida. Ele pode fazer de tudo, senhor, mas cuidar do povo que o serve, ah isso ele não faz! Nem as caras ele dá, deve ter medo de ser linchado nas ruas. Se bem que acredito que ninguém mais tenha forças para levantar uma pedra... — sentia aquele bolo no estomago. Aquela situação sempre a deixava descontrolada. Estava ofegante, decidiu sentar-se escorada no muro e deixou o jardim por um instante. — Não sei de onde és, senhor, mas aqui não é o paraíso que achou que seria.

Sasuke ouviu aquelas palavras com um enorme desconforto. O que estava acontecendo em suas terras? Porque as pessoas estavam passando fome? Fechou os punhos com força e viu que precisava manter aquela conversa para descobrir mais detalhes sobre seu próprio reino. Seu pai ficaria envergonhado ao saber disso. Parou, pensar no pai doía.

– Não achei que este lugar era deste jeito. Conheci o Lorde a alguns anos e ele acreditava que estava tudo correndo bem por suas terras, vejo que se enganou.

– Ou nosso lorde é muito burro ou muito cego. — Sakura cuspiu indignada. — Como saber de algo que não se interessa em ao menos participar pessoalmente? Todos dizem que ele é um tipo de monstro fantástico. Acreditam que seja um vampiro, um lobisomem, um feiticeiro amaldiçoado... por isso não sai de casa, mas eu não acho que precise ser um ser sobrenatural para ser um monstro.

Sasuke engoliu em seco, aquela mulher o estava deixando sem chão com palavras tão duras. Precisava falar com Naruto sobre tais acusações.

– Tentarei falar com o Lorde. Você nunca o viu?

Sakura soltou um suspiro pegando um graveto no chão e rodando-o no dedo. A lembrança do dia anterior a deixava com um incomodo.

– Não seria saudável à ele se me conhecesse. — ri por um momento tentando apaziguar aquele desconforto que a fazia tremer. — Acho que o vi ontem — disse mais calma — Na verdade não o vi, só de relance. Nunca ninguém viu seu rosto. Ele é deformado? Você o conhece não? — perguntou com infantil curiosidade.

Sasuke mordeu o lábio com força, então não restava duvidas, era a mesma mulher.

– Talvez sua deformação seja na alma — disse baixinho — Eu o conheço melhor do que ninguém. Agora devo me retirar... não me disse seu nome senhorita.

– Ora, você não dá ordens, não devo me apresentar. — Repetiu as palavras dele segurando um sorriso.

Ele sorriu e levantou do chão aonde estivera sentado.

– Não é uma ordem, é um pedido.

Sakura também se levantou. Limpou a sujeira de seu vestido e sorriu.

– Bom, neste caso. Meu nome é Sakura Haruno. Posso, por gentileza, saber o seu agora?

"Seu Lorde" pensou em dizer.

– Espero conversar novamente com você Sakura, tenha uma boa noite.

E voltou para o castelo com o lobo a sua frente, agora teria que encarar Naruto e ter uma boa conversa com seu braço direito.

Sakura correu até o portãozinho para ver o homem com quem falara, mas ele já havia sumido.

Notas finais
Eles conversaram pela primeira vez!! O que esse encontro vai mudar?? Responderei os comentários do cap anterior amanhã ok? Mil beijos da Pan e da Nihal!!