Cativar-te
1 Te cuida.
Andou receoso até o parque, firmando na cabeça que precisava estudar e muito. Em casa era um inferno, os berros e gritos o atordoavam. Soavam como trompetes em seus tímpanos até que sua paciência estourou e pegou os livros, saindo para o parque. Precisava estudar, precisava de ar livre. Algum lugar em que pudesse descansar e se concentrar. E ela pensava o mesmo. Não queria ser incomodada por nenhum outro e tampouco costumava ser. Colocou seus fones e saiu andando pelo bairro. Trouxera consigo o livro que alugara há pouco. Pequeno Principe. A maioria das pessoas costuma ler esse livro quando crianças, mas a história era tão linda que ela queria ler e reler pelo resto de sua vida. Sentou-se num banco perto de algumas árvores, voltando a ler seu livro. Logo um rapaz juntou-se à ela no banco.
Ela era linda. E ele não conseguia desgrudar seus olhos dela, e era tímido demais para falar algo engraçado ou romântico. Ele poderia muito bem ser o tipo de garoto que ela mais odeia e poderia facilmente estar dando nojo nela. Mas não era o que ela pensava, na verdade. Que garoto adorável, seria ela bonita o suficiente para ele? Ele é um estranho, óbvio que não iria se interessar por ela. "Bonito dia, huh?" Ele disse, sem obter uma resposta clara. Ela apontou para os fones de ouvido e ele suspirou, frustrado. Decidiu ser insistente. "Vem sempre à esse parque?" e novamente, ela repetiu ao gesto. Ele pegou o caderno que trouxera para estudar e escreveu as seguintes palavras: "Que livro está lendo?", ela riu. Pegou o caderno dele e respondeu, "Pequeno Principe". Começaram a conversar, sem na verdade dizerem uma palavra sequer, durante dias e dias só faziam aquilo; sem sequer falar ou mudar de banco. Ele se sentia mais tranquilo fora de casa, os berros não eram mais importantes quando pensava nela. E ela conseguia sorrir muito mais que o normal. Por que ele estava com ela e vice-versa. Até que um dia, entre os bilhetes, ele perguntou: "Que música você tanto ouve?""...Uma música especial." Ele sorriu, meio confuso. "Posso ouvir?", ela pensou um pouco e lhe entregou um dos fones de ouvido. Ele não ouvia nada e se sentiu frustrado. "Não está tocando" Ela, com o mesmo sorriso de quando ele a fez rir pela primeira vez, fez sinais com a mão, formando a seguinte frase, "Não posso ouvir você." Ele se surpreendeu, levantando-se imediatamente e saiu andando sem ao menos dizer tchau. Se desencontraram no parque muitas vezes, dia ele vinha, dia ela não vinha. Até que um dia, ele a encontrou sentada ali, com o mesmo olhar angelical, procurando algo na bolsa. Ele se aproximou e entregou um papel, "O que está procurando?" E ela respondeu, "Meu livro". Ele riu, puxando o livro dela, de dentro da sua mochila, ela pareceu brava com aquilo. Mas ele fez um sinal, pedindo para que ela esperasse. Abriu numa das páginas do livro e colocou no colo dela. As frases estavam riscadas e só uma era legível, ela leu e olhou para ele. E o mesmo, num movimento de mãos, disse;"Cativa-me?"
Notas finais
Sem formatação nenhuma, pois escrevi no iPhone. Meramente dedicada à Ayla, (Onigiri).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor