Catholic System
35 Capítulo 35 - A Espada e a Palavra
O alarme da Judas ecoou pela base.
BEEP.
BEEP.
BEEP.
Kenny estava encostado em uma parede quando o comunicador apitou.
— Anjo detectado.
Ele suspirou.
— Claro.
Lukas apareceu no corredor.
— Onde?
— Zona desértica, ao norte de Jerusalém.
Kenny olhou para ele.
— Vai comigo?
Lukas ajeitou os óculos.
— Sim.
Kenny sorriu.
— Então vamos.
Poucos minutos depois...
Judas e Adonai estavam no campo de batalha.
As duas unidades observavam o horizonte.
Então...
O Anjo surgiu.
Kenny ficou em silêncio.
Lukas também.
A criatura era gigantesca.
Seu corpo ultrapassava facilmente o tamanho dos dois mechas.
Kenny olhou para os sensores.
— Isso tem o dobro do nosso tamanho.
Lukas confirmou.
— Aproximadamente.
— "Aproximadamente"?
Kenny segurou os controles.
— Você é muito tranquilo.
— Entrar em pânico não alteraria os dados.
Kenny ficou alguns segundos em silêncio.
Então começou a rir.
— Justo.
O Anjo avançou.
Judas correu primeiro.
Kenny desviou de um golpe.
— Lukas!
Adonai avançou pelo lado oposto.
A criatura tentou atingir os dois simultaneamente.
Lukas recuou.
Kenny aproveitou a abertura.
Atacou a perna do Anjo.
O golpe atingiu.
Mas quase não causou efeito.
— Tá brincando comigo?!
O Anjo girou.
Kenny conseguiu bloquear o ataque, mas foi arremessado para longe.
— Kenny!
Adonai correu até ele.
— Estou bem!
Judas se levantou.
— Só foi um empurrão.
Lukas observou o inimigo.
— A defesa é muito mais resistente do que esperávamos.
Kenny respondeu:
— Então vamos descobrir onde ela não é.
Os dois avançaram novamente.
Dessa vez...
Separaram-se.
Judas correu pela esquerda.
Adonai pela direita.
O Anjo tentou acompanhar os dois.
Kenny percebeu.
— Lukas!
— Sim?
— Você consegue atingir o núcleo?
Lukas olhou para os dados.
— Posso tentar.
— Então faça isso.
Judas avançou diretamente.
O Anjo ergueu o braço.
Kenny desviou.
Outro ataque.
Desviou novamente.
O Anjo começou a perder o equilíbrio.
Adonai surgiu atrás.
Lukas atacou.
O golpe atingiu uma região próxima ao peito.
Uma pequena fissura apareceu.
— Encontrei.
Kenny sorriu.
— Sabia.
O Anjo rugiu.
Uma onda de energia se espalhou pelo campo.
Judas foi atingido.
Adonai também.
Os dois recuaram.
Lukas respirou fundo.
— Precisamos atacar juntos.
Kenny respondeu:
— Finalmente uma ideia boa.
— Você não precisa dizer isso desse jeito.
— Mas eu quis.
Lukas ignorou.
— Quando eu disser...
— Atacamos.
Kenny segurou os controles.
— Entendido.
O Anjo avançou.
Adonai esperou.
Judas também.
No último instante...
— Agora!
Os dois avançaram.
Judas atingiu o braço esquerdo.
Adonai atingiu o direito.
A criatura perdeu o equilíbrio.
Kenny aproveitou.
Judas saltou.
Lukas acompanhou.
Os dois atacaram diretamente o peito do Anjo.
A fissura aumentou.
Mais um golpe.
CRACK.
O Coração Angelical apareceu.
Kenny gritou:
— Lukas!
— Já vi!
Os dois atacaram simultaneamente.
O núcleo se rompeu.
O Anjo caiu.
A areia subiu ao redor da criatura.
Silêncio.
Alguns minutos depois...
Os dois retornaram à Judas.
Aiko estava esperando na entrada do hangar.
Ela cruzou os braços.
— Parabéns.
Kenny olhou para ela.
— Obrigado.
Aiko sorriu.
— Vocês conseguiram derrotar um Anjo com quase o dobro do tamanho das suas unidades.
Kenny abriu um sorriso.
— Pois é.
Aiko continuou:
— Foi impressionante.
Kenny percebeu o tom.
— ...
Ela estava claramente provocando.
— Realmente impressionante.
Kenny começou a rir.
— Você está tentando me irritar.
— Eu?
Aiko fez uma expressão inocente.
— Jamais.
Kenny continuou rindo.
— Você é péssima nisso.
Aiko respondeu:
— E você é fácil demais.
Lukas passou pelos dois.
— Tecnicamente, ela conseguiu.
Kenny apontou para Lukas.
— Não ajuda.
Lukas sorriu.
Mais tarde...
A noite havia chegado à Crist.
Tech Tokyo brilhava através das enormes janelas da base.
Em uma das salas...
Lilith estava diante de Elias.
O comandante observava alguns documentos.
Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então falou:
— Comandante...
Elias levantou os olhos.
— Sim?
Lilith hesitou.
— Estou com saudade do Shin.
Elias ficou imóvel.
Por alguns segundos...
Não respondeu.
Então fechou lentamente o arquivo.
— Não se preocupe com o escritor.
Lilith olhou para ele.
Elias se levantou.
— Se preocupe comigo.
Ele se aproximou.
Lilith permaneceu parada.
Elias levantou a mão e passou os dedos pelo cabelo dela.
Lilith não gostou.
Afastou-se um pouco.
E respondeu:
— Eu escolho me preocupar com ele.
Silêncio.
O rosto de Elias mudou.
A expressão tranquila desapareceu.
— O quê?
Lilith manteve os olhos nele.
— Eu escolho me preocupar com o Shin.
Elias ficou cada vez mais irritado.
— Saia.
Lilith permaneceu em silêncio.
— Agora.
Ela assentiu.
Virou-se e caminhou até a porta.
Antes de sair...
Olhou para Elias uma última vez.
Então deixou a sala.
A porta se fechou.
Elias permaneceu sozinho.
Seu olhar ficou fixo na porta.
A mão que havia tocado o cabelo de Lilith fechou-se lentamente.
Ele não estava apenas irritado.
Estava percebendo algo que não queria aceitar.
Lilith estava começando a escolher por si mesma.
E, pior...
Ela estava escolhendo alguém que Elias não podia controlar.
Continua...
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