Catholic System
4 Capítulo 4 - A Porta Estreita
Arthur segurava firmemente o braço de Shin.
Os dois caminhavam apressados pelos corredores da Crist.
— Eu ainda não entendi...
Disse Shin.
— Como você consegue se perder cinco minutos depois de entrar aqui?
— Eu só fui andar.
— Você desapareceu.
— Tecnicamente...
— Shin.
— Tá bom.
Silêncio.
Arthur suspirou.
— Você faz ideia do que acabou de acontecer?
— Eu conversei com uma garota.
— Você conversou com Lilith Ayamina.
— Agora eu sei.
— E bagunçou o cabelo dela.
— Também já percebi.
Arthur levou a mão ao rosto.
Por um breve instante.
Pareceu extremamente cansado.
— Você realmente não tem noção...
Shin apenas deu de ombros.
— Ela parecia triste.
Silêncio.
Arthur olhou discretamente para ele.
Não respondeu.
Apenas continuou caminhando.
Os corredores tornavam-se cada vez maiores.
Cada setor possuía dezenas de pesquisadores.
Militares.
Engenheiros.
Pilotos.
Todos caminhavam rapidamente.
Como se cada segundo fosse importante.
Shin observava tudo.
Era impossível esconder a curiosidade.
Nunca imaginara que a Crist fosse daquele tamanho.
Mais parecia uma cidade subterrânea.
Enquanto caminhavam.
As luzes do corredor diminuíram.
Por alguns segundos.
Todos pararam.
Funcionários.
Soldados.
Pesquisadores.
Até Arthur.
Um som metálico ecoou pelos alto-falantes.
BEEP.
BEEP.
BEEP.
Então...
Uma voz.
Grave.
Calma.
Autoritária.
Tomou conta de toda a base.
— Boa noite.
Silêncio.
Apenas aquela voz permanecia.
— Aqui é Elias Ayamin.
No mesmo instante.
Todos os enormes painéis espalhados pelos corredores acenderam.
Uma imagem surgiu.
Um homem de óculos.
Vestindo o uniforme branco da Crist.
Postura impecável.
Olhar firme.
Os cabelos escuros perfeitamente alinhados.
Atrás dele.
A enorme cruz branca, símbolo da organização.
Shin ergueu levemente a cabeça.
Observando.
— A Crist continua firme em sua missão.
A voz ecoava por toda a instalação.
— Enquanto houver ameaça...
Enquanto houver medo...
Enquanto houver humanidade...
Nós permaneceremos de pé.
Nenhuma emoção.
Nenhuma hesitação.
Cada palavra parecia cuidadosamente escolhida.
— Nosso dever nunca foi apenas proteger vidas.
Mas proteger o futuro.
A verdade.
E a esperança desta civilização.
A câmera aproximou-se lentamente.
— Muitos desconhecem os sacrifícios realizados diariamente por nossos homens e mulheres.
Sacrifícios que jamais serão registrados pela história.
Mas isso pouco importa.
Pois não buscamos reconhecimento.
Buscamos apenas cumprir nossa missão.
Silêncio.
— Enquanto a Crist existir...
A humanidade jamais caminhará sozinha.
A transmissão terminou.
Os painéis apagaram.
As luzes voltaram ao normal.
Como se nada tivesse acontecido.
Os funcionários retomaram imediatamente seus afazeres.
Nenhum comentário.
Nenhuma reação.
Como se aquele anúncio fizesse parte da rotina.
Shin permaneceu olhando para o painel já apagado.
— Esse é...
Arthur respondeu antes mesmo da pergunta terminar.
— Elias Ayamin.
Silêncio.
— O Diretor Supremo da Crist.
Shin permaneceu alguns segundos refletindo.
Depois sorriu de leve.
— Ele fala bem.
Arthur olhou para frente.
— Sim.
— Você acredita nele?
Arthur demorou para responder.
— Acredito que ele acredita no que diz.
A resposta deixou Shin ainda mais confuso.
Mas antes que pudesse perguntar novamente...
Arthur voltou a caminhar.
— Venha.
— Pra onde?
Arthur não diminuiu o passo.
— Você acabou de ouvir o homem.
Agora...
Vai conhecê-lo.
Alguns minutos depois.
Os dois chegaram diante de uma enorme porta metálica.
Diferente das demais.
Muito maior.
Muito mais reforçada.
Dois soldados permaneciam imóveis diante da entrada.
Arthur aproximou-se.
Os soldados apenas assentiram.
A porta começou a se abrir lentamente.
Revelando um amplo corredor iluminado.
Logo à frente.
Uma mulher aguardava.
Os cabelos roxos escuros presos em um rabo de cavalo.
Uniforme militar impecável.
Braços cruzados.
Expressão séria.
Assim que viu Arthur.
Suspirou.
— Achei que você fosse demorar mais.
Arthur sorriu discretamente.
— Houve... um pequeno imprevisto.
Ela olhou para Shin.
Depois voltou os olhos para Arthur.
— Foi ele?
— Sim.
Ela fechou os olhos por um instante.
Como se já esperasse aquela resposta.
— Então é você o escritor.
Shin inclinou levemente a cabeça.
— Shin Kagami.
Ela estendeu a mão.
— Capitã Akane Takahashi.
Bem-vindo à Crist.
Antes que Shin pudesse responder...
Uma segunda voz surgiu ao fundo.
— Então esse é o rapaz que resolveu causar dor de cabeça para o Diretor.
Os dois olharam na direção da voz.
Uma mulher de jaleco branco aproximava-se calmamente.
Em uma das mãos.
Um tablet repleto de documentos.
Na outra.
Uma xícara de café.
Ela observou Shin durante alguns segundos.
Como se estivesse analisando uma experiência científica.
Então sorriu discretamente.
— Naomi Shimizu...
Chefe da Divisão de Pesquisa.
Prazer em conhecê-lo.
Shin sentia, cada vez mais...
Que havia atravessado uma porta da qual jamais conseguiria voltar.
Continua...
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