Cavaleiro de Sangue
15 Capitulo 14
Notas iniciais
O lorde de Suna deu o aceno de autorização e uma grande pedra foi arremessada.
Ele assistia com um sorriso sádico o pequeno castelo balançar e os gritos de susto e medo serem verbalizados. Ele gostava daquele som, gostava de saber que detinha o poder e que em breve Konoha seria sua.
Há tempos atrás, recebera a tentadora oferta do rei Kurotsuchi, uma cadeira a seu lado e a mão de sua única filha. A coroa seria sua quando Kurotsuchi falecesse, mas somente se o país do Fogo fosse subjugado. Konoha se encontrava no melhor terreno para invasão, porém fora fortemente guardado por Lorde Fugaku Uchiha antes de partir e depois pelo mito chamado de Cavaleiro de Sangue.
Ele temeu, não iria ameaçar o desconhecido, as histórias contadas pelos bardos faziam até mesmo o grande lorde de Suna acreditar no demônio.
Tanto por sua incerteza quanto pelas tropas de Sasuke que sitiavam seu reino a pedido do rei Hiruzen, ele não atacou. Mas, um momento de distração do comandante de lorde Uchiha e um traidor ganancioso de Konoha deram a oportunidade que aquele lorde precisava para atingir seus objetivos.
Konoha iria cair.
Antes que os inimigos encontrassem coragem, ele gritou por cima dos muros, visualizando os arqueiros de Konoha se posicionarem e seus próprios homens seguirem com o plano do lado direito dos muros.
– Entreguem-se. Somos mais fortes e não terei misericórdia dos tolos que acharem que podem ir contra o lorde de Suna. Essa batalha já está ganha, joguem suas armas…
– NUNCA! — outro grito um homem do lado de dentro do muro e muitos soldados pularam o mesmo para pegar o inimigo num ataque surpresa com suas promessas de morte.
Sasori correu com alguns homens tomando como vantagem o plano de atrair a atenção deles para as catapultas e se esgueirar pelos lados do castelo até avançar para dentro do mesmo.
O Cavaleiro de Sangue não era uma ameaça, era o pensamento que o fazia avançar e sorrir já sentindo sua vitória.
De demônio à covarde, lorde Uchiha estava com as horas contadas. A cabeça daquele maldito seria sua.
***
Naruto engoliu em seco quando observou os milhares de soldados inimigos marchando com as espadas em riste, mas não hesitou. Ergueu a própria espada e fez uma pequena presse aos deuses.
– Não nos abandonem agora — e assim foi a primeira investida.
Juugo gritou alto para chamar a atenção de seus homens e junto do velho amigo se pôs a dançar o que julgava ser sua última dança.
O tinir das espadas eram como música para os ouvidos de todos, e logo a terra enlameada estava tingida de sangue.
A tinta rubra jorrava de cabeças decepadas, braços rasgados e tripas estraçalhadas, aquilo sim era um guerra.
– Juugo! — gritou Naruto para o companheiro que, virando o corpo para a esquerda desviou de um dos soldados que lhe atacava pelo flanco. Abaixou o corpo e girando uma perna derrubou o oponente, para então perfurar-lhe o coração.
O capitão da guarda não relaxou por um segundo sequer, sua espada estava coberta pelo sangue do inimigo, mas, ao passar um rápido olhar pelos corpos caídos ao chão ele soube que só aquilo não seria suficiente. Orou enquanto arrancava mais uma cabeça.
***
– Preparar, apontar, agora! — ouviu-se o grito da arqueira ordenando que todos os outros fizessem o mesmo. Uma saraivada de flechas passou zunindo contra o vento acima de várias cabeças até atingir o alvo. A primeira fileira havia caído.
– Não teremos flechas suficientes! — gritou um dos arqueiros com uma expressão desesperada no rosto.
Hinata sabia o motivo do medo, o inimigo também possuía arqueiros, e muitos de seus amigos agora jaziam com os olhos vidrados. Isso lhe assustava mais do que qualquer coisa.
Uma fecha passou a centímetros de seu rosto, tão perto que ela sentiu a pele rasgar e um fino filete de sangue escorrer. Cerrou os olhos com raiva.
– Se as flechas acabarem, arranquem-nas dos mortos. Os arqueiros não cairão! — brandou ela em resposta levantando seu arco.
– O que é aquilo? — perguntou outra arqueira de cabelos louros se aproximando de Hinata.
A morena olhou para onde ela apontava e inspirou fundo. Dezenas de catapultas se aproximavam sendo empurradas por soldados.
– Estamos mortos… — continuou a loura.
Hinata crispou com irritação.
– Mirem nas cordas! Nas cordas! — gritou apontando para as catapultas — cortem as cordas agora!
Todos os arcos foram apontados para o local apontado e com mais um comando, as catapultas foram inutilizadas.
***
– Sasuke está seguro? — gritou Juugo por meio da poeria e do sangue.
Naruto que acabara de sair de uma luta corpo a corpo observou o outro com vincos na testa.
– Está no castelo!
Ouviu-se ao longe um estrondo e todos os olhos voltaram-se para o lar do Lorde Uchiha. Naruto sentiu o sangue fugir das veias no momento em que viu a pesada porta de madeira cair e dezenas de soldados adentrarem em seu lar. Pode ver de longe uma cabeleira ruiva e reconheceu como ele, Sasori Akasuna.
– Sasuke… — murmurou em preocupação.
Seu minuto de distração foi suficiente para que um soldado lhe desse um murro com força. Ele sentiu o corpo bater contra o chão e uma pesada bota lhe pressionar o peito. Olhou para o seu algoz, ele sorria.
– Matar o chefe da guarda, que honra — e antes de sua espada fazer o giro no ar em busca do pescoço do loiro, outra foi lhe cravada no peito.
Juugo puxou a mesma e deu a mão para que Naruto a segurasse, ajudando-o a levantar.
– Salvou minha vida.
O outro apenas sorriu cansado e voltou-se para os inimigos. Naruto observou o campo de batalha ao seu redor, os corpos, os gritos, guinchos e sangue, em sua maioria, eram dos próprios amigos.
– Tenho que salvá-lo — murmurou para si próprio. Sabia que não conseguiria viver em paz se não tentasse até o fim. E segurando a espada com mais força pôs-se a correr em direção ao seu melhor amigo.
***
As paredes de pedra gélida do castelo ainda vibravam pelo ataque inimigo. Sasuke tateou a parede com uma sensação de desespero e impotência, Titã a seu lado roçava em suas pernas rosnando, ele sabia que era o animal querendo protegê-lo. Sakura vendo o que Sasuke queria fazer, segurou-lhe a mão com força e o ajudou a subir as escadas. Ela tremia e o medo era maior que sua teimosia, mas não era o suficiente para se fazer covarde.
– Preciso de minha espada — ele disse deixando-se guiar correndo pelas escadas, tropeçando nos degraus, mas se equilibrando com facilidade sentindo o ardor da batalha começar a guiar seus membros.
– Onde? — ela perguntou aflita escutando o som de lâminas começar sua sinfonia de morte do lado de fora.
Sasuke a puxou até seu quarto e fechou a porta com o ferrolho. Rumou para o móvel esquecido onde guardava algumas velharias, as portas duplas foram abertas com força.
– Aqui, é aqui que eu a guardo desde aquele dia… — murmurou pensando em sua última batalha.
Tateou uma das prateleiras até sentir o metal gelado entre as mãos. Estava no mesmo local que deixara, e, sorriu ao perceber, ainda afiada.
***
Tsunade agrupava as dezenas de pessoas consideradas indefesas nos porões do castelo. O lugar estava atulhado de móveis quebrados, lâminas enferrujadas, tapeçaria gasta e inúmeros objetos inúteis acumulados com poeira e mofo. Aquele lugar era ainda mais sinistro, mas era o que manteria todos vivos.
– Há castiçais em algum lugar por ali — disse em sua voz forte calando os murmúrios de medo e início de pânico. — Se agrupem para se aquecer. Konohamaru — segurou o garoto pelo ombro e ele estufou o peito esperando a sua ordem especial — Vá até a cozinha com mais dois meninos e traga comida. — o garoto assentiu temeroso — Escuta, tu és o homem mais ágil que conheço. Tenho certeza que conseguirá. — disse sorrindo e fazendo o sinal da cruz na testa do garoto e dando um beijo no local.
Konohamaru nunca se sentiu tão confiante. Ali estava sua chance de ser herói. Levantou o pequeno punho direito como um líder e arrastou dois garotos de seu tamanho para longe de duas mães chorosas.
O medo de não ver mais seus entes queridos era uma das marcas da guerra. As incertezas, os arrependimentos.
Os meninos saíram como gatos e Tsunade viu as costas do pequeno Konohamaru sentindo seu peito doer com tanta turbulência dentro de si. Ao fundo o choro de criança pequena, os soluços de algumas mulheres mais fracas e objetos se arrastando pelo braços das mais fortes. Castiçais foram acesos e pessoas se agruparam num canto, dando as mãos, tremendo e temendo pelo futuro.
Tsunade não se juntara à eles, agora que sua mente se acalmava, a verdade voltava com tudo. Amaldiçoou todos esses anos aquele que deveria ter cuidado, que deveria ter acalentado em sua dor, aquele para quem deveria ter sido como uma segunda mãe. O arrependimento era um sentimento amargo e a tristeza que se sucede com ele é de estraçalhar a alma. Mas ela não havia servido alguém que achara se tratar um demônio a toa, ela tinha uma promessa e não descansaria em paz se não a cumprisse com os juros devidos. Apertou o crucifixo em seu peito e fechou os olhos com força pedindo perdão à sua senhora Mikoto. Pedia perdão com a mais pura sinceridade e o mais pesar dos sofreres.
– Senhora Tsunade — uma das mulheres a chamou com a voz trêmula. — O que faremos agora?
Tsunade agradeceu pelas paredes grossas que abafavam os gritos que, com toda certeza, eram disferidos junto dos brados de guerra. Agradeceu por aquelas senhoras não saberem que seus maridos morriam naquele instante no campo de batalha. Naquela hora, não havia muito que fazer, somente agradecer e…
– Rezar.
***
Ela se encolhia a cada grito escutado. Sua pele arrepiava enquanto os sons da batalha enchiam o ambiente entrando pelas janelas. Dentro do quarto de Sasuke, ela conseguia ver o jardim de Lady Mikoto pelas cortinas que balançavam junto ao vento. Aquilo a acalmava um pouco, mas não o bastante para parar de tremer. Sasuke estava inquieto, andava a passos duros e dolorosos arrastando a lâmina de sua espada pelo chão encarpetado. Ela ergueu a cabeça sentindo o pescoço protestar pela tensão e viu o grande homem trajando sua armadura negra e o elmo trincado.
Havia tanta confiança em seus passos, tanto poder em sua postura e tanta ira em seu rosto que não acreditava estar diante de um homem marcado pela escuridão. Cego por uma desgraça.
– Meu lorde — ela o chamou sentindo a voz falhar e as mãos estenderam-se trêmulas.
– Sasuke, você pode me chamar de Sasuke agora. — respondeu ele da forma mais carinhosa que conseguira. Sabia que ela estava tomada pelo medo, afinal, quem não estaria?
– Sasuke, o que será de Konoha? — ela perguntou sem esconder seu temor — Eu quero fazer algo! Não podemos ficar aqui!
Ele então tomou as mãos trêmulas junto das suas e a trouxe para mais perto.
– Não, não podemos…
Ouviram um riso quase beirando a histeria no andar de baixo. O eco do grande castelo de pedra fez o som retumbar por todas as frestas escuras do lugar.
– Lorde Uchiha seu covarde! — as palavras cuspidas fizeram Sakura retesar e apertar com mais força as mãos de Sasuke — venha ao meu encontro! Pare de se esconder em seu castelinho!
Sasuke respirou fundo e levantou os olhos nublados até o rosto da mulher a sua frente.
– Como eu disse, não podemos ficar aqui, Sakura. Quero que me escute bem, se algo der errado você precisa fugir pela floresta. Existe uma passagem atrás do espelho, no quarto de minha mãe. Você vai encontrar uma escada que a levará diretamente ao jardim, quero que corra. Corra o mais rápido que puder para longe daqui. Me prometa isso!
– Eu não vou te abandonar — ela disse mais firme, confiante em suas palavras.
Sentiu o corpo ser puxado para trás do grande homem quando outro grito chamando o lorde fora escutado mais perto.
– Eu não posso… te abandonar. — ela sussurrou sentindo o peito acelerar pela premeditação de sua morte.
Ele respirou fundo sentindo o peito arder ao ter que deixá-la ali. A única mulher que amara de verdade, e ela ainda não sabia disso.
– Sakura — disse calmamente virando-se de frente para ela — sobreviva, por mim.
E então a puxou em um abraço apertado. Sentiu o pequeno corpo tremer e soluçar, por deus como aquilo lhe doeu.
– Sasuke… — ela sussurrou sentindo a voz trancada na garganta junto da dor que a perca trazia. Não queria perdê-lo. Se ele morresse não teria mais chão, não teria mais motivos para continuar firme naquela terra.
Sasuke a afastou e segurou a espada com força, com um ultimo suspiro caminhou até a porta, e ao abri-la voltou levemente o rosto para a rosada.
– Sakura, obrigado.
E saiu pela tão conhecida escuridão em busca de seu inimigo.
***
Sakura caiu de joelhos no chão. Suas pernas trêmulas não seguravam o peso do corpo debilitado pelo desespero. As mãos foram para os ouvidos enquanto a mente tentava trabalhar no meio de tanta confusão. Seu corpo todo tremia em reação aos gritos dos homens feridos do lado de fora.
Apertou com força o tecido gasto de seu vestido azul, as lágrimas caíam junto dos espasmos involuntários manchando o azul claro com pingos de azul escuro. Sentia-se fraca, sozinha. Ele havia ido sem ela. Ele havia saído sem que pudesse enxergar e se defender sozinho. O pensamento a fez erguer a cabeça e o ar ser preso. Ele estava vulnerável, iria morrer.
Um fraco roçar de algo gelado a fez olhar surpresa e em choque para o lado. O grande lobo negro de olhos amarelos estava a seu lado olhando com compaixão. Além de ter ido sem ela, havia deixado seu fiel guia para protegê-la. Não pôde conter as arfadas de desespero.
Ele ia morrer. Ela não podia aceitar. Não mais um. Não ele.
– Titã… — ela chamou o lobo passando a mão na cabeça dele quando ele a abaixou para o carinho — Temos que salvá-lo.
A porta se abriu com a mesma rapidez com que Sakura se pôs em guarda e Titã rosnara, e por ela entrava Tsunade afobada olhada para todos os lados.
– Onde está o lorde, menina? — perguntou com uma ponta de desespero camuflado por sua voz austera.
– Lorde Akasuna… — Sakura disse e foi o suficiente para Tsunade tapar a boca e seus olhos se esbugalharem — Devem estar lutado, temos que salvá-lo. — Sakura correu até a mulher num pedido de socorro.
Tsunade se aliviou vendo que pior não havia acontecido. Olhou para o estado deplorável que Sakura estava e viu nela a imagem de Lady Mikoto quando seu marido e seus filhos haviam partido.
Ela reconhecia um coração que ama, ainda mais quando este estava machucado. Via o sofrimento naqueles olhos sempre contentes, a medo da morte atormentava aquela menina mais uma vez.
– Vamos ajudar nosso lorde, minha menina — ela sussurrou pegando a atenção de Sakura — Venha comigo…
Segurou a mão da moça e, sem qualquer dificuldade a encaminhou para as escadas de forma silenciosa. Sakura se enchia de coragem, sua alma destemida vibrava dentro de si sentindo o calor que vinha das mãos de Tsunade. Porém, antes que as duas chegassem a primeiro degraus, um homem puxou Tsunade e Sakura para o outro lado.
– Jiraya! Seu velho desgraçado! Quer me matar do coração? — Tsunade sussurrou entre dentes fulminando o senhor de armadura que olhava para as duas de forma irritada.
– Também estava com saudades, sua velha teimosa. — disse tentando puxar as duas mais uma vez para a direção do quarto do lorde.
Sakura não reconhecera como o homem que vinha atrás de Tsunade Há tempo, sua cabeça fervilhava enquanto maquinava maneiras de chegar até ele. Titã parecia ansioso à seus pés, mas não estranhara o velho que discutia em tom baixo com Tsunade.
– Minha lady — ele se dirigiu à Sakura com a voz mais amena — Tenho que mantê-la em segurança… — porém ela nada escutara. No andar de baixo, além da escuridão ela estou um grunhido de dor, e sem olhar para trás correu até ele.
***
Sasuke desceu as escadas com firmeza. Ele melhor que do ninguém ali sabia dos segredos de seu castelo, ele conhecia todas as pedras, todas as frestas e rachaduras. Poderia morrer, mas não morreria sem uma luta digna de um Lorde Uchiha.
– Como ousa gritar em meu castelo, Akasuna? — disse com a voz grave e firme.
Sasori observou o homem em sua armadura negra e notou que não havia nada de demoníaco em sua aparência.
– Pode me chamar de Lorde Akasuna — rebateu o outro observando Sasuke caminhar um pouco perdido em sua direção. O que diabos estava fazendo?
– Lorde? — riu-se Sasuke — da última vez que lhe vi era apenas um ladrãozinho do deserto. Vejo que Suna está escolhendo mal seus representantes.
– É sempre diplomático assim ou só quando está prestes a morrer? — e com isso levantou a espada.
Sasuke ouviu o tinir baixo e por um milésimo de segundo puxou o corpo para o lado certo. Mantinha a cabeça levemente inclinada para baixo, a fim de deixar os ouvidos mais próximos do chão. Foi aí que Sasori percebeu.
Os olhos do ruivo se arregalaram e um sorriso rasgou o rosto pálido.
– Os deuses não cansam de me surpreender — disse em total êxtase — o grande Lorde Uchiha, temido Cavaleiro de Sangue não passa de um cego! Um aleijado!
Sasuke trincou os dentes com o insulto, mas sabia que não podia perder a calma.
– Não é uma luta justa, quer eu chame algum empregado para assumir seu lugar? Quem sabe um jardineiro… — disse debochadamente.
– É tão fraco que tem medo de lutar com um homem cego?
Sasori crispou os lábios.
– Não me insulte, Uchiha!
– Então pare de fugir! — e com uma rapidez invejável ele girou o corpo para atacar o outro pelo lado.
Sasori foi rápido e desviou do ataque. As espadas rasparam uma na outra fazendo um barulho agourento.
Sasuke continuava atacando, sem deixar brechas para o outro. Sem o poder da visão ele utilizada a audição e os outros sentidos.
Ouvia o mínimo barulho, do arrastar das botas do inimigo no chão de pedra, até o som da respiração ofegante.
Sorriu, talvez saísse dali vivo.
– Está sorrindo demais Uchiha! — cuspiu Sasori abaixando o corpo e levando a espada até as costelas do Lorde. Sasuke desviou e girou todo o corpo, ficando momentaneamente atrás do inimigo.
Ergueu a espada e perfurou pelas costas, porém, a pesada armadura recebeu todo o impacto.
Os dois lutaram por mais tempo do que Sasori achou que Sasuke aguentaria, ambos recuavam e atacavam na hora certa, como num grande baile ensaiado.
Porém, a uma breve parada para um respiro Sasuke sentiu o choque contra o peito. A espada do outro perfurara a armadura negra e a lâmina parara a poucos centímetros de seu peito. Arfou pela dor.
Sasori então lhe chutou com força fazendo com que o corpo cambaleasse precariamente através da escuridão.
Temeu quando ouviu o rosnado baixo.
– Hora hora, você tem um cachorrinho de estimação — disse Sasori observando o grande lobo parado junto as colunas de pedra. Seus olhos então pararam na mulher que parara esbaforida ao lado do animal. Os olhos verdes lhe fitaram com medo, medo e raiva.
– Titã… — murmurou Sasuke forçando o corpo dolorido a dar um passo a frente — Sakura? — perguntou em voz alta.
O corpo de Sakura congelara com a visão. Ele estava ferido e ela não sabia o que faria para ajudá-lo. Olhou para o homem de cabelos vermelhos e viu um sorriso malicioso cobrir o rosto marcado por batalhas. Sentiu um tremor subir por sua coluna e Titã rosnar se aproximando mais de suas pernas em forma de proteção.
– Então o nome da bela dama é Sakura? — disse Sasori acariciando cada palavra com malícia — Precisarei de uma castelã, quando tomar este lugar. Acredito que encontrei a pessoa certa, se importa Uchiha?
Sasuke bufou e arremeteu a espada contra ele. A mesma foi desviada por outro golpe do ruivo que riu com escárnio da fúria do homem.
Sakura deixou um grito lhe escapar e os olhos se fecharam em reação ao medo.
– Saia daqui Sakura! — gritou Sasuke levando outro golpe e caindo ao chão.
Ela queria correr, fazer algo,tirar ele dali! Mas suas pernas não obedeciam.
Sasori armou mais um golpe e ela se surpreendeu ao ver Titã correr e se colocar a frente de Sasuke com a cabeça baixa em ameaça e os pêlos de suas costas eriçados, os dentes estavam a mostra enquanto um rosnado de alerta ecoava pelas paredes vazias.
– Titã! — a voz de Sasuke se ergueu junto do mesmo — Saia daqui! Quero uma luta justa!
O lobo hesitou um instante, Sasori deteve seu ataque paralisado pela imagem do novo oponente. O grande lobo olhou uma última vez para Sasori, como se gravasse a imagem do lorde de Suna em sua mente lupina, e saiu andando em frente a Sakura de olho no duelo, pronto para entrar quando fosse chamado.
A mulher olhava Sasuke arfar suado enquanto arrumava forças para se manter em pé. Com as mãos no peito, ela rezou por sua vida e o viu se levantar respirando fundo e o rosto contorcido em dor. Tanto física quanto emocional.
Os gritos do lado de fora eram abafados pelo clima tenso e mortífero dentro daquele salão, Sakura segurou as lágrimas que surgiram quando as lâminas voltaram a se encontrar. Desviou os olhos quando Sasuke urrou de dor e fez uma prece fervorosa pedindo um milagre, pedindo a salvação.
Na janela, então, para assistir aquele combate entre lordes, pousou um corvo.
***
Sasuke já respirava com força, o sangue escorria pela boca junto da saliva espessa e o ar parecia pesado.
Apoiou o peso do corpo em uma perna enquanto segurava a espada firmemente entre as mãos, ouvia cada movimento do inimigo, e sabia que Sasori estava tão cansado quanto ele próprio.
Ouviu o arrastar das botas do outro vindo pelo seu lado esquerdo, sabia que era um jogo, e ele era bom nisso. Em segundos o chão de seu lado direito chiou pelo atrito com a bota pesada, Sasuke sorriu de canto e virou o corpo. Ouviu-se o tinir das espadas.
– Para um aleijado, até que luta bem — debochou Sasori revidando com força.
Sasuke então investiu com mais rapidez, a armadura pesada do outro o tornava lento. Um, dois, três golpes e mais um pedaço de carne cortada.
– Para quem não é aleijado, você é muito lento. — retrucou o lorde o acertando mais uma vez.
Pela disposição do grande salão e pelo sutil balançar de seus cabelos, Sasuke sabia exatamente o local onde estavam. A sua esquerda haviam as grandes janelas, e delas vinham os sons mais agonizantes, aqueles que ele nunca esqueceria. O som dos que morriam.
– Vai sofrer no inferno Uchiha! Você e todo seu povo, queimarei um por um! — gritou Sasori o atacando.
Ele pensou em Sakura, a preocupação com a mulher lhe corroía a mente. Queria tirá-la dali, queria carregar o corpo frágil para longe de todo aquele sangue, porém, ele sabia o que as palavras do outro significavam: medo.
Sasori Akasuna estava com medo. Medo porque encontrava um cavaleiro a sua altura, medo porque estava machucado, e Sasuke se aproveitando disso avançou.
O som de uma corneta fez ambos pararem de imediato. O chão sob seus pés tremeu quando milhares de cavaleiros montados em seus animais invadiam o campo de batalha e atacaram o exercito inimigo.
Um grito se ergueu acima de todos os outros:
– Sasuke!
O lorde tremeu, reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo.
– Itachi… — murmurou para si mesmo enquanto Sasori fervilhava ao ver seu exercito ser derrubado como peças em um tabuleiro.
– Maldito! — urrou levantando a espada contra Sasuke.
Com o braço direito segurou o golpe de Sasori e impulsionou o corpo contra ele. Com um movimento certeiro passou o fio da espada por baixo do braço do outro, local sem proteção. Deu um passo a frente e o chutou com força para trás, as janelas, sabia que agora Sasori estava bem atrás de uma.
– Já estou no inferno, Akasuna — e com um só golpe decepou a cabeça do outro.
O sangue jorrou com força e cobriu o rosto do Lorde, escorreu pelo tronco até pingar no chão.
Aquele era o cavaleiro de sangue.
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