Catch Me
1 Milagre de Natal... Ou não.
Notas iniciais
Enjoy.
— Pode me emprestar um lápis? — Foi o que ele perguntou quando se virou para mim, pela primeira vez desde que o conheço.
Poderia ser um milagre já que estávamos na época do Natal e tal época era conhecida por fazer milagres. Scorpius Malfoy nunca olhou duas vezes em minha direção. E isso que ele era uma presença constante em minha casa.
Sim, ele estava sempre em minha casa, mas não pelo motivo que eu queria e sim porque meu pai e seu pai eram sócios de uma empresa e ele parecia ter uma afeição pelo meu irmão de 14 anos, Hugo. Quando o mesmo estava em minha casa, sempre fazia questão de me trancar em meu quarto. Nunca me senti a vontade com garotos e principalmente com ele.
Scorpius Malfoy é o típico clichê adolescente. Capitão do time de basquete, sempre namorando altas e loiras líderes de torcida e ainda um colírio para os olhos das garotas que nunca teriam a chance, como eu. Ele era alto, loiro, forte e tinha um sorriso que te convenceria a qualquer coisa. Mas o que derrubava suas armaduras eram os olhos. Um cinza azulado. Mais azul do que cinza na verdade. Ele não tinha absolutamente nenhum defeito. Poderia dizer que o que estragava era sua personalidade, mas Scorpius nunca fora ruim com ninguém.
Nem mesmo com uma maldita formiga.
Respirei fundo, segurando as mangas da minha camiseta de frio, olhando para a janela. Era uma época fria, obviamente, já que era Natal e Dezembro, mas não ligo. Adorava esconder meu corpo em roupas de frio porque me sentia inferior no calor, vendo aquelas garotas bonitas com seus decotes, conquistando caras que nunca olhariam para mim.
Um estralar de dedos me chama a atenção e vejo que Scorpius ainda está olhando para mim. Sinto meu rosto arder de vergonha quando o vejo me encarar com uma sobrancelha erguida esperando minha resposta. Ajeito o cachecol em meu pescoço, tentando impedir a coceira que tenho quando fico nervosa e ergo um dedo o pedindo para esperar enquanto procuro um lápis em meu estojo.
Acabo ficando nervosa demais e derrubo todo o estojo, espalhando meus lápis. Isso atrai a atenção de todos e começam a rir, enquanto xingo e abaixo-me para começar a recolher. Incrivelmente Scorpius se abaixa comigo e começa a me ajudar. Tento não olhar para ele, mas é inevitável.
Nossos olhares se encontram e ele sorri divertido, me fazendo sorrir também. Termino de colocar tudo em meu estojo e entrego o lápis para ele antes de me sentar. Ele se vira para frente e pede desculpa para a professora. Respiro fundo, tentando manter o controle e dizendo que isso nunca mais vai se repetir.
Mas enquanto estou escrevendo, sinto um olhar em mim. Olho para cima e vejo Scorpius olhando para mim com um meio sorriso em seus lábios e seu cabelo loiro caído em seu rosto. Deixo meu cabelo cair em meu rosto escondendo minhas bochechas coradas.
— Rose, né?
Balanço a cabeça, assentindo. Seu sorriso se aumenta.
— Obrigado pelo lápis.
— De nada. — Digo em voz baixa. Nós dois continuamos a nos olhar até que um papel voa e nos acerta. Olho para o lado para ver minha prima maligna e nojenta Dominique olhando para nós com um sorrisinho de escárnio. Ela namorava meu primo mais decente, Albus e era grudada com Scorpius.
Graças a Deus que seu olhar não está em mim e sim em Scorpius. Ela diz algo com o olhar para ele, o fazendo coçar a cabeça e olhar para mim novamente. Ergo uma sobrancelha curiosa.
— Olha, o lápis foi uma desculpa para falar com você.
Agora estou nervosa. Isso não poderia estar acontecendo. Discretamente me belisco por dentro de minha blusa e percebo que não estou sonhando. Mas apenas em meus sonhos mais malucos que Scorpius Malfoy estaria nervoso para falar algo para mim.
— Sobre? — Consigo encontrar minha voz e dizer.
Ele abre a boca para dizer, mas o sinal toca, indicando o fim da aula. Os alunos começam a sair e alguns param para conversar com o loiro, ganhando sua atenção. Decepção bate em meu peito, deixando-me triste de repente. Estava bom demais para ser verdade.
Rapidamente recolho minhas coisas e me levanto, saindo da sala o mais rápido possível.
Gostaria de ter um amigo que pudesse contar essa frustração. Estudo na mesma turma que Scorpius há três anos e ele nunca tinha olhado para mim! E agora, na única chance, tudo estava estragado. Era uma droga não deixar as pessoas se aproximarem, mas era assim, meu mecanismo de defesa. Eu era extremamente tímida e ás vezes quando realmente falava, as palavras saiam erradas e grosseiras.
Era por isso que não tinha amigos. Mas isso nunca foi tão importante.
Ando em direção a estação de metrô quando sinto uma mão em meu pulso. Fico realmente surpresa ao ver Scorpius ali, segurando sua mochila nas costas de um jeito nervoso.
— Te procurei.
— E achou. — Respondo automaticamente, arregalando os olhos quando ele também faz o mesmo. Ele abre a boca e fecha algumas vezes até franzir o cenho e começar a se virar para ir embora. Droga! Não estrague tudo. — Ei, desculpa. Sei que foi grosseiro, mas acabou saindo e gostaria de dizer que não sou exatamente assim, mas a verdade é que não falo muito porque tenho medo de afastar as pessoas, assim como estava fazendo com você e...
— Entendi. — Ele diz me cortando e rindo alto. — Agora entendi porque é extremamente calada. Você se enrola com as palavras. — Ele pausa, colocando uma mão em meu rosto, acariciando minha bochecha. Sinto o gosto de sangue em minha boca e percebo que estou mordendo meu lábio inferior com força. —Agora respire Weasley.
Tomo uma respiração profunda e me acalmo, sorrindo para ele, incerta.
— Acho que está tudo bem.
— Ótimo. Agora me deixe te levar para casa.
Ele me leva em minha casa sem perguntar meu endereço. Isso me faz perceber que ele sabe quem sou. Que sou uma Weasley, filha de Rony e Hermione Weasley, amigos de seus pais. Quero perguntar, mas não o faço.
Assim que para em frente a minha casa, tiro o cinto e me preparo para agradecer. Ele avança para frente e aproxima seu rosto do meu. Nunca tinha beijado um cara antes. Chocada, afasto-me rapidamente.
— Desculpe, esqueci que não é como as outras garotas. — Ele se desculpa rapidamente, olhando para frente. Balanço a cabeça.
— Espero que isso seja um elogio.
Ele sorri e volta a me olhar.
— Com certeza. Vamos ao cinema?
— Hoje?
— Hoje.
— Tudo bem.
— Te pego as oito.
Saio de seu carro e entro em casa sem olhar para trás. É então que percebo que não tenho seu número de celular e que teria que pedir permissão aos meus pais. Nunca tinha feito isso antes.
Ai meu Deus.
xXxXx
— De jeito nenhum! — Diz meu pai batendo a mão forte no balcão, o que me faz encolher em meu lugar na cadeira. Minha mãe toma uma respiração profunda com ambas as mãos na cintura, olhando com desdém para meu pai. — Você não vai sair com um garoto! Muito menos o Malfoy! Muito menos ao cinema!
— Ronald... — Começa minha mãe, mas ele a para erguendo um dedo.
— Nem venha, Hermione. Você sabe muito bem o que adolescentes fazem no cinema. — Franzo o cenho quando minha mãe cora e desvia o olhar. Até que entendo e isso me causa náusea.
— Que nojo. Vocês dois...
— Como acha que nasceu irmãzinha? — Pergunta Hugo entrando na cozinha. — Casais transam. Menos você que vai morrer sozinha com sete gatos.
— Pelo menos os gatos me querem. — Retruco mostrando o dedo do meio para ele.
— Parem já!
— Pelo menos eu transo. — Resmunga Hugo e minha mãe arregala os olhos.
— Como é?
— Ele diz que faz sexo. — Digo ao mesmo tempo em que Hugo resmunga um ‘Nada’. Minha mãe coloca a mão no coração.
— Me diga que isso é uma brincadeira Hugo Weasley!
— É claro que é uma brincadeira. — Ele resmunga revirando os olhos e sentando do meu lado. — Por sua culpa quase causei um ataque na mamãe.
— Morre.
— A questão é — Meu pai continua atraindo nossas atenções — Rose é nova demais para sair com Scorpius Malfoy.
— Nova? Sério mesmo pai? Nós estamos na mesma turma e ele é apenas alguns meses mais velho. E sem falar que você conhece a família dele. É melhor eu sair com alguém que conhece e confia do que com algum drogado e sem a sua permissão. O que quer? — Digo, explodindo minha paciência. Meus pais estão me olhando de boca aberta, assim como meu irmão. Acho que nunca falei tudo isso de uma vez para eles.
Para a minha surpresa, papai respira fundo e assente, coçando seu cabelo que está caindo.
— Tudo bem, pode ir.
— Obrigada.
Levanto-me e saio da cozinha normalmente, mas quando chego às escadas faço uma pequena dancinha da vitória. Corro para meu quarto para começar a me arrumar. Não consigo parar de sorrir, mas também não consigo não pensar que seja alguma aposta ou brincadeira dele.
É com esse pensamento que me arrumo. Não ficar muito animada. Projete sua mente e principalmente seu coração dele.
Repito isso até que está cravado em minha mente.
XxXxXxX
Encaro a árvore gigante de Natal pela milésima vez tentando evitar olhar para o relógio. Eram oito e meia. Scorpius estava atrasado e eu não tinha o seu número para perguntar o que havia acontecido.
Talvez o carro tenha quebrado.
Ou ele teve problemas em casa.
Ou foi atropelado e morreu.
Balanço a cabeça tirando os pensamentos horríveis de minha mente e vejo minha mãe parada na porta da cozinha, me olhando com pena e expectativa. Sorrio o meu melhor sorriso e ela sorri de volta antes de voltar para a cozinha e dizer algo para o meu pai.
Graças a Deus que Hugo não está aqui para me zoar.
Quando o relógio anuncia nove horas, desisto e me levanto, indo para o meu quarto. Tinha colocado uma saia jeans e meia calça para não morrer de frio nas pernas. Uma camiseta vermelha e um casaco de frio junto com meu cachecol vermelho. Tinha até colocado um pouco de maquiagem, mas fora em vão.
Mamãe não vem atrás de mim e agradeço por isso. Acho que acabaria chorando se ela viesse falar comigo. Visto meu pijama com certa raiva e escovo os dentes e retiro a maquiagem resmungando o quão otária eu era.
Onde estava minha inteligência? Scorpius nunca tinha trocado uma palavra comigo e de repente estava apaixonado por mim? Nem fodendo.
É com esse pensamento que adormeço, xingando e amaldiçoando Scorpius Malfoy.
XxXxX
Estou sonhando com gaivotas e uma praia linda quando algo me cutuca. Abro os olhos e dou de cara com Scorpius. Dou um pulo e abro a boca para gritar quando ele a tampa. Ele pede com os olhos para que eu me acalme e funciona. Lentamente o mesmo tira a mão de minha boca.
— O que está fazendo aqui? — Sussurro.
— Acho que me atrasei. — Ele responde encolhendo os ombros. Percebo que está arrumado. É então que me dou conta que provavelmente estou descabelada e toda suja de baba minha e remelas. Olho para o relógio e vejo que marca quatro horas da manhã. — E percebi que não tenho o número de seu celular, se não teria te avisado das mudanças de planos.
— Mas tem o de Hugo. E o de minha casa. Poderia ter avisado.
Ele sorri incerto.
— Não pensei nisso, só pensei que seria legal se fizéssemos alguma coisa agora.
— Agora? — Retruco incrédula — São quatro horas da manhã, Scorpius.
— As melhores coisas acontecem nas horas erradas.
Franzo o cenho.
— Geralmente às quatro horas da manhã, os espíritos saem para atormentar os vivos.
— Claro, agora vamos antes que eles peguem a sua alma.
Sei que ele merece um não ou um castigo por isso, mas me levanto como um raio colocando roupas menos arrumadas que as que eu estava para o cinema, mas ele não parece ligar. Aliás, eu o faço se virar quando vou me trocar, corando até a morte por estar trocando de roupa no mesmo quarto que ele.
O deixo me pegar ao sair pela janela e tento não ficar muito consciente da sua mão na minha enquanto andamos até a quadra mais próxima, onde o mesmo estacionou seu carro para não deixar suspeitas.
Ele dirige em silêncio em uma direção que não faço ideia da qual seja. Estou olhando para a minha janela. Belisco-me novamente e ainda estou acordada. Não é um sonho.
Franzo o cenho quando o mesmo para em frente ao colégio.
— Por que estamos no colégio?
— Vai ver.
Ele sai do carro e corre para abrir a porta para mim. Agradeço com um sorriso e o deixo que me leve, com seu braço por cima do meu ombro e o outro em seu bolso. Ele para e cumprimenta o guarda.
— Já fez isso antes? — Pergunto quando o guarda nos deixa entrar, acenando para mim.
— Não, é que ele me deve uns favores.
Seu tom diz que não está aberto a conversar sobre isso e deixo para lá. Nós andamos pelos corredores até chegarmos à biblioteca. Ele me puxa até um lugar e me coloca ali.
— Fique exatamente ai.
Franzo o cenho.
— Não estou entendendo nada.
— Já vai entender.
Ele procura por todos os livros até encontrar um que fala sobre os planetas. O loiro me entrega me fazendo franzir o cenho. Ele sorri me encorajando.
— Abra na página cinquenta.
Franzo os lábios e abro na página cinquenta. Fala sobre alguma coisa da ciência, mas não é isso que me chama a atenção e sim o que está escrito no canto. É uma letra garrancho, muito ruim e demoro a perceber que está escrito Rose Wealsey e um coração.
Olho para Scorpius novamente e ele está corando. Fora ele que escreva isso.
— Estou confusa.
— Escrevi isso no primeiro ano.
— Continuo não entendendo.
Ele dá um passo para frente até ficar em minha frente e segura minha mão. Seus olhos cinzas-azulados estão presos aos meus e não consigo desviar o olhar. Não quero desviar.
— Sou um pouco caído por você desde o dia que meu pai apresentou sua família a minha. Você estava tímida e apenas acenou com a cabeça para a gente. Era a garota mais bonita que já vi. E fiquei surpreso ao te ver na mesma classe que eu no dia seguinte. Era nosso primeiro e você não falava com ninguém e tinha sempre aquela carranca no rosto. Tinha medo de falar com você e tomar alguma resposta que acabasse com tudo. Passei esses três anos tomando coragem para falar com você. Dominique e Albus sempre tentaram me empurrar e lembra quando trombei sem querer em você no segundo ano e fingi que nem tinha te percebido?
Balanço a cabeça, porque me lembrava. Eu estava distraída com a minha playlist no celular quando trombei com ele e meu material caiu no chão. Ele não parou nem para pedir desculpas, muito menos para me ajudar.
— Você nem olhou para mim. Era como se eu fosse invisível. Aliás, você nunca olhou para mim mesmo.
— Não quando estava prestando atenção em mim. — Ele diz dando de ombros. — Mas pera ai, como sabe que nunca olhei para você?
— Deve ser porque eu reparava em você. — Digo em um surto de coragem. Ele sorri de orelha a orelha ficando mais perto de mim, colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. Estamos praticamente grudados um ao outro.
— Parece que nós ficamos com medo da decepção e perdemos um grande tempo separados.
— Como se isso tivesse sido ruim para você com todas aquelas lideres de torcidas bonitas e...
E ele me beija. Sua boca está gelada por causa do frio e sei que provavelmente a minha também deve estar, mas não ligo. Meu corpo todo esquenta com esse singelo toque. Minhas mãos vão para o seu cabelo e meus olhos se fecham. Meu coração está disparado, muito disparado que temo que perceba. Solto um suspiro surpreso quando sua mão toca a minha cintura e ele aproveita a oportunidade para iniciar um beijo de língua.
É meu primeiro beijo. E nem estou pensando em como estou me saindo. Apenas em como é boa à sensação e de como me perco em seus lábios.
Ele separa nossos lábios quando preciso respirar e gruda nossas testas, abrindo seus olhos que estão dilatados. Ele sorri, me fazendo sorrir.
— Não pode me beijar de surpresa assim.
Ele ergue ambas as sobrancelhas e aponta para cima. Olho para onde está apontando e vejo o visco.
— Na próxima, aviso.
Terá uma próxima vez.
— Uma coisa: Trouxe-me aqui às quatro da manhã apenas para me mostrar meu nome em um caderno? Não que não seja fofo, é claro que é, mas não poderia esperar até às dez da manhã.
— Não pretendo mais perder tempo quando se trata de você, Rose Weasley.
Ele pega a minha mão e entrelaça nossos dedos, nos levando em direção ao carro. A cada visco, ele parava e me beijava, calmamente, deixando meus lábios dormentes. Isso me fazia sorrir toda vez.
Dentro do carro, permito-me a perguntar sobre o que estava me consumindo.
— Qual foi o imprevisto? Para não ter aparecido na hora do cinema?
Ele fica vermelho.
— Isso só vai saber no Natal.
Franzo o cenho, mas decido deixar para lá. O importante é que as coisas tinham sido esclarecidas. Aproveito que está muito distraído dirigindo e pego seu celular, colocando meu número e tirando uma foto minha para a ligação. Ele sorri enquanto guardo seu celular e pega a minha mão, entrelaçando nossos dedos, fazendo meu coração se aquecer.
Quando ele me deixa em frente a minha janela, já está quase amanhecendo. Ele deposita um beijo em meu rosto e sorri saindo andando em direção ao seu carro.
Scorpius Malfoy gostava de mim. Aquilo era um milagre de Natal. Gostar de alguém que goste de você também.
Mas na noite seguinte, lá estava Scorpius, às oito da noite, me pegando para ir ao cinema, sem atraso. Então entendi que não era um milagre de Natal. Eram nós, duas pessoas que estavam fazendo aquilo acontecer.
E eventualmente, Scorpius se tornou meu.
Yup! Como eu adoro essa época do ano.
Notas finais
É NATAL E EU EXIJO COMENTÁRIOS
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