Catch Me
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Nós estávamos lá. Não eu, não ele, nós. Em um só compasso, numa só batida. Pra lá e pra cá, valseando sem valsa. A música tomava todo o salão. O amor estava no ar. Sorrisos bobos atravessavam nossas faces. Eu fechava os olhos, suplicando para não ser um sonho. Que o toque da mão dele apertando levemente a minha cintura seja real. Que seus dedos estivessem entrelaçados aos meus. E que,quando eu abrisse meus olhos novamente, aquele sorriso torto e olhos negros meia-noite estejam ali, me fitando.
Aquela música era a nossa preferida. Cada verso traduzia nossa jornada, cada melodia nos fazia viajar no tempo. Voltar a nossa primeira dança, com essa música. Naquela noite de Natal, dois anos atrás. Nosso verso favorito começou a sair pelas caixas de som.
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But you're so hypnotizing
You've got me laughing while I sing
You've got me smiling in my sleep
And I can see this's unraveling
Your love is where I'm falling
But please don't catch me
Mas você é tão hipnotizante
Você me faz rir enquanto eu canto
Você me faz sorrir enquanto durmo
E eu posso ver isso se desdobrando
Seu amor é onde eu estou caindo
Mas por favor, não me conquiste
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Ele era mesmo hipnotizante. Principalmente aqueles olhos. São incontáveis as horas que eu contemplei a cor da noite deles.
Fazia-me rir enquanto eu cantava uma melodia baixo em seu ouvido, todas as noites antes de dormir. E em meu sono, arrancava-me sorrisos bobos, travessos.
Eu via o desenrolar dos dias também. As folhas caindo no outono, os primeiros flocos do inverno. E a cada um desses dias, eu caia mais e mais profundo no amor dele.
Mas, ao contrário da última linha do verso, eu desejava com todas as minhas forças:
Por favor, me conquiste.
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