Cavaleiro De Cristal
1 Um Ponto de Vista E O Cavalo Selvagem
Notas iniciais
Tive muito trabalho para escrever esse capitulo (a historia toda alias). Seria de grande alegria para mim se deixassem reviews produtivos, legais e sinceros no final de cada capitulo.
Obrigada!
Um ponto de vista...
Eu sempre fui um ponto de vista de toda historia.
Chamam-me de enxerido, fofoqueiro, chato, inconveniente e até mesmo safado. Mas normalmente me conhecem como narrador.
A história que estou prestes a narrar, pode não fazer parte da sua realidade, mas já teve grande influencia na sua vida, mesmo que você não soubesse.
Só poso lhe avisar que essa pode ou não ser a historia mais feliz que você já leu, não garanto finais felizes e nem satisfação total de todos. Só escrevo a dura e concreta realidade que presencio.
Qual vais ser o final dela?
Ninguém sabe. Nem eu mesmo. Se quer saber, eu...
"Por que você não para de se bajular e da o que é de interesse deles?" diz uma voz atrás de mim.
Calma, eu só estou dando todos os avisos previamente para não ocorrer nenhuma surpresa indesejável posteriormente — Digo a ele, mas ele continua me olhando com aquela cara — E não se preocupe eu não vou fazer nada.
Essa historia começa com uma imagem de uma família normal. Essa é a família Clarent. A Sra. Clarent, era advogada, tinha o cabelo comprido e ondulado castanho, que ela às vezes o prendia em um caprichoso coque, era de uma estatura mediana, quase sempre se vestia com uma roupa de trabalho; o Sr. Clarent era um homem alto, forte, cabelo curto e castanho levemente ondulado, também era advogado, os dois se conheceram quando a Sra. Clarent (na época Srta. Cooper) venceu uma causa contra o Sr. Clarent; os dois se casaram e tiveram três filhos.
O mais velho se chamava Dustin e tinha 15 anos, Dustin era um típico adolescente problemático, tinha o cabelo castanho igual ao do pai, era alto, forte, com piercing na língua, na orelha e na sobrancelha, e era o tipo de cara que fazia as garotas suspirarem pelo estilo rebelde sem causa. Ele era baterista de uma banda com seus amigos, mas não era exatamente um bom baterista.
A mais nova se chamava Micha e tinha cinco anos, tinha os cabelos castanhos, compridos e ondulados, rostinho fofo, a pequenina era uma menina meiga que adorava cavalos. principalmente os selvagens, pois ela achava que os selvagens tinham algo especial, diferente dos domesticados, eles eram livres... Livres para fazer o que quisessem, eles eram indomáveis.
E tinha o do meio que se chamava Joshua e tinha 11 anos, que ao contrario do irmão era um menino calmo que não tinha muitos amigos um menino que não se enturmava, pois achava que as outras pessoas não eram dignas de confiança, e sua única amiga era sua irmã mais nova, os dois eram mais que amigos, mais que irmãos, os dois eram... Inseparáveis.
Na escola Joshua era zoado pelos valentões de sua classe, só porque ele era tinha uma baixa estatura para a sua idade, usava óculos e tinha um cabelo liso escorrido totalmente preto, só preto e preto opaco corte de cabelo meio emo (com franja na cara), além de sempre andar sempre com um livro diferente, de historias sobre seres mágicos e o fim do mundo.
Apesar de novo Joshua lia muito para sua idade, e seus pais nunca reparavam como ele se dedicava à leitura. Joshua também não tinha a melhor nota da classe, suas notas eram sempre mais ou menos, muitas vezes pra menos do que pra mais, apesar de muito inteligente, Joshua tinha déficit de atenção, nunca conseguia se concentrar bem nas aulas.
Em compensação ele era um autodidata, portanto, conseguia aprender conteúdos muitos mais avançados sozinho do que na escola, principalmente em ciências na área de física. Quando Joshua tirava uma nota baixa seus pais sempre lhe davam uma bronca, mas eles nunca paravam para ver tudo o que ele era capaz de aprender sozinho.
Episódios como esses, o deixavam mais distante da família, o que no começo era: “Oi Pai. Oi Mãe. Como foi o dia de vocês?”. Agora era: “Sim Senhor”, “Sim Senhora”, “Não Senhor”, “Não Senhora”, ou às vezes nem isso só apenas um aceno de cabeça. A única pessoa que Joshua falava livremente era Micha. Se algo acontecesse, e disso Joshua não tinha sombra de duvida, protegeria Micha com a própria vida, pois ela era sua única amiga, sua única confidente.
Na escola ele também não falava muito, porém havia uma única menina que sempre falava com Joshua, mas ele nunca falava com ela, ainda assim todos os dias ela tentava falava com ele. Seu nome era Shelly e estudava na mesma sala que ele, ela era uma menina de estatura média, tinha cabelo comprido e castanho claro, de pele clara. Quase todos os dias, Shelly falava um amigável “Oi” para Joshua e ele não respondia, então Micha, com seu olhar incrivelmente fofo, virava para Shelly e falava:
- Tudo bem, ele é assim mesmo.
Essa cena se repetiu durante muito tempo. Até que um dia Micha cansada disso virou para Joshua dizendo com toda calma e sinceridade do mundo:
- Fale oi pra ela.
- Eu?
- Não, eu. — disse com uma ironia incomum para sua idade. — Tem outro bobão que não sabe falar com uma garota aqui?
- Hei! Eu não sou... Eu só não sei o que dizer pra ela.
- Só diga oi. Vai lá tenta.
Por um momento ele ficou parado, e hesitou, mas no fim foi, já que ele que sempre atendia aos pedidos da irmã. Andando e tremendo, nunca esteve tão nervoso assim em toda sua vida, seu coração estava disparado, a adrenalina corria em suas veias, lá estava ela, com seus cabelos sedosos e leves, com uma minissaia jeans por cima de uma calça colada cinza, uma blusa de manga comprida rosa, um colete jeans e uma faixa de cabeça que mantinha sua franja longe dos olhos; ela estava cercada por seu grupo de amigas, todas garotas.
“Por que tem que ser tão difícil, é só uma garota, não tem por que ter medo.” — pensou ele.
Ele deu passo após passo, andando em direção ao seu grande desafio, ela estava conversando com suas amigas e...
“Essa não!” — pensou ele. Shelly estava se despedindo de suas amigas e logo ia ficar sozinha – “Isso devia ser coisa boa, não? Ia ser mais fácil, não é essa a lógica?”. Ele se virou e quando ia começar a andar em direção a sua irmã decepcionada, ela se vira e o vendo ir...
- Oi Joshua. – ele parou bruscamente seu sangue congelou, ele não conseguia se mexer, ficou paralisado tremendo – É esse seu nome né? Joshua. – disse na esperança de que ele não a ignorasse novamente.
Ele reuniu toda sua coragem se virou para ela e disse gaguejando.
- O-o-o-oi, Shelly.
- Olha você fala. – falou Shelly com um tom sarcástico surpreso.
- Sarcasmo?
- Claro.
- Desculpa. – disse envergonhado.
- Por quê? — perguntou, confusa com aquele pedido repentino de desculpas.
- Eu acho que não sei identificar sarcasmo, e também eu não ter falado com você antes. É que eu não sou muito acostumado a falar com as pessoas. Nada pessoal. – disse ainda muito envergonhado.
- Sem problema. Eu só estava tentando ser sua amiga.
- Então... Amigos? – perguntou sem jeito.
- Sim, é claro. – falou, a frase sendo seguida por um silencio tenebroso – Então... Eu reparei que você ficou reprovado em Geografia.
- É que eu não gosto dessa matéria, prefiro ciências na área de física, é bem legal principalmente a parte de partículas subatômicas. — disse começando a se soltar mais.
- Nossa! Você sabe muita coisa. Mas não sei como você pode tirar tantas notas baixas, tipo em todas as matérias.
- Eu não consigo prestar atenção nessas aulas. – o sinal da escola tocou.
- Bem, o primeiro sinal já tocou, temos que ir pra aula. Você vai deixar sua irmã primeiro, né?
- É-é.
- Então... A gente se vê na aula, amigo.
- Até mais... Amiga. – Joshua foi ao encontro de sua irmã.
- Muito bem Joshua. Uma barreira já se foi. Agora só falta você se declarar pra ela.
- Do que você ta falando Micha? Você a ouviu somos amigos. Acabamos de nos conhecer.
- Então por que você não conseguia falar com ela?
- Porque eu não queria. Só! – disse meio irritado e meio nervoso.
- Tá bom, tá bom, Sr. Nervosinho. – eles começaram a andar pelo corredor.
- Eu não tô nervoso. – disse mais irritado e mais nervoso ainda.
- E eu sou um poodle cor de rosa. – disse sarcasticamente ao perceber o nervosismo na voz do irmão.
- Micha!!! – exclamou.
- Que foi? – disse sem culpa e na maior cara de pau – Só tô falando.
- Menina Sarcasmo. — criticou, e Micha apena riu de seu comentário.
- Joshua foi deixar Micha na sala dela, depois foi para sua sala, chegando lá ele estava quase atrasado.
- Está atrasado Sr. Clarent! — disse a professora Monstro, como chamavam ela, seu nome de verdade era Sra. Pichig, mas todos chamavam ela de Monstro por sua aparência monstruosa, nariz de gancho, olhos cheios de pés de galinhas, pele rugosa e três horríveis verrugas. Essa era a professora de geografia.
- Desculpa. – Joshua não estava atrasado de verdade, a campa final só bateu depois que ele entrou, mas mesmo assim pediu desculpas ao monstro de saia e blazer verde escuro.
Com a mochila preto básico, pendurada no ombro ele entrou e a primeira coisa que viu foi... Shelly. Seu coração disparou novamente, ela acenou para ele e indicou a cadeira ao lado dela, mas ele sentou na cadeira atrás dela.
- Se você quer melhorar comece a sentar mais na frente. – disse ela se virando para olhar para ele.
- Eu não enxergo direito na frente, aqui atrás é melhor.
- Então tá, mas... — parou sua frase de repente com o susto da professora batendo no quadro.
- Silencio! — a turma ainda não tinha silenciado totalmente, Shelly já se virava pra frente e se ajeitara na cadeira, a professora bateu no quadro de novo com mais força – Silêncio! Calem a boca! – gritou ela e turma se silenciou.
Mesmo Shelly sendo uma ótima aluna aplicada e tudo, ficou conversando com Joshua, seu novo amigo, praticamente a aula toda ficou entretida com seu novo amigo.
- Hei, eu posso te dar aulas de reforço em Geografia. – disse sussurrando para Joshua enquanto copiava o assunto de Geografia do quadro.
- O quê? — sussurrou de volta, por que não tinha entendido direito.
- Aula de reforço sabe? De Geografia. Eu sou uma das melhores da turma nessa matéria, lembra? Eu tirei nota máxima no bimestre passado.
- É mesmo, boa ideia. Você é um gênio eu nunca teria pensado nisso. – disse admirado com a esperteza de Shelly.
- A gênio é você garoto prodígio. — disse com uma risadinha abafada para a professora não ouvir.
- Você me chamou de quê? – disse sorrindo, ele tinha entendido, só não estava acreditando no que ouviu.
- Garoto prodígio, ou queria que eu te chamasse de Robin, Albert Einstein? – provocou ela.
- Garoto prodígio, Robin, Albert Einstein. Tô começando a gostar disso. – disse com um sorriso de orelha a orelha.
- Hei vocês dois aí atrás, parem de conversar e copiem, eu vou apagar o primeiro quadro em dois minutos. — bradou a professora de Geografia. Os dois riram e aceleraram a caneta para terminar de copiar antes de a professora apagar. Os dois estavam entrando em uma bela amizade.
Chegando em casa, começava a chateação de Dustin, que frequentemente implicava com Joshua, essa devia ser uma das razões para que Joshua não falasse com a família, a outra razão era que seus pais, o Sr. e a Sra. Clarent, não lhe davam a mínima atenção, podia se disser que eles eram os piores pais quando o assunto era Joshua, os únicos que o Sr. e a Sra. Clarent davam atenção eram por carinho e puro mimo era a filha mais nova (como de costume em muitas as famílias), e Dustin por ser o mais velho e o problemático.
Joshua queria ter um pouco de atenção de verdade nem que fosse uma bronca, mas não uma bronca qualquer, uma bronca merecida, pois as broncas que ele levava eram muito injustas, que eram broncas por tirar notas baixas entre outras broncas, eles nunca percebiam como Joshua era de verdade.
E eu acho que repeti muitas vezes a palavra “bronca”. Mas... Enfim...
Como de costume, quando chegava às ferias o Sr. e Sra. Clarent e seus três filhos iam do seu apartamento na cidade grande para uma casa no sítio conhecido como Rancho dos Cavalos Selvagens, que ficava a duas hora e meia de viagem.
O Rancho era conhecido assim porque na floresta próxima ao sitio havia um bando de cavalos selvagens era possível os ver correndo livremente pela campina durante o amanhecer e ao entardecer; dizem que só para um de coração puro um cavalo selvagem chegaria perto. Micha e Joshua toda vez que iam para lá passavam o entardecer vendo os cavalos selvagens correrem pele campina, esperando o dia em que um se aproximaria deles.
Bem... Nossa historia na verdade começa aqui, quase um ano depois de começarmos a contar essa historia, Joshua e Shelly haviam se tornado grandes amigos e ele havia melhorado na escola o suficiente para tira-lo raspando de uma recuperação, Dustin estava com 16 anos, Micha ainda com 5 quase 6 anos e Joshua com 12.
Era um dia tranquilo de férias no Rancho dos Cavalos Selvagens enquanto Joshua e Micha admiravam os cavalos selvagens correndo ao entardecer.
Eram 16h30min e como todo dia os dois saiam de casa e iam até a cerca que limitava as terras do sitio, era lá que os cavalos selvagens correm ao entardecer, que naquele sitio eram bem cedo, e ficavam lá por quase meia hora olhando os lindos cavalos selvagens correndo, livres, sem correias, sem celas, sem ferraduras, sem nada. Totalmente livres.
Era o terceiro dia da família no sitio e os dois mais jovens estavam a caminho da cerca como todos os dias. Mas por um motivo Joshua e Micha haviam se atrasado naquele dia, foram para a cerca às 17h, e chegando lá viram os cavalos em sua ultima volta, e um a um adentraram na densa floresta. Quando todos os cavalos haviam ido embora e Micha cabisbaixa lamentava em silencio tristemente por terem perdido o grande espetáculo, Joshua disse:
- Vamos Micha! Anime-se. A gente volta mais cedo amanhã.
- Está bem Joshua. – respondeu Micha com um ar triste.
- Ora, vamos, não fique assim. – disse Joshua ao tentar animá-la.
Quando os dois deram os primeiros passos ouve-se um melódico relincho por detrás da cerca. As duas crianças se viraram em um susto, e viram um lindo cavalo selvagem que, das duas uma, ou devia ter se perdido, ou simplesmente eles foram escolhidos pelo belo corcel. Os dois irmãos preferiam acreditar na segunda opção.
O corcel se aproximou lentamente na direção das duas crianças que, atraídas pela beleza do cavalo, também andaram em direção a ele. Eles chegaram à cerca e passaram por debaixo dela para chegar mais perto do corcel. Quando chegaram perto do corcel viram que ele tinha marcas, mas não marcas como a de ferro, mas sim marcas que tinham uma cor avermelhada, como cor de sangue, havia vários desenhos, que pareciam ter sido belamente desenhados, mas todos partindo de três desenhos iguais em partes diferentes do corpo daquele bonito e elegante cavalo selvagem; era o que parecia ser a face de um cavalo inscrita dentro de um circulo, elas eram localizadas uma na testa, uma no lado posterior e outra no peito próximo de onde fica o coração.
Eles deram em passos calmos e detalhados em direção ao corcel, e chegaram tão próximo dele que puderam sentir sua respiração quente em suas faces. Além de esbelto aquele cavalo era branco como um cristal, tinha os olhos meio esbranquiçados em um tom azulado, depois de tanto tempo de silencio desde que eles viram o corcel, Micha até sugeriu:
- Podemos chamá-lo de Cristian.
- O quê? – perguntou Joshua.
- Chamá-lo de Cristian.
- Por quê?
- Porque ele parece com um cristal. Cristal igual Cristian!
- Cristian me parece um bom nome. Será que devemos perguntar a ele? Sabe se ele quer... ser chamado assim. Tipo ele vai nos entender?
- Não sei... Acho que só vamos saber se perguntarmos. Senhor? – disse se virando para o corcel — O senhor gostaria de ser chamado de Cristian? – perguntou Micha ao corcel. Ele bufou e bateu com o casco no chão, balançando a cabeça pra cima e pra baixo.
- Acho que isso é um sim. – disse Joshua sorrindo. Micha e Joshua caíram em uma gargalhada gostosa e agradável de ouvir.
- Micha, Joshua! Venham jantar. – era a mãe, pendurada na janela da cozinha em uma cena que normalmente não se veria, de avental e camiseta, cabelo preso e desgrenhado comparado ao caprichoso coque de sempre, ela chamava por eles limpando as mãos em um guardanapo xadrez cor vermelho, ela devia estar lavando a louça do jantar, olhava de um lado para o outro procurando os dois.
A Sra. Clarent não era uma cozinheira de mão cheia, mas sabia fazer algumas receitas que pegava na internet, ela seguia ao pé da letra a receita, ficava bom, na opinião geral, mas não tinha nenhum toque especial, tanto em tempero e em carinho e amor ao fazer.
Micha e Joshua subiram o pequeno morro em direção a casa ninguém via quando eles iam e vinham, pois a cerca ficava de frente para a janela dos quartos de Micha e Joshua. Entraram pela porta da cozinha atrás da casa de foram para lavar as mãos para jantar, no meio do caminho encontraram o pai.
- Oi vocês chegaram. Sua mãe já ia chamar vocês de novo. Estavam demorando. – disse o Sr. Clarent entrando na cozinha pelo corredor.
- Querido? As crianças já chegaram? – ouviram o grito da Sra. Clarent de dentro da sala.
- Já querida. – gritou o Sr. Clarent de volta – Vão lavar as mãos para jantar.
- Sim senhor. – disse Joshua.
- Claro papai. – disse Micha.
- Ah, espera aí. – o Sr. Clarent carregou Micha no colo – Ai, quem é a garotinha mais linda do papai?
- Sou sua única garotinha papai. – disse Micha rindo.
- Ah, é mesmo. – disse o Sr. Clarent e um tom pensativo – Mas ainda sim é a mais linda de todas. – disse antes de encher Micha de beijinhos a fazendo ela rir e dar gritinhos, o Sr. Clarent pós Micha no chão – Vamos vá lavar as mãos pra irmos jantar.
Joshua passou pela cozinha em direção ao banheiro sentindo-se totalmente rejeitado, entrou no banheiro e fechou a porta, se apoiou na pia do banheiro de cabeça baixa olhando para o ralo da pia, triste. Ele levantou a vista para se olhar no espelho, se assustou ao pensar ter visto Cristian, o Corcel, atrás dele como um fantasma.
Achou que deveria ter sido só sua imaginação, talvez fosse somente à imagem do corcel que ainda estava viva em sua mente. Ele lavou as mãos da sujeira de fora e lavou o rosto pra ficar mais “acordado”. Saiu do bainheiro e no corredor passou por Micha estava indo para o banheiro, quando ela passou por Joshua percebeu que o tempo estava passando devagar, ele sentiu a cor o ambiente mudar para um tom azul e laranja com o aroma do campo no ar, e ele ouviu um sussurro feminino quase inaudível que dizia: “A primeira benção, A Porta para a Mente”.
Tão rápido como veio se foi, parecia ter passado apenas um segundo, mas o segundo mais longo que Joshua já havia vivido. Ele olhou para traz para ver se Micha sentira o mesmo, mas ela continuou seu caminho como se nada tivesse acontecido, bem talvez nada tivesse acontecido mesmo, pra ela, pois pra Joshua ele tinha certeza de que aquilo tinha acontecido.
Dustin esbarrou em Joshua, vestido como sempre de preto.
- Sua namoradinha ligou Joshua.
- Eu não sei do você está falando. – respondeu.
- Ah, não, é? – ele levou a mão à orelha esticando o polegar e o mindinho como se fosse um telefone — “Alô? Joshua?” Não o irmão dele. “Ah, ele está em casa?” Não, ele saiu pra ver pôneis. “Então diz pra ele que a Shelly, a namoradinha dele, ligou.” disse encenando ele e Shelly no telefone.
- Ela não disse isso.
- Ah, mas foi isso que eu entendi. – disse zoando com Joshua fazendo sons de beijos.
Joshua bateu a porta do quarto, mas logo tornou a abrir de novo.
- E são cavalos selvagens e não pôneis, ignorante! – e bateu a porta novamente mais forte, mas ainda deu para ouvir o irmão zoa-lo.
- Ui, nervozinho!
Joshua foi se sentar à mesa, seu prato já estava servido em porções exageradamente grandes, do jeito que só as mães fazem.
- Então Micha. Vocês tiveram sorte com os pôneis livres hoje? – perguntou Sra. Clarent.
- Ah... – começou Micha sem jeito de corrigir o pai, antes de ser interrompida por Joshua.
- São cavalos selvagens.
- Que seja. Vocês tiveram sorte?
- Ah... – começou Micha, Joshua implorou com todas as suas forças mentalmente: “Não conta pra eles, não conta pra eles!”
- Não, ainda não. Mas sinto que estamos quase lá.
- Que bom filha. — respondeu a Sra. Clarent. Micha olhou com um olhar de surpresa para Joshua que não entendeu a expressão da irmã.
Depois do jantar Micha e Joshua estavam sentados sozinhos na sala assistindo o desenho preferido de Micha como sempre, quando Micha disse:
- Como você fez aquilo? – disse desesperada.
- Aquilo o que? — respondeu surpreso.
- Aquilo, na hora do jantar. Você pediu para eu não contar pra eles sobre o Cristian.
- Você me ouviu? — respondeu mais surpreso ainda, ele não esperava aquilo.
- Eu ouvi sim, como se você estivesse do meu lado, mas falando dentro da minha cabeça.
Joshua ficou pensando se aquela estranha sensação e esse estranho acontecimento tinham alguma relação. E naquela noite ele adormeceu pensando nisso.
Bem essa é a hora em que vocês perguntam ao narrador dessa historia: “Por que Micha e Joshua se atrasaram nesse dia?”. Bem vocês gostariam mesmo de saber...?
Quando Joshua e Micha estavam saindo de casa a caminho do local onde se viam os cavalos selvagens correndo.
- Vamos Joshua, já estamos atrasados vinte minutos, quase vinte e três!!! – reclamou Micha, apresando Joshua.
- Calma, já vou!
- Vamos Joshua! Rápido!
- Estou andando o mais rápido que posso. – disse se equilibrando para não cair — O morrinho é muito inclinado, é difícil de descer.
- Não é tão difícil de descer ele assim! – reclamou Micha – Vamos! Já se foram vinte e quatro minutos!
- Pra você é fácil disser. É pequena e ágil. Eu não tenho mais seis anos.
- E a culpa é minha que você é um vara pau desengonçado. E eu ainda tenho cinco, não seis anos.
- Você esta pegando pesado e... Shshshs! — eles foram surpreendidos pelo seu irmão. Dustin estava parado próximo a umas árvores espaçadas antes da floresta conversando sobre uma festa que iria acontecer na casa de um dos colegas de banda dele, não sei muito bem, mas eles ouviram um pedaço da conversa do irmão:
-... Lá vai ter bebidas, e umas coisas que vai deixar a gente ligadão, umas paradas lá de cheirar e... (cochichos)... Vai ser o maior barato... (cochichos)
-... Tá eu vou, meus pais vão sair amanhã de tarde e só voltam próximo da meia-noite, aí... (cochichos)... Se eu não estiver lá até essa hora eles vão me trancar em casa e... (cochichos)
Uns poucos segundos de conversa ouvida por meias frases e foi o suficiente para Joshua entender que aquela conversa não era para ser ouvida, nem por ele nem pela sua irmã, que pelo jeito que eles falavam aquela conversa não era para ser ouvida por ninguém.
Bem pelo menos já se sabia de algo vital Joshua já sabia: Dustin iria sair em algum dia dessa semana ao anoitecer sem a permissão dos pais, e que provavelmente coisas boas não vão acontecer lá, senão Dustin não sairia sem permissão.
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