Catherine
1 Capítulo I
Notas iniciais
Não tenho o que dizer, só espero que gostem...
Boa leitura!
Capítulo I
A viagem até à casa do meu pai era longa. Antes eu fazia-a regularmente, já que tinha de passar todos os fins de semana em sua casa. Mas desta vez era diferente. Eu ia para lá e de vez.
Permaneci toda a viagem em silêncio, evitando qualquer tipo de contacto visual com o meu pai. Eu estava fula. Desde que os meus pais de divorciaram que a minha vida tem virado um autêntico pesadelo. Fiquei 1 ano sob a custódia da minha mãe, até que o meu pai decidiu pedir uma nova audiência para assim ficar comigo. Provavelmente ele pensava que se eu ficasse a viver com ele eu iria esquecer tudo o que ele tinha feito a minha e à minha mãe.
O som dos limpa pára-brisas do carro era o único barulho que eu conseguia ouvir. O ambiente estava pesado. Havia uma certa tensão entre nós.
Depois de três horas trancada dentro daquele carro, finalmente chegámos à sua casa. Ele vivia bem. Tinha um emprego de sucesso e concerteza uma vida bem mais folgada do que a que eu tinha antes com a minha mãe. O emprego dela era mal pago, e ela passava maior parte do tempo fora de casa. Como eu não tinha irmãos, acabava por ficar sempre sozinha. Depois eu não era uma pessoa propriamente sociável, e não tinha amigos. Vivia fechada no meu mundo.
Na entrada de sua casa, estava Emery, a sua nova mulher. Ela era bastante elegante, usava roupas caras e tinha uma aparência extremamente cuidada. Era uma pessoa insuportável. Cheia de manias e extremamente superficial.
- Olá Catherine! – Falou com um sorriso enorme nos seus lábios.
- Olá... – Dei um sorriso irónico e logo me afastei dela.
Permaneci na entrada da casa esperando que alguém me indicasse o caminho até ao meu quarto. A casa era enorme, e eu já não ia lá há algum tempo, por isso eu já não me recordava muito bem de como eram as divisões.
- Querida, queres que te leve até ao teu quarto? – O meu pai perguntou carregando uma parte das malas que trazia consigo.
- Sim, se não for demasiado incómodo... Não quero ser um fardo para ti... – Dei ênfase na palavra “fardo”. Tudo isso foi para o lembrar que uma vez, numa discussão que tivera com a minha mãe, ele tinha dito que estava cansado de carregar o fardo da filha nas suas costas. Eu queria que ele se sentisse culpado por tudo o que tinha dito e feito antes. Eu sabia que ele se queria redimir, mas eu não conseguia perdoá-lo tão facilmente.
Ele olhou-me sério e permaneceu sem dizer uma única palavra. De imediato começou a caminhar em direção ao meu quarto. Segui-o um pouco distanciada dele.
A casa era de facto enorme, mas grande parte das coisas ainda estava como eu me lembrava. Havia bastante quadros pendurados nas paredes. Esses sim, eram todos novos. Antes ele tinha imensas fotos de família, que eu gostava de ver, mas agora todas elas tinham desaparecido.
- Pronto, é aqui... – Ele falou abrindo a porta.
O quarto tinha sido totalmente remodelado. Estava mais adulto. Antes ele estava pintado de rosa e havia inúmeras bonecas espalhadas pelo quarto. Eu sempre reclamava e dizia que ele era muito infantil para mim, porque afinal eu tinha 15 anos. Mas agora ele estava diferente. As suas paredes estavam pintadas de branco, exceto a que pertencia à cabeceira da cama que tinha um tom menta. A cama era de uma madeira bastante clara, assim como todo o resto da mobília. As bonecas que antes tomavam conta do lugar, foram subsituídas por livros e molduras vazias.
- Gostas do quarto? – Ele perguntou sorridente. Embora eu quisesse muito dizer que sim e agradecer-lhe a forma como ele o tinha deixado, eu não consegui. Apenas assenti positivamente com a cabeça e permaneci calada – Deixei bastante simples para que tu pudesses deixar ao teu gosto. Tem molduras vazias para tu colocares fotografias e o que quiseres. Mas se não gostares podes me dizer que eu mudo tudo novamente...
- Não há necessidade, está bom assim... – Falei num tom frio. Não queria mostrar o quão feliz eu estava. Queria deixá-lo sofrer o quanto eu sofri com a forma como ele me tratou durante vários anos.
- Bem, tens aqui as tuas coisas – Ele pousou as minhas malas no chão, perto da entrada do quarto – Eu vou deixar-te sozinha... – O meu pai, saiu, fechando a porta lentamente.
Logo após ele sair eu comecei a analisar cada canto do quarto. Vi cada livro que tinha nas estantes e cada pedacinho de mobília do quarto. Tudo parecia ter sido planeado ao pormenor. O mobiliário estava estrategicamente colocado, fazendo com que o lugar parcesse maior.
Ao fim de algum tempo, comecei a arrumar todas as minhas roupas nos armários. Organizei tudo da melhor forma, já que era assim que eu gostava de tudo. Em cima da cama estava um uniforme. O meu pai tinha-me matriculado num colégio particular, porque acreditava que assim eu iria obter resultados melhores dos que obtia. Eu não era uma aluna excelente, mas também não era uma má aluna. Era simplesmente normal.
Deitei-me de costas na minha cama e comecei a pensar na vida. A pensar no que tinha deixado para trás. A pensar na minha vida antiga. Todo aquele pesadelo começara no dia em que os meus pais se divorciaram. Tudo começou quando a minha mãe descobriu que o meu pai a traía com Emery. Aquela mulher era a culpada de tudo, por isso eu a odiava tanto. Mas ainda odiava mais o meu pai por ele ter feito uma coisa daquelas. Ele não tinha o direito de abandonar a minha mãe que tanto fez por ele, por causa daquela loira oxigenada.
O som de um violão roubou a minha atenção. Era uma música calma, muito agradável. Levantei-me da minha cama e saí em direção à varanda que tinha no meu quarto. Em frente a essa varanda estava a varanda da casa vizinha, a poucos metros de distância. As casas daquele bairro eram bastante juntas umas das outras, por isso havia este tipo de coisas.
Um garoto de cabelos escuros tocava sentado num banco. Ele parecia concentrado no que fazia, e acabou não notando a minha presença. A sua música era agradável, por isso permaneci na minha varanda, escutando. Ele não cantava, simplesmente tocava, mas ainda assim, a forma como aquela música me fazia esquecer tudo ao meu redor, era quase inexplicável. A forma como ele delicadamente passava os dedos nas cordas do violão era no mínimo encantadora.
Depois de um tempo, ele parou. Levantou o seu rosto e permaneceu estático, encarando-me com uma expressão neutra.
- Por favor, não pares... Estava a gostar... – Falei cortando o silêncio que se tinha instalado.
- Nunca te vi aqui... – Respondeu mudando completamente de assunto.
- Eu mudei-me para cá hoje – Falei olhando-o séria.
- Hum... – Ele pousou o violão no chão e levantou-se – Sou o Nathan... – Ele falou sorrindo. O seu sorriso era de cortar a respiração. A forma como os seus olhos brilhavam e as covinhas que se formavam nas suas bochechas, eram no mínimo hipnotizantes.
- Catherine – Respondi forçando um sorriso.
- Então és filha dos donos dessa casa? – Ele perguntou apoiando-se nas grades da sua varanda.
- Não... Quer dizer, sim, mas só do senhor Byrne, a loira oxigenada não é minha mãe... – Falei. Imediatamente ele caiu na gargalhada.
- Loira oxigenada é muito bom... – Nathan respondeu, ainda se recompondo do ataque de riso – Então isso significa que também não gostas dela?
- Não, eu não gosto dela. E com esse “também” vou supor que não sou a única...
- Não és a única. Nunca fui com a cara dela... Muito “não me toques que me desafinas” para o meu gosto... Mas enfim... – Respondeu sorrindo.
- Então e tu? Vives sozinho? – Perguntei tentando prolongar a conversa.
- Não. Vivo aqui com a minha mãe e o meu irmão mais novo. Mas a minha mãe passa maior parte do tempo fora, por isso raramente a vais ver aqui... – Respondeu sorrindo. Ainda que quisesse saber o que tinha acontecido com ele para viver apenas com a mãe, controlei-me e não perguntei mais nada. Afinal, ele também não tinha perguntado nada sobre a minha mãe – Bem eu tenho que me ir embora, tenho que preparar o almoço para o meu irmão. Gostei de te conhecer Cath! – Nathan falou sorrindo. Ele pegou no seu violão e entrou em casa.
Depois entrei também para o interior e voltei a deitar-me na minha cama. Desta vez peguei num livro e comecei a lê-lo. Era um livro sobre buracos negros. Eu sempre me interessei por esse tipo de coisas, então eu gostava de me manter informada. Devo ter ficado por uma ou duas horas a ler o livro quando comecei a sentir os meus olhos extremamente cansados. Após um tempo não resisti ao cansaço e acabei por adormecer.
Notas finais
Até ao próximo capítulo!
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