Catholic System

32 Capítulo 32 - Os Profetas


A tarde havia chegado a Jerusalém.

Depois da recepção de Kenny...

Shin, Aiko, Yoru e Akane continuavam conhecendo a instalação da Judas.

Os corredores eram enormes.

Mais silenciosos do que os da Crist.

Kenny caminhava alguns metros à frente.

Mãos nos bolsos.


— Vocês ainda não conheceram os outros pilotos.


Shin olhou para ele.


— Outros?


— Três.


Aiko perguntou:


— Eles estão aqui?


— Infelizmente.


Kenny sorriu de canto.


— E vocês vão conhecê-los agora.


As portas de uma sala de treinamento se abriram.

Uma garota baixa estava sentada sobre uma bancada.

Cabelos castanhos.

Pequenas sardas espalhadas pelo rosto.

Ela mexia distraidamente em um dispositivo eletrônico.

Ao perceber a entrada do grupo...

Levantou os olhos.


— Finalmente.


Kenny apontou para ela.


— Honey McCoormic.


Ela imediatamente olhou para ele.


— Não precisava falar como se estivesse apresentando um animal.


— Foi mal.


— Não parece.


Honey desceu da bancada.

Então percebeu os visitantes.


— São os pilotos da Crist?


Akane assentiu.


— Sim.


Honey cruzou os braços.


— Honey McCoormic.


Fez uma pequena pausa.


— Piloto do Elohim.


Shin sorriu.


— Prazer.


Honey desviou o olhar.


— É.


Silêncio.


— Prazer.


Aiko sorriu discretamente.

Parecia perceber que Honey não era exatamente a pessoa mais confortável com apresentações.

Kenny apontou para outra pessoa.

Uma jovem estava próxima à janela.

Cabelos castanhos.

Um pouco mais alta que Honey.

Postura tranquila.

Ela se virou.


— Vocês chegaram.


Honey imediatamente resmungou:


— Finalmente.


A jovem olhou para ela.


— Você também estava esperando.


— Eu estava esperando porque me mandaram esperar.


— Claro.


Kenny sorriu.


— Essa é Annabel McCoormic.


Annabel aproximou-se.


— Irmã mais velha da Honey.


Honey cruzou os braços.


— Ela adora lembrar disso.


Annabel sorriu.


— Porque é verdade.


Shin cumprimentou-a.


— Prazer em conhecer você.


— Igualmente.


Ela então olhou para Kenny.


— E você já começou a ser inconveniente?


Kenny respondeu:


— Ainda não.


Annabel suspirou.


— Então está se esforçando pouco.


Aiko soltou uma pequena risada.

Shin percebeu rapidamente.

A dinâmica entre os três parecia bastante antiga.

Não eram apenas companheiros.

Eram praticamente uma família dentro da Judas.

Annabel apontou para o hangar.


— Meu mecha é o HaShem.


Shin perguntou:


— Então Elohim e HaShem são da mesma classificação?


Honey respondeu:


— Sim.


— Profetas.


Annabel assentiu.


— Elohim, HaShem e Judas pertencem à classe dos Profetas.


Shin olhou para Kenny.


— Judas também?


Kenny levantou uma sobrancelha.


— Eu sabia que você perguntaria.


— E?


— Sim.


— Interessante.


Kenny apontou para outra porta.


— Mas o Lukas é outra história.


As portas seguintes se abriram.

Um homem alto estava sentado diante de uma mesa.

Cabelos pretos.

Óculos.

Um livro aberto diante dele.

Ele parecia completamente concentrado na leitura.

Kenny bateu duas vezes na porta.


— Lukas.


Nada.


— Lukas.


Silêncio.

Kenny suspirou.


— Lukas Giavōlo.


O homem finalmente levantou os olhos.


— Hm?


— Temos visitas.


Lukas fechou lentamente o livro.

Levantou-se.

Sua altura surpreendeu Shin.


— Desculpem.


Ele ajeitou os óculos.


— Eu estava lendo.


Akane sorriu.


— Sem problemas.


Lukas observou os visitantes.


— Lukas Giavōlo.


— Piloto de Adonai.


Shin perguntou:


— Adonai é da mesma classe dos outros?


Lukas balançou a cabeça.


— Não.


Ele fez uma pequena pausa.


— Adonai pertence à classe Deus.


Shin ficou interessado.


— Deus?


Lukas assentiu.


— É uma classificação própria.


— A estrutura, os sistemas de controle e a finalidade operacional são completamente diferentes das unidades da classe Profeta.


Aiko olhou para Shin.


— Ele fala pouco.


Lukas ajeitou os óculos.


— Normalmente.


Kenny apontou para ele.


— Normalmente.


Lukas ignorou.

Shin percebeu o livro que Lukas carregava.


— Que livro é esse?


Lukas olhou para a capa.

E então...

Algo mudou.


— Ah.


Ele sorriu discretamente.


— É uma edição comentada de um romance histórico.


Shin se aproximou.


— Você gosta de livros históricos?


— Bastante.


— Quais autores você gosta?


Lukas começou a responder.


— Depende do período. Para ficção histórica, gosto de autores que trabalham bem reconstrução social, especialmente quando não sacrificam a precisão histórica em favor da narrativa. Também gosto de ensaios sobre literatura, história militar, filosofia...


Shin piscou.

Lukas continuou.


— E alguns romances policiais.


Aiko olhou para Kenny.


— Ele vai parar?


Kenny respondeu:


— Não.


Lukas continuou.


— Também acompanho alguns programas documentais. Principalmente história, astronomia, arqueologia e ciência. Existem alguns programas excelentes sobre civilizações antigas...


Honey colocou a mão no rosto.


— Começou.


Annabel riu.


— Quando perguntam sobre os gostos dele, pode esquecer.


Lukas percebeu.


— Estou falando demais?


Todos responderam quase simultaneamente:


— Sim.


Lukas ficou em silêncio.


— Entendi.


Voltou a colocar os óculos no lugar.


— Desculpem.


Shin começou a rir.


— Não, não.


— É interessante.


Lukas olhou para ele.


— Você também gosta de livros?


— Sou escritor.


Lukas assentiu.


— Então podemos conversar sobre isso depois.


Shin sorriu.


— Com certeza.


Kenny caminhou até o centro da sala.


— Então...


Apontou para os três.


— Esses são os pilotos da Judas.


Honey levantou a mão.


— Não esquece que eu sou a mais nova.


Annabel olhou para ela.


— Você faz questão de lembrar disso.


Honey fez uma careta.


— Porque vocês dois ficam me tratando como criança.


Kenny sorriu.


— Porque você é pequena.


Honey pegou uma almofada e jogou nele.

Kenny desviou.


— Violência gratuita.


— Você mereceu!


Annabel começou a rir.

Até Lukas deixou escapar um pequeno sorriso.

Shin observou aquela cena.

Era diferente da Exxod.

Nefetari, Atem e Ramesses tinham uma dinâmica mais contida.

Na Judas...

Parecia haver uma proximidade quase familiar.

Honey e Annabel eram irmãs.

Kenny fazia parte daquela espécie de núcleo mais velho.

E Lukas...

Mesmo reservado...

Claramente era parte daquele grupo.

Akane observava tudo em silêncio.

Talvez fosse exatamente isso que a Crist deveria aprender.

Não apenas como lutar.

Mas como diferentes organizações mantinham seus pilotos unidos.

Kenny colocou as mãos nos bolsos.


— Amanhã vocês conhecerão os nossos métodos de treinamento.


Aiko perguntou:


— E hoje?


Kenny sorriu.


— Hoje vocês descansam.


Shin pareceu surpreso.


— Só isso?


— Sim.


— Estranho.


Kenny olhou para ele.


— Aproveita.


— Porque amanhã você vai descobrir por que eu disse isso.


Honey sorriu.


— Boa sorte.


Annabel completou:


— Vocês vão precisar.


Lukas voltou para o livro.


— Bastante.


Shin olhou para os três.


— Estou começando a ficar preocupado.


Kenny abriu a porta.


— Ótimo.


— Significa que está aprendendo.


Os pilotos da Crist começaram a sair.

Shin foi o último.

Antes de atravessar a porta...

Olhou novamente para os três.

Honey discutia com Kenny.

Annabel tentava acalmar os dois.

Lukas já havia voltado à leitura.

Shin sorriu.

A Judas era diferente.

Muito diferente.

E quanto mais tempo passava ali...

Mais percebia que cada agência possuía sua própria maneira de sobreviver àquela guerra.

Amanhã...

Começaria outra lição.


Continua...