Catherine
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Capítulo VII
A minha cama tinha uma pilha de roupa maior do que eu própria, enquanto o meu armário estava cada vez mais vazio. Procurava algo para vestir de uma forma desesperada, visto que faltava bem menos de meia hora para Nathan chegar.
Depois de muito tempo de procura, eu decidi optar por algo bem básico, afinal não valia a pena estar a complicar. Peguei nuns jeans básicos, numa blusa branca e nuns All Star velhos que eu usava há imenso tempo, e preparei-me em menos de 5 minutos.
Quando desci para a sala, eram já 15 horas em ponto. O que significava que Nathan devia estar quase a chegar.
O meu pai estava sentado no sofá a ler um jornal. Ele olhou-me sério. Eu nunca saía ao domingo, porque não tinha amigos, e preferia ficar em casa do que ter de ir a algum lugar sozinha. Certamente ele estranhou.
– Vais sair? — Ele perguntou surpreendido.
– Sim... — Respondi olhando para o relógio.
– E posso saber com quem? — Perguntou sorrindo.
– Com o nosso vizinho... — Respondi apontando para a casa do lado.
– Sozinhos? — Desta vez ele falou um pouco mais sério. Nós podíamos não ser muito próximos, mas ainda assim, ele continuava a querer proteger-me de todos os rapazes que podem andar ao meu redor.
– Sim... — Falei com a maior naturalidade possível. Acima de tudo eu queria que ele visse aquela saída como algo normal, e não como um encontro amoroso — Calma. Não é o que estás a pensar... É uma saída normal, entre amigos...
Enquanto eu terminava de explicar a situação ao meu pai. A campainha tocou. De imediato, o meu pai levantou-se e dirigiu-se à porta. Eu não queria que ele assustasse Nathan, logo assim de cara, então eu logo fiz sinal para que ele se retirasse. Aproximei-me da porta, e pude ver o garoto sorridente, olhando-me com os seus olhos a brilhar. Aparentemente ele estava feliz.
– Vamos? — Perguntou assim que me viu. No momento em que viu o meu pai, ele ficou estático, com o corpo bastante tenso.
– Sim... — Eu aproximei-me dele — Não te assustes. É só o meu pai... — Respondi revirando os olhos.
Rapidamente descemos em direção a uma mota que estava parada bem na frente no portão da minha casa. Pousados em cima da mota estavam 2 capacetes.
– Põe este... — Nathan falou, atirando um dos capacetes na minha direção.
– Não sabia que andavas de mota. — Falei analisando-a.
– Não a uso muito. Como ela era do meu pai, eu evito usá-la muito... Trás-me sempre recordações dolorosas... Eu ainda tentei vendê-la, mas não consegui. Faltava-me a coragem para me livrar dela. — O seu brilho nos olhos logo desapareceu. Dando lugar a uma dor bastante profunda. Eu não queria vê-lo assim, afinal, tínhamos combinado de sair para nos divertirmos e não para relembrar coisas dolorosas.
– Mas, não podíamos ir a pé? O cinema é bastante perto... — Falei tentando quebrar o clima pesado que se tinha instalado.
– Já não vamos ao cinema. Mudei de ideias... — Respondeu forçando um sorriso.
– E posso saber para onde é que vamos? — Perguntei bastante curiosa.
– Daqui a pouco já descobres... — Desta vez o seu sorriso foi mais natural.
Subimos na mota e logo seguimos caminho. Pela primeira vez, o facto de estar em contacto com um garoto não me incomodou. Estava agarrada à sua cintura, mas ainda assim eu sentia-me confortável. O seu cheiro intenso era a única coisa que me deixava um pouco nervosa. Era sem dúvida agradável estar ali, mas aquela situação despertava pensamentos meio estranhos. Nunca antes eu tinha estado numa situação semelhante, por isso era tudo novo para mim.
Depois de bastante tempo de viagem, finalmente chegámos. Quando me apercebi disso, fiquei até um pouco desiludida, já que eu estava a adorar estar com ele daquela forma, mesmo que não o quisesse admitir.
– Então? — Nathan falou apontando para a praia que estava na nossa frente.
Aquela praia era sem dúvida linda. Lembrava imenso as praias da Califórnia que aparecem em anúncios de agências de viagens. A água era bastante clara, e sua areia era limpa. Havia também inúmeras palmeiras em redor, que davam um ar bastante exótico
– É tão linda... — Falei depois de imenso tempo a contemplar a beleza daquela praia.
– Eu sabia que ias gostar — Respondeu, colocando o seu braço por cima do meu ombro. O seu gesto surpreendeu-me, o que me deixou um pouco inquieta.
Caminhámos em direção à praia e depois de um tempo, sentamo-nos em cima da areia mesmo sem toalha nem nada, embora ambos tivéssemos a noção de que nos íamos sujar todos.
Permanecemos em silêncio durante bastante tempo, apenas encarando a água cristalina, e as poucas ondas que se formavam. Eu queria quebrar o silêncio, mas não sabia o que dizer.
Subitamente senti uma enorme vontade de ver o rosto de Nathan, e para isso virei o meu rosto na sua direção. No entanto, no exato momento em que eu me virei, Nathan fez exatamente a mesma coisa.
Ficámos com os nossos rostos a milímetros de distância. Estávamos tão perto que eu conseguia até sentir a sua respiração quente. Ambos fazíamos movimentos hesitantes, como que tentando perceber se devíamos ou não beijar-nos. Eu nunca antes tinha tido um desejo tão grande por beijar um garoto, mas eu queria controlá-lo. Na minha mente, ambos estávamos a ser levados pelo momento, e poderíamos acabar por fazer algo de que nos iríamos arrepender mais tarde.
Para cortar um pouco o clima, eu voltei o meu rosto para as minhas pernas. Sem que eu pudesse esperar, senti Nathan beijando a parte de cima da minha cabeça. Foi um gesto bastante carinhoso, mostrando o quão gentil ele era. Naquele momento eu pude livrar-me de todas as dúvidas que eu tinha. Se ele quisesse mesmo brincar com os meus sentimentos, ele com certeza não teria reagido daquela forma tão compreensiva.
– Confias em mim? — Nathan perguntou do nada. A sua pergunta deixou-me extremamente confusa.
– Ah? Porque é que estás a perguntar isso assim do nada? — Falei tentando perceber o que ele queria dizer com isso.
– Quero muito fazer uma coisa! Confias em mim? — Ele insistiu levantando-se.
– Nem por isso... — Respondi fingindo estar com medo.
– Então tudo bem... — Rapidamente, Nathan agarrou-me e pousou o meu corpo em cima do seu ombro.
– O que é que estás a fazer?! Larga-me! — Gritava enquanto esbracejava, tentando que ele me pusesse no chão. Nathan ignorava completamente o meus pedidos, e apenas corria em direção à água. Eu já sabia o que ele iria fazer.
Quando ele se aproximou da água, a única coisa que pude fazer foi fechar o olhos e rezar para não me afogar. Eu não sabia nadar. Felizmente, ele tinha jogado o meu corpo numa parte pouco funda da água, mas ainda assim, eu fiquei completamente molhada.
Assim que me levantei e me recompus, vi Nathan rindo descontroladamente, igualmente molhado. Ele era louco. Não estávamos no verão para fazer uma coisa daquelas. Certamente eu iria ficar doente, mas naquele momento eu simplesmente não conseguia pensar nas consequências.
– Tu és louco?! — Perguntei jogando um monte de água na sua direção, com a ajuda das minhas mãos.
– Ah... — Depois de me encarar durante um tempo, Nathan apenas conseguiu olhar sério para a minha blusa — Tu ficas demasiado sensual assim... — Falou ainda sério, tentando evitar de olhar para o meu corpo.
Assim que ele falou, a única coisa que eu pude fazer, foi olhar para a minha blusa. Como ela era branca, e estava completamente molhada, esta ficou extremamente transparente, fazendo com que e notasse tudo o que estava por baixo.
Num movimento reflexo comecei a descolar a blusa do meu corpo, tentando melhorar um pouco a situação. Nathan estava visivelmente desconfortável com a situação, e parecia que estava a viver uma luta interna para não olhar.
– É melhor eu tentar secar isto... — Falei saindo da água extremamente constrangida.
– Eu acho que tenho um casaco na mota. Vou lá buscar... — Respondeu saindo em direção à mota.
Como eu não queria que ninguém me visse daquela forma, eu voltei para o lugar onde nos tínhamos sentado antes, mas desta vez eu fiquei em pé. Como tinha a roupa muito molhada, eu não queria que a areia ficasse colada.
Enquanto esperava que Nathan regressasse eu fiquei a encarar as ondas do mar. Sorria de forma boba, quando me lembrava do que tinha acabado de fazer. Apesar de ser completamente idiota eu tinha me divertido. Nunca antes eu tinha rido tanto.
Depois de um tempo, Nathan chegou. Ele trazia um casaco de moletom vermelho escuro nas mãos. Assim que se aproximou de mim, entregou-mo logo para as mãos.
– Eu vou molhá-lo... — Falei assim que me peguei nele.
– Não faz mal. Fui eu que te pus assim... — Nathan respondeu sorrindo levemente.
Vesti o seu casaco e logo pude constatar que o seu cheiro estava também presente naquela peça de roupa. Era um perfume forte, muito agradável. E apesar do casaco me ficar enorme, eu sentia-me bastante confortável com ele.
Pela primeira vez eu senti o meu coração bater mais rápido. Senti calor. Senti-me feliz com alguém. Ao contrário de antes, agora eu já tinha algo que me prendia naquela cidade. Podia até ser errado o que eu estava a fazer. Talvez eu estivesse a dar demasiada confiança a alguém que eu conhecia à pouquíssimo tempo. Talvez tudo isso fosse verdade, mas a realidade é que eu sentia que algo que me deixava tão feliz, nunca poderia ser errado.
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