Catholic System
37 Capítulo 37 - A Nova Aliança
A manhã havia chegado à base da Judas.
Depois de tantos combates...
Pela primeira vez em alguns dias, tudo parecia tranquilo.
Os hangares continuavam movimentados.
Mecânicos trabalhavam nos mechas da Judas.
Soldados atravessavam os corredores.
E os pilotos aproveitavam o pouco tempo livre que tinham.
A missão da Crist em Israel estava chegando ao fim.
Mas antes de partir...
Ainda havia algumas coisas a serem resolvidas.
No refeitório...
Kenny estava sentado sozinho.
Ou pelo menos tentava.
Aiko apareceu carregando uma bandeja.
Ela sentou-se na frente dele.
Kenny olhou para ela.
— Não.
— Nem falei nada.
— Você veio até aqui. Alguma coisa você quer.
Aiko colocou a bandeja sobre a mesa.
— Só queria comer.
Kenny estreitou os olhos.
— Suspeito.
— Você é paranoico.
— Sobrevivi até aqui sendo paranoico.
Aiko começou a comer.
Por alguns segundos...
Nenhum dos dois falou.
Então Aiko sorriu.
— Você está diferente.
Kenny parou.
— Diferente como?
— Menos irritante.
Ele ficou em silêncio.
— Retiro o que disse.
— Idiota.
Kenny começou a rir.
— Essa foi boa.
Aiko também riu.
A conversa continuou normalmente.
Sem falar sobre Kathleen.
Sem falar sobre a prisão.
Sem falar sobre o passado.
Às vezes...
Era melhor simplesmente conversar.
Enquanto isso...
Em uma sala de leitura da Judas...
Shin estava sentado diante de Lukas.
Havia alguns arquivos espalhados sobre a mesa.
Lukas segurava um deles.
— Então você escrevia tudo sozinho?
Shin assentiu.
— A maioria dos artigos.
— Desde quando?
— Antes de entrar na Crist.
Lukas parecia genuinamente interessado.
— E como você verificava suas fontes?
Shin começou a explicar.
Lukas imediatamente interrompeu.
— Você cruzava documentos oficiais com relatos independentes?
— Sim.
— E comparava datas?
— Sempre.
— E registros apagados?
Shin sorriu.
— Principalmente esses.
Os olhos de Lukas brilharam.
— Interessante.
Ele começou a fazer perguntas.
Uma atrás da outra.
Shin respondia.
Então Lukas começou a falar sobre livros históricos, programas documentais e métodos de pesquisa.
Shin apenas observava.
— Você sabe bastante.
Lukas ajeitou os óculos.
— Eu gosto de aprender.
— Percebi.
Uma pausa.
— É raro encontrar alguém tão interessado nos meus artigos.
Lukas respondeu calmamente:
— Seus textos levantavam perguntas que muita gente preferia não fazer.
Shin ficou sério.
— Era exatamente essa a intenção.
Os dois continuaram conversando.
Por muito tempo.
Em outro corredor...
Honey caminhava ao lado de Annabel.
As duas carregavam algumas caixas pequenas.
Annabel olhou para a irmã.
— Você vai sentir falta deles?
Honey respondeu imediatamente:
— Não.
Annabel sorriu.
— Mentira.
— Não é mentira!
— Você gostou deles.
Honey desviou o olhar.
— Talvez.
— Especialmente da Aiko.
— Cala a boca.
Annabel começou a rir.
Honey cruzou os braços.
— E você também vai sentir falta.
— Talvez.
Honey olhou para ela.
— Hipócrita.
— Aprendi com você.
As duas riram.
Por alguns segundos...
Pareciam apenas irmãs.
Não pilotos.
Não soldados.
Apenas duas irmãs que estavam acostumadas a enfrentar tudo juntas.
Mais tarde...
Uma reunião foi convocada.
Akane estava sentada à mesa junto de alguns representantes da Judas.
Kenny, Lukas, Honey e Annabel estavam presentes.
Shin, Aiko e Yoru também.
Akane abriu um arquivo.
— Nossa permanência em Israel está chegando ao fim.
Kenny apoiou o rosto na mão.
— Finalmente vou me livrar de vocês.
Aiko respondeu:
— Você vai sentir saudade.
— Nunca.
— Vai sim.
— Não vou.
Lukas olhou para os dois.
— Vocês sempre discutem assim?
Yoru respondeu:
— Sim.
Kenny apontou para Aiko.
— Ela começou.
— Você literalmente falou primeiro.
— Detalhes.
Akane suspirou.
— Podemos continuar?
Todos ficaram quietos.
— A missão da Crist não termina aqui.
Um mapa apareceu na tela.
Diversas regiões do mundo foram marcadas.
— O objetivo continua sendo visitar as principais organizações, conhecer seus métodos e aprender com seus pilotos.
Ela olhou para os representantes da Judas.
— E também estabelecer relações entre as organizações.
Um dos representantes assentiu.
— A Judas continuará disponível para cooperação.
Akane fez uma pequena reverência.
— Agradecemos.
Lukas olhou para Shin.
— Espero que possamos conversar novamente.
Shin sorriu.
— Eu também.
Honey cruzou os braços.
— Só não volte muito rápido.
Annabel olhou para ela.
— Honey...
— O quê?
— Você acabou de dizer que não queria que eles fossem embora.
Honey ficou vermelha.
— EU NÃO DISSE ISSO!
Kenny começou a rir.
— Essa eu vou guardar.
— Cala a boca, Kenny!
A reunião terminou.
Os pilotos começaram a sair da sala.
Shin ficou alguns segundos parado.
Olhou para Lukas.
— Foi bom te conhecer.
Lukas respondeu:
— O mesmo.
— E obrigado pelas conversas.
Lukas sorriu.
— Quando terminar seu próximo artigo, gostaria de lê-lo.
Shin ficou surpreso.
— Pode deixar.
Os dois apertaram as mãos.
Kenny passou por Aiko.
Ela olhou para ele.
— Tenta não morrer.
Kenny parou.
— Você também.
— Foi quase gentil.
— Não se acostuma.
Aiko sorriu.
— Até qualquer dia.
Kenny levantou a mão.
— Até.
Honey e Annabel também se despediram.
— Foi bom conhecer vocês — disse Annabel.
Aiko respondeu:
— Também gostei de vocês.
Honey desviou o olhar.
— Voltem vivos.
Yoru assentiu.
— Vamos tentar.
Shin olhou para os quatro.
Por alguns segundos...
Ninguém falou.
Era estranho.
Eles haviam chegado ali como visitantes.
Agora estavam partindo deixando para trás pessoas que haviam conhecido.
Não era apenas uma missão.
Era uma conexão.
Uma nova aliança.
Horas depois...
Os pilotos da Crist caminhavam em direção ao transporte.
Shin olhou uma última vez para a base da Judas.
Pensou em tudo que havia acontecido.
As batalhas.
As conversas.
Os segredos.
As pessoas.
Aiko percebeu.
— Pensando?
Shin assentiu.
— Sim.
— Sobre o quê?
Ele olhou para frente.
— Acho que finalmente estou entendendo o objetivo dessa missão.
Akane, alguns passos à frente, ouviu.
— E qual é?
Shin respondeu:
— Conhecer o mundo.
Uma pequena pausa.
— Não apenas as organizações.
— As pessoas também.
Akane sorriu discretamente.
— Exatamente.
O transporte começou a se afastar.
Jerusalém ficava para trás.
A Judas também.
Mas aquela despedida não significava o fim.
Era apenas...
Um até logo.
Porque, em algum momento...
Eles voltariam a se encontrar.
E quando isso acontecesse...
Já não seriam completos desconhecidos.
Seriam aliados.
Amigos.
Talvez até rivais.
Mas, naquele momento...
A missão continuava.
O próximo destino os aguardava.
E a jornada da Crist estava apenas começando.
Continua...
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