Catch Me
16 Capítulo 16 Verdades....
Notas iniciais
PDV Bella
- Você ainda não entendeu que eu faria qualquer coisa para te fazer feliz e espero que se sinta confortável ao meu lado. – E ele continuou – Nem eu quero que mude algo, cada um tem seu jeito e esse é o seu. – terminou sorrindo para meu rosto ainda confuso com tudo que ele tinha me dito.
- Obrigado – disse me sentindo realmente grata por ele me aceitar ser assim, já que de uma forma estranha precisava que ele me aceitasse.
O sinal tocou e nós dois olhamos para a entrada onde muitas pessoas já se direcionavam. Suspiramos e acho que ele estava pensando o mesmo que eu “temos que ir”.
Já estava arrumando minha mochila nas costas para ir e vi de canto de olho o Edward fazendo o mesmo para me acompanhar, porém ao olhar para minha frente vi a Tanya passando rindo com seus amigos. Aquilo na hora me fez travar e fechar a cara, Edward logo percebeu e se pós ao meu lado.
— Tudo bem Bella? – Ele me perguntou com um olhar de preocupação.
— Não, mais vou superar – disse eu não querendo relembrar muito do assunto.
— Gostaria de poder fazer você esquecer tudo aquilo, as vezes me parece que você cria uma espécie de barreira de alto preservação, porém não se livra totalmente daquele sentimento que a machucou – tive medo do modo como ele conseguia me ler, ate comecei a achar que ele sabia do meu problema.
No mesmo momento lembrei-me de uma frase que li uma vez e comecei a recita-la sem nem percebe.
- "Não importa o quanto algo nos machuca, às vezes se livrar dele dói mais ainda”. – Ele ficou olhando confuso para mim tentando entender o verdadeiro sentido da minha frase, com o desaparecimento da Tanya nos corredores fomos para nossa sala.
A aula passou de vagar com muitos olhares em minha direção, depois do episódio poucas pessoas ainda tiveram a sutileza de vir falar comigo, Jessica e Lauren fingiam que eu não existia, Tyler e Mike se esqueceram da sua repentina paixonite por mim e seguiram em frente, os únicos que ainda mostravam algum sentimento de amizade e companheirismo foram o Eric e a Angela, que sempre que podiam estava do meu lado e não me deixavam sozinha.
O sinal tocou e fomos para nosso intervalo, sem prestar atenção acabei passando ao lado da Tanya que por instinto acelerei o passo e abaixei a cabeça, esperava que ela nao reparasse em mim, mas acho que me enganei ao sentir a mão de alguém ao meu em meu ombro me parando. Senti-me tão assustada que puxei e dei um sonoro “Me deixe em paz”, porém ao olhar percebi que não era aquele rosto que eu esperava e sim um anjo que me olhava sem entender minha atitude.
- Edward? — disse em dúvida, encabulada pela minha atitude.
— Oi, fiz algo de errado? – disse ele esperando uma explicação minha.
— Não! Só estou meio paranoica, acho – disse mais para mim do que para ele.
— hum... Bom hoje não vou almoçar com meus irmãos, achei que poderia te convidar para almoçar comigo – disse ele sorrindo daquele jeito que me fazia me perguntar se ainda estava no planeta Terra.
— Tem certeza que quer sentar comigo? Afinal parece que sou o assunto o momento – disse ainda sentindo olhares na minhas costas.
— Gosto de ser o centro das atenções – disse ele com uma cara estranha, me fazendo pensar que nunca tinha percebido isso de sua personalidade, acho que meu rosto mostrou isso já que ele logo foi explicando.
— Estou brincando Bella – disse ele sorrindo – E não ligo pra isso. – dando um passo para a fila da cantina. Ficamos em silencio ate chegarmos a nossa vez, eu peguei um misto e refrigerante ele pegou um pedaço de pizza e outro refri. Passamos pelo refeitório quase cheio e eu sentei no canto mais afastado que podia já Edward me seguia sem nenhuma objeção sobre o lugar da mina escolha.
— Vai se sentir satisfeita só com isso? – disse ele em dúvida.
— Sim, eu gosto muito disso – disse distraída comendo.
— É percebi todos os dias você come a mesma coisa, no mesmo lugar e o mesmo refrigerante – disse ele achando engraçadas as coincidências.
- Não gosto de mudanças – disse francamente. Ele ficou olhando pra mim e aquilo me incomodou um pouco, era como se tentassem me decifrar. –Porque fica olhando pra mim assim? – perguntando realmente tentando entender.
— Olhando como? – disse ele claramente disfarçando.
— Como se quisesse fazer uma avaliação dos meus pensamentos.
— Talvez porque tenha alguma dificuldade em te entender, seus pensamentos não são tão claros para mim quanto as das outras pessoas – disse ele presunçosamente.
- Estranho, minha mãe sempre disse que sou um livro aberto – disse não entendendo o que não era claro em minhas ações.
— Gostaria que te conhecer mais – disse um pouco mais baixo, como que para si mesmo.
— Ah é? Você não disse mais cedo que deveria ir embora – disse sentindo raiva dele me deixar tão confusa.
— Sim disse, mais não quero me afastar de você, porém admito que não deva querer.
— Porque não Edward? – Ele se manteve calado olhando para algo atrás de mim, ao seguir seu olhar vi sua família olhado para ele com um olhar curioso e a loira olhando com raiva, me irritei e continuei — Quando para de me deixar tão confusa me procura – disse me levantando e voltando para a sala sem nem ter tocado o sinal ainda, sozinha na sala me senti um pouco melhor, em paz, ate que a classe começou a encher e uma certa pessoa passou pela porta. Meu primeiro pensamento foi “É algum tipo de perseguição?”, aquele era o momento em que eu provava o quanto era desligada.
A professora entrou na sala e começou a falar com a gente sobre uma nova atividade.
-Bom dia pessoal –disse ela sorrindo – Tinha garantido na ultima aula que essa seria a mais light e estava sendo sincera, através de pesquisas quero um levantamento de quais distúrbios atingem os adolescentes hoje em dia e depois quero uma apresentação com um relatório para entregar.
— Nossa se isso é light imagina o que engorda! – disse um garoto lá atrás fazendo todos rirem e ela continuou — Eu disse que hoje seria assim, ou seja, só vão pesquisar e semana que vem quero o relatório junto com a apresentação. – começaram os resmungos e ela continuou – Pode ser individual ou no mínimo três pessoas em cada grupo. Vamos lá pessoal trabalhando.
Ocupei minha mente com o que faria nesse trabalho e passei toda a aula assim sem realmente prestar atenção em nada. Dei um breve tchau pra Angela e liguei para meus pais avidando que iria passar no hospital, precisava ver Camile e falar com o Carlisle.
Chegando lá fui direto encontra Camile, ela estava meio cansada das suas seções de quimioterapia não ficamos muito tempo conversando. Quando ela começou a piscar dei um beijo em sua testa e fui para a sala de Carlisle.
— Oi, você tem um tempo – disse constrangida pela intromissão.
— Olá Isabella, tenho sim pode entrar – disse ele deixando de olhar para a tela do computador e me dando atenção.
-Bom... queria agradecer....o dia que foi na minha casa...depois do que aconteceu...- Não consegui prosseguir, minha vergonha estava em cada palavra e ação.
- Não precisa agradecer Bella, esse é o meu trabalho – disse ele com aquele caseiro sorriso simpático. Ele continuou a falar, porém minha atenção foi direcionada a um cubo que estava na sua mesa, suas formas me trouxeram lembranças de algumas formulas que já tinha visto e por alguns momentos me deixei mergulhar nela. Aquela era minha forma de descansar, de ser eu sem irritar ou machucar ninguém. Com o tempo Carlisle percebeu que minha atenção não estava mais nele e comentou sorrindo.
- Está no seu mundo particular? – fiquei sem graça por ter sido pega, coro – Não fique assim, entendo as sua dificuldade e limites que o Aspergers te proporciona – disse ele com os olhos cheios de compaixão e... Pena? – Só queria ajudar do jeito...
- Não preciso de pena – disse rudemente, levanto me preparando para sair quando vejo um vulto passando pela porta que ficou entreaberta.
— Bella...espera – disse ele me segurando pelo braço – Não foi minha intensão...
— Tudo bem Carlisle, tenho que ir, amanha passo aqui para ver a Camile – disse dando um pequeno sorriso e acenado.
Fui pra casa e fiquei algum tempo pensando em tudo que tinha mudado amigos, inimigos, Edward... E de uma forma muito fugaz.
Acordei cedo sem nem ao menos tomar café com meus pais, estava ansiosa e apreensiva por algo que ainda não tinha conhecimento.
Chegando no estacionamento logo senti a presença de Angela com um sorriso estranho nos lábios.
— Que? – disse não entendo sua expressão
— Ontem... Edward... Não tem nada para me contar não? – disse ainda sorrindo.
— Nada demais – disse começando a entender, aquilo no rosto dela era chamado de olhar malicioso – Ele não iria ficar com a família e me fez um convite para acompanha- ló.
- Hum... nada mais?
- Não — disse querendo acabar com aquele momento
- Sei... – disse aumentando o sorriso com algo que via atrás de mim – Então por que ele não para de olhar para cá... ou melhor para você. – olhei para trás e encontrei seus olhos focas em mim, fiquei olhando por mais algum tempo e fechei a cara pela ousadia dele ainda exercer algum sentimento sobre mim. Voltei e vi que Angela continuaria com aquelas insinuações, respirei fundo e comecei a andar para minha próxima aula que teria com ela.
- Bella, volta aqui... seu príncipe... – nem permitir que ela continuasse
– Qualquer piada ou insinuação constrangedora serão ignoradas Angela! – Adverti sem olhar para sua cara, mas sabendo que ela reprimia um sorriso.
O tempo foi passando devagar e lento, hoje não teria aulas com o Edward mais em compensação teria com a Tanya, porém esperava continuar sendo invisível para ela. Depois do intervalo aula fui ate o armário para buscar alguns livros que teria que usar e ao pegar vi um pequeno bilhete dobrado que me chamou atenção.
Bella
Coloque um sorriso no rosto
Obs: Você fica Linda com ele.
Ass: S.V
Era um bilhete de poucas palavras e inócuo, mas fez meu coração dar saltos de alegria por saber exatamente quem o fez e o colocou lá.
Deixei meus pensamentos sobre ele um pouco de lado e comecei a me preocupar com o que estava por vir, ou seja, minha próxima aula de português.
Sentia-me tensa por ter que apresentar o trabalho para toda a classe e já estava começando a cogitar a ideia de fingir um mal estar ou ate nem ir, mas esperaria mesmo que o sinal toca-se antes da minha vez.
Os grupos foram mostrando suas pesquisas, vídeos demonstrativos dos seus respectivos temas.
Até que chegou a vez do grupo da Tanya, ela estava acompanhada com mais três meninas que compartilhavam da mesma cara de nojenta dela, a apresentação começou e anunciaram o tema fazendo arrepender-me de não ter ido embora quando tive a chance.
— Asperge, um nome complexo para um conceito simples – disse ela com satisfação – É popularmente conhecida como síndrome do gênio, onde jovens encontra mais limitações que a maioria, mais em compensação – disse com uma cara de tedio- quando encontra um assunto que o interesse pode ser o melhor e mais inteligente naquilo. Em minha apresentação não trouxe vídeo ou imagens e sim uma coisas melhor – disse sorrindo e focou seu olhar em mim – Um depoimento exclusivo de uma de nossas colegas que vive isso dia após dia – disse parando em minha frente e sentando na minha mesa – Então Bella, conte para gente como é ter a Síndrome de Asperge como é ser a próximo Einstein! – Me sentia incrédula pelo o que acontecia e tênue, todos estavam olhando para mim. A única coisa que eu pensava era...
NÃO, NÃO COMIGO, NÃO AGORA!!!
Notas finais
Obs : fugaz.= que passa rápido
inócuo = inofensivo
tênue = fraco
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