Catherine
10 Capítulo XI
Notas iniciais
Capítulo XI
Ao contrário dos outros dias, eu iria almoçar sozinha. Luana, a minha única companhia, estava doente, por isso eu passei maior parte do tempo sozinha, inclusive, o almoço.
Eu enrolava o esparguete no garfo, decidindo ou não se devia comê-lo. De facto as refeições na cantina não eram das melhores, e ainda por cima, eu ainda estava meio mal por causa da gripe que tinha apanhado.
Estava prestes a ir embora quando me apercebi que um grupo de pessoas preparava-se para se sentar ao meu redor.
Primeiramente eu fiquei um pouco assustada, afinal, não era costume isso acontecer. Até que vi Nathan sentando na minha frente. Depois de olhar mais atenciosamente para os restantes elementos pude aperceber-me de que eles eram os colegas da equipa de futebol.
– Olá Cath! — Lucas falou sorridente, sentando-se do meu lado. Imediatamente Nathan lançou-lhe um olhar assassino — Desculpa... — Lucas falou, tentando acalmar Nathan.
– Olá... — Respondi hesitante.
Rapidamente o ambiente ao meu redor mudou. Todos eles, tal como Nathan, tinham a capacidade de deixar todos ao seu redor bastante confortáveis. Eles eram pessoas bastante acessíveis, e ao contrário das garotas da turma, eles pareciam não se importar muito com aparências.
Pela primeira vez em muito tempo eu gostei de almoçar na escola. Geralmente eu comia sozinha, e o tempo demorava muito a passar. Parece que a partir daí até a comida começou a saber melhor.
– Bem, eu vou andando... — Falei levantando-me.
– Já? — Lucas perguntou. Novamente, Nathan dirigiu-lhe um olhar assassino.
– Sim... — Respondi, evitando mais perguntas.
– Cath, logo vens comigo para casa? — Nathan perguntou um pouco depois que virei costas.
– Sim, afinal era estúpido irmos para casa sozinhos, não é? — Falei sorrindo, utilizando a frase que ele tinha falado uns dias atrás.
O resto do intervalo passou normalmente. Os corredores estavam cheios como nos outros dias. Havia a habitual correria e barulheira das escolas públicas. Mas por mais que eu reclamasse disso, no fundo eu até gostava. Só num ambiente assim eu poderia passar despercebida. E era assim que eu gostava das coisas. Nunca ambicionei a popularidade, nem nunca quis ser o centro das atenções.
– Catherine...! — Ouvi gritarem atrás de mim, enquanto me dirigia à sala de aula. Assim que me virei na direção da voz, pude ver Madison correndo na minha direção. Tal como seria de esperar, as suas amigas vinham atrás.
– Sim? — Respondi, estranhando o facto de que ela queria falar comigo.
– Preciso de falar contigo... — Ela falou ainda com o seu sorriso irritante estampado no rosto.
– Tudo bem... Podes falar...
– Minha querida, eu tenho um aviso a fazer-te... — Repentinamente o seu sorriso simplesmente desapareceu do seu rosto.
– Ah sim? — Falei cruzando os braços, com um sorriso irónico. Por mais que eu fosse uma das excluídas da turma, eu não tinha medo dela.
– É sobre Nathan... — Ela caminhava na minha direção, com um olhar ameaçador.
– Muito bem... Deixa-me adivinhar... Gostas dele?! — Fingi estar surpreendida — E queres que eu me afaste dele... Demasiado previsível... — Falei revirando os olhos — Mas se queres assim tanto ficar com ele, por mim estás à vontade. E sinceramente até me sinto lisonjeada por me considerares uma ameaça...
– Eu não te considero uma ameaça... — Ela falou, colocando a mão na cintura.
– Ah não? Então porque é que vieste perder o teu precioso tempo comigo?
– Meu amor... O aviso está feito. Espero bem que tenhas entendido tudo direitinho... — Ela falou virando costas.
– Se o queres assim tanto, vai-te a ele... Eu não a mínima! Agora não me metas no meio dos vossos melodramas... — Respondi virando-me também de costas.
Assim que segui caminho, uns metros à frente estava Nathan. Pela sua cara ele tinha ouvido a conversa. Eu esperava que ele viesse falar comigo, mas muito pelo contrário. Ele simplesmente permaneceu parado, encarando-me sério. Eu até podia ter ido falar com ele, mas algo dentro de mim prendia-me. Sentia que assim estaria a dar-lhe explicações, sendo que não tinha esse dever.
Continuei o meu caminho, ignorando a presença de Nathan. Segui em direção à sala onde iria ter a aula.
A aula passou lenta. Muito lenta mesmo. Por mais que eu quisesse, não conseguia parar de pensar no que se tinha passado. Uma parte de mim dizia-me que lhe devia explicações, mas a outra dizia-me precisamente o contrário. A minha cabeça estava uma confusão, tudo por causa dele. Não que ele me fizesse mal, muito pelo contrário. Desde que ele entrou na minha vida, só têm acontecido coisas boas. Mas mesmo assim, eu continuava a ficar confusa. Confusa sobre o que sentia, confusa sobre o que deveria fazer, confusa sobre tudo.
Depois daquela aula, era o tempo de ir embora. Finalmente eu poderia ver Nathan. Por mais que eu não quisesse admitir, eu estava ansiosa por aquele momento. Queria saber se ele estava chateado comigo, e acima de tudo queria saber o que ele pensava acerca de tudo aquilo. Apesar do que eu tinha dito, Madison também admitiu que gostava dele, por isso eu não conseguia deixar de me sentir incomodada.
Caminhei a passos largos até a entrada da escola. Eu sentia um enorme frio na barriga. Olhei ao meu redor e não consegui ver Nathan. A primeira coisa que pensei foi "ele ficou chateado, e simplesmente foi embora". No fundo ele tinha razões para isso.
Como vi que ele não estava lá, decidi ir para casa sozinha. Sentia-me mal comigo mesma, mas naquele momento não havia nada que eu pudesse fazer.
– Cath! — Ouvi gritarem atrás de mim. Imediatamente eu apercebi-me que era Nathan — Ias embora sozinha? — Perguntou assim que se aproximou de mim.
– Bem... Eu pensei que tu estivesses chateado, e que tinhas ido embora... — Falei sem o olhar.
– Chateado? — Ele olhou-me sério — Pelo que houve antes?
– Sim. Com a Madison... — Respondi.
– Eu não fiquei chateado... — Nathan falou encarando o chão — Simplesmente senti-me triste...
– Triste? — Perguntei confusa.
– Sim. Tu disseste que não querias saber se ela ficasse comigo... — Nathan encarava-me de uma forma neutra.
– Ah... Mas de qualquer modo, desculpa... — Falei num tom baixo. Na realidade, eu própria não sabia porque pedia desculpas, simplesmente o fiz porque os meus instintos assim o disseram.
– Não tem problema... — Rapidamente ele esboçou um sorriso leve — Mas eu queria saber uma coisa. Aquilo que tu disseste, era a sério? Ou foi só da boca pra fora?
A sua pergunta surpreendeu-me. Eu já não podia mais enganar-me a mim e a ele. Estava farta de pensar nas consequências. Ele podia até vir a magoar-me, mas também podia vir a fazer-me muito feliz.
Muitas coisas passaram pela minha mente, até que eu finalmente respondi.
– Não estava a falar a sério — Falei a forma mais firme possível — Aliás, se tu ficasses com ela, eu ficaria muito chateada...
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