Catch A Grenade For Ya (ilysm)
2 Capítulo 1 - LA, Baby, LA!
Notas iniciais
As folhas chacoalhavam violentamente por causa do vento forte. Fazia muito frio em Nova York, e todas as pessoas saíam com ao menos dois agasalhos se não quisessem congelar. Eu estava passando as férias lá, esperando muito sol e pessoas bronzeadas, com a esperança de perder essa minha palidez, já que era verão. Mas o que eu encontrei foi um frio pior que o do inverno, pra variar, eu tenho muita sorte.
Me sentei em um banco e fiquei olhando para o nada. Meu celular tocou e vibrou no meu bolso. Foi um sacrilégio só pra conseguir mover o braço, imagina atender.
Com muito esforço, o aproximei do ouvido.
- A-alô? – eu disse, tremendo o queixo um pouco.
- EMILY! VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE ACABOU DE ACONTECER! VOCÊ VAI PIRAAAAAAAAAAAAR! SOCORRO, SOCORRO! – gritou Isabella, histérica do outro lado da linha.
[...]
Bruno’s POV
Dei uma última tragada no cigarro e joguei-o no meio-fio.
- E então, a gente vai pra Nova York mesmo? – perguntei para Phil, sentando-me num banco branco, colocando as mãos atrás da cabeça e aproveitando o sol.
- Sim... – ele disse, mexendo no celular, mal me dando atenção.
- Eu soube que tá frio lá, é verdade? – eu perguntei, me aproximando dele, tentando ver o que ele tanto fazia naquele celular.
- Ahãm. – afirmou, balançando a cabeça e esboçando um sorriso. Depois, os olhos esbugalharam-se, deu uma risada e então voltou à mesma expressão de bunda.
- Você é gay, Phil?
- Sim – ele disse, ainda olhando para o celular.
Explodi numa gargalhada e ele continuou vidrado no celular. Deu uma risadinha sem graça e voltou a mexer nele... Impaciente, tomei o celular das mãos dele.
- VAMOS VER O QUE O SENHOR ANDA FAZENDO! – eu disse, rindo, tentando desbloquear a tela do iPhone. Poxa, pra quê uma coisa tão complicada?
Quando eu – finalmente – descobri como mexer naquele troço, abriu a tela das mensagens. Ele trocava mensagens... digamos acaloradas com uma loira, dizendo o quanto gostaria de conhece-la, que ela era linda... e bem, outras coisas a mais.
- OLHA SÓ, SR PHILLIP... NAMORANDO VIRTUALMENTE! – eu disse e ele fitou o chão, sem graça, mexendo numa folha seca com o pé. – Vamos ver se ela é bonita.
Abri seu perfil e ela tinha várias fotos lindas... Até eu prestar atenção numa foto que ela aparecia de lado.
- Phil... – eu falei, meio receoso, me controlando para não rir da cara do coitado. – Você percebeu que “ela” tem gogó? – daí em diante eu não consegui me controlar e me desatei a rir.
Ele pegou o celular e o socou no bolso, evitando olhar nos meus olhos.
- Agora eu tenho provas de que você é gay. – com toda a certeza eu estava vermelho de rir... A situação era hilária, porque, ele pensava que estava se dando bem.
– Tudo bem, vamos esquecer isso. – eu disse, deixando escapar algumas lágrimas de tanto rir. – A gente tem que fazer as malas pra ir pra NY, certo? Então, vamos. – eu disse, dando um tapinha nas suas costas.
[...]
No hotel, com quase todas as malas arrumadas, eu me joguei na cama, exausto...
- Cara, eu preciso de uma garota – eu falei, fitando o teto.
- Percebe-se – ele falou bravo.
- Eu não quero sua travesti não. – eu disse rindo.
- Promete não falar nada pra ninguém?
- Não sei... Só se você me arranjar uma mulher pra hoje à noite – eu disse, arqueando uma sobrancelha. Crianças, não chantageiem as pessoas, é feio. À não ser quando você tá sem ninguém. Aí pode.
Ele revirou os olhos.
- Você consegue isso sozinho cara.
- Cara, a última garota que dormiu comigo tirou fotos e disse que ia postar no Twitter porque o mundo precisava me ver nu. Ela era louca... Sorte que eu disse que dormiria com ela de novo se ela apagasse.
- E você dormiu?
- Claro que não... coitada.
Phil deu risada.
- E a quanto tempo foi isso?
- Acho que três semanas. – eu disse, envergonhado.
Ele me ignorou e continuou fazendo as malas.
- Acho que já podemos ir. – ele disse, enfiando todas as malas debaixo do braço, como se conseguisse levar todas de uma vez só.
Ao chegar na porta, ele apenas jogou-as para um lado e quando o elevador abriu, chutou todas para dentro.
Com as malas ocupando a maior parte do espaço, eu fiquei com a cara prensada no espelho.
- Imagina se alguém entra aqui. – eu falei, rindo feito idiota. Sério, alguém colocou vodca no meu café?
Phil revirou os olhos – pelo o menos eu acho que fez isso, já que ainda tá bravo por causa da namorada travesti que eu descobri.
A porta se abriu e uma morena entrou. Ela estava em boa forma e parecia ser bonita vista pelo espelho embaçado com a minha respiração.
- E aí? – eu disse, levantando a mão e fazendo um sinal de paz.
Ela olhou para mim e riu, depois se virou para a frente novamente e tamborilou os dedos na carteira de couro vermelha.
- Tudo bem? – eu puxei assunto. Ela não era das mais bonitas, mas quando se está desesperado até a Madonna vai, meus caros.
- Tudo ótimo... Pera, você é o Bruno Mars, né? – ela falou, os olhos brilhando de animação.
Eu realmente esperei por um chilique, que ela se jogasse contra mim e me beijasse e então tirasse as roupas ali mesmo, mas ela simplesmente perguntou se podia tirar uma foto e voltou a ficar na dela.
- E aí, o que faz em LA? – continuei tentando dar um rumo na conversa.
- O que você faz em LA? – ela perguntou, sarcástica e sendo um pouco chatinha.
Desisti de tentar conquistar essa. Parecia aquelas chatas que reclamavam quando você apertava demais, e reclamava quando você a soltava demais.
Bufei e voltei à minha posição inicial.
Ela meio que desistiu de bancar a difícil também, ao que parecia. Tipicamente louca. Fingia não ligar para mim, para eu supostamente me interessar e depois publicar minhas fotos na internet, talvez eu esteja paranoico, mas é o que pode acontecer.
- O que vai fazer hoje à noite?
- Uma hora eu embarco para Nova York. – falei numa voz monótona.
Só ela podia bancar a difícil?
- Hm... – é isso mesmo, ela tá esperando eu convidá-la pra sair.
- Posso te pegar às oito pra gente jantar? – eu falei, me aproximando dela, colocando uma mão na parede metálica do elevador... Ela inspirou discretamente meu perfume, mas suas narinas se abriram demais e ela ficou parecendo um ET. Pois é, tempos difíceis requerem situações extremas.
- Ah, claro. – ela tentou se fazer de desinteressada e desceu no andar seguinte.
Phil, renascendo sabe-se lá de onde, levantou a mão para um “toca aí”.
- Uma já foi achada, só falta a outra. – ele disse, rindo.
Emily’s POV
Depois de muita gritaria no meu ouvido, Isabella se acalmou e disse que Bruno Mars viria para Nova York. Bem, eu não era uma de suas maiores fãs, mas eu gostava muito dele.
Não deu nem tempo de eu me animar o suficiente, ela disse que precisava fazer os planos para o show e desligou na minha cara.
Continuei esperando em meio a tanta neve pelo carro que me levaria de volta ao hotel.
- Como foi o passeio por Nova York? – disse Daniel, o guia turístico e agora, ao que parecia, meu motorista.
- Teria sido muito bom se eu conseguisse mover minhas pernas. – eu falei, fechando a porta do carro e tirando o agasalho, após ligar o ar-condicionado.
Ele dei uma risadinha, e continuou a guiar o carro.
Depois de um tempo, caiu a ficha. O Bruno Mars viria para Nova Iorque.
Dei o maior chilique no carro e contei para ele o que eu sabia. Ele se desatou a rir... Era óbvio que eu não era a maior fã dele, mas eu gostava muito dele e, poxa, eu ia conhece-lo!
- Eu nem acredito... – eu disse, suspirando, olhando pra frente.
- E quem vai?
- Eu e a Isabella, acho. – disse, recostando a cabeça no banco, esperando cochilar.
- Eu poderia ir com vocês, sabe, pra vocês não se perderem.
- Ou apenas para rir da nossa cara quando o Bruno entrar no palco. – eu disse, e ele ficou vermelho, mas não confirmou nem negou. – Pra quê? – eu perguntei.
- Sei lá, a gente não faz nada além de passear por Nova York. Vamos sair à noite, que tal? Como amigos. – ele ressaltou no final.
- Tudo bem... Vai ser legal. – eu disse, sorrindo.
- Soube que hoje à noite para de nevar... O show do Bruno é quando?
- É depois de amanhã.
- Então vai estar sol. – ele falou rindo.
De repente, freou o carro bruscamente. Eu fui para frente e depois, mais violentamente me choquei contra o banco.
- Acho que me entreguei demais à conversa. Era pra eu ter virado na outra rua.
- Ai meu Deus, o que vai ser de mim com um guia turístico e motorista que não sabe dirigir pela cidade nem guiar um GPS. – falei teatralmente, rindo.
[...]
Me arrumei toda para o show, com um shorts, porque realmente estava muito calor, e praticamente toda a neve já havia derretido.
Peguei o celular e disquei o número de Isabella – realmente, borboletas dançavam no meu estômago, e era muito estranho. Estava muito nervosa. Quando finalmente consegui ligar, depois de três tentativas, minhas pernas estavam bambas e eu pensei que iria morrer.
O que essa noite reservava para mim?
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