Clary abriu os olhos com a sensação de que estava caindo. Isso não significava boa coisa, ela havia falhado no teste, de novo. Todo ano era a mesma coisa, para selecionarem quem seria transferido para a base de guerra o sujeito deveria passar por três testes psicológicos, cada um relativo a cada parte de onde, antigamente era a Europa, atualmente Coragem; Segurança e Justiça. Quem passava nos três testes ia para a base, simples assim. Clary há três anos fazia o teste, sempre falhando em um dos itens tentando corrigir o erro do passado. Todos de sua família haviam passado e ido para a base, ela não podia decepciona-los e destruir a honra da família, era como uma tradição mas essa não poderia nunca ser quebrada.

Após abrir os olhos e respirar ofegantemente, seu instrutor Michael se aproximou:

— Está tudo bem querida?

— Sim, claro mas.. – Clary foi interrompida.

— Você falhou no teste. Faz três anos que vejo seu sofrimento. Esse é seu último ano para ingressar, e você falhou, não suporto ver isso. Clary me prometa que não vai contar isso á nenhuma pessoa. – disse Michael.

— Posso lhe prometer se souber o que estou prestes a me meter. – a garota disse confiante.

— Adulterei seus resultados, se descobrirem provavelmente serei morto, mas faço isso por você e por sua família.

— Não Michael! – Clary exclamou – Não o quero ver se arriscando por mim!

— Eu estou velho querida, não passo de alguns meses, se eu não fizer nada agora você nunca enfrentará seus medos.

— É sua escolha. – a menina confirmou – Se eles descobrirem que não sou uma deles, o máximo que farão é me mandar para a Justiça certo?

— Isso, exatamente, eu não sei, nunca ocorreu antes, se acontecer seu nome ficará marcado para sempre na história. – Michael andou até a porta gargalhando – Boa sorte Clar!

Clary se levantou da cadeira mal acolchoada e se dirigiu até a porta por onde tinha entrado, como de costume colocou seu dedo na cancela e ela em seguida abriu. O elevador subiu três andares, até que um garoto de aparência bonita e musculosa entrou com lágrimas nos olhos. Ela já tinha ideia do que era, ele provavelmente não passara no teste. Apreensiva sua respiração começou a acelerar, estaria ela assim se não tivesse o teste adulterado? Apertou o botão no qual havia uma seta indicando para baixo e em alguns minutos estava no subsolo, o menino de cabelos castanhos claro também desceu por ali, havia parado de fungar e quase chorar, e de canto de boca deu um sorriso para a garota.

— Mora em Coragem certo? – ele indagou – Percebi por sua feição, sabia que cada lugar há um tipo de feição? Corajosos sempre tem um ar vitoriano, mesmo que não sejam.

— Hum, interessante – Clary disse com desanimo.

— Ah, eu sou Sam, da Justiça, deve ter percebido creio. – disse o garoto convencido de si mesmo – Concordo com justiças, mas o que me fizeram foi uma injustiça.

— Não passou no teste? – a menina indagou-o

— Muito pelo contrário, passei, e fiz de tudo para não passar – Sam arregalou os olhos enquanto Clary ria de leve. – Pelo jeito, você também não passou, é pequena e delicada, e ainda por cima não sabe diferenciar locais de nascimento

— Muito pelo contrário, passei, e fiz de tudo para passar – ela disse irritada.

— Pois não deveria ter feito isso, vai morrer em dois segundos na base.

Clary saiu andando apressada de queixo erguido, não aguentaria mais um segundo com o menino a qual ela julgou insuportável de cara. “Eu sou melhor do que isso” pensou enquanto andava. Se dirigiu até a cabine onde suas roupas estavam, eram elegantes, porque sua família era rica por conta de todos que ganharam muito dinheiro nas bases, ela morava numa vila de classe alta, mal poderia chegar em casa e contar a novidade forjada para os pais.

Andou orgulhosa com um sorriso no rosto até chegar na esquina da Villa, quando avistou sua mãe lhe aguardando na porta. Correu sob a neve branca do mês de dezembro, e quando chegou próxima de sua mãe lhe abraçou e sussurrou em seu ouvido “estou na base”, com entusiasmo a senhora de loiros cabelos cacheados gritou:

— Charles! Venha cumprimentar sua filha, estou tão orgulhosa! – exclamou com alegria a senhora.

Seu pai deu três passos descendo os três degraus da escada, olhando para baixo, no mesmo momento a garota sentiu frio na barriga, por um instante ela pensou na possibilidade de seu pai desconfiar da forja no teste, mas isso não era possível, todos podem passar depois de anos tentando, pensou ela consigo mesma.

— Estou orgulhoso de você minha filha. – Charles proclamou – Acreditei na manhã passada, quando você levantou da cama e saiu de casa, que voltaria com os olhos marejados de comovente dor, mas você veio ao contrário, com a cabeça erguida, como uma vitoriosa da família Chelsmen.

— Tenho dois dias para arrumar minhas malas e seguir caminho para a Segurança, de lá iremos direto para a base de treinamento e lá pai, verei em qual parte da fronteira defenderei nossa terra. – Clary esboçou um sorriso no rosto.

As horas passavam rápidas na casa sofisticada da família Chelsmen, Clary aproveitando os últimos momentos com os irmãos e os pais, antes de seguir seu caminho. Brincadeiras não faltavam, ela era realmente feliz ali, não precisaria ir para a guerra se quisesse, poderia desistir a qualquer momento, mas não podia, já que colocara a vida de Michael em perigo, apenas de pensar nisso seu estomago revirava, como alguém poderia viver com uma mentira dessa atormentando a cabeça pelo resto da vida. Quando colocou a última roupa na mala, sentiu um peso, como se não devesse fazer isso, ela havia pego o lugar de alguém que realmente passou no teste, Clary se sentiu um fracasso. Fechou a mala e saiu em caminho para a sala, se despediu de sua família que estava honrada de ver aquela cena, e o momento em que pisou para fora da porta soube que não haveria mais volta. Andou até a esquina daquela rua que estava atolada de neve, então um carro militar parou e ela subiu como um gato sobe em uma árvore, se sentou, e logo quando virou percebeu a presença de um conhecido, o menino musculoso de cabelos castanhos que havia encontrado no elevador logo após do teste, ele olhou de manso para ela e deu uma piscada, Clary em resposta bufou, porque falando com toda a certeza do mundo ela não gostava nem um pouco dele.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.